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Samspillet mellom SkatteFUNN og andre virkemidler

Charles Perfetti estuda a compreensão de leitura e criou um diagrama para explicar como as crianças desenvolvem suas habilidades de compreensão.

Assim como Kinstsch (1988), Perfetti (1999) também acredita que os modelos interativos de compreensão de leitura proveem o melhor quadro para o estudo das variações individuais no desenvolvimento da compreensão, onde a informação linguística e o conhecimento prévio do leitor interagem.

O diagrama do leitor, elaborado por Perfetti (1999), evidencia os componentes gerais do processamento da compreensão (grandes quadros brancos), e inclui também alguns fatores externos, linguísticos e cognitivos, que contribuem para esse processo. Os fatores externos são representados pelos quadros cinza que se localizam ao lado dos quadros brancos (Figura 1).

Antes de analisarmos o diagrama, é importante dizer que Perfetti (1999) salienta que a configuração do processo em caixas e setas não é uma arquitetura cognitiva fechada, mas sim uma forma necessária e convencional de representar as fontes de informação que são usadas durante a leitura. A bi-direcionalidade das setas indica as oportunidades para importantes informações de feedback que vão dos mais altos para os mais baixos níveis de representação.

53 Modelo situacional Análise sintática Representação do texto In fe rê n ci as Processo de compreensão Representação da palavra Significado e seleção de forma Identificação da palavra Unidades ortográficas Unidades fonológicas Entrada visual Conhecimento geral Sistema linguístico Fonologia Sintaxe Morfologia Léxico Significado Morfologia Sintaxe -argumentação -estrutura -temas -papéis Sistema ortográfico Mapeamento para a fonologia

Figura 1– Diagrama esquemático mostrando os componentes gerais da leitura (Perfetti, 1999).

Podemos ver no diagrama que a leitura de um texto se inicia com a identificação das palavras individuais, isto é, o processo que converte a entrada visual em uma representação linguística. A decodificação das palavras ou a precisão e a rápida recuperação do código fonológico das palavras escritas geralmente assumem um papel importante no desenvolvimento da leitura (Verhoeven & Perfetti, 2008). Perfetti (1999),

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no decorrer de todo o seu artigo, reforça a importância dos processos fonológicos automáticos na identificação das palavras escritas, e diz que essa foi uma das mais importantes descobertas decorrentes da pesquisa nesse campo do conhecimento nos últimos vinte anos.

Samuels (2006) argumenta que, mais especificamente, a automatização das habilidades de decodificação da palavra e a realização de níveis de leitura fluente são essenciais para o desenvolvimento da compreensão de leitura. A importância da precisão na decodificação da palavra (Ehri, 1992, 2002, 2005) já foi apresentada no presente trabalho, sendo assim, daremos continuidade à explicação do processo de compreensão a partir desse ponto.

Depois da identificação da palavra, a compreensão de texto exige a integração da palavra ao texto. Quando uma palavra é identificada, o leitor a conecta em uma contínua representação atualizada do texto. Citando alguns estudos sobre os movimentos dos olhos, Verhoeven e Perfetti (2008) explicam que mesmo os leitores mais habilidosos, fixam o seu olhar na maioria das palavras que leem e que as fixações tendem a ser mais longas no final das sentenças. Isso é indicativo de que a integração no processo de compreensão deve ocorrer particularmente nas terminações das frases, tal como Kintsch (1998) argumentou.

Além de haver a integração de cada palavra em cada sentença é importante haver a integração do significado de cada palavra na representação semântica do texto. Para chegar à compreensão, o leitor deve combinar o significado de cada sentença com a mensagem acumulada até aquele ponto na leitura do texto (Verhoeven & Perfetti, 2008). Usando a mesma terminologia que Kintsch (1988), Verhoeven e Perfetti (2008) dizem que os leitores constroem modelos situacionais na tentativa de compreender o texto. Durante esse processo, dois níveis de representação são envolvidos: o modelo de

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proposições do texto (representação do texto ou texto base) e o modelo sobre o que o texto trata (modelo situacional).

Para Perfetti (1999), a grande diferença entre o texto base e o modelo situacional é devida à realização de inferências. Ele argumenta que o texto base é semanticamente pobre, contendo apenas representações de significado geradas por mecanismos de inferência mínimos. Por outro lado, os modelos situacionais são semanticamente profundos e contem situações de significação que são geradas por inferências ricas e mais elaboradas. Assim, uma questão que tem sido central na pesquisa sobre compreensão de texto é saber quais tipos de inferências ocorrem durante a leitura.

O primeiro e o mais comum tipo de inferência é realizado para estabelecer coerência referencial entre as sentenças que já foram lidas e as subsequentes, ou seja, quando um elemento da sequência textual remete a outro componente do texto que já foi citado anteriormente. Essas inferências de co-referência são consideradas mínimas pois são necessárias, não para a elaboração de um modelo situacional, mas somente para manter uma representação minimamente coerente do texto-base (Perfetti, 1999).

Um segundo tipo de inferência é definido por aquelas que parecem ser as mais necessárias para a compreensão pois são responsáveis pela manutenção da coerência causal entre os elementos de um texto, ou seja, são realizadas para manter a estrutura narrativa coerente (Perfetti, Landi & Oakhill, 2010).

Ainda há um terceiro tipo de inferência: as preditivas e elaborativas. Nesse tipo de inferência o leitor tenta antecipar algum evento ou alguma consequência de uma ação.

Perfetti, Landi e Oakhill (2010) argumentam que a geração de inferências tem um custo elevado para os recursos do processamento da compreensão, o que significa que as inferências que podem ser feitas sem muito custo são possivelmente mais fáceis de ocorrer do que as que exigem mais recursos. Desta maneira, as inferências que suportam

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a manutenção da coerência no texto-base são mais prováveis de ocorrer do que inferências responsáveis pela manutenção da coerência causal, ao passo que as inferências que mantêm a coerência causal são mais prováveis de ocorrer do que as inferências elaborativas ou preditivas.

Em suma, o diagrama do leitor envolve um conjunto de processos elementares interligados e representações momentâneas. Os processos de compreensão de leitura são construídos sobre a identificação de palavras escritas que, rapidamente, extraem os significados apropriados ao contexto, reunem sequências de morfemas em estruturas sintáticas, constroem unidades básicas de significados, integram as unidades básicas de significado em frases e possibilitam inferências de informações adicionais necessárias para a construção da representação geral do conteúdo de um texto. Para Perfetti (1999), o modo como esses vários componentes se interconectam e interagem é uma das preocupações teóricas principais da pesquisa sobre os processos de linguagem, incluindo a leitura, dentro da psicologia cognitiva e das neurociências.