deles.
Neste estudo, buscou-se seguir esses passos na preparação e no desenvolvimento da entrevista. Foi também garantido aos entrevistados que as entrevistas seriam gravadas e, depois de transcritas, seriam destruídas, e que as informações obtidas seriam de uso exclusivo para este estudo. Para o desenvolvimento da entrevista, foi feito um roteiro com perguntas abertas (Apêndice V).
As entrevistas foram gravadas por meio do programa Gravador de Voz do Smartphone Samsung Galaxy Y S5360, transcritas e apagadas. Aconteceram na seguinte circunstância:
- Professora A: na própria sala em que ela desenvolve suas atividades, no dia 29/02/2012, com duração de 15 minutos. A entrevista aconteceu no período em que os alunos estavam na aula de Educação Física; em virtude disso, o ambiente estava tranquilo, o que possibilitou que o entrevistador tivesse total atenção de seu entrevistado. Percebeu-se que a professora estava apreensiva com relação à formulação das respostas para as questões levantadas. Ao final da entrevista, a professora perguntou se estava correto o que havia respondido e demonstrou durante toda a entrevista nervosismo, percebido em sua forma de olhar e falar. O tempo de entrevista com essa professora destoa dos demais, pelo fato de a professora ser muito tímida e se prontificar a responder às perguntas do roteiro de forma sucinta;
- Professora B: na sala de matrículas, no intervalo entre uma aula e outra, no dia 27/03/2012, com duração de 1h e 30 minutos. Durante a entrevista, a professora estava tranquila e respondeu a todas as questões feitas;
- Professora C: na sala de matrículas, após o término do período de aula, no dia 03/04/2012, com duração de 1 hora. Durante a entrevista, a professora estava tranquila,
respondeu a todas as perguntas com naturalidade. A entrevista transcorreu como um bate- papo. Ao término da entrevista, a professora questionou se a respostas estavam corretas;
- Professora D: na sala de matrículas, após o término do período de aula, no dia 10/04/2012, com duração de 1 h e 15 minutos. A professora estava à vontade e respondeu a todas as perguntas sem preocupação em dar as respostas certas;
- Professora E: na sala de matrículas, durante uma aula livre, no dia 26/10/2012, com duração de 50 minutos. A professora aparentava estar tranquila e respondeu a todas as questões sem demonstrar nervosismo;
- Professora F: na sala de matrículas, durante uma aula livre, no dia 20/11/2012, com duração de 1 hora. A professora aparentava estar tranquila e respondeu a todas as questões sem demonstrar nervosismo;
- Professora G: na sala de matrículas, durante uma aula livre, no dia 23/11/2012, com duração de 1 h e 30 minutos. A professora aparentava estar tranquila e respondeu a todas as questões sem demonstrar nervosismo;
- Professora H: na sala de aula, durante uma aula livre, no dia 10/12/2012, com duração de 39 minutos. A professora aparentava estar nervosa por ser muito tímida e não se sentir muito à vontade com a entrevista. Mesmo assim, respondeu a todas as perguntas.
3.5 Análises de Dados
Segundo Szymanski (2002, p. 71), análise "é o processo que conduz à explicitação da compreensão do fenômeno pelo pesquisador". Considerando que o fenômeno a ser analisado é dinâmico, é preciso que o pesquisador atente para as mudanças que podem aparecer ao longo do processo.
Para análise dos dados, foi utilizada a análise de conteúdos que, segundo Bardin (1979, p. 42) é:
[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. A finalidade da análise de conteúdo é produzir inferência, trabalhando com vestígios e índices postos em evidência por procedimentos mais ou menos complexos.
O autor organiza a análise em três etapas: pré-análise, "corresponde a um período de intuições, tem por objetivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise", a exploração do material, "consiste em operações de codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras previamente formuladas" e o tratamento dos resultados, a
interferência e a interpretação, "os resultados brutos são tratados de maneira a serem
significativos e válidos" (BARDIN, 1979, p. 42).
Passadas essas etapas é chegada a hora de fazer a codificação dos dados, "processo pelo qual os dados em estado bruto são transformados sistematicamente e agregados em unidades, as quais permitem uma descrição exata das características pertinentes do conteúdo"(BARDIN, 1979, p. 129). Após codificar os dados, o autor sugere a sua categorização, processo de reunião de elementos na mesma classe de acordo com critérios preestabelecidos, porém ressalva que nem todos os estudos necessitam disso.
Para o autor, em uma entrevista, um dos instrumentos utilizado neste estudo, há inúmeras informações subjetivas que por meio da análise proposta serão percebidos e aproveitados. O que não se observa no método que se utiliza na análise categorial.
Com o intuito de propiciar uma análise mais rica dos dados obtidos, Bardin (2010) propõe duas fases: a decifração estrutural e transversalidade temática.
A primeira fase refere-se à "abordagem que leva em conta os trabalhos existentes em matéria de enunciação, de análise do discurso e da narrativa, e até da psicanálise [...] mas de forma não sistemática, com flexibilidade, em função do próprio material verbal" (BARDIN, 2010, p.96). Seguindo esta abordagem, o autor apresenta cinco possibilidades de analise:
- Análise temática: podemos dividir o texto em alguns temas principais; - Características associadas ao tema central: ao concentrarmo-nos mais no tema geral de investigação, podemos extrair os significados associados ao tema na mente da pessoa entrevistada;
- Análise sequencial: a entrevista é dividida em sequencias. Critérios semânticos, mas também estilísticos estão na base desta divisão;
- Análise das oposições: dois universos opostos, num minicombate maniqueísta, defrontam-se neste discurso;
- Análise da enunciação: uma entrevista, como se trata de uma fala espontânea de inquérito, é feita de palavras, expressões, fins de frases aparentemente supérfluos, não levados em conta pela determinação semântica da procura de temas, mas muitas vezes, de fato, portadores de sentido. Além disso, o próprio estilo, nas variações está carregado de significados. Uma leitura da maneira de dizer, separada da leitura temática, pode completar e aprofundar a análise (BARDIN, 2010, p.101).
Buscando atender aos objetivos deste estudo, a partir de uma leitura minuciosa e detalhada das entrevistas realizadas com as professoras, das observações e dos documentos, foram construídos cinco eixos de análise
1- Caracterização da escola, dos professores e alunos; 2- A escola e a Educação Especial;
3- Percepção e expectativa dos professores sobre os alunos com deficiência e sua atuação profissional;
4- Visão dos professores sobre inclusão escolar, educação especial e saberes construídos;
5- Práticas pedagógicas, desenvolvimento profissional e formação.
Após essa organização, o próximo capítulo tratará de apresentar os dados e analisá- los, de acordo com os eixos definidos.
CAPÍTULO 4