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Second, the countries affording maximal and minimal diversification benefits were the same over the sample period. This is true whether we measure comovement with Pearson or rank

In document 2 08 (sider 62-65)

Para proceder a analise do corpus deste trabalho, va- mos, inicialmente, distinguir informagao de humor. Em seguida, passaremos a identificar mecanismos IingUfsticos que caracte- rizam a presenga do humor. Finalmente chegaremos a estabe- lecer como se da essa relagao entre informagao e contexte humorfstico.

As entrevistas do programa J6 Onze e Mela geralmente seguem a seguinte estrutura: breve apresentagao do convida- do; parte introdut6ria (que funciona como "quebra-gelo"); cor- po da entrevista; encerramento rapido. Como variaveis, temos o assunto abordado e os momentos onde entra 0 humor. A presenga do humor vai estar vinculada as oportunidades den- tro do contexte e, principalmente, as pistas dadas pelo entre- vistado.

Vale informar que, por raz6es metodol6gicas, estamos, neste trabalho, considerando como situag6es de humor, aque- las que provocam 0 riso. Esclarecemos, ainda, que - mesmo

sem desconhecer 0 fate de que 0 humor tambem pode envol- ver informagao - a partir de agora utilizaremos a palavra infor- magao somente quando quisermos nos referir a informagao seria, isto e, informagao nao risfvel.

Na entrevlsta com Marcelo Lavener, observamos que nos trechos informativos passa-se de um t6pico discursivo a outro com naturalidade, chegando a ser diffcil separar t6picos. Poderfamos ate afirmar que varios sub ·t6picos sao decorren- tes de um t6pico maior. Ja os trechos humorfsticos concen- tram 0 maior volume de fala em um unico t6pico: "i1utres" alu- nos alagoanos do professor Marcelo Lavener, ficando 0 restan- te dilufdo na parte introdut6ria e em quatro momentos de in- formagao.

3.2. Onde Reside 0 Humor

No corpus analisado, 0 humor enc0'1tra-se vinculado a elementos Iingufsticos bem identificaveis. E uma certa ento- naQao dentro de urn conjunto de coisas em andamento; sac

itens lexicais especificos, que ditos em outro contexto nao pro- vocariam a mesma rea<;ao; sao repeti<;6es de determinadas palavras, que dao um "qu~" de ironia.

Veremos que os recursos sintaticos e, principalmente, lexicais sao utilizados com 0 apoio de estrategias que se tor- nam eficazes para a cria<;ao de situa<;6es de humor. Vamos entao,

a

disseca<;aodesses elementos.

A utiliza<;aode palavras com sentido ambigOo e um tra- <;0caraeteristico das entrevistas de J6 Soares. Alias, nao e ra- ro 0 emprego da ambigOidade lexical para fazer rir.

E

°

que constatamos a seguir:

(1) M: nao era para ser ele 'havia uma disputa muito grande' para ser orador da turma' e terminou numa manobra de mestre de que eu nao tomei conhecimento' mas ate tambem me beneficiou, porque eu tui 0 paraninfo da turma.

J: «rlndo» voc& tol PARANIN::FODA TURMA DO PC"' .. ./

Aqui, a palavra turma e empregada por Marcelo Lavener no sentido de turma de concluintes. J6 Soares, por sua vez, aproveita 0 "gancho" do entrevistado e Litiliza a mesma pala- vra como coletivo de malandros, vivaldinos ou criminosos ao situa-Ia no·contexto da sigla PC no cenario poUtico do momen-

to.

Interessante observar que ha momentos em que 0 pr6- prio entrevistado tambem utiliza varias vezes uma mesma pala- vra, em·um s6 turno, com significados diferentes.

(2) M: era um talentoso aluno (+) talentoso a1uno' bom a1uno' e um' um rapaz de origem humilde' mas' que' realmente' talent080 (+) e e por isso' pelo talento do Claudio Francisco Vieira que ele tol chamado para a equipe do presidente Fernando Collor' que nao costuma chamar peS80assem talento para acom- panha-Io e para e' exercer esse trabalho de assessorla ,... ,

Mais uma vez, voltamos a destacar a. importAncia do contexto para a configura<;ao do humor. Utilizados em outro contexto, termos como ''1alentoso'', "aviaozinho", "paraninfo", "tesoureiro", "turma" ou "professor" nao gerariam humor. Mas nessa estrutura, ditos da forma que sao, fatalmente vao provo- car risos. Observe-se como sao simples e corriqueiras as pala- vras que, aqui, transformam-se em risos:

(3) J: oh Marcelo' eu sel que voc& e de A1agoas M: everdade

(4) M: posso garanti,r que isso nao enslnei' ate porque se tivesse ensinado imagine' se eu fosse professo:r de uma pessoa tao talento:sa J6' f .. ./

(5) J: ale tambem gostava de brlncar de fazer avliozln:ho na classe"f .. ./

(6) M: f .. ./mas ate me beneficiou' porque eu fui0paraninfo da turma J: «rlndo)) voce fol PARANIN::FO da turma do PC" f .. ./

(7) J: I.../voce sabe se por aca::so' na e:poca' junto ali ao' aos' as' organizaqoes estudantl:s' aos gremios' ele era tesoure:lro de alguma dessas (entldades)"

f .. ./

(8) J: quem mais da turma de Alagoas estudou com voce"f .. ./

(9) J: 0PC algum dia fol comunlsta" f .. ./

Da mesma forma, indagar sobre as convicg6es ideol6gi- cas de uma pessoa, em outra circunst~ncia nao seria nada demais, mas fazer essa pergunta naquele momento polftico era fazer uma relagao bastante curiosa, que seria interpretada de formas semelhantes por aqueles que compartilhavam do mesmo conhecimento de mundo e estavam inseridos no mesmo contexto. Tudo isso acontece porque a interpretagao tern seu frame de organizagao muito vinculado ao contexto.

Dutro elemento IingQfstico utilizado no humor

e

a repe- tigao. De acordo com Bergson (in: Travaglia, 1990:73) /fA repe- tigao pode ser de palavras, gestos, ag6es etc, e cria uma in- congru~ncia ou chama a atengao para algo que a torna cOmi- ca". No corpus analisado, verificamos varias situag6es em que o entrevistador repete palavras do entrevistado exatamente pa- ra chamar a atengao e ironizar determinadas informag6es,co- mo poderemos ver a seguir.

(10) J: f .. ./voce fol professor do PC" voce e qliem ensinou aquilo tudo pra ele" M: olhe' olhe' eu' nio po88O nagar 0fato

J: «rindo))nio pode nagarf .. ./

(11) J: f .. ./como

e

que ele era bom aluno0PC" M: na verdade era um aluno medlo J: me:dlo"

M: intel/gente' um aluno esperto' bem articulado' masnio era multo dado

u

lelturas Jurfdlcas nio

J: nio go.tava I.. ./

(12) M: 1.. ./e nao tinha dificuldade de passar nio' J: nao

M:' passava sem maiores esforqos' mas consegula J: consegula f ... f

(13) M: f .. ./tambem fui professor do Claudio Francisco Vieira J: Claudio Vieira"

M: do Renan Calheiros J: Renan::" f .. ./

Essas mesmas palavras, repetidas em outra situac;ao, poderiam indicar simplesmente a intenc;ao de ratificar 0 que

um dos interlocutores acabou de dizer. Mas aqui, neste con- texto, 0objetivo de ironizar e fazer rir

e

bastante claro. Vale as-

sinalar que a repetic;ao aqui vem sempre acompanhada de uma entoac;ao enfatica ou de realce da expressao.

3.2.3. Inversao

Apesar de, no corpus analisado, nao ser tao empregada quanta a ambigOidade ou a repetic;ao, a inversao

e

mais uma estrategia para se criar situac;oesde humor.

(14) M: mas tambem' nio assumo que tenha enslnado ao PC aqullo que ele anda fazendo

J: aqullo voci nio enslnou I.. ./

(15) J: 0PC algum dia fol comunista" nao" que voce se lembre"

M: nao' acho queest8sendo agora J: agoratal ... 1

Nestes dois exemplos, atraves da inversao sintatica, consegue-se tambem destacar e ironizar informac;oes. Interes- sante observar que no primeiro exemplo a inversao imprime um carater de pouca confiabilidade ao que foi dito pelo entre- vistado, ja no exemplo seguinte a inversao da um carater de

ratificac;ao. 3.2.4. Pros6dia

Pausas e alongamento de vogais sac elementos foneti- cos Gluedao pistas para a percepc;ao dos trac;os pros6dicos como a Anfase e a subida ou descida de tom. No texto anali- sado, .esses elementos funcionam como uma especie de "tempero" do contexto humorlstico. Observe-se os exemplos:

(16) J: e voc6 foi PROFESSO:R do Patllo cesar Farias"I.. ./

(17) J: ((rindo» voce fol PARANIN::FO DA TURMA DO PC" I... /

(18) J: /.. ./voce sa;be' se por aca:so' na 6:poca' junto ali ao' aos' as organizaQoes •• tudantl:s' aos gr6:ml08' ele era tesoure:lro de alguma dessas

(emidades)" /•. ./

Tanto 0alongamento de vogais quanta a subida de tom

permitem, nos dois primeiros exemplos, dar um outro signifi- cado as palavras "professor", "paraninfo" e "turma". Ja no ul- timo exemplo, as pausas tambem ajudam a sublinhar os ter- mos "aeaso " , "epoca", "estudantis", "grAmios" e "tesoureiro",

3.2.5. Elementos nso UngCIIstlcos

Os elementos nao Iingufsticos desempenham urn papel fundamental na interagao face-a-face. 0 riso, as gesticulag6es, os movimentos dos olhos e cabega podem determinar urn sig- nificado diferente do ,que esta sendo dito, ou uma ironia a uma afirmagao qualquer. E0que percebemos no trecho abaixo. (19) J: 1.. ./voce foi professor do PC Farias" voce

e

quem ensinou aquilo tudo para

ele"

M: olhe' eu' nio posso negar0fato

J: «rlndo» nio pode negar

Aqui, 0 entrevistado afirma que nao pode negar 0 fate de ter side professor do PC, mas 0 entrevistador - proposita-

damente - interpreta que ele nao pode negar 0 fate de ter en-

sinado "aquilo tudo" para ele -0 PC. Para criar essa situagao

de humor, J6 Soares utiliza, alem da estrategia da repetigao,0 riso e express6es faciais.

Outro trecho bastante interessante onde ha 0 emprego

de elementos nao Iingufsticos e 0 que vem transcrito em se-

guida.

(20) J: «aproxlma-se e pega no braqo de Marcelo» vamo fazer um ti ti ti aqui' uma fofoca aqui' (incompreensivel) entre n6:s' ja que0assunto ta fervendo no ar' como

e

que ele' era bom aluno0PC"I.. ./

Neste caso, J6 Soares arma todo urn clima de fofoca, utilizando, atraves do ate de se aproximar do interlocutor, para demonstrar intimidade, 0 estere6tipo da "comadre" que vive a

falar mal da vida alheia. Dessa maneira arranca gargalhadas do publico.

3.3. Comportamento dos Interlocutores

No texto analisado ha bastante equilibrio entre infor- mcg6es serias e humorfsticas. Mas para os interlocutores, co- mo acontece a relagao entre essas duas situag6es?

Observando-se 0 tamanho dos turnos, identifica-se

comportamentos diferentes para os momentos informativos e humorfsticos. Nos trechos informativos os turnos sac maiores e quase nao ha assalto ao turno do outro, mesmo existindo condig6es propfcias para a interrupgao (muitas pausas longas e hesitag6es). Ja nos trechos humorfsticos, percebe-se uma carta impaci~ncia dos interlocutores, traduzindo-se na maior

agilidade da conversagao. Os turnos sac bem menores,0 nu-

mere de assaltos aos turnos e maior e0entrevistador aprovei-

ta melhor as pistas do entrevistado.

Na maioria das vezes 0 entrevistador deixa clara sua in-

tengao de criar situag6es de humor. Mas essas situag6es acontecem, tambem, por iniciativa do entrevistado. Em duas ocasi6es, ele da pistas de sua intengao, prontamente aprovei- tadas por

Jo

Soares.

(21) J: Marcelo' desculpe que na abertura all eu falei urn Levener ern vez de Lavener

M: pra nio confundlr com Ana Acloll' Ana Gomes' Marcelo Levener' J: [ou Lavener

M: [Marcelo Lavener J: [ou

M: [de repente eu J: [Ia Marcele

M: [eu' jame (incluQ dentro dessa turma I.. ./

(22) M: 1.. ./

e

verdade' bom e nessa parte desses assaltos maiores' n6s estamos

muito bem' nso estamos mal nso J: nso nen bem servidos I.. ./

E

bastante curioso 0 momento em que 0 pr6prio

Jo

Soares nao percebe a intengao de Marcelo Lavener e intervem, com muita seriedade, com 0 objetivo de esclarecer a duvida

insinuada por seu interlocutor.

(23) M: 1.. ./eu gostaria que as declaraqoes do presidente Collor' correspondessem

averdade' mas na verdade n6s lamentamos que Isso nso sela' como ele Imaglna (+) nio sal sa08lornals sio de hole' real mente

J: de hole os lornals salram [hole

M: [ou

quem sabe do comeqo do seculo' do terceiro milenio I.. ./

Acreditamos que essa falha na interpretagao tenha sido provocada pelo uso de uma entonagao inadequada, e 0 que

deveria sugerir ironia, pareceu duvida. Em todo 0 corpus este

foi 0 unico caso de ma interpretagao, nos demais momentos

da entrevista parece existir entre os interlocutores uma perfeita compreensao das inteng6es.

o

esperado em qualquer conversagao e que exista a troca de informag6es. A presenga do humor nos eventos inte- rativos e 0 aspecto nao-natural, 0 nao esperado. Oaf vem a necessidade de se realgar os trechos que ultrapassam0 limite

da informagao. Para que isso acontega, langa-se mao de re- cursos e estrategias que irao marcar0contexte humoristico.

Lembram9s que os mesmos (ecursos e estrategias tambem sac usados nos contextos informacionais, com uma diferenga: aqui eles sac empregados quase que isoladamente. As situagoes de humor, por sua vez, sac bem marcadas por elementos que co-ocorrem. As repe!igoes, por exemplo, v~m sempre aHadasa outras estrategias. E urn tom mais acentuado nas palavras repetidas; e 0 alongamento de vog~is; sac os

movimentos dos o/hos, dos ombros, da cabega. E, enfim urn conjunto de coisas que levam a uma determinada interpre- tagao. No corpus analisado e exatamente 0 contraste entre

o marcado e 0 nio-marcado que vai definir a presenga do

humor.

o

g~nero entrevista pode ser visto de formas bem dife- renciadas, e com este traba/ho tentamos analisar uma dessas· vertentes. Esperamos ter, de alguma forma, contribufdo para 0 ainda incipiente estudo do humor na IingOfsticacomo tambem no jornalismo.

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* lsaltlne Mello Gomes 6 professora de jornalismo no Dept2 de Comunica<;ao So-

clal/UFPE emesl:randa em Ungiirstica no Programa de P6s-gradua'lso em Letras e UngUlstice/UFPE.

UMA LEITURA DA ABORDAGEM BAKHTlNIANA

DO DISCURSO REPORTADO

*

- Como a que aquilo que foi dito por alguam a transmitido pa- ra outra pessoa? .

- Como a que aquilo que eu digo agora pode ser reconhecido como ja enunciado por outra pessoa ou por mim mesma em outro momento?

- Como a que a fala ou um fragmento de fala pode estar des- locado dentro do enunciado que 0 contam?

- Como a que se explica que um discurso, uma vez retomado, nao seja mais 0 mesmo, que ele seja sempre modificado?

Sao perguntas que nos colocamos para abordar 0 fenOmeno da transmissao. do discurso na fala cotidiana, par- tindo das formas normatizadas: discurso direto, discurso indi- reto e discurso indireto livre. Mas 0 que preferimos chamar

Ie-

tomada-modifica9&0 do discurso de outrem nao se restringe a essas tr~s formas canOnicas.

A maior parte das descric;6es do trigrama discurso dire- to, discurso indireto, discurso indireto livre foram feitas no quadro da sintaxe da frase. Essa opc;ao redutora nao corres- ponde

a

dimensao do fenOmeno, que s6 pode ser compreen- dido se delimitarmos como fronteira a interaC;aoverbal como umtodo.

o

discurso de outrem nao apenas permeia a linguagem, mas a uma das chaves para a sua compreensao, interessando

a

gramatica,

a

estiffstica,

a

ret6rica,

a

linguistica e

a

teoria da Ii- teratura. Ata pouco tempo, a transmissao da fala foi estudada a partir de textos literarios ou jornalisticos; efetivamente, toda a teoria normativa do discurso reportado a decorrente da dis-

* Este artigo retoma com algumas modificaQOes um capitulo da tese de doutorado que defendl em 1990, na Unlversidade de Paris V, intitulada Organisation du dialo-

gue, dlscours rapporte et circulation de la parole, contribution

a

un. approche

dlaloglque du dlsacours d'autrul, publicada na Belgic&, numa ediQ8.o conjunta Pee- ters/Louvaln-Ia-Neuve, 1992.

tingao entre as 'formas tipograficamente marcadas e nao mar- cadas, sendo estas ultimas identificadas por uma suposta cor- relagao dos tempos verbais, independentemente do contexto de produgao.

A gramatica classica descreve as tr~s formas de repro- dugao da fala e dita as regras de constituigao, a partir de exemplos Iiterarios. 0 discurso direto e utilizado para reprodu- zir "textual mente" as palavras enunciadas. A identidade do produtor do discurso original e indicada (antes, ap6s ou numa oragao intercalada) pelo narrador. 0 discurso indireto e a re- constituigao da fala de outrem, pelo narrador que transmite apenas a sua substAncia. Alguns gramaticos consideram 0 discurso indireto livre como uma forma do discurso indireto. Trata-se dos casos em que as proposigoes do discurso indire- to sao independentes sintaticamente da principal (daf a aus~n- cia do "que" de subordinagao e do verba "dizer", implicito na proposigao que precede a proposigao livre), Nesta perspecti- va, onde tudo parece simples e definitivo, os gramaticos pres- crevem as transformagoes dos d~iticos e dOStempos verbais exigidas na passagem do discurso direto para0indireto.

Resumindo, a gramatica tradicional se Iimita

a

descrigao comparativa dos dois tipos de enunciados, excluindo todas as formas de uso que nao obedecem

a

norma da modalidade es- crita. Por conseguinte, a gramatica normativa nao permite abordar a g~nese do discurso reportado nem, conseqQente- mente, as transformagoes sofridas pelo discurso original na Irngua falada.

A gramatica gerativa transformacional (Banfield, 1973; Authier, 1978) se propoe a demonstrar que odiscurso direto e o discurso indireto nao sao formas derivadas uma da outra, como deixa supor a gramatica tradicional, mas constituem dois modos independentes de transmissao. 0 seu pressuposto me- todol6gico basico - a descrigao de frases gramaticalmente aceitaveis - torna esteril 0 debate para provar que 0 discurso

direto e 0indireto nao t~m a mesma estrutura profunda. 0 cor-

pus utlizado - frases isoladas de qualquer contexto - nao per- mite a descoberta de elementos verdadeiramente novos para a compreensao da retomada-modificagao do discurso de ou- trem.

lingua, nso considerando 0 discurso reportado enquanto fen6meno relacional, ao mesmo tempo uma "relac;so de falas" e uma fala relacionante, que concerne, no mfnimo, a dois atos de enunciagao e tras falantes.

As abordagens enunciativas do fen6meno (Authier, 1982; Maingueneau, 1981, 1987) revelam duas tendancias: 1. a primeira estende 0 domfnio do discurso reportado ao da-

heterogeneidade enunciativa manifestada nso s6 ao nfvel da frase mas do discurso. As tras formas gramaticais sac acrescentados: 0 resume com citac;so, a colocac;ao de as-

pas, alguns empregos do futuro do preterito no dialogo, as formas marcadas de conotac;ao autonfmica (categoria que inclui todas as formas metadiscursivas que rompem a Ii- nearidade do discurso para explicar ou especificar 0 status da palavra), a polisemia, etc.

2. a segunda transfere 0 interesse para todas as formas de polifonia, ou seja, casos em que pode se ouvir mais de uma voz no enunciado: pressuposic;oes, negac;oes, enun- ciados metalingUfsticos, parafrases, proverbios, slogans, ironia, alem das tras formas marcadas de discurso reporta- do.

Vale ressaltar a importancia da perspectiva enunciativa que amplia 0 campo de observac;ao (ate os anos setenta, ex-

cluindo os trabalhos de teoria da Iiteratura, 0 discurso reporta- do s6 foi analisado do ponto de vista gramatical). Considera- mos, porem, necessario distinguir 0 discurso reportado da cir- culac;so da fala: 0 primeiro englobaria todos os casos em que o locutor retoma 0 discurso de outrem ou 0 seu pr6prio dis-

curso para transmiti-Io a uma terceira pessoa; a segunda, to- das as formas de retomada do discurso do outro no dialogo onde cada turno de fala se constitui em func;ao do turno pre- cedente.

A gramatica do discurs01se preocupa com a descric;so

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