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7 Material Selection

7.3 Screen Using Constraints

Também foi possível perceber nas falas dos agricultores uma percepção de segurança com a utilização do equipamento de proteção, de forma a minimizar os riscos com relação à utilização de agrotóxicos nas lavouras de tomate do município.

Se não tiver o preparo é arriscado sim, tem que usar o EPI, tudo direitim. Agricultor 38 anos, 21 anos de experiência no cultivo do tomate.

É só saber trabalhar, se for preparado com as coisas que tem que usar tipo o roupão, a mascara, a luva, não tem perigo não. Com o equipamento não tem perigo, é só saber trabalhar, saber usar as quantidades certas, saber como jogar fora... Agricultor 50 anos, 1 ano de experiência no cultivo do tomate.

Acho perigoso. Tem que usar os equipamentos para se proteger. Agricultor 37 anos, 8 anos de experiência no cultivo do tomate. O remédio é perigoso só que tem que usar a máscara, mas usando o roupão com tudo não tem perigo não. Tem que usar aquelas máscaras cara, essas do Paraguai azulzinha aqui dá pra nada não, você usa mas aquilo ainda fica com um cheiro que sai da frente. Máscara boa é aquelas que tem a rodinha de plástico é mais cara mas aquela lá que é boa. Agricultor 26 anos, 5 anos de experiência no cultivo do tomate.

Outro ponto que se refere aos cuidados com a proteção pessoal está associado a não utilização do EPI quando do retorno às lavouras após a aplicação dos agrotóxicos, apenas um agricultor se mostrou preocupado com esta questão.

Agente fica um pouco na dúvida né. É um pouco duvidoso, porque a gente usa um produto e tudo mas depois vai trabalhar sem o equipamento do EPI no caso de pulverizar, você fica meio desconfiado um pouco. Porque na hora que ta pulverizando ta usando o EPI mas depois que pulveriza você usa só a bota ou roupa simples, e você trabalhar com o EPI o dia todo já é complicado, aí

76 eu já não tenho condições de trabalhar. Mas eu também conheço tanta gente aí de idade que ta firme e forte e trabalhou com isso a vida inteira e tão aí, bom...E outros que não trabalharam e já morreram também... Porque são várias coisas perigosas, tem o álcool, as drogas, a estrada, veículo, cigarro, isso tudo ai é complicado mesmo. Agricultor 53 anos, 30 anos de experiência no cultivo do tomate.

No entanto, cabe destacar que talvez pelo receio de dizer que não usaria o EPI a grande maioria dos entrevistados disseram que utilizam o produto, entretanto, ao longo do período de campo, não foi observado a utilização desses equipamentos ou quando muito apenas alguns itens do EPI como máscaras e bota. Outra coisa que cabe apontar que na perspectiva deles o EPI, seria a utilização de calças e blusas de manga longa. Mais uma vez demonstrando o desconhecimento do que na verdade seria esse equipamento.

Todos os entrevistados afirmaram utilizar o EPI completo, porém quando questionados sobre quais equipamentos utilizavam, pode-se perceber que a maioria desconhece a necessidade e o número de itens que integram o EPI, afirmando utilizar somente as luvas, botas e máscaras simples, entre outros.

No que se refere aos perigos sobre o uso do agrotóxico algumas narrativas apontam que não veem muito perigo porque existem fiscalização e que, portanto, eles se sentiram seguros por confiarem nos órgãos responsáveis por realizar tal tarefa. Para destacar essa percepção, a seguir é apresentado uma declaração de um agricultor entrevistado.

Não [acho arriscado usar agrotóxicos], pelo seguinte, na agricultura toda aqui já tem o acompanhamento de fiscal federal, tem o acompanhamento do IMA, tem os equipamentos, todo mundo trabalha seguro, porque se não, não dá pra pagar multa também né? (risos). É ué. Porque os produtos são vendidos para o CEAGESP, lá também já são analisados, então você não pode correr o risco. Lá eles analisam sobre agrotóxicos, o excesso, os agrotóxicos que são proibidos aí a gente não pode arriscar, pode até perder o produto, mas não pode é correr o risco da multa porque são cara também e prejudica talvez criança, gente inocente... Sobre o risco de coisa que são os remédios proibidos, é igual eu to te falando, é tudo fiscalizado e não vale a pena correr o risco. Tem que trabalhar seguro em cima de tudo isso entendeu? [...] Aqui o IMA pega e faz análise pra ver o tipo de química que foi usada. Eles vêm na lavoura e pegam da banca e dos pés e levam pra fazer análise. Se tiver um produto proibido, porque tem vários produtos proibidos. As vezes um logista vai lá e vende né. Ele vende escondido, mas aí o produtor se comprar ele corre o risco, então pra isso já tem o IMA. Porque tem o contrabandista que pode chegar e oferecer, o

77 que não é o caso aqui. Porque aqui a gente trabalha seguro. Agricultor, 53 anos, 30 anos de experiência no cultivo do tomate.

O agricultor destaca a presença das fiscalizações realizadas pelo IMA nas lavouras de tomate e ainda as análises do PARA da ANVISA para a detecção dos resíduos de agrotóxicos nos alimentos, realizadas no CEAGESP de São Paulo, onde a maior parte produção de tomate de mesa do município é escoada.

Além disso, pela fala do agricultor, tudo indica que ocorrem vendas de produtos e agrotóxicos “contrabandeados” no município, ou ainda, a venda de agrotóxicos sem a restrição ou indicação dos produtos específicos ou não indicados para a cultura do tomate de mesa. Por essas falas pode-se dizer que fica a cargo dos próprios agricultores fazerem o reconhecimento e a seleção dos produtos que devem ser usados em suas lavouras.

O mesmo agricultor destaca, ainda, o fato de ocorrerem mais fiscalizações do que medidas de apoio técnico por parte dos serviços de extensão no município:

“Pra ajudar é que é o problema né? Tem mais fiscalização que assistência. Isso é

sem dúvida”.

3.5. Os impactos socioambientais relacionados à utilização de agrotóxicos na