que concerne aos conceitos empreendidos pelas docentes. A análise foi realizada do 2° ao 5° ano do Ensino Fundamental, nos anos de 2009, 2010 e 2011. Para obtenção dos dados necessários a pesquisa, utilizamos para análise mapas de notas e diários de classe.
O 2° ano em 2009, 20% das crianças obtiveram somente conceitos B e C dessas 2% são meninas e 18% meninos. Em 2010, o total de crianças com B e C foi de 4%, todos meninos.
No 3° ano em 2009, os resultados apontam 26% das crianças com conceitos B e C, dessas, 6% são de meninas 20% de meninos. Em 2010, 19% das crianças obtiveram conceitos B e C, dessas 5% de meninas e 14% de meninos. Em 2011, o total é de 20% desses 7% de meninos e 13% de meninas.
No que concerne ao 4° ano, em 2009, do total de 8% de crianças com conceitos B e C, 1% corresponde às meninas e 7% aos meninos. Em 2010, o total de crianças corresponde a 11% com conceitos B e C, todos são meninos. No ano de 2011 o total corresponde a 22%, desses 6% são de meninas e 16% de meninos.
Em relação ao 5° ano, em 2009, 12% das crianças obtiveram conceitos B e C, dessas 5% são meninas e 7% meninos. No ano de 2010, o total de crianças corresponde a 19%, deste quantitativo 4% são de meninas e 15% de meninos. No ano de 2011, 18% das crianças obtiveram conceitos B e C, 4% de meninas e 14% de meninos.
Analisando os gráficos do 1° ao 5° ano, percebemos que no geral os meninos recebem mais conceitos ruins que as meninas. Esse fato nos reporta novamente a Carvalho (2001).
As estatísticas nacionais, embora precárias no que se refere à desagregação por sexo, não deixam dúvidas quanto à diferença de desempenho escolar entre meninos e meninas em todo e ensino fundamental e médio. Pode-se tornar os dados sobre evasão e repetência ou as informações sobre defasagem entre série cursada e idade da criança qualquer dessas cifras indica que os meninos teriam maiores dificuldades escolares. (CARVALHO, 2001, p. 554).
Assim, verificamos que somente no ano de 2011, no 3° ano do Ensino Fundamental, as meninas receberam em maior quantidade que os meninos resultados menores.
Gráfico 1: Diferença no aproveitamento de meninos e meninas tendo como referência conceitos B e C.
Fonte: Diários de Classe e mapas de notas 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% Total Menin as Menin os Total Menin as Menin os Total Menin as Menin os Total Menin as Menin os
2º Ano 3º Ano 4º Ano 5º Ano
2009 20% 2% 18% 26% 6% 20% 8% 1% 7% 12% 5% 7%
2010 4% 0 4% 19% 5% 14% 11% 0% 11% 19% 4% 15%
2011 0 0 0 20% 13% 7% 22% 6% 16% 18% 4% 14%
Quando nos reportamos aos conceitos empreendidos pelas professoras, também de certa maneira nos reportamos aos efeitos desses conceitos na vida escolar dos/as estudantes quando, aplicados de forma negativa. Um exemplo mais comum desses efeitos negativos diz respeito à reprovação escolar. No Brasil, os estudos sobre a repetência e suas possíveis causas datam das décadas de 1960 e 1970 e até os dias de hoje é um dos assuntos mais estudados, isso porque a repetência está cada vez mais presente nas nossas escolas. Segundo os dados divulgados por uma pesquisa realizada pelo INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa em Educação, órgão responsável pela avaliação do MEC, os índices de reprovação nunca atingiram tamanho patamar desde o ano de 1998. Segundo a pesquisa baseada no senso escolar de 2011, a taxa de reprovação no Ensino Médio, incluindo a rede pública e particular, atingiu o índice de 13,1%.
Pensar soluções para o combate ou amenização da repetência no Brasil tem sido um grande desafio. Políticas Públicas, como os ciclos e Progressão Continuada, estão sendo implementadas em alguns Estados, com o intuito de diminuir os altos índices de repetência, especialmente nos primeiros anos do Ensino Fundamental em que especialistas consideram desnecessária a reprovação, visto que a mesma em tão tenra idade prejudica as crianças por boa parte de sua trajetória escolar. De acordo com Clélia Brandão, Presidenta da Câmara da Educação Básica, precisamos reconhecer que as crianças precisam de um tempo maior para alfabetização. Sendo assim, é necessário ajudá-las, e não reprová-las. Nesta vertente por uma proposta do Conselho Nacional de Educação (CNE), o MEC recomendou, às escolas, o fim da reprovação nos três primeiros anos do Ensino Fundamental. Segundo a Proposta, a criança só poderá ser reprovada ao final de cada etapa, podendo esta variar de acordo com a organização de cada escola. A presente proposta cria um ciclo de alfabetização, permitindo que as crianças, nos primeiro anos do Ensino Fundamental, possam ter oportunidade de passar pelas etapas da alfabetização sem interrupções e sem sofrerem processos de reprovação.
Contudo, pensar a repetência não é tarefa fácil devido às várias concepções existentes e que muitas vezes estão enraizadas na sociedade. Uma delas muito comum nas escolas quase sempre culpa a família e à sociedade pela repetência, ou seja, o que gera o problema são fatores externos como a família, as condições sociais dos/as estudantes. Nesta vertente, mais uma vez as crianças pobres são as mais prejudicadas.
A reprovação e a evasão escolar são: uns fracassos produzidos no dia-a-dia, da vida na escola e na produção desse fracasso estão envolvidos aspectos estruturais e funcionais do sistema educacional, concepções de ensino e de trabalho e preconceitos estereótipos sobre a sua clientela pobre. Estes preconceitos, no entanto, longe de serem umas características apenas dos educadores que se encontram nas escolas, estão disseminados na leitura
educacional há muitas décadas, enquanto discurso ideológico, ao se pretender neutro e objetivo, participa de forma decisiva na produção das dificuldades de escolarização das crianças das classes populares. (PATTO, 1987, P.59)
O fenômeno repetência pode ser analisado por vários ângulos, no presente trabalho, optamos por não analisar os índices de repetência visto que a etapa pesquisada corresponde ao 5° ano do Ensino Fundamental, etapa em que os/as estudantes ainda não passam por um sistema de retenção.
A análise realizada em relação à avaliação dos primeiros anos do ensino fundamental considerou a diferença entre meninos e meninas no que tange aos conceitos empreendidos. Sendo assim, foram considerados apenas os estudantes que obtiveram conceitos B e C durante todo com ano e nenhum conceito A. Considerando os parâmetros acima verificamos a diferença entre meninos e meninas.
Algumas estudiosas do tema, como Carvalho (2011), em seus estudos, aponta que os meninos são os mais prejudicados nos processos avaliativos, apresentando maior índice de repetência e de baixos conceitos empreendidos pelos docentes. Esse fato se confirmou na nossa pesquisa à medida que a grande maioria das crianças com conceitos baixos foi de meninos.
Em contraponto aos índices de baixo aproveitamento, o próximo item retrata as crianças que obtiveram apenas conceitos A, tendo sempre como referência as diferenças entre meninos e meninas.