5. Norway Emissions Trading System
5.2. The scope of the national emission trading system for 2008-2012. 37
Dizemos, aqui, que é necessária uma atenção especial para o reconhecimento do espaço físico da devida instituição, bem como de suas organizações, principalmente no que se refere ao ambiente da sala de aula. Ainda que nossas observações tenham se atentado, consideravelmente, para as relações interpessoais entre o grupo, consideramos que a instituição de educação infantil, além de ser acessível a todas as crianças, vem participar ativamente da qualidade das experiências oferecidas aos pequenos, no que se refere ao desenvolvimento de suas diversas capacidades. De acordo com os Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Infantil
A disposição dos materiais e utensílios pedagógicos é fator que interfere diretamente nas possibilidades do “fazer sozinho”, devendo ser, também, alvo de reflexão e planejamento do professor e da instituição. Uma sugestão é que os materiais pedagógicos, brinquedos e outros objetos estejam à disposição, organizados de tal forma que possam ser encontrados sem a necessidade de interferência do adulto, dispostos emaltura ao alcance das crianças, em caixas ou prateleiras etc., sobretudo em ambientes especialmente organizados para brincar, como casinhas, garagem, circo, feira etc. (BRASIL, 1998b, p. 39).
Sabemos, pois, que, para Piaget, a autonomia não se restringe à capacidade de o sujeito “fazer sozinho”; mais do que isso, a autonomia consiste neste sujeito saber governar-se a si mesmo nos aspectos moral e intelectual. Assim, a progressiva independência na participação das mais diversas situações cotidianas, não garante a autonomia, mas é uma das mais simples condições necessárias para o seu desenvolvimento. Neste sentido, é esperado que a estrutura e organização deste espaço escolar estejam dispostas de um modo a permitirem que as crianças possam exercer e desenvolver sua independência.
Em se tratando desta instituição de ensino infantil, podemos dizer que a mesma encontra-se dividida em dois prédios, ambos em andares térreos. Um deles abrange as turmas referentes ao Pré I e no outro se encontram as turmas do Maternal e do Pré-II, onde foram realizadas nossas observações. Nossas descrições, portanto, são referentes às características deste prédio, o qual nos atentamos para, além de sua estrutura física, a disposição das mobílias e sua adequação para o acesso livre das crianças.
Este espaço é constituído pelo corredor de entrada (coberto), pátio/refeitório, banheiro para os professores, banheiro para os alunos, cozinha, salas de aula, tanque de terra, parque e área livre. O pátio, além de abranger a área de serviços gerais, põe-se como ambiente de refeição para as crianças. Nele estão dispostas duas grandes mesas as quais são rodeadas por quatro bancos; ambos são adequados para o tamanho físico dos alunos. É para este espaço que os pequenos se dirigem quando chegam à escola, e aí permanecem na companhia de suas respectivas professoras, até que cheguem todos os colegas. Neste espaço há, ainda, um pequeno lavatório onde estão dispostas várias torneiras. Nele, as crianças conseguem lavar suas mãos sem necessitarem da ajuda de um adulto para abrir e/ou fechá-las. O bebedouro e o porta-guardanapos também estão dispostos neste espaço de forma a obedecerem às necessidades das crianças, permitindo que estas atuem de forma independente.
A cozinha é um espaço pequeno que funciona apenas como local provedor das necessidades alimentares básicas dos funcionários ali presentes. Possui uma geladeira, uma mesa, um fogão industrial e duas cadeiras. Nela não são preparadas as refeições diárias, uma vez que estas são feitas em uma cozinha-piloto mantida pela prefeitura municipal. As crianças não freqüentam este espaço da instituição.
Com relação aos banheiros, há um destinado para o uso das professoras e zeladora e outro construído especialmente para a utilização dos alunos. Este último, por sua vez, foi construído de forma a respeitar as necessidades básicas das crianças, sendo que toda a disposição dos utensílios permite que as mesmas não venham a depender da interferência de adultos para suprirem suas necessidades.
Já a sala de aula é um dos espaços mais importantes das instituições de Educação Infantil, visto que é o ambiente em que as crianças passam a maior parte do dia letivo e desenvolvem, assim, as mais variadas atividades. É também este o espaço onde vão ser vivenciadas e exploradas os tipos de relações interpessoais que permeiam o grupo. O ambiente sócio-moral da sala de aula construtivista é caracterizado pelo conforto físico e a organização da sala, pois, deve estar de acordo com as necessidades das crianças, sejam elas fisiológicas, emocionais e intelectuais, de forma a proporcionar as interações entre colegas e professora e oferecer situações de responsabilidade e autonomia (DEVRIES; ZAN, 1998).
Com relação à estrutura física de nossa sala, esta é um espaço amplo, pintado e revestido de piso liso. Possui três janelas as quais oferecem a ventilação e iluminação natural, e que estão ao alcance das crianças; isso permite a estas abrirem e fechá-las de acordo com as necessidades cotidianas. O mesmo ocorre com a porta. Além de uma mesa específica para a educadora, estão dispostas na sala sete mesas coletivas para os alunos, as quais se adéquam
também aos seus tamanhos físicos; esta organização e disposição das mesas garante a proximidade entre os colegas e lhes possibilitam a convivência em grupos. A lousa, armários, prateleiras, espelho e cabides também são mobílias que oferecem aos alunos o contato e as ações independentes. Existe ainda neste espaço uma pequena estante com livros infantis, a qual é intitulada “cantinho da leitura”. É utilizada geralmente quando os pequenos terminam suas atividades e desejam escolherem livros para “leitura”. Todo este espaço é decorado com alfabeto, calendário, tabela de números e varal para a disposição das atividades realizadas.
No que se refere à área externa, os Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Infantil, vem nos alertar para o fato de que “há que se criar espaços lúdicos que sejam alternativos e permitam que as crianças corram, balancem, subam, desçam e escalem ambientes diferenciados; pendurem-se, escorreguem, rolem, joguem bola, brinquem com água e areia, escondam-se”. (BRASIL, 1998a, p. 69). Nossa instituição, em seu ambiente externo, é contemplada por um espaço aberto, gramado e arborizado. É uma área grande que abrange, além de um espaço livre, o parque e um tanque de areia. Aquele é constituído por vários brinquedos: escorregador, giras-giras, balanços, gangorras e cavalinhos mecânicos. Todos se encontram em perfeita condição de uso, com algumas deficiências apenas em suas pinturas; é utilizado pelas duas turmas. Já o tanque de areia é uma área pequena onde brincam somente as crianças do grupo Maternal. Estes espaços são utilizados cotidianamente, num tempo entre quarenta e cinco minutos e uma hora, exceto em dias de chuva. Cada criança tem autonomia para a escolha de suas diversões. Assim sendo, é propiciado a estas um fator demasiadamente importante para o desenvolvimento infantil: o brincar, que de acordo com os Referenciais Curriculares Nacionais,
é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais (BRASIL, 1998b, p. 22).
Percebemos, deste modo, que tal instituição, em sua estrutura física, com destaque para o espaço da sala de aula onde passamos a maior parte de nossa pesquisa, vem a ser um ambiente adequado, segundo as proposições dos RCNEI para a realização de ações que incentivem a independência infantil. Os prédios, além de conservados, mantém em sua organização, a disposição de mobílias e utensílios que certamente vêm oferecerem para essas
crianças uma atuação autônoma; uma vez assim dispostos, esses sujeitos não vêm a dependerem do auxílio de adultos para desenvolverem suas atividades e necessidades diárias, o que os incentivam a exercerem uma conduta menos dependente. Dizemos, pois, que, desde o momento em que a criança consegue abrir a torneira da pia sem a ajuda de um adulto - por esta estar disposta ao seu alcance -, até mesmo poderem ir ao banheiro e tomarem água sem o auxílio destes, há o oferecimento de pequenas situações e oportunidades as quais acarretam os primeiros indícios dessa independência nas ações.
Mas, no que se refere a um dos objetivos principais deste trabalho, trataremos das relações interpessoais vivenciadas pelo grupo, as quais vêm participarem ativamente, segundo nosso referencial teórico, da formação intelectual e moral das crianças. Muito mais do que a capacidade de o sujeito agir de forma independente na realização de seus exercícios e atividades, a autonomia está fortemente relacionada a uma independência do pensamento a qual necessita ser incentivada mesmo na infância:
A autonomia moral pressupõe essa capacidade racional de o sujeito compreender as contradições em seu pensamento, em poder comparar suas idéias e valores às de outras pessoas, estabelecendo critérios de justiça e igualdade que, muitas vezes, o levarão a se contrapor à autoridade e às tradições da sociedade para decidir entre o certo e o errado (ARAÚJO, 1996b, p. 105).
Este tópico, pois, acabou por nos auxiliar na tentativa de desmistificar uma concepção de autonomia que, no senso comum, é baseada unicamente na individuação das ações. Insistimos, no entanto, na importância dos pequenos incentivos ao início da independência infantil, os quais vêm acompanhados dos primeiros indícios de uma educação para a liberdade e sensação de capacidade individual.