• No results found

A partir da análise dos relatórios estatísticos realizados no item 6.1, do estudo dos sujeitos no item 6.2 e da análise dos questionários no item 6.3, pode-se fazer um resumo das constatações obtidas, identificando os aspectos que mais se destacaram.

A figura 20 a seguir faz uma comparação entre a média de reprovação de acordo com a classificação das escolas e a formação continuada de seus professores. 0 20 40 60 80 100

BAIXO MÉDIO ALTO

Escolas

Média de reprovação Pós-graduação Cursos recentes

Figura 20 – Relação entre a qualificação profissional e o percentual de reprovação

Ficou evidente a relação existente entre a qualificação dos professores e o percentual de reprovação na disciplina de Matemática. Pode-se conjecturar aqui que quanto maior o estudo e aprendizagem do professor acerca de metodologias de ensino, melhor será o desempenho de seus alunos.

Quanto às questões que envolvem os aspectos pedagógico-metodológicos destacou-se, dentre a utilização de recursos para o planejamento das aulas, a

discussão com professores da área de Matemática e com supervisores e a relevância de pesquisas e leituras na área da Matemática. Quanto aos objetivos atribuídos a Matemática, foi considerado como muito importante: fornecer condições para que o aluno desenvolva capacidades de tomar suas próprias decisões, encontrando soluções satisfatórias para os problemas a ele apresentados.

A figura 21 abaixo evidencia as concepções acima:

0 20 40 60 80 100

BAIXO MÉDIO ALTO

Escolas

Recurso/reuniões Recurso/estudos Objetivo

Figura 21 – Percentual dos principais aspectos pedagógico – metodológicos apontados pelos

professores

Dentre as considerações dos professores acerca das questões que envolvem aspectos necessários ao aluno para que este tenha um bom entendimento matemático destaca-se a questão dos pré-requisitos, ou seja, os conhecimentos matemáticos prévios que o aluno possui oriundos do Ensino Fundamental.

Quanto à atitude do aluno da 1ª série de ‘não gostar de Matemática’, é evidenciada como muito importante, pelos três grupos de escolas participantes. A questão que aborda a metodologia usada pelo professor.

Fica evidente que a questão metodológica e os pré-requisitos são considerados pelos docentes participantes da pesquisa como fatores significativos no processo ensino-aprendizagem. Os próprios docentes concordam com este paradigma.

A figura 22 aponta o percentual das principais concepções acima mencionadas.

0 20 40 60 80 100

BAIXO MÉDIO ALTO

Escolas

Pré-requisitos Metodologia

Figura 22 – Percentual das principais concepções dos professores

A última questão identificou a percepção dos professores em reconhecer alunos com o sentimento de Matofobia, embora a maioria deles não reconheça esse termo. A representação desse percentual é mostrada na figura 23 que segue abaixo:

0 20 40 60 80 100

BAIXO MÉDIO ALTO

Escolas

Matofóbicos Conceito

Figura 23 – Percentual de identificação de alunos Matofóbicos e reconhecimento do

termo Matofobia

Fazendo uma comparação entre os resultados obtidos quanto ao conhecimento do termo Matofobia e à identificação de alunos matofóbicos, conclui- se que o não ouvir falar na palavra Matofobia por parte do professor não o impede de identificar os alunos que possuem o respectivo sentimento em relação à Matemática. Isso indica que a percepção dos professores em relação ao sentimento do aluno de gostar ou não de Matemática é evidente.

Mediante as conclusões, observa-se que a relação entre a qualificação profissional dos professores e o índice de reprovação na disciplina de Matemática implica que quanto maior for o aperfeiçoamento dos docentes, menor é o índice de reprovação. Será que o aprimoramento do saber e/ou das maneiras de trabalhar a Matemática desperta no aluno o gosto pela disciplina e, por extensão, o sucesso na mesma?

Nas questões que envolvem recursos a serem utilizados no preparo das aulas, observa-se que os professores sentem a necessidade de reuniões, ou seja, será que o contato com seus pares, enriquece o trabalho, diversifica as práticas docentes, aprendem uns com os outros? A necessidade de aprender, de qualificar- se fica evidente quando dizem que pesquisas e leituras são muito importantes para a preparação das aulas. Logo, faz-se necessário a qualificação continuada dos profissionais em educação.

Quanto às concepções atribuídas pelos professores em relação aos aspectos necessários ao aluno para que este tenha um bom entendimento matemático, destaca-se a questão que remete aos pré-requisitos exigidos pela disciplina. Certamente a Matemática é uma Ciência que necessita de base sólida, uma vez que é complexificada a cada nível de ensino. Percebe-se, assim, a relevância de um bom trabalho matemático nos níveis anteriores ao da 1ª série do Ensino Médio, visto que nesse nível se desenvolvem os conteúdos anteriormente trabalhados de uma maneira mais formal e abstrata. Implicitamente a esta questão está a desenvoltura metodológica, pois uma boa estrutura matemática, isto é, pré- requisitos bem trabalhados, requer bom trabalho metodológico. Quanto ao ‘não gostar de Matemática’ estar relacionado com a metodologia utilizada pelo professor, é destacado pelos participantes da pesquisa que a metodologia é muito importante no desenvolvimento ou não do sentimento de Matofobia no educando. Novamente percebe-se a influência de questões metodológicas ligadas ao sentimento desenvolvido pelos alunos em relação à Matemática.

Portanto, acredita-se que a origem da Matofobia tem como principal responsável a metodologia de ensino utilizada pelos docentes ao longo dos anos. E que a presença desse sentimento em relação à Matemática pode contribuir para o insucesso na disciplina, uma vez que inibe a predisposição natural para aprender, intervindo em uma desorganização cognitiva. Certamente este não é o único fator a intervir na aprendizagem, mas é um aspecto que exige atenção.