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In document List of Figures (sider 45-49)

Tendo como objetivo conhecer a perspetiva dos estudantes sobre a transição da Matemática do ensino secundário para a do superior e detetar fatores que influenciam o seu desempenho em Matemática, em março e abril de 2011, entrevistaram-se alguns partici- pantes no teste e no reteste do PMAT-01, para efetuar um estudo de casos. Estes estudantes agruparam-se em duas subamostras contrastadas quanto aos resultados no PMAT e nas unidades curriculares de Matemática do 1.º semestre. Os elementos de uma subamostra designaram-se por Melhores Alunos e os da outra por Piores Alunos. Os critérios definidos para selecionar os estudantes de cada uma destas subamostras encontram-se na secção 3.4.3, na qual se caracterizam os entrevistados.

As entrevistas realizadas no âmbito desta investigação foram preparadas para serem individuais, presenciais, semiestruturadas e realizadas em 15 minutos. Neste período de tempo, pretendia-se conhecer, sob a forma de uma conversa orientada, a opinião dos estu- dantes acerca do ensino e aprendizagem da Matemática, tanto no ensino secundário como no superior, as suas experiências neste domínio, a natureza das dificuldades que têm para aprender as matérias e ainda as medidas que sugerem para combater o insucesso escolar em Matemática. Foram estas características das entrevistas que determinaram a construção do seu protocolo ou guião, que se encontra no Apêndice D, com base nas diretrizes reco- mendadas por peritos, como Foddy (2002 [1993]) e Tuckman (2002).

5No Ponto 4.5 dos Princípios Específicos do Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos (Regulamento

n.º 258/2011) lê-se "…Os materiais e protocolos de avaliação, incluindo manuais, itens, e sistemas de cota- ção e interpretação, não são disponibilizados aos clientes ou a outros profissionais não qualificados. Os/as psicólogos/as asseguram a protecção e segurança dos materiais de avaliação, prevenindo a sua divulgação para o domínio público."

Organização do Protocolo da Entrevista

O desenvolvimento das entrevistas semiestruturadas deve ser adaptado ao entrevista- do, o que implica, normalmente, que as questões semiabertas não sejam apresentadas sem- pre na mesma ordem e que cada uma delas tenha graus de exploração distintos. O guião de entrevista permite que o entrevistador oriente as entrevistas, garantindo que os diversos participantes respondem às mesmas questões dentro do período estabelecido. Este docu- mento, além das perguntas a fazer aos entrevistados, descreve o propósito da entrevista e o perfil dos entrevistados, informa sobre o meio de comunicação utilizado, o local, a data e a hora da realização da entrevista. O espaço em branco associado a cada questão permite registar, por escrito, a resposta do entrevistado ou qualquer anotação relativa aos seus ges- tos ou expressões.

O protocolo, organizado para as entrevistas realizadas neste estudo, guia o entrevis- tador no sentido de solicitar as seguintes informações ou opiniões aos entrevistados, agru- padas por temas:

1. Do Ensino Secundário - classificações a Matemática, designação do curso que frequentaram e de atividades extracurriculares de Matemática em que tenham par- ticipado;

2. História pessoal da relação com a Matemática – desempenho na disciplina de Matemática ao longo do percurso escolar, identificação de fatores que influencia- ram a aprendizagem desta disciplina e a autoavaliação da preparação para estudar Matemática no ensino superior, em dois momentos distintos: após a conclusão do secundário e no início do 2.º semestre do ensino superior;

3. A Matemática no ensino superior, em particular sobre

- O PMAT-01 e a comparação entre a dificuldade de resolução do teste nas duas aplicações;

- O Funcionamento das unidades curriculares de Matemática do 1.º ano do cur- so - número de horas de aulas, quantidade de matéria lecionada, métodos de ensino e de avaliação, material de estudo, relacionamento com os docentes e o uso, ou não, de calculadora;

- A Aprendizagem da Matemática no ensino superior - as matérias onde tiveram mais dificuldades de aprendizagem (superadas ou não), comparação entre a Matemática ensinada no ensino secundário e a do superior, a capacidade de um

estudante com menos de 13 valores a Matemática no secundário compreender os conteúdos ensinados no superior e ainda a relação entre o tipo de ensino, de aprendizagem e de exigência destes dois níveis de ensino;

- Os fatores que permitiram (para os Melhores Alunos) ou não permitiram (para os Piores Alunos) obter Aproveitamento às unidades curriculares de Matemáti- ca do 1.º ano;

4. As Dificuldades a Matemática - dificuldades que, no geral, os alunos têm no ensino superior, medidas a tomar para as superar e quais os fatores que conside- ram indispensáveis para se ter sucesso a Matemática.

Por último, o protocolo sugere que se peça aos entrevistados para darem a sua opi- nião sobre o conteúdo da entrevista e a forma como foi orientada.

Entrevistas

Depois do tratamento dos dados da segunda aplicação do PMAT-01, foram identifi- cados os 20% de participantes para integrarem a subamostra dos Melhores Alunos e os 20% para a subamostra dos Piores Alunos. A professora de Álgebra Linear dos estudantes selecionados contactou-os pessoalmente e solicitou-lhes que concedessem uma entrevista no âmbito desta investigação. Todos manifestaram interesse em participar e concordaram com o dia e a hora agendados para serem entrevistados.

No âmbito da preparação das entrevistas, foi preenchida a parte inicial do guião de cada uma: dados pessoais e classificações do entrevistado. As classificações relativas ao ingresso no ensino superior obtiveram-se na página web de colocações de 2010 no site da Direção Geral do Ensino Superior (http://www.dges.mctes.pt/coloc/2010/), utilizando o número do Cartão de Cidadão dos estudantes.

A literatura que a entrevistadora consultou para construir o protocolo também lhe sugeriu os procedimentos que deveria tomar ao conduzir as entrevistas. Assim, preparou-se para respeitar as seguintes atitudes: receber o entrevistado com cordialidade, informá-lo da confidencialidade dos seus dados, dos objetivos da entrevista e da importância da sua cola- boração; garantir que a entrevista decorre num ambiente agradável; começar por fazer per- guntas fáceis de responder; evitar influenciar as respostas pela entoação ou destaque oral de palavras.

No dia 25 de março de 2011 foram entrevistados, individualmente, 12 dos Melhores Alunos, no dia 1 de abril dois dos Melhores e cinco dos Piores e, no dia 15 de abril, seis

dos Piores Alunos (3 dos Piores Alunos não compareceram no dia 1 nem no dia15, como tinha sido acordado). As entrevistas decorreram numa sala do edifício em que os entrevis- tados tinham aulas, amavelmente reservada para o efeito pela sua professora de Álgebra Linear.

Com uma duração entre 15 e 20 minutos, as entrevistas foram registadas sob a forma de gravação áudio, após consentimento informado dos entrevistados - cada entrevistado declarou estar disposto a participar na investigação, assinando uma ficha que contém informações sobre a entrevista, como a confidencialidade das suas respostas, o objetivo da entrevista e a importância da sua colaboração, a qual já lhe tinha sido agradecida quando foi recebido e saudado. Esta ficha, denominada Consentimento Informado, encontra-se no Apêndice D.

Com o registo prévio de alguns dados pessoais e de classificações académicas dos alunos, a entrevistadora dirigiu a entrevista, orientando-se pelo guião. Fez as perguntas pela ordem sugerida ou alterou-a sempre que entendeu oportuno, procurando utilizar um tom informal, de conversa, e adotar outros procedimentos recomendados para o efeito, tendo concluído as entrevistas com mais um agradecimento pela colaboração.

Nalguns casos, depois de a entrevista ser dada como terminada, a conversa desenvol- vida foi prolongada, mas agora entre um indivíduo que experimenta dificuldades próprias dos estudantes do 1.º ano do ensino superior e outro que tem acompanhado de perto, já há alguns anos, muitos desses estudantes.

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