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5.8 Scenario 5 - Variabelt scenario

      

33 Segundo Gonçalves e Thurler (2006, p. 101) “para que a interação se dê, são acionados um único meio

(unimeio) ou vários meios (multimeios)”; sendo, portanto, a forma como se dá a interação em relação ao meio também um dos parâmetros para se analisar a interatividade de sua situação comunicativa. Outros parâmetros serão abordados ao longo deste subcapítulo.

“redes sociais” on-line, porque tal metáfora para se analisar as nossas interações, não surgiu com o desenvolvimento da comunicação mediada por computador (CMC). Fazendo referência a um pensamento anterior de Castells (2003, p 48), “o mundo social da Internet é tão diverso e contraditório quanto à própria sociedade”. Ou seja, as relações que se descortinam na Internet nada mudam, em diversidade, daquilo que se realiza fora dela. Como posteriormente verifica Recuero (2009), as “redes sociais” também são boas metáforas off-

Um processo de mobilização, independentemente da situação que o impele, das pessoa

ssim, pôde-se não apenas interagir, como também manter relações sociais e constru

oramento técnico. Ela é, como isto no primeiro capítulo, condição fundamental e indissociável do que é ser humano. Então, se a participação é o qu

das pessoas, iniciado c ampliar tal prerrogativa

Não necessariamente nos tornamos mais “sociais” com o surgimento, por exemplo das s que o ensejam e das mídias que o fomentam, origina-se da comunhão de três outros processos: o de participação, o de coletivização e o de problematização. As mudanças, colocadas aos indivíduos mobilizadores (e também aos mobilizados) pelo surgimento dos dispositivos midiáticos interativos, definem rearranjos nestes três vértices da mobilização, produzindo, de fato, projetos mais abertos e potencialmente mais conversacionais. Estes rearranjos surgem, por assim dizer, de três princípios fundamentais da cibercultura: a interconexão, a formação de comunidades e a inteligência coletiva (LÉVY, 1999). Tais fundamentos, que, em outro momento, o autor classifica como “tendências em ressonância mútua” (LÉVY, 2010, p. 14), são o que particulariza estes “novos movimentos” em distinção aos realizados em períodos históricos anteriores, como veremos a seguir.

2.3.1 Participação através da interconexão em rede

Desde a criação do telégrafo e do telefone, as pessoas tinham o desejo de poder interagir umas com as outras, mesmo estando distantes fisicamente. Com o desenvolvimento dos microcomputadores e o surgimento das redes de computadores este desejo foi ampliado. Tais dispositivos possibilitaram que ferramentas de comunicação mediada fossem aprimoradas e a

ir laços com pessoas de outras localidades, até de continentes diferentes. A participação, por outro lado, antecede todo esse aprim

v

e nos define enquanto seres sociais, o fenômeno da interconexão geral om o telefone e o telégrafo e consolidado com a Internet, vêm apenas

line. Em nossa vida soc

laços sociais criados p solar os

s ferramentas comun

conjunto de regras, que nenhum de nós entende por completo. Nem todos os participantes são criados iguais. Corporações – e mesmo indivíduos dentro das corporações da mídia – ainda exercem maior poder do que qualquer consumidor

08) cipação através das novas

relações de produção e consum

ial, as pessoas, atores sociais, são os nós de uma rede; as interações e or elas são as conexões, que estabelecem uma estrutura social “onde

atores sociais e nem suas conexões” (RECUERO, 2009, p. 24). não é possível i

A cibercultura, obviamente, não é a “gênese” do contato social, e nem precisamos tecer comentários sobre o acesso34, ainda minoritário, para fazer tal conclusão. Ainda assim, podemos dizer que, na sociedade intitulada por Castells (2009) de “em rede”, a participação parece viver um momento áureo. Não apenas, para utilizar terminologias de Bordenave (1994), a “participação de fato”, inerente a todos nós, seres sociais, ou apenas aquela “imposta e provocada”, típica da função massiva; mas uma “participação espontânea, voluntária e concedida” que toma partido da liberdade oferecida pelo acesso à

icativas.

Essa nova postura participativa pode ser explicada por Jenkins (2008, p. 28) quando este reflete sobre a construção de uma “cultura participativa”:

A expressão cultura participativa contrasta com noções mais antigas sobre a passividade dos espectadores dos meios de comunicação. Em vez de falar sobre produtores e consumidores de mídia como ocupantes de papéis separados, podemos agora considerá-los como participantes interagindo de acordo com um novo

individual, ou mesmo um conjunto de consumidores. E alguns consumidores têm mais habilidades para participar dessa cultura emergente do que outros.

analisa precisamente, em seu livro, a parti Jenkins (20

o na indústria do entretenimento, com exemplos como a dinâmica de spoilers35 dos aficionados pelo programa americano Survivor, ou as criações de

      

34 No final de 2010, o número de pessoas no mundo com acesso à Internet era de 2,08 bilhões, segundo dados da

UIT (União Internacional de Telecomunicações), agência pertencente à ONU. Mesmo ainda representando apenas cerca de 30% da população mundial, o crescimento do acesso em dez anos foi exponencial, passando dos 250 milhões de pessoas para o número atual (ADNEWS, 2011). Como refletem Lévy; Lemos (2010, p. 43), “uma ligação simultânea de toda a população mundial do planeta seria ainda impossível hoje, embora seja, a cada dia, possível e desejável”; tal proj

processo, espontâneo e não planificado, sem

eção não se promove instantaneamente por ser resultado de um lento necessidade, portanto, de um “organismo mundial” controlando-o, o que desc

acontecer o que o autor classifica como lacuna participativa. “Enquanto o foco permanecer no acesso, a reforma aracterizaria os processos libertários de emancipação humana, “imprevisíveis, sem planejamento e sem freio” (LÉVY; LEMOS, 2010, p. 43), tão caros à cibercultura. Para Jenkins (2010) mesmo com acessos ainda não massificados é preciso mudar o foco de discussão para aproveitar tal liberdade de forma eficaz, para não permanecerá concentrada nas tecnologias, assim que começarmos a falar em participação a ênfase se deslocará para os protocolos e práticas culturais” (JENKINS, 2008, p. 50).

35 Spoiler, expressão que significa “estraga-prazer”, reflete uma prática comum de alguns espectadores em

descobrir detalhes futuros sobre suas produções favoritas e divulgá-las, principalmente através da Internet (JENKINS, 2008).

as, como o mesmo autor finaliza, na citação anterior, a participação não é homogênea entre tod

empreendidas nas (e “movimento”, não se responsáveis por empr

sendo uma pequena pa pontua Cardoso (2007, p.

419):

wsletter, visitar um fórum ou subscrever uma er mensagem.

a, surgida com o maior número de indivíduos geradores, ou utilizando outra expressão de Henriques, Braga & Mafra (2007), um aumento do sentimento de co-

apenas conseqüência. imersos na rede e assim com o problema que os

entos ambientais, por identidade étnica, pelos direitos das mulheres; movim

físicas criam os próprios sítios (sites), que servem de base para que todos os        

fanfics36 dos leitores de Harry Potter. Em cada um dos casos, há a participação em rede de indivíduos buscando um objetivo comum; quer seja o de divulgar detalhes futuros de tramas ou estender narrativas ao bel prazer. Ou seja, independentemente do intuito frugal, há mobilização de indivíduos, facilitada pelos dispositivos midiáticos interativos.

M

os os indivíduos. Percebe-se que, em relação às mobilizações pelas) mídias interativas, a participação, como caráter de “ação”, impõe apenas pelo fato de se estar conectado. Indivíduos geradores,

eender ações que sustentem um processo mobilizador, continuariam rcela dos inseridos no ciberespaço. Como

A participação cívica online também pode ser mais passiva ou ativa. Colocar mensagens ou participar em ações diretas online é vista como uma atitude mais ativa do que a mera recepção de uma ne

mainling list sem colocar nela qualqu

Por outro lado, a grande particularidade desses novos processos de mobilização, não seria uma ampliação da participação ativ

responsabilidade. Estes, em uma realidade de interconexão, seriam A grande particularidade desses processos seria o fato de estarem , em potencial contato com todos aqueles que possam se identificar definem.

Movim

entos nacionalistas, pelos direitos humanos; ou simplesmente “movimento” pelo “direito” de saber o que acontecerá com seu personagem favorito no seriado que passará Domingo à noite. Todos se fazem presentes no ciberespaço, “a ágora eletrônica global em que a diversidade da divergência humana explode numa cacofonia de sotaques” (CASTELLS, 2003, p. 115). O mesmo autor, em texto anterior reflete sobre os benefícios dessa diversidade:

A coexistência pacífica de vários interesses e culturas na Rede tomou a forma da World Wide Web – WWW (Rede de Alcance Mundial), uma rede flexível formada por redes dentro da Internet onde instituições, empresas, associações e pessoas        

Fanfics são criações feitas pelo público, com histórias envolvendo seus personagens favoritos (JENKINS, 2008).

(CASTELLS, 2009, p. 439-440).

com tudo, se não obriga a participação, ao enos a facilita pela constituição de uma esfera cada vez mais comum de ação, como assim

duzir, blica”

participação ativa, mas uma maior possibilidade de que estes surjam

participan

indivíduos com acesso possam produzir a sua homepage, feita de colagens variadas de textos e imagens. (...) O preço a pagar por uma participação tão diversa e difundida é deixar que a comunicação espontânea, informal prospere simultaneamente

O próprio conceito de interconexão, como posto por Lévy (2010, p. 14), também reflete essa diversidade, sendo, um fenômeno muito geral que tece “relações entre territórios, entre computadores, entre meios de comunicação, entre documentos, entre dados, entre categorias, entre pessoas entre grupos e instituições”.

O contato de todos com todos, ou de tudo m

se posicionam Lévy, Lemos (2010, p. 89):

Hoje, graças à rede, são os próprios atores, as pessoas, as empresas, as instituições, os movimentos, os partidos, as associações, os agrupamentos, as comunidades virtuais de todos os tipos, que decidem sobre aquilo que eles vão publicar na web (...). Quem ganha com isso é o cidadão e o que cresce é a liberdade de pro consumir e distribuir informação. Amplia-se, dito de outro modo, a “esfera-pú e, conseqüentemente a esfera de ação comunicativa.

É deste processo de maior diversidade e liberdade de produção e difusão, que se projetam os processos de mobilização na cibercultura. Ao ampliar a esfera de ação dos movimentos através da interconexão de pessoas e projetos, não se está promovendo uma indicação automática de “geradores” aptos à

e destaquem seus projetos, o que seria impraticável numa sociedade com relações de comunicação verticalizadas e baseada em centros editores. “A nova comunicação pública é polarizada por pessoas que fornecem, ao mesmo tempo, os conteúdos, a crítica, a filtragem e se organizam, elas mesmas, em redes de troca e de colaboração” (LÉVY; LEMOS, 2010, p. 13).

Os dispositivos midiáticos digitais e interativos, de função pós-massiva, conversacionais, além de permitirem a “ação” dos indivíduos “geradores”, também permitem que estes consigam sustentar seus projetos diante da necessidade constante de agregar novos tes, fato consumado pela estrutura em rede que mantém, unidos, “geradores”, “legitimadores” e “beneficiados”.

Os “novos” processos de mobilização têm na conformação em rede, como refletem autores como Castells (2003) e Cardoso (2007), sua principal característica. E é exatamente a partir da organização em rede, fomentadora da participação, que se originam os outros

(ROSA, 2011); nos protestos em relação às eleições no Irã, em 2009 (LÉVY, LEMOS, 2010). E, também, no limiar deste novo século, no processo de independência e reconstrução do process

tenção da união entre os membros de uma mobilização, está necessariamente ligado a forma como se origina e como prospera essa união, e em extensão na

Pode-se afirmar em que, muitas veze responsáveis também

simultaneidade e interatividade (hipertexto), assim como a descentralização, fazem da internet algo be

icos que não mais se

ada de 90, em uma ainda incipiente troca de fluxos pela rede mundial, mas é sintom

os inerentes a mobilização, a coletivização comunitária e interativa e a problematização através da inteligência coletiva.

2.3.2 Coletivização Comunitária e Interativa O processo de coletivização, ou de manu

forma como se originam e prosperam os fluxos comunicativos. que, atualmente, as mídias de função pós-massiva ao mesmo tempo s, criam o “ambiente” onde se formam esses movimentos, são

pelas trocas constantes e interativas que os caracterizam. “A

m diferente das mídias de massa. Ela não é uma mídia, mas um (novo) ambiente midiático (LEMOS, 2002, p. 123).

Uma das particularidades desse “ambiente midiático” é a dissociação do conceito tradicional de comunidade, o qual colocava os indivíduos em contato através do caráter territorial do cotidiano de cada um. O local onde residem, a instituição na qual trabalham, a escola, os lugares em que buscam entretenimento ou lazer; são todos espaços fís

impõe como ambientes únicos de trocas comunicativas. Com o advento das redes de computadores e, posteriormente, da Internet, surgiu a possibilidade de se manter uma comunicação contínua e prolongada com outras pessoas em territórios físicos diferentes, resultando no estabelecimento de relações desterritorializadas.

Tratando-se dos processos de mobilização atuais, essas relações tornam-se nítidas. Como, por exemplo, o movimento zapatista em Chiapas, no México, que “arrebatou a imaginação popular pelo mundo todo ao congregar apoio para sua causa através de redes eletrônicas de faxes e da Internet” (CASTELLS, 2003, p. 115). Tal mobilização aconteceu em meados da déc

ática da desterritorialização das causas simbólicas.

Outros exemplos definidores, já em nosso século, podem ser vistos nos, já citados, protestos de deposição de ditaduras no norte da África e Oriente médio, no início de 2011

comunidades virtuais” (LÉVY, 1999), em que um grupo de pessoas encontra-se em relação por intermédio do ciberespaço. O “virtual” da expressão está ligad

diversas manifestações estar ela mesma presa a

Apesar de, mu sentido de expressarem vezes o sentimento de afinidade. “Uma com

conhecimentos, sobre projetos m tudo isso

indepe

ais integradas, já que não mais se aposta apenas no nível d

Timor Leste entre 1999 e 2000. Cardoso (2007, p. 471) analisa esse último movimento e assim se posiciona em relação a seu ponto forte:

A conclusão que pode ser tirada dessa análise sobre como um mesmo assunto, Timor Leste, é tratado por diferentes mídias em diferentes contextos geográficos e culturais num ambiente de protesto global é que a quantas mais mídias (jornais, rádios, televisões, listas de ativistas etc.) tivermos acesso, maior a probabilidade de haver um conhecimento mais aprofundado e correto da situação, bem como a participação num protesto fortemente assente na mediação simbólica terá possibilidades de atingir os seus objetivos.

Desterrioralizam-se as causas, como no exemplo anterior, mas as pessoas continuam ligadas a estas, muitas vezes através das chamadas “

o, precisamente, a “toda entidade “desterritorializada”, capaz de gerar concretas em diferentes momentos e locais determinados, sem contudo

um lugar ou tempo em particular” (LÉVY, 1999, p. 47).

itas vezes, estas também refletirem as comunidades tradicionais, no relações de troca baseadas em territórios físicos37, na maior parte das pertencimento é colocado em segundo plano, diante do sentimento de unidade virtual é construída sobre as afinidades de interesses, de

útuos, em um processo de cooperação ou de troca,

ndentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais” (LÉVY, 1999, p. 127). Em texto, produzido dez anos depois, o mesmo autor supracitado enfatiza novamente que no “novo território virtual, as proximidades são semânticas” (LÉVY, LEMOS, 2010, p. 105).

Em processos de mobilização, tais proximidades semânticas acabam tornando-se mais fundamentais que a proximidade física. O compartilhamento, simbólico e transversal, possibilita mobilizações potencialmente m

e vinculação chamado “localização espacial” para sensibilizar as pessoas. Lembrando, portanto, da escala de vínculos, proposta por Henriques, Braga e Mafra (2007), vê-se que, em um ambiente que permite a trocas simbólicas com mais facilidade, as pessoas trocam mais

      

37 O site Foursquare, por exemplo, é um serviço de geolocalização em que, basicamente, você indica onde está

através de um aplicativo no seu celular. O mesmo permite que você crie uma rede de amigos, com quem pode compartilhar seus check-ins (palavra usada para identificar o ato de indicar que se chegou ou está em um determinado lugar). Quando seus amigos fazem check-in, você também acompanha na tela do aplicativo, podendo marcar encontros físicos, por exemplo, ou apenas receber indicações de bons lugares para freqüentar futuramente (INTERNEY, 2010).

comumente juízos sobre as temáticas que os afligem, o que os coloca como “legitimadores” de tais problemáticas, instalados no nível de “julgamento”. Os “legitimadores”, reserva de ação de um movimento, estariam, portanto, em maior número nestes “novos” processos de mobilização, prontos p

níveis de “ação”, “coes Castells (2003, interativas, posicionou-

a Era da Informação são essencialmente mobilizados em torno de valores culturais. A luta para mudar os códigos de significado nas

partir das observações do autor podemos aferir que, assim como as mídias de função pós-massiva não são a

também não o são em um movimento. Como revoluções, embora qu midiáticos proporciona vitalidade de qualquer m

a exemplo do ocorrido na Tunísia:

ara tornarem-se indivíduos “geradores”, integrados ao movimento nos ão”, “continuidade”, e “co-responsabilidade”.

p. 116) ao analisar os movimentos sociais através das mídias digitais se assim sobre esta questão:

Os movimentos sociais n

instituições e na prática da sociedade é a luta essencial no processo de mudança social no novo contexto histórico. (...) Nesse sentido, concordo com Cohen e Raí (2000) em que a distinção entre movimentos sociais velhos e novos é em grande parte enganosa. Movimentos da Era Industrial, o movimento operário, por exemplo, persevera em nossos dias redefinindo-se em termos de valores sociais, e alargando o significado desses valores: por exemplo, a reivindicação de justiça social para todos, em vez da defesa de interesses de classe. Por outro lado, alguns movimentos sociais mais importantes de nosso tempo, como os nacionalistas ou religiosos, são muito antigos em seus princípios, mas assumem um novo sentido quando se tornam trincheiras de identidade cultural para a construção de uma autonomia social num mundo dominado por fluxos de informação homogêneos, globais.

A

gênese da participação, como abordamos em outro momento, elas relação à motivação simbólica que convoca um coletivo em torno de pontua Zuckerman (apud ROSA, 2011, p. 72), “a tecnologia não causa ase sempre possa ser usada em favor delas”. O que tais dispositivos m, são processos de trocas mais rápidos e constantes, essenciais para a

obilização.

Rosa (2011, p. 72) reflete sobre tal questão, quando lista os usos dos dispositivos midiáticos interativos na deposição dos ditadores Hosni Mubarak, no Egito e Zine El Abidine Bem Ali, da Tunísia. Os protestos surgiram de insatisfações da população jovem com a situação econômica, de desemprego, e política, já que, somados, ambos os governos estavam no poder a 53 anos; ou seja, o problema definidor já existia antes de qualquer tweet ser mandando, mas tais mídias foram essenciais na organização e manutenção38 dos movimentos,

      

38 O uso de tais ferramentas foi tão essencial em tais protestos que a repressão também resvalou sobre elas.

Blogueiros foram presos na Tunísia, por exemplo. E no Egito, o governo bloqueou os provedores de acesso do país, deixando os insurgentes sem internet durante cinco dias (ROSA, 2011).

Embora essa história possa ser contada sem citar a palavra internet uma única vez, a web foi peça importante em vários momentos. Durante os primeiros protestos na cidade de Sidi Bouzid, repórteres foram proibidos de ir até a cidade. As notícias

a rapidez de contato, não m

As smart mobs são mobilizações usando tecnologias sem fio e móveis, como o uso de SMS para ajuda às vítimas dos tsunamis. São práticas contemporâneas de

ativista. Este conjunto de práticas tem adjetivo “smart” seja questionável, os exemplos mostrados aqui no caso das tsunamis nos parecem ser inquestionáveis: estamos assistindo ao poder de mobilização social através destas tecnologias digitais móveis

contato, través do Facebook, Twitter e YouTube, ou até mesmo

sagens essenci e mobilização

onçalv s e Thurler39 (2006), a instantaneidade ou, em suas

ara endo ser

em intervalo longo, curto ou ail, dos mensageiros

eletrônicos e dos softwares de redes tato em intervalos de

tempo

acabaram disseminadas através do Facebook. (...) Antes mesmo dos protestos, os tunisianos já usavam vídeos para criticar o governo. Em um deles, a primeira dama aparecia viajando no jatinho presidencial para fazer compras na Europa. Já o Twitter serviu para comunicados mais urgentes: mudanças de planos nos protestos, pedidos de doação de sangue, contagem minuto a minuto do número de mortos e presos. E até para avisar da localização de atiradores escondidos. (ZUCKERMAN apud ROSA, 2011, p. 73-74).

Lemos e Novas (2005) apresentam também outro exemplo do uso positivo dess ais em relação às ferramentas sociais on-line, mais ao uso do celular e das mensagens de texto. O SMS (short message service) foi o principal recurso utilizado logo após os tsunamis que devastaram o sudeste da Ásia, em dezembro de 2004. Com as linhas físicas destruídas, foi através de tais mensagens que as pessoas trocavam informações sobre locais de ajuda e encontro de vítimas. Os autores lembram que tais mobilizações podem ser chamadas de smart mobs, termo cunhado pelo jornalista americano Howard Rheingold.

agregação social usando as tecnologias sem fio da “era da conexão”. Estas práticas