Para a compreensão dos pactos telejornalísticos é fundamental a análise de como o programa atualiza as premissas, os valores, as normas e as convenções que fazem do jornalismo uma instituição social.
Em outras palavras, como lida como as noções de objetividade, imparcialidade, factualidade, interesse público, responsabilidade social, liberdade de expressão e de opinião, atualidade, quarto poder, como lida com as ideias de verdade, pertinência e relevância da notícia, com quais valores- notícia de referência opera (GOMES, 2007. p. 26).
Nesse sentido, tendo em vista que a TV Cabo Branco é uma das afiliadas da Rede Globo, vamos tomar como base nesta análise os “Princípios Editoriais das Organizações Globo”, para perceber como eles são atualizados no JPB1, ou seja, como eles são materializados pelo telejornal e como esse processo contribui nos modos de construção da identidade deste telejornal.
Contudo, antes consideramos relevante entender de que forma a Rede Globo se relaciona com as 117 emissoras afiliadas em todo o Brasil e, consequentemente, como a Televisão Cabo Branco colhe as orientações sobre os modos de fazer telejornalismo dessa rede.
Foi a partir da década de 1980 que o projeto de regionalização da programação da Rede Globo ganhou força com a implantação, em seu organograma, de um setor específico para atender suas afiliadas: o CGAE (Central Globo de Afiliadas e Expansão), responsável por viabilizar as emissoras locais em todas necessidades, como: programação, engenharia e jornalismo. (BAZI, 2001, p.23)
Em que pese o projeto de regionalização já existir desde o nascimento da Rede Globo, nessa década, esse projeto ganha a dimensão de um projeto sistematizado de atendimento, no qual ao propósito de regionalização são implementadas questões como orientação de programação, engenharia e telejornalismo. Como ressalta o autor, o propósito maior da Rede Globo era expandir e qualificar sua produção regional, através das afiliadas. Noutras palavras, trata-se de uma estratégia mercadológica, que prima pela qualificação e controle de modo a intensificar a produção das afiliadas e gerar lucros. Com o CGAE a Rede Globo estabelece um contrato de afiliação no qual leva em consideração a cobertura geográfica da TV regional e o potencial de consumo do mercado. Em linhas gerais, o contrato de afiliação prevê uma emissora regional receber toda a programação nacional da Rede Globo, sem pagar nada por isso; mas terá que dividir o lucro da venda dos anúncios regionais e estaduais.
A TV Cabo Branco, por exemplo, como qualquer outra afiliada, possui horários predeterminados para mostrar sua programação regional, desde que obedeça ao “padrão Globo de qualidade”:
Além de terem que cumprir os horários estipulados pela Rede Globo, as emissoras regionais afiliadas também precisam se enquadrar ao chamado “Padrão Globo de Qualidade”, ou seja, todas as emissoras devem seguir os padrões técnicos, visuais e operacionais da Rede. (BAZI, 2001, p.30)
Nesse contexto é que a TV Cabo Branco tem que seguir os pactos jornalísticos da Rede Globo, obviamente, de forma a concretizá-los em seus telejornais. Antes de tudo, consideramos que esses pactos são construídos com base nos Princípios Editoriais da Rede Globo.
Em agosto de 2011, as Organizações Globo publicaram por meio de uma carta assinada pelo presidente do Grupo, Roberto Irineu Marinho, e os vices João Roberto Marinho e José
Roberto Marinho, um documento no qual formalizaram os „Princípios Editorais‟ que devem ser seguidos pelas empresas jornalísticas comandadas pela família Marinho.
Com a justificativa de que na era digital as pessoas tem acesso a uma audiência potencialmente ampla para divulgar o que quer que seja, o Grupo entendeu que todas as empresas que se dedicam a fazer jornalismo de sua rede devem expressar de maneira formal os princípios que seguem cotidianamente. E assim a carta foi apresentada ao público, no Jornal Nacional, o principal telejornal da Rede Globo e pode ser consultada por qualquer internauta no Site oficial da Globo, o G1.com19. Segundo o documento, ele não foi pensado para elaborar um manual de redação, mas para servir de base sobre como as Organizações Globo consideram que deve ser a forma de conduzir o jornalismo praticado há décadas pelos veículos que a compõem, incluídos a televisão, rádio, internet e jornal impresso.
O que se pretendeu foi explicitar o que é imprescindível ao exercício, com integridade, da prática jornalística, para que, a partir dessa base, os veículos das Organizações Globo [hoje Grupo Globo] possam atualizar ou construir os seus manuais, consideradas as especificidades de cada um.(ORGANIZAÇÕES GLOBO, 2011).
O documento é dividido em quatro partes, sendo a primeira destinada a uma breve definição de jornalismo na visão das Organizações Globo e as demais aos atributos da informação de qualidade: como o jornalista deve proceder diante das fontes, do público, dos colegas e do veículo para o qual trabalha e os valores como imperativos do jornalismo.
Reproduzindo o que diz o texto, a Globo adota a seguinte definição: “jornalismo é o conjunto de atividades que, seguindo certas regras e princípios, produz um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas”. Para tanto, dá exemplos de notícias sobre uma crise política, uma guerra, descobertas científicas e até mesmo o surgimento de um buraco numa rua ou um assalto à loja da esquina.
O jornalismo é aquela atividade que permite um primeiro conhecimento de todos esses fenômenos, os complexos e os simples, com um grau aceitável de fidedignidade e correção, levando-se em conta o momento e as circunstâncias em que ocorrem. É, portanto, uma forma de apreensão da realidade. (ORGANIZAÇÕES GLOBO, 2011)
Entendido o conceito de jornalismo para a Rede Globo, o guia editorial reforça ainda que para produzir um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas, é necessário que o
trabalho jornalístico também seja feito buscando a isenção, correção e agilidade, os seus três atributos de qualidade20.
Há de se levar em conta que a palavra “isenção” no jornalismo é reconhecida como sendo tão problemática quanto a ideia de “verdade”. Isto é explicitado quando o próprio documento assume que não há cem porcento de isenção. Porém, ainda que seja difícil manter esse distanciamento, o guia para as empresas jornalísticas da Globo diz que é possível alcançar a isenção, desde que haja um esforço consciente do veículo e de seus profissionais.
Além da isenção, os Princípios Editoriais listam uma sequência de regras, que devem ser entendidas como atitudes ou condutas que os profissionais da Rede Globo precisam seguir em relação ao posicionamento diante da notícia. Como o jornalista deve proceder diante de fontes, do público, dos colegas e do veículo para o qual trabalha, que visam por exemplo os cuidados na publicação de uma reportagem, que devem ouvir todas as versões do fato, até mesmo como deve ser a redação, em relação aos profissionais que nela atuam, que inclusive influenciam nos temas discutidos nos produtos jornalísticos. No item (h) do documento, por exemplo, diz que:
É imperativo que não haja filtros na composição das redações. Quanto mais diversa for uma redação – em termos de gostos, crenças, tendências políticas, orientação sexual, origens social e geográfica – mais isenta será a escolha dos assuntos a serem cobertos, discutidos e analisados, e mais abrangentes a acolhida dos pontos de vista em torno deles. Esse objetivo não se alcança estabelecendo-se cotas, mas simplesmente evitando-se filtros. Os jornalistas devem ser escolhidos entre os mais capazes em suas áreas e funções, entre aqueles que têm a democracia e a liberdade de expressão como valores absolutos e universais. (ORGANIZAÇÕES GLOBO, 2011)
Sobre os atributos da informação de qualidade, o documento dá destaque a correção, que é tratada como um instrumento essencial na construção da credibilidade do jornalismo. Nesse sentido, o guia é enfático ao orientar que o compromisso com o acerto deve ser inabalável em todos os veículos do Grupo Globo. Porém, quando há erros diagnosticados, seja na veiculação ou posteriormente ao que foi publicado, a orientação é que eles sejam corrigidos de forma transparente e que a opinião do público, especialmente nesse contexto de novas tecnologias, seja levada em consideração. Para isso, recomenda que todos os veículos
20 Aqui não nos cabe discutir a questão da qualidade no jornalismo. O nosso objetivo é simplesmente conhecer
os valores que norteiam o trabalho das Organizações Globo para que sirvam de referência para a análise do telejornal.
do grupo tenham estruturas para receber as observações do público, sejam elas positivas ou negativas, a fim de “processá-las, entendê-las e dar seguimento a elas”.
Conhecer a reação do público é fundamental porque contribui para a melhoria da qualidade da informação de muitas formas. Ajuda a conhecer possíveis erros, facilita o recebimento de novas informações sobre alguma cobertura e pode revelar o que é um fato em si mesmo: a própria reação do público. Essas estruturas devem ser capazes de discernir o que é manifestação espontânea e o que, em tempos de internet, é orquestração. Não há um modelo único: cada veículo deve encontrar aquele mais condizente com o seu perfil. (ORGANIZAÇÕES GLOBO, 2011)
Este ponto é de grande valor para o que vamos analisar, pois demonstra bem como o contexto da midiatização e da convergência entre meios e a audiência tem interferido no processo de construção da notícia, já que mudam completamente a forma de comunicação e a interação entre o veículo e o público. Pelo que foi exposto no documento, a observação do público, esteja ele na internet ou de frente para a TV, é uma das grandes preocupações atuais das Organizações Globo e que devem ser seguidas por todos os veículos do Grupo.
Por último, a agilidade da produção jornalística é apontada como um dos atributos fundamentais para o jornalismo praticado pela Globo. E recomenda que todos os veículos tenham como prioridade investir em tecnologia capaz de dar celeridade ao trabalho jornalístico. “É a celeridade com que traça o primeiro retrato dos fatos que ao mesmo tempo dá utilidade à produção jornalística e justifica as suas lacunas. A notícia tem pressa” (ORGANIZAÇÕES GLOBO, 2011). Mesmo assim, há também a preocupação com a questão do furo jornalístico equivocado e por isso, o que o documento orienta é que “nenhuma notícia seja publicada sem que esteja apurada dentro dos parâmetros seguros de qualidade”.
Os Princípios Editoriais da Rede Globo dizem muito sobre como funciona a relação da emissora matriz com as afiliadas e a própria divulgação desse documento pode ser percebida como o que Fausto Neto (2008) aponta como um dos processos de auto-referencialidade e auto- reflexividade do jornalismo, já que com a publicação dos escritos no Jornal Nacional, e também na internet, na página oficial G1.com, a TV Globo demonstra a sua preocupação em tornar público como funcionam os bastidores do processo de construção da notícia que é veiculada no Grupo e mais, qual a linha editorial e como ele quer ser visto pela sociedade, o que Gomes (2007) chama de “modo de endereçamento”.
Ampliando a discussão para o local, partimos do pressuposto de que, no processo de construção dos telejornais nas diversas emissoras afiliadas ao Grupo no país, a matriz jornalística da Globo é levada em consideração, apesar de variáveis determinantes como as
condições regionais de acontecimentos e a própria estrutura das emissoras de menor porte que compõem as afiliadas, que também influenciam numa tentativa de regionalizar o “padrão Globo de qualidade”.
Em pesquisa realizada em duas emissoras, a RBS e a TV Globo Nordeste, sendo a primeira afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul e a segunda uma “cabeça de Rede”, como é chamada a geradora da Globo no Nordeste, Sá Barreto (2013) em sua tese de doutorado trouxe o questionamento de até que ponto a matriz Rede Globo interagia com os processos jornalísticos próprios de ambas emissoras. E em uma das entrevistas, a responsável pelo jornalismo da Globo Nordeste enfatiza que há uma linha básica a se seguir e uma marca forte do jornalismo que deve ser acompanhado por todas as afiliadas. Sobre essa questão, a autora esclarece que:
Os conjuntos de códigos, regras, normas e lógicas jornalísticas da Globo devem ser prescritos para toda a Rede. Contudo, esses códigos são singularizados pelo uso, com as injunções do meio sociocultural, das particularidades das equipes produtivas e das culturas institucionais. (SÁ BARRETO, 2013, p.121-122).
De fato, as regras ditadas pela Rede Globo são assimiladas pelas afiliadas, que tem o compromisso de manter a mesma linha editorial orientada pela matriz, o que também interfere diretamente na forma de condução dos telejornais e em como a emissora vê o próprio telejornalismo.
Outro exemplo dessa preocupação da Rede Globo com o jornalismo que é praticado nas emissoras parceiras é a manutenção de um portal na internet de acesso exclusivo para os funcionários das afiliadas, o Uniglobo.com. O espaço virtual funciona como uma universidade online, que oferece cursos à distância nas mais diversas áreas comunicacionais e televisivas, como jornalismo esportivo, jornalismo comunitário, editor de texto, visual feminino no telejornalismo, entre outros. Essa prática aproxima os profissionais das mais distantes afiliadas com o modo de fazer jornalismo da Rede Globo. Entendemos que esse método reforça para todos os profissionais que fazem parte do Grupo de que é preciso acompanhar os Princípios Editoriais e que há um guia do modo de fazer jornalismo.
Como funcionária da referida emissora, a TV Cabo Branco desde 2010, a pesquisadora já participou de inúmeros cursos virtuais oferecidos pelo portal Uniglobo, cursos estes que discutiam desde a forma como o repórter deve se vestir para atuar no telejornalismo até a mais recente reforma ortográfica. Para participar das aulas, o profissional de qualquer emissora precisa ser matriculado pelo setor de recursos humanos da empresa. O acesso à página na
internet é através de uma senha e o aluno tem um prazo de um mês para assistir aos vídeos e concluir as atividades exigidas para receber o certificado de participação no curso, como exemplificado abaixo.
Figura 5: Página do portal Uniglobo na internet e certificado de conclusão do curso “Reforma Ortográfica”
Fonte: reprodução de tela (arquivo pessoal)
Dessa forma, o que percebemos é que há um esforço conjunto, tanto da Rede Globo quanto das afiliadas para manter o “Padrão Globo de Qualidade”. Essa linha vai desde o cenário dos telejornais, que sempre acompanha as mudanças sugeridas pela Rede Globo, às formas de apresentação e postura dos apresentadores, que buscam se modificar para renovar e aproximar-se do público da emissora regional. Abaixo, temos dois exemplos de emissoras distintas, de regiões bem distantes, os estados do Paraná e da Paraíba, mas percebemos que são semelhantes na forma de apresentação e também recriam o mesmo cenário para o telejornal da hora do almoço.
Figura 6 : Paraná TV 1ª edição, apresentado por Thaís Beleze e Jasson Goulart e JPB 1ª edição, apresentado por
Bruno Sakaue
Fonte: captura de tela (Sites G1 Paraíba e G1 Paraná)
Conforme podemos observar nas duas figuras que representam as emissoras RBS TV, no Paraná e a TV Cabo Branco, na Paraíba, há uma visível simetria entre as cores do cenário, a postura dos apresentadores, que ganharam mobilidade no estúdio e buscam uma forma mais espontânea de enunciação, o que indica uma ideia de aproximação com o telespectador.
Na nossa pesquisa, encontramos indícios de que a Rede Globo recomenda que os noticiários exibidos no horário do meio dia mantenham uma linha noticiosa mais focada no jornalismo comunitário. O JPB1, não consegue na maioria das vezes, seguir à risca essa determinação, como percebemos na análise da organização temática do telejornal, em que os assuntos relacionados à violência ainda predominam no noticiário, apesar de também constar conteúdos voltados para as comunidades e prestação de serviços.
Em tempos de transformações nos ambientes jornalísticos, em decorrência dos processos de convergência midiática e de outros fatores que envolvem a audiência, as empresas de comunicação e os produtos desenvolvidos por elas, tentam se reformular para acompanhar as novas exigências do mercado e da realidade de uma sociedade midiatizada. 4.3.1. “Bem vindo ao JPB – Jornalismo responsável sempre perto de você”
A frase de efeito que dá título a este tópico remete à abertura do telejornal JPB1. É assim, chamando o telespectador para acompanhar as notícias a partir da visão “responsável” do JPB1, que o apresentador Bruno Sakaue dá início ao programa, logo após ler as principais manchetes do dia. Analisando tal enunciação a partir dos Princípios Editoriais da Globo, percebemos que a tentativa de manter no telespectador a sensação de que o jornalismo praticado pela emissora é o mais confiável e mais perto, seria uma
estratégia de manutenção do vínculo e uma forma de se auto-referenciar como um telejornal que tem credibilidade e representa o sentido desse papel do jornalismo na sociedade.
Quando se fala no pacto telejornalístico de um programa, também é preciso entender como ele se estrutura e se mostra para o público, que vai dizer essencialmente como ele quer ser recebido pelos telespectadores.
A partir desses Princípios Editoriais, vamos analisar algumas situações que chamaram a atenção no recorte feito na pesquisa, entre os dias 10 a 15 de novembro de 2014, para fazer uma observação mais sistemática dos modos de dizer do JPB1.
Fazendo uma relação do que foi dito sobre os experimentos no telejornal, temos como exemplo o que aconteceu no dia 10 de novembro de 2014, uma segunda-feira, em que o JPB1 começou com uma notícia factual, sobre o fim de semana violento na grande João Pessoa. Para tratar o assunto violência, que como já vimos, é um dos mais recorrentes no telejornal, o apresentador Bruno Sakaue convida para o estúdio o repórter Plínio Almeida. O jornalista, que antes esteve na rua fazendo a reportagem, também vai ao estúdio para dar mais destaque ao assunto de sua reportagem. Primeiro, há um diálogo numa linguagem coloquial entre o apresentador e o repórter, que em seguida, faz a chamada da sua própria matéria sobre os crimes que aconteceram em dois dias na região metropolitana.
Logo após a exibição das reportagens, os dois jornalistas, sem seguir um teleprompter, comentam sobre a falta de informações e soluções sobre os casos, tanto por parte da população, que se sente insegura e com medo da violência, quanto também da polícia, que não consegue prender nenhum dos autores dos homicídios. Para encerrar o assunto, depois de mais de seis minutos dedicados exclusivamente ao tema “homicídios na capital”, o repórter Plínio Almeida diz que a produção do telejornal tentou um contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado para que alguma autoridade desse explicações sobre o problema, mas enfatiza que a produção não obteve respostas.
Nesse momento, o apresentador Bruno Sakaue reforça no ar o pedido dizendo que o “JPB tem espaço aberto para as respostas” e diz enfático que “nosso espaço tem o objetivo de informar à população sobre todos os casos, mas quer cobrar providências” e ainda finaliza dizendo que: “O JPB vai continuar existindo tranquilamente se não tiver essa onda de violência e é isso que a gente quer, que a violência acabe”, conclui o apresentador.
Desse exemplo podemos destacar os pactos que o telejornal tenta firmar com o telespectador, mostrando a preocupação dos produtores do JPB1 em abordar o tema violência de uma forma diferenciada do que é mostrado na concorrência, sem o sensacionalismo, mas com a obrigação de ouvir todos os lados, procurando se distanciar da forma de tratamento
com a notícia dos outros telejornais e também deixando claro, na fala do apresentador, que o telejornal não sobrevive das notícias de violência. O JPB1 quer se mostrar nesse momento do lado da comunidade que não aguenta mais tantos assuntos pesados e é assim que ele constrói os laços de identidade com o público.
No momento em que, além da figura do apresentador em estúdio fazendo os comentários sobre a notícia, o repórter também ocupa o mesmo espaço, o JPB1 também dá pistas de que reformula o poder de referência a quem apurou as informações na rua e agora está presencialmente no estúdio para contar essa história de violência com mais propriedade. Aqui os dois jornalistas, âncora e repórter, assumem o mesmo papel no telejornal ao