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Scenariobetraktning; 65 % av laks foredles i Norge

4 Økt grad av foredling

4.3 Scenariobetraktning; 65 % av laks foredles i Norge

Para que esta dicotomia entre sombra e persona se confirme, ou seja, para poder escolher algo a ser salvo e algo a ser sacrificado, é necessário que se construa um distanciamento entre ambas as partes, criando a possibilidade de dominação já que não é possível dominar aquilo que é percebido como parte integrante de si mesmo.

Se a parte escolhida pelo sujeito racional como sendo aquela que o significa é a sua razão, então toda mínima lembrança de natureza dentro do si deverá ser extirpada e/ou colocada numa posição de degradação e inferioridade já que a natureza passa a ser vista pela razão como algo impuro e fonte de toda a angústia, pois o desejo e o impulso constituem anomias que não podem ser contabilizadas ou classificadas, posto que são derivados do corpo que, do ponto de vista da razão, é o lócus de toda sorte de intempéries e metamorfoses que provocam insegurança. O desejo é aquilo que atrapalha o bom caminho da razão pura. Descartes (1973), no Discurso do Método, já sugeria que a razão deve sempre seguir o caminho mais reto,

Sem se desviar por fracas razões (...) imitando nisto os navegantes que, vendo-se extraviados nalguma floresta não devem errar volteando, ora para um lado, ora para outro, nem menos ainda deter-se num sítio, mas caminhar sempre o mais resoluto possível para um mesmo lado (...) ainda que no começo só o acaso talvez haja determinado a sua escolha; pois, por este meio, se não vão exatamente aonde desejam, pelo menos chegarão no fim a alguma parte, onde verossimilmente estão melhor que nomeio de uma floresta (p. 60).

É evidente nesta fala o fato de a razão pensar a si própria como detentora da solução para os problemas que causam a angústia do ser e que tais soluções se dão sempre pelo uso de uma quantidade maior de razão. A analogia com o perder-se na floresta permite notar como a razão vê a natureza como caos que deve ser ordenado pela lógica que o pensamento dispõe.

Desde o início da Modernidade na Europa, era comum que os reis e as pessoas mais abastadas da sociedade vigente, construíssem jardins simétricos em suas residências no intuito de recriar a natureza informe, impondo-lhe regras e critérios de beleza. Da mesma forma, é a partir deste período que a sociedade adota critérios para distinguir os homens sãos daqueles considerados loucos, que por sua vez, deverão ser levados a lugares retirados do convívio social, assim como os idosos não mais produtivos, ou os bebês e crianças que ainda não receberam instrução, criando-se assim a necessidade da educação. (THOMAS, 1987)

Com a descoberta do Novo Mundo e o contato com povos e culturas mais ligados à natureza, criam-se duas visões aparentemente antagônicas do povo europeu em relação à América. A primeira é a do Paraíso Terrestre, a da possibilidade de se ter encontrado a Terra Prometida ao Povo Eleito, afinal de contas, há uma exuberância da natureza e uma sensação de infinitude de recursos que aproxima-se da descrição do Paraíso do Gênese bíblico. De outro lado, há uma repulsa que desencadeia o processo de dominação e escravização a partir da visão eurocêntrica de mundo, pois também se desenvolveu a visão do novo continente como de uma natureza caótica e perigosa, com selvagens canibais, doenças tropicais desconhecidas e animais nocivos.

Para além deste antagonismo aparente entre estas duas possibilidades, o que há de comum entre elas é o fato de para ambas haver um afastamento

do homem em relação à natureza, gerando um efeito reflexo. Aquilo que ocorre no aspecto externo (a natureza) repercute no interior do ser que se distancia (eu) e a maneira como este último vê e trata a si próprio (já que também se distancia de si mesmo), reverbera no modo como trata e vê a natureza.

Se estivermos falando de um Sujeito que escolheu (ainda que inconscientemente) como seu modelo de conduta o padrão racional e lógico, ele deve ter deixado de lado aquelas características (em si) que se assemelham mais ao caráter confuso e perturbador, ou seja, suas emoções. Como movimento conseqüentemente lógico, ele fará uma projeção destas escolhas para o mundo exterior, identificando suas emoções confusas e obscuras com a natureza ameaçadora, ainda que bela e verá no pensamento racional uma ferramenta de ordenação daquilo que não pode ser compreendido imediatamente, conferindo um grau superior àquilo que se parecer com a lógica escolhida como positiva.

Aristóteles trabalhou principalmente com animais e classificou várias centenas de espécies. Ele dividia os animais em dois grandes grupos: os com sangue e os sem sangue. Teofrasto, um discípulo de Aristóteles, descreveu todas as plantas conhecidas no seu tempo: ao classificar as plantas, um dos critérios utilizados foi o tamanho; ele as dividia em árvores, arbustos, subarbustos e ervas. Já no século XIX, inspirado por Aristóteles, Linnaeus classifica a natureza em Reinos, Ordens, Filos, Classes, Famílias e Espécies, numa tentativa de ordená-la através de critérios definidos de superioridade e inferioridade. Numa palavra: toda característica dos seres humanos que se assemelhar à natureza é punida com o banimento ou considerada degradação e inferioridade. Negros, índios, vagabundos, velhos, crianças, mulheres, bêba- dos, pobres e loucos são colocados à margem da sociedade e dominados pela lógica racional do afastamento do homem em relação à natureza (THO- MAS,1987). Porém, a um só tempo, as características humanas que se asse- melham à natureza são também enaltecidas e glorificadas como podemos ver nas várias formas de arte.

A natureza é então objetivada, seja aquela exterior ao sujeito, ou interior. Vale lembrar que no caso do mundo grego tal divisão tem um sentido muito

preciso, já que os deuses representam ambas as potências naturais do ho- mem, ou seja, aquelas interiores a ele (amor, ódio, alegria, memória etc.) como também as externas (caça, vento, mar, Sol etc.), sendo assim, quando se bus- ca dominar uma, a outra também é subjugada.

Esta objetivação e dominação se traduzem na forma do sacrifício, con- forme descrito anteriormente, no entanto, Jean Baudrillard (1991) torna o en- tendimento desse sacrifício um tanto mais complexo quando afirma que, no caso do simulacro, não há um sacrifício real, mas um sacrifício também simu- lado de seu objeto a fim de salvar o seu princípio de realidade.