Terry Cook foi um dos principais teóricos contemporâneos da Arquivística. Ele nasceu em Vancouver, Canadá, em 1947 e viveu até 2014. Graduou-se em Artes na
University of Alberta no ano de 1969, alcançou o grau de mestre em 1970 na Carleton University e doutorou-se em História Canadense em 1977 na Queen’s University.
Segundo Nesmith (2015, p. 208, tradução nossa), “no final da década de 1970, ele (Terry Cook) foi membro de um grupo de brilhantes jovens historiadores liderados por Carl Berger, que tinha feito um trabalho pioneiro sobre as concepções da identidade canadense na virada do século 20.”
Ainda na década de 1970, mais especificamente no ano de 1975, Terry Cook começou a trabalhar na Federal Archives Division do Public Archives of Canada
(PAC), atuando na instituição até 1998 como arquivista, gerente e executivo sênior.
Durante sua trajetória no Arquivo Nacional do Canadá, Cook se preocupou em conciliar o trabalho arquivístico institucional com a elaboração e adoção de bases teóricas sólidas que pudessem subsidiá-lo (NESMITH, 2015).
Foi editor do periódico Archivaria da Association of Canadian Archivists, além de ser autor de diversos artigos publicados na revista.
Quando se aposentou do Arquivo Nacional em 1998, Terry Cook iniciou suas atividades como professor no Department of History no Master’s Program in Archival
Studies da University of Manitoba, lecionando nessa universidade até o ano de 2012.
De acordo com Mostafa e Murguia (2012), “Ele também administrou cursos em Ciência Arquivística na Universidade de Michigan (Estados Unidos) e na Universidade Monash (Austrália)”.
Ressalta-se que Cook, a despeito do reconhecimento internacional de produção teórica, colaborou intensamente com o desenvolvimento da profissão arquivística no Canadá, por meio de suas atividades acadêmicas, de sua atuação como técnico e dirigente do Arquivo Nacional, pela sua participação na criação da Associação de Arquivistas Canadenses e sua atuação como porta-voz dos arquivistas perante os órgãos governamentais, de acordo com Nesmith (2015).
Em relação ao conhecimento produzido pelo autor canadense, considera-se que se alinha à corrente da Arquivística Funcional ou Pós-Moderna sendo influenciado principalmente por Hugh Taylor, conforme exposto na seção 2.1 desta dissertação.
O próprio autor (COOK, 2012, p. 128)esclarece algumas implicações do pós- modernismo no campo dos arquivos, afirmando que
O contexto por trás do texto, as relações de poder que modelam o patrimônio documental, e até a estrutura do documento, o sistema de informação residente e as convenções narrativas, são mais importantes que a coisa objetiva em si ou o seu conteúdo. Fatos em textos não podem ser separados da sua atual ou passada interpretação, nem o autor do assunto ou o público, tampouco o autor da sua obra, ou obra do contexto.
Ele defende ainda que o pós-modernismo aliado às mudanças nas características dos documentos contemporâneos, assim como as recentes mudanças no papel das instituições e profissionais dos arquivos devem resultar em uma mudança no paradigma arquivístico.
Além do pós-modernismo, que influenciou toda sua obra, Cook tratou de temas como “arquivos totais, a relação entre conhecimento histórico e o trabalho arquivístico,
o conceito de fundo e o sistema de séries no arranjo e descrição, paper minds versus pensamento digital,[...]” (NESMITH, 2015, p. 209, tradução nossa) e de questões eminentemente epistemológicas no campo dos arquivos.
No que se refere à abordagem sobre avaliação de documentos, Cook filia-se à Macroavaliação, que, segundo o próprio autor pode ser considerada uma teoria, estratégia e metodologia de avaliação.
A Macroavaliação, enquanto prática, é adotada pelo Arquivo Nacional do Canadá no início da década de 1990, apesar de ter seus preceitos elaborados a partir da década de 1980, por Terry Cook (COOK, 1997). Ressalta-se, também, a literatura sobre Macroavaliação escrita por Richard Brown também na década de 1990.
O modelo de avaliação de países como a Austrália e Holanda tem como base a Macroavaliação.
A premissa da Macroavaliação é a avaliação das funções (entendida aqui como a relação entre estrutura, função e cidadão) anterior à avaliação dos documentos em si (COUTURE, 2005).
Foram identificados ao menos 15 artigos do autor que tratam sobre avaliação de documentos, quais sejam:
“'Many are called, but few are chosen'? Appraisal Guidelines for
Sampling and Selecting Case Files” (COOK, 1991a)
“The archival appraisal of records containing personal information: A
RAMP study with guidelines” (COOK, 1991b)
“Mind over matter: towards a new theory of archival appraisal” (COOK,
1992)
“‘Another Brick In The Wall’: Terry Eastwood's Masonry and Archival
Walls, History, and Archival Appraisal.” (COOK, 1994)
“From the record to its context: The theory and practice of. S. A.” (COOK,
1995)
“Building an Archives: Appraisal Theory for Architectural Records”
(COOK, 1996)
“Macroappraisal and functional analysis: appraisal theory, strategy and
methodology for archivists" (COOK, 1998)
“Archival appraisal and collection: issues, challenges, new approaches”
“Appraisal methodology: MacroAppraisal and functional analysis part A:
concepts and theory” (COOK, 2001a)
“Appraisal methodology: MacroAppraisal and functional analysis part B:
guidelines for performing an archival appraisal on government records” (COOK, 2001b)
“Macro-appraisal and functional analysis: documenting governance
rather than government” (COOK, 2004)
“Macroappraisal in theory and practice: origins, characteristics, and
Implementation in Canada” (COOK, 2005)
“Remembering the future: Appraisal of records and the role of archives
in constructing social memory” (COOK, 2007)
“Documenting society and institutions: the influence of Helen Willa
Samuels” (COOK, 2011a)
“’We are what we keep; we keep what we are’: archival appraisal past,
present and future” (COOK, 2011b).
No entanto, a partir da leitura flutuante desses textos, notou-se que o texto
“Macro-appraisal and functional analysis: documenting governance rather than government” traz os elementos necessários à análise das ideias do autor sobre a
Macroavaliação, ou seja, sua abordagem sobre a avaliação de documentos.