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Faroe Haddock - Maturity at age 1982 -2008

6 Faroe Saithe

6.2 Scientific data .1 Catch at age .1 Catch at age

O fenómeno da constituição dos públicos culturais, em que naturalmente se enquadra o público da música clássica no Teatro Municipal Baltazar Dias, tendo em consideração o objecto desta investigação, pressupõe um conjunto de circunstâncias específicas que decorrem da realidade socio-económica de determinada população, do seu nível de escolaridade, do seu grau de desenvolvimento cultural, das suas práticas de consumo de bens culturais e dos seus interesses neste campo, assim como do nível de ligações e de comunicações que estabelece no contexto de um mundo globalizado ao nível da circulação de informação e de produtos das chamadas indústrias criativas e/ou culturais. A importância que tem sido dada ao seu estudo, pela relevância e pelas significações que representam na sociedade, é nas últimas décadas cada vez maior:

“Ao longo da segunda metade do século XX, com especial visibilidade no último quartel, porventura nenhuma outra categoria terá permeabilizado tanto os discursos sociais, culturais e políticos. A noção de públicos culturais apresenta-se, assim, hoje talvez como nunca, no entrecruzamento de diversas problemáticas de mudança e permanência das sociedades contemporâneas em contexto de globalização”98

Neste contexto, e para se poder ter uma perceção mais clara sobre o tipo de público que frequentava o Teatro Municipal Baltazar Dias no âmbito de realizações de música clássica, é necessário abordar, ainda que de forma resumida, o quadro económico-social da população do Funchal, no período estudado.

Um pouco à semelhança do resto do país, a Madeira evidenciava, nos anos a que este estudo se reporta (1943–1974), substanciais dificuldades económicas, sociais e culturais.

98 SANTOS, Helena. “A propósito dos públicos culturais: uma reflexão ilustrada para um caso português”.

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muito nítidas de subdesenvolvimento que o contraste entre a cidade – o Funchal – e o campo – o resto da ilha – ainda mais acentua.”99.

O sector da agricultura, que absorvia “em precárias condições cerca de metade da população activa insular”100, pela sua incapacidade produtora e exportadora, não tinha

possibilidade de fazer prosperar a economia madeirense e, juntamente com a pesca, a caça e a silvicultura, nenhuma destas actividades fazia com que o setor primário representasse mais de metade (53%) da população ativa da Madeira.101

A indústria e a construção civil, com cerca de 22% da população activa, constituíam o sector que apresentava um menor número de profissões, sendo que a parte mais representativa – os bordados – , era de carácter artesanal.102

O fraco desenvolvimento do Arquipélago era substancial também nas relações comerciais com o exterior, “das quais o movimento de cabotagem com o Continente nos dá uma imagem expressiva. As mercadorias vindas da Madeira para o Continente correspondem, em peso, a não mais de 1/3 das que para lá se dirigem.”103.

Importa salientar que a riqueza, o poder de decisão e as actividades laborais se concentravam sobretudo na capital da ilha da Madeira, o Funchal, fazendo com que o resto do Arquipélago fosse “extremamente dependente, sob todos os aspectos, da capital do distrito.” 104.

A questão da falta de equipamentos sociais, culturais e de infra-estruturas era também notória a vários níveis; por exemplo, o ensino, um importante indicador do desenvolvimento de uma sociedade, era desenvolvido em “edifícios inadequados e sem espaços livres suficientes: no ensino primário oficial a média de alunos por aula é de 60, isto é, muito acima do limite máximo tolerável.” 105.

99 PEREIRA, Raúl da Silva. «Habitação e Urbanismo no Funchal». Conferência pronunciada na Câmara Municipal do Funchal integrada no Colóquio Desenvolvimento e urbanismo no Arquipélago da Madeira, Funchal, 8 de Janeiro de 1969.

100 Idem, ibidem.

101 PEREIRA, Raúl da Silva. «Habitação e Urbanismo no Funchal». Conferência pronunciada na Câmara Municipal do Funchal integrada no Colóquio Desenvolvimento e urbanismo no Arquipélago da Madeira, Funchal, 8 de Janeiro de 1969.

102 PEREIRA, Raúl da Silva. «Habitação e Urbanismo no Funchal». Conferência pronunciada na Câmara Municipal do Funchal integrada no Colóquio Desenvolvimento e urbanismo no Arquipélago da Madeira, Funchal, 8 de Janeiro de 1969.

103 Idem, ibidem. 104 Idem, ibidem. 105 Idem, ibidem.

III. 1. O tipo de público do produto cultural Música Clássica no Tetaro Municipal Baltazar Dias

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No período em causa estava-se, portanto, perante uma situação que se revelava difícil a todos os níveis e se apresentava como comprometedora de um melhor futuro, quer a nível nacional, quer, sobretudo, a nível regional.

Os problemas de desenvolvimento dos vários sectores da actividade económica permitem traçar um retrato pouco animador do contexto sócio-económico e cultural da Madeira, que se caracterizava sobretudo pela falta de recursos de uma parte considerável da população da madeirense. Apesar desta realidade, os habitantes do Funchal eram, de alguma forma, beneficiados pelo facto de a cidade se constituir o centro económico do Arquipélago, detentora de mais recursos e de maiores facilidades no acesso a bens de consumo e a actividades laborais, razão por que esta problemática situação se fazia notar na capital da Ilha com menor incidência.

Obviamente que, perante a situação que foi sucintamente exposta, a cultura não seria uma prioridade nos investimentos por parte de organismos públicos e privados e, portanto, pouca margem detinha para o seu desenvolvimento, nem era objecto de atribuição de muita importância no panorama social e cultural madeirense, pois as preocupações dos actores políticos e dos agentes culturais direccionavam-se fundamentalmente para campos bem diferentes, sobretudo o económico. Contudo, existia também a consciência de que era necessário alterar, a todos os níveis, a situação que então se verificava: “O fraco desenvolvimento atual do Arquipélago obriga a prever alterações profundas, quer na actividade económica, quer nos indicadores demográficos, culturais e outros. 106.

Partindo desta base teórica sobre o panorama social e económico da população do Funchal, percebemos mais claramente que essa circunstância contribuiu, entre outros factores, para que se tivessem constituído públicos de elite, como mais adiante poderemos verificar, e permite-nos ainda abordar mais fundamentadamente e traçar a análise sobre o público que frequentou o Teatro Municipal Baltazar Dias no âmbito dos concertos de música clássica da Sociedade de Concertos da Madeira.

106 PEREIRA, Raúl da Silva. «Habitação e Urbanismo no Funchal». Conferência pronunciada na Câmara Municipal do Funchal integrada no Colóquio Desenvolvimento e urbanismo no Arquipélago da Madeira, Funchal, 8 de Janeiro de 1969.

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a quatro pianos e outro interpretado pelo pianista Leopoldo Querol.

Figura 16: Concerto a 4 pianos de J. S. Bach. Fonte: Espólio Peter Clode/ ARM, Caixa nº 42 livro 102

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