Uma teoria curricular contemporânea, fundamental para os propósitos desta pesquisa, é abordada por Philip Henry Phenix, que enfatiza os significados da vida humana. Desta forma, oferece uma base para o entendimento de um currículo integral na Educação Geral. O autor, nascido em 1915, em Denver, nos Estados Unidos, aborda seis padrões e ou significados que fazem parte da vida dos seres humanos.
Phenix (1964) acredita que a finalidade da Educação é ampliar a visão de mundo, fazendo com que o indivíduo seja capaz de criar significados que contribuam para o seu crescimento. Entretanto, afirma que a fragmentação existente no currículo escolar interfere, negativamente, no alcance de uma visão integrada da vida humana. A capacidade de gerar
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significados está sempre ameaçada em função da moderna civilização industrial. Assim, quatro fatores merecem especial ênfase:
Primeiro, pelo espírito crítico e cético da herança científica. Este espírito é parte do patrimônio científico, mas também tem tendência a trazer a validade de todos os significados em questão. O segundo fator é a despersonalização e fragmentação da vida causada pela extrema especialização de uma sociedade complexa e interdependente. O terceiro fator é a enorme massa de produtos culturais, especialmente o conhecimento, que o homem moderno é obrigado a assimilar. O quarto fator é a rápida mudança que ocorre nas condições da vida, resultando num sentimento de impermanência e insegurança (PHENIX, 1964, p.5).
Ao se estudar esta teoria, busca-se obter orientação lúcida e compreensiva na procura do significado do currículo. Para Phenix (1964), existem seis padrões ou domínios fundamentais do significado: simbólico, empírico, estético, sinoético, ético e sinóptico, explicados, de forma resumida, a seguir:
a) domínio simbólico: diz respeito à linguagem comum (forma de discurso e escrita), à Matemática, que se constitui em uma coleção de sistemas simbólicos essencialmente teóricos e às formas nãodiscursivas, que se referem aos sentimentos e valores, visando a expressar a subjetividade pessoal, como rituais, gestos, padrões rítmicos etc;
b) domínio empírico: compreende as ciências do mundo físico, das coisas vivas e do Homem. Estas ciências fornecem generalizações, formulações e explicações teóricas, baseadas na observação e experimentação do mundo da matéria, vida, mente e sociedade. A Ciência ou investigação empírica sistemática preocupa-se com problemas ou fatos, e não com as convenções simbólicas. As disciplinas que representam este domínio são as Ciências Naturais: Física, Química, Biologia, e as Ciências Humanas, como as Ciências Sociais, a Psicologia e a Antropologia;
c) domínio estético: relaciona-se às diversas formas de manifestação artística do indivíduo: Música, Artes Visuais, Artes do Movimento e Literatura. A Música é similar à linguagem, pois ambas consistem de uma sequência de sons padronizada. A principal diferença é que os sons da música não são formados dentro de um conceito simbólico transmissor de significados discursivos. O termo Artes Visuais é usado para designar áreas da pintura, desenhos, artes gráficas, escultura e arquitetura. A dança é arte primordial, porque nela o instrumento empregado é o próprio corpo humano e porque o movimento corporal é fundamental para a existência humana. O conceito central, na arte da Literatura, é a imaginação;
d) domínio sinoético: engloba o conhecimento pessoal e constitui-se o quarto domínio. Este conhecimento é concreto, direto e existencial, podendo ser aplicado a outras
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pessoas, a si mesmo ou mesmo a coisas. Para uma melhor compreensão, deve-se esclarecer que o termo sinoético deriva do grego “synnoesis” (syn=com; noesis=cognição), significando pensamento meditativo, compreensão direta;
e) domínio ético: inclui significados morais, que expressam obrigação, ao invés do fato em si; as áreas destacadas pelo autor são os direitos humanos, o sexo e as relações familiares, as relações entre classes, etnias, grupos raciais, religiões e profissões, a economia e a política. As disciplinas que representam este domínio são a Ética e a moral;
f) domínio sinóptico: refere-se aos significados integrativos, incluindo disciplinas como História, Religião e Filosofia. É o domínio considerado integrador. A interpretação histórica compreende uma recriação artística do passado, em obediência à evidência fatual, com o propósito de revelar o que o Homem fez de si próprio, dentro do contexto de certas circunstâncias. A Religião se relaciona com significados de qualquer domínio. A Filosofia fornece uma clarificação analítica de todos os outros domínios.
Assim, na percepção de Phenix (1964), o educador deve compreender a natureza humana, para saber promover as mudanças desejadas. Para que essa compreensão ocorra, é necessário entender a visão dos especialistas nas diversas áreas do conhecimento: físicos, químicos, biólogos, sociólogos, historiadores, economistas, antropólogos etc.
Em cada reino do significado há uma perda desse mesmo significado; o Homem moderno, a todo momento, vê-se massacrado por novas palavras e símbolos criados pela mídia. O ser humano, capaz de criar, descobrir, desfrutar, perceber e agir em significados, é cerceado pela cultura de massa.
A construção de uma filosofia do currículo, tendo por base o significado, não é tarefa fácil. Na visão de Brandão (2008), essa construção ocorre mediante o emprego de tipologias essenciais, distintas e lógicas, do significado humano. Esse caminho proporciona ao educador meios para combater as várias fontes de frustração na aprendizagem, como a fragmentação, o excesso e a temporalidade do Conhecimento. Assim, pode-se obter maior clareza a respeito de quais conhecimentos são necessários para a completa compreensão e em como os elementos essenciais podem ser distinguidos dos não essenciais, na seleção do material instrucional.
No próximo capítulo, são abordados assuntos sobre formação, competências e habilidades profissionais.
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3 FORMAÇÃO, COMPETÊNCIAS E HABILIDADES PROFISSIONAIS
Além da categoria “autonomia”, já explanada no capítulo anterior, outras, com o mesmo grau de importância, como formação, competências e habilidades profissionais, são apresentadas a seguir, tendo em vista serem categorias de análise abordadas neste trabalho.
Formar indivíduos autônomos, que desenvolvam habilidades capazes de torná-lo um profissional competente, é um desafio árduo. A questão primeira é: como formar profissionais práticos, com esquemas de ação e, ao mesmo tempo reflexivos, com capacidade de analisar suas práticas? Propiciar um momento de reflexão sobre o assunto é o propósito deste capítulo.