Sobre o custo final de usinagem de uma peça FERRARESI, COELHO e DINIZ et
al apud SOUZA et al (2006) apresentam a conclusão comum de que este seja composto
de três itens principais: mão-de-obra, máquina-ferramenta e ferramenta. Os custos de mão-de-obra englobam o tempo total de confecção por peça, salário do operador e encargos relativos à hora de trabalho. Enquanto, os custos de máquina-ferramenta envolvem o número de horas de trabalho previstas por ano, o valor inicial de aquisição da máquina-ferramenta, a idade da máquina-ferramenta, a vida prevista para a máquina- ferramenta, a taxa anual de juros, o espaço ocupado pela máquina-ferramenta, seu custo de manutenção e o custo da áreaocupada pela máquina-ferramenta. E, por último, para a formação do custo da peça, inclui-se o custo da ferramenta delimitado pelo número de peças usinadas na vida útil da ferramenta.
UDDEHOLM apud YOSHIDA; SARTORI e ARRUDA (1998) também resumem o custo da peça em três elementos centrais, sendo eles:
1- Custos de fabricação (usinagem, projeto) que representam cerca de 85%
dos custos;
2- Custo do aço ferramenta que representam, aproximados 10% do custo
total e
A Figura 7 ilustra alguns dos fatores a serem considerados na formação dos custos das ferramentas.
Figura 7 – O “ICEBERG” dos custos de uma ferramenta. (UDDEHOLM apud YOSHIDA; SARTORI e ARRUDA, 1998).
Os custos se estendem, ainda, ao controle de qualidade. Para Coppini (2006), os vários custos que influenciam na manufatura de uma peça usinada podem ser divididos em duas categorias: (1) Envolvidos ao processo: como ferramentas, capacidade produtiva (máquinas e mão-de-obra), (2) Não diretamente envolvida ao processo: como custos de controle de qualidade, matéria-prima, mão-de-obra indireta.
O SEBRAE MG, Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (2010), sugere a construção de uma planilha e detalha os requisitos necessários para a formulação de custos de acordo com o tipo de empresa. Para as empresas industriais relaciona-a a medida da matéria-prima e ao valor da mão-de-obra utilizada em cada processo de produção, para cada um dos produtos.
Segundo Garrison e Noreen (2001); Martins (2003); Hornegren, Foster e Datar (2000) os custos podem ser classificados segundo duas características: uma pela “apropriação ao objeto de custo” e outra pelo “comportamento em relação à variação do volume de produção”. Quanto a sua Apropriação, Custos Diretos seriam aqueles com fácil e direta identificação quanto ao objeto de custo em causa, em contrapartida os Custos Indiretos seriam aqueles que não podem ser facilmente identificados ao objeto. Já, sob a vertente da previsão de Comportamento: a) Custos Variáveis: são aqueles cujo total varia na razão direta das alterações do nível de atividade; b) Custos Fixos: são
aqueles cujo total permanece constante, independentemente das alterações no nível de atividade.
Para tanto, o SEBRAE orienta sobre a necessidade de preencher uma destas planilhas para cada produto, com a data de sua elaboração e da realização de outro levantamento de dados, com vistas às suas atualizações. Devem ser descritas as principais matérias-primas utilizadas nos processos de fabricação do produto especificando a unidade de medida referente a cada matéria- prima e o valor referente ao preço por esta unidade, sendo necessária a exclusão do valor referente ao ICMS destacado na compra para determinar o custo do material empregado.
Para o cálculo dos custos relacionados à mão-de-obra, o Serviço sugere fazer um resumo da folha de pagamento mensal dos funcionários diretamente ligados à produção, das horas trabalhadas por mês, incluindo horas extras, aos pagamentos não detalhados em folha e encargos sociais incidentes sobre a folha de pagamento. Assim, delimita-se o custo total da mão-de-obra direta à multiplicação do custo hora da mão-de-obra direta pelo tempo gasto na fabricação do produto.
Posteriormente, orienta determinar as despesas fixas e despesas administrativas da empresa, calculando-se o rateio das despesas fixas: divisão das despesas fixas total pelo total de horas disponíveis no mês e multiplicação desta pelo tempo gasto no serviço.
Berto apud SOUZA, AVELAR e BOINA (2008) apresenta os três principais métodos de custeio da literatura: o custeio por absorção, o custeio variável (ou direto) e o custeio baseado em atividades (Activity-Based Costing – ABC).
Para delimitar o custeio por absorção se baseiam em Moinuddin et al.(2007) que afirmam que o método tradicional se originou a partir de métodos derivados da aplicação dos princípios contábeis geralmente aceitos e, de acordo com Hansen e Mowen (2006) explicam que este método atribui custos variáveis e uma parte dos custos fixos a cada unidade de produto fabricada. Para tanto, tomam por base alocações variadas, como horas de mão-de-obra direta, horas-máquina e custo dos materiais diretos.
Alegam que o custeio por absorção é usual no controle de estoques de mercadorias e na avaliação dos custos dos produtos pela contabilidade financeira. Para delimitar o custeio variável (ou direto), consideram as idéias de Vartanian (2000) e Frossard (2003) de que a apropriação dos custos aos produtos fabricados seja composta,
exclusivamente, pelos custos variáveis, que direta proporcionalmente com volume de produção (mão-de-obra direta e materiais diretos, método de custeio bastante utilizado para fins gerenciais, por permitir a realização de várias análises a partir das informações geradas). Por fim, o último método de custeio apresentados pelos autores, o ABC, é conceituado a partir da quantificação das atividades realizadas pela empresa.
CRUZ (2010), explica que, no método ABC, os recursos são representados pelos custos e despesas sendo consumidos pelas atividades. Alegam que esta ferramenta pode ser muito útil para decisões gerenciais quanto ao emprego dos recursos nas diferentes atividades, entretanto, na coleta de informações, se torna custosa e trabalhosa.
Mediante este fato, o autor disserta sobre o método TDABC, que atribui os custos aos recursos pela estimativa da taxa de custos de capacidade do departamento e o uso da capacidade para cada transação processada no departamento. Para tanto, a soma dos custos de todos os recursos (mão-de-obra, supervisores, propriedade, tecnologia e suprimentos) é dividida pela capacidade disponível (tempo de trabalho ou funcionamento subtraído de todo o tempo referente às paradas na produção).
SOUZA et al (2006), se baseiam na teoria das restrições, explicam que um dos maiores desafios à nível de decisões gerenciais ocorrem quando se deve considerar, simultaneamente, o ótimo desempenho operacional local e o objetivo do sistema organizacional como um todo, dada a interdependência entre a limitação dos recursos disponíveis. Como aspecto econômico, lembram que, para máquinas consideradas gargalo, existe uma velocidade de corte que maximiza o ganho total gerado por um tipo de peça, considerando apenas os custos que efetivamente variam com a quantidade produzida e vendida.