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I. Introduction

7. Scope of the Thesis

As duas escolas recebem estudantes de classes médias, sendo que a escola

federal recebe também estudantes de classe média/baixa e trabalha apenas com Ensino

Médio e Profissionalizante. As duas escolas adotam a mesma proposta pedagógica para

o ensino de química nos 1º e 2º anos do ensino médio, porém, a escola federal adota um

outro tipo de trabalho no 3º ano e a escola particular adota essa proposta desde a 8ª série

até o 3º ano do ensino médio. Na escola particular, existe uma Coordenação do Ensino

de Química que promove encontros semanais entre todos os professores de química de

todas as escolas que fazem parte daquela rede, com o objetivo de estudar, avaliar e

planejar as ações pedagógicas. Na escola federal, segundo a professora, também existe

uma coordenação para o 1º ano e outra para o 2º ano. São professores que “centralizam,

que coordenam a disciplina, mais no sentido de estar negociando como é que vai ser feito, de tentar dar um encaminhamento, mais ou menos próximo, para todas as turmas”. Fazem reuniões semanais diferenciadas de acordo com o ano em que estão

lecionando químicas. Com os professores do 1º ano, a professora da escola federal tem

pouca interação que é maior com os do 2º ano, pois a professora trabalha com essa série.

Apesar de as duas escolas contarem com coordenação pedagógica em química, o

trabalho pedagógico é muito mais centralizado na escola particular.

O espaço da sala de aula é muito diferente de uma escola para outra: a sala

de aula da escola federal é o laboratório de química, lugar em que pode acontecer o elo

entre teoria e prática em química; a sala de aula da escola particular é uma sala comum

e quando precisam realizar experimentos químicos mais sofisticados, alunos e

transformação da sala de aula da escola particular em sala/laboratório, quando alunos e

professora realizavam experimentos simples, observavam, registravam e explicavam

teoricamente o que havia acontecido naquela prática.

Vamos, agora, apresentar uma síntese dos dados relativos aos nove

estudantes selecionados para a pesquisa. Dentre os nove estudantes escolhidos, cinco

são homens (Alfredo, Pedro, Donato da escola federal; Tomás e Geraldo da escola

particular) e quatro mulheres (Romênia, Kátia da escola federal; Anete e Denise da

escola particular); seis são negros (Pedro, Donato, Alfredo, Geraldo, Romênia da escola

federal e Anete da escola particular) e três brancos (Kátia da escola federal; Denise e

Tomás da escola particular); suas idades variavam dos 14 aos 18 anos. Três dos jovens

da escola federal sempre estudaram em escolas públicas (Donato, Romênia e Pedro); e

dois (Alfredo e Kátia) estudaram em escolas particulares, antes de estudarem nessa

escola federal. Dos jovens da escola particular, três (Anete, Denise e Tomás) sempre

estudaram em escolas particulares e um (Geraldo) estudara em escola pública.

Todos pretendem fazer vestibular, demonstrando terem preocupação com o

futuro, o que é próprio das classes média e alta numa perspectiva de vida a longo prazo,

segundo Forquin (1995). Porém, Donato, da escola federal, Anete e Geraldo da escola

particular não sabiam para qual curso fazer vestibular. Dos estudantes da escola federal,

Alfredo quer fazer Direito; Kátia, Turismo; Romênia, Engenharia de Produção e Pedro,

Medicina. Da escola particular, Tomás quer fazer Educação Física e Denise, Biologia

Marinha.

Quanto à situação dos pais, apenas um, Geraldo, da escola particular, tem

da escola particular), dois têm um irmão (Alfredo da escola federal e Tomás da escola

particular), uma tem seis irmãos (Romênia da escola federal), uma tem cinco (Denise da

escola particular) e Geraldo não tem irmãos.

Quanto à escolaridade dos pais, entre os jovens da escola federal, dois têm

curso superior (Alfredo e Kátia); dois, ensino médio completo (Donato e Pedro) e um,

ensino fundamental completo (Romênia). Entre os jovens da escola particular, quanto à

escolaridade dos pais, dois têm curso superior (Anete e Tomás), um tem ensino médio

completo (Denise) e um tem ensino fundamental completo (Geraldo).

Em relação à escolaridade das mães dos estudantes da escola federal, três

têm curso superior (Donato, Alfredo e Kátia), uma tem ensino médio completo (Pedro)

e uma, ensino fundamental completo (Romênia). Todas as mães dos alunos da escola

particular têm curso superior.

Em relação à profissão dos pais dos estudantes da escola federal, um é

motorista (Romênia), um é representante comercial (Kátia), um é técnico em

manutenção de máquinas (Pedro), um é metalúrgico (Donato) e um é engenheiro civil

(Alfredo). As profissões dos pais dos alunos da escola particular são: professor (Anete),

professor e engenheiro (Tomás), empresário (Denise) e vigia (Geraldo).

Em relação à profissão das mães dos jovens da escola federal, duas são

professoras (Donato e Kátia), duas são “do lar” (Pedro e Romênia) e uma é

microempresária (Alfredo). As profissões das mães dos estudantes da escola particular

são: duas professoras (Geraldo e Tomás), uma aposentada da Caixa Econômica Federal

Os estudantes da escola federal divertem-se saindo com amigos para lugares

como igreja (Pedro e Romênia) e cinema (Kátia). Todos gostam de ver televisão e

ressaltam os filmes (Pedro e Kátia), jornais (Donato e Pedro), programas de humor

(Romênia) e programas informativos (Alfredo). Apresentaram um gosto musical

variado: pop rock brasileiro (Pedro), todos os tipos (Donato e Kátia), pop e clássico

(Pedro) e música evangélica (Romênia). Os estudantes da escola particular divertem-se,

também, saindo com amigos, mas especificam um leque maior de lugares aonde vão

com os amigos: danceteria (Tomás), cinema (Anete e Geraldo), shows (Anete), praticar

esportes como voley e futebol (Anete e Geraldo). Há ainda uma aluna (Anete) que faz

aulas de violão.

Geralmente, os estudantes da escola federal, em suas férias, não viajam,

apenas uma (Kátia) afirmou viajar. Donato sai com muita freqüência; Pedro quando não

viaja, dorme bastante, ajuda a mãe nos serviços da casa, lê bastante e joga voley;

Romênia ajuda em casa, vai à igreja, estuda e, se possível, viaja; Alfredo pratica

esportes e se reúne com os amigos. Os alunos da escola particular viajam (Geraldo,

Denise e Anete), apesar de Geraldo viajar para a cidade natal, no interior de Minas;

Tomás sai com amigos. Anete também pratica esportes e vai ao cinema.

Em relação à prática de leitura, quatro jovens da escola federal gostam de ler

(Romênia, Pedro, Alfredo e Kátia) e um (Donato) não gosta e, quando lê, é sobre

esportes. Romênia diz gostar de ler romances e livros policiais; Pedro gosta de ler

revistas e jornais em geral, Alfredo lê coisas do cotidiano e Kátia livros de ficção. Três

jovens da escola particular gostam de ler (Anete, Denise e Geraldo) e um (Tomás) não

gosta de ler. Anete lê romances, biografias, e livros de literatura infanto-juvenil. Denise

Em relação à prática de escrita, quatro alunos da escola federal (Alfredo,

Pedro, Romênia e Kátia) escrevem apenas coisas relacionadas à escola, ou seja, os

deveres escolares. Donato, quando escreve, são “coisas relacionadas com sua vida” e

Romênia, escreve poesias, além dos deveres escolares. Os jovens da escola particular

apresentaram práticas de escrita mais amplas do que os da escola federal. Duas

escrevem cartas (Denise e Anete), sendo que Anete disse escrever também mensagens

de correio eletrônico e bilhetes. Tomás disse que faz trabalhos para sua mãe e Geraldo

escreve letras de músicas.

Em síntese, nossos sujeitos são jovens, adolescentes de classe média que se

relacionam com o mundo em que vivem procurando se informar, se divertir, e estar no

mundo de forma interativa e participante. Esses jovens/adolescentes, tanto da escola

federal quanto da escola particular, relacionam-se com o que a cultura lhes oferece

fazendo escolhas, gostando e odiando, recusando e aceitando, ou seja, constituindo-se

sujeitos sociais, singulares e desejantes de saber muitas coisas, mas também, não

podendo saber muitas outras. A situação sócio-econômica define as oportunidades de

lazer, determina o acesso aos bens culturais, e estabelece diferenças entre esses jovens

influenciando suas relações com o saber e com a escola e seus processos de inclusão e

exclusão. É interessante observar que dois jovens, Pedro e Romênia, da escola federal,

oriundos de famílias cuja renda varia de 0 a 5 salários mínimos, estão incluídos na

escola, demonstram valorizá-la, apesar ou, até mesmo, por causa da baixa renda

familiar, pois a escola é um bem cultural que pode oferecer-lhes acesso a jornais,

revistas e aprendizado com os professores, possibilitando-lhes o acesso à universidade.

Ambos pretendem fazer vestibular, Pedro para Medicina e Romênia para Engenharia de

pesquisa de doutorado, por considerarmos que representam os diversos grupos que estão

vivenciando as relações de inclusão/exclusão no ensino-aprendizagem de química das