5.2. Geology of Oriente Basin
6.1.1. Scenario 1
Os estados ecológicos (ESAS) dos recifes foram significativamente diferentes (Kruskal-Wallis: H=17.22, p<0.001). Pedra do Felipe foi o recife que apresentou o melhor valor global de ESAS (4.00 pontos). Quando tratado isoladamente, os valores de ESAS para a megafauna fomentadora de habitat diferiram significativamente (Kruskal-Wallis: H=28.3, p<0.001) entres corais (1.54±0.66) e esponjas (3.96±1.16), tendo o último uma maior influencia na determinação do estado ecológico recifal. A maior influência das esponjas também foi refletida nos valores globais de ESAS de cada formação recifal, sendo maiores do que os obtidos pelos corais pétreos (ANOVA: F=41.97, df=1, p<0.001). A figura 5 traz os valores médios de ESAS obidos para cada um dos cinco parâmetros avaliados, juntamente com as médias globais.
Figura 5: Valores médios de ESAS. O gráfico em barras representa os valores
dos cinco parâmetros acessados. A linha descreve os valores globais de ESAS de cada formação recifal. RUG=rugosidade, HAS=complexidade do habitat, C.S.=porcentagem de colônias de corais pétreos saudáveis, M.F.H.=megafauna formadora de habitat (corais duros + esponjas), I.A.=Presença antrópica. BAR=Barreirinhas, C.LEA=Cabeço do Leandro, FEP=Pedra do Felipe, VEL=Pedra do Velho, FLX=Pedra do Félix, LIMA=Pedra do Lima, M.VIC=Mestre Vicente. Linhas representam os valores globais de ESAS, considerando a megafauna formadora de habitat: esponjas+corais duros (verde), somente esponjas (azul) e somente corais duros (vermelho).
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As regressões encontraram relações significativamente positivas entre o estado ecológico dos recifes com riqueza de espécies de peixes e a biomassa de predadores (piscívoro+carnívoros) (Fig. 6).
Figura 6: Regressões lineares entre o estado ecológico do recife e suas
características biológicas. Riqueza de espécies de peixe (S), Diversidade de Shannon-Wiener (H’), Biomassa total de peixes e Biomassa de predadores (carnívoros e piscívoros).
DISCUSSÃO
A classificação do estado ecológico dos recifes (ESAS) elaborada neste estudo buscou incorporar os principais fatores estruturais abióticos, bióticos e antrópicos inerentes aos sistemas avaliados, que pudessem refletir na comunidade local, em sua diversidade, riqueza e biomassa de espécies. As diferenças significativas encontradas nestes fatores justificam o uso dos mesmos para traçar uma classificação que relacione a complexidade, estrutura e uso dos recifes com a biodiversidade local nestes recifes. Diversos estudos ecológicos têm sido desenvolvidos na tentativa de se avaliar o estado ecológico de ambientes marinhos pela elaboração de índices que incorporem descritores antrópicos e/ou biológicos em sua avaliação (Jameson et al. 2001, Bem-Tzvi et al. 2004, Deter et al. 2012, Rodgers et al. 2012), como importante medida para políticas públicas voltadas a conservação ambiental (Westra et al. 2000).
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A incorporação da complexidade de habitat no índice utilizado é justificada por ser um componente importante na estruturação das comunidades ecológicas, pois promove um maior número de refúgios contra predadores e estressores ambientais, permitindo a coexistência de espécies de nichos compartilhados (Bruno & Bertness 2001; Price et al. 2011; Kovalenko et al. 2012). A complexidade de habitat pode ser mensurada por uma gama de componentes que a definem, para o propósito deste trabalho foram então utilizados a rugosidade do substrato (Walters & Wethey 1996, Chabanet et al., 1997) e o Habitat Assessment Score (Gratwicke & Speight 2005) como fatores incorporados no ESAS. Colocar algum exemplo relacionando bentos com complexidade de habitat.
Em relação aos fatores bióticos utilizados no índice, a porcentagem de colônias de corais pétreos saudáveis foi selecionada como principal fator, pois tal a alta produtividade associada a estes animais está fortemente relacionada à presença de zooxantelas no tecido dos corais (Birkeland 1997). A baixa percentagem de colônias branqueadas neste estudo pode ser resultado da baixa variação intra- sazonal das condições físico-químicas da água durante o período de estudo (Grimaldi et al., em preparação). Já a função de fomentador de complexidade do habitat (Leal et al. 2013), avaliada no ESAS, baseou-se na inclusão dos corais com as esponjas. A incorporação das esponjas como bioconstrutores neste estudo, decorre do fato desses organismos estarem presentes em alta abundância em todos os recifes avaliados (Grimaldi et al., em preparação), e há estudos que atestam que muitos macrobentos utilizam as esponjas como habitat, aumentando assim a biodiversidade do recife (Carrera- Parra & Vargas-Hernández 1997, Wulff 2001).
Conforme previsto pela Hipótese 2, os corais apresentam pouca influência na determinação do estado ecológico dos recifes, resultado já discutido por Grimaldi et al. (em preparação), em função da baixa abundância de corais encontrada para a região em detrimento da alta concentração de esponjas que poderiam ser consideradas melhores descritores para as condições ecológicas do recifes estudado.
O reflexo da relação positiva entre os estados ecológicos dos recifes e a biomassa de predadores se torna evidente quando se contrasta o recife de melhor estado com o que obteve o menor valor, como é o caso dos recifes Pedra do Felipe (ESAS=4.00) e Pedra do Fêlix (ESAS=2.80). O primeiro foi caracterizado por uma elevada biomassa de peixes piscívoros e carnívoros, registrando 15 vezes mais biomassa total de peixes do que em Pedra do Fêlix. Curiosamente, ambos os recifes são áreas de pesca de linha e mesmo sobre influencia da mesma atividade a biomassa da ictiofauna foram marcadamente distintas. Este resultado pode ser um indício de que nos níveis de pesca atuais a comunidade de peixes pode ainda estar sendo influenciada mais fortemente por processos bottom-up, como as diferenças nos níveis de rugosidade e complexidade de habitat entre os recifes, e, justamente, a Pedra do Felipe foi à formação recifal que apresentou os maiores valores de rugosidade e HAS.
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Outra evidência do efeito bottom-up relacionado aos parâmetros estruturais dos recifes é o fato de o recife com melhor estado ecológico apresentar aos maiores valores de riqueza de espécies de peixes. Uma vez que uma maior complexidade estrutural presente nos recifes de alto ESAS promove um maior número de abrigos para as espécies de peixes de pequeno porte, e de comportamento mais bentônico, estes grupo responderia mais fortemente o índice utilizado. Como de maneira geral os recifes são dominados por grandes abundâncias de peixes nectônicos (Grimaldi et al. em preparação), e os índices de diversidade consideram em seu cálculo tais informações, a diferença entre os recifes só poderia ser apreciada levando-se em conta a fauna de peixes bentônicos, que são fortemente associados ao substrato recifal, e assim diretamente influenciados pela complexidade do recife. Diante do que foi exposto, a métrica mais sensível as variações nos estados ecológica do recife seria a riqueza de espécies.
Contudo, os efeitos top-down sobre os recifes podem estar sendo subestimados pelo emprego do ESAS, uma vez que o único fator considerado na avaliação do estado ecológico que refletiria um efeito top-down no ecossistema foi à presença de atividades antrópicas. Este único fator, baseado apenas em presença ou ausência e seus respectivos pesos, o que pode estar gerando pesos desiguais nos parâmetros botton-up e top-down avaliados pelo ESAS. Assim, deve-se buscar novos parâmetros que contrapesem aos componentes bottom-up avaliados no ESAS, de maneira que o estado ecológico dos recifes não reflita com maior peso as características estruturais intrínsecas dos recifes. Apesar do presente estudo não ter encontrado efeito evidente da presença antrópica influenciando a ictiofauna recifal, a baixa abundância de peixes carnívoros e herbívoros registrada nos recifes, em relação a outras áreas recifais brasileiras pode ser indícios da pressão de pesca atuando na ictiofauna regional da área (Grimaldi et al. em preparação). Um excelente indicador disso é a alta abundância registrada de peixes da família Haemulidae, que se beneficiam da ausência de predadores e por esta razão são tão dominantes em recifes impactados pela pesca (Ferreira et al. 2004, Ferreira & Maída 2006). Assim, um estudo de maior abrangência capaz de determinar de maneira quantitativa a pressão de uso antrôpico nos recifes, seria nescessário para esclarecer de maneira apropriada os efeitos top-down exercidos pela pesca sobre a comunidade de peixes recifais.
Baseado nos resultados encontrados e visando um planejamento de ações e medidas de manejo e conservação da área, com o objetivo de assegurar o atual estado dos recursos naturais, se propõe que as áreas recifais em melhor estado ecológico seja protegida de modo que possam servir de atracadouro seguro para as espécies de peixes e, ao mesmo tempo, exportador de indivíduos para as demais áreas recifais do entorno. Contudo, se faz necessário que todos os demais recifes sejam englobados em uma única e grande unidade de conservação que regulamente a atividade pesqueira para que não haja uma sobrexplotação das espécies de peixes em um ritmo maior do que os recifes protegidos sejam capazes de suprir.
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