Planear implica sabermos avaliar o realizado e a evolução do que se está a desenvolver; coordenar decisões em todas as áreas da actividade; motivar os responsáveis pela execução de cada actividade, assim como as suas equipas; e ter a certeza da necessidade de adaptar perante mudanças no ambiente e nas condições da actividade.
O primeiro item a desenvolver na construção de um plano estratégico, será a Análise da Situação, concretizada normalmente por via da aplicação do Modelo SWOT: Strenghts, Weaknesses, Opportunities and Threats (em Português Forças/Pontos Fortes, Fraquezas/Pontos Fracos, Oportunidades e Ameaças), que permite estudar quer o ambiente envolvente externo, quer o ambiente interno, e o da actividade em si. O Ambiente externo, que nos permite obter informações sobre as Oportunidades e Ameaças, é composto por diversos factores que envolvem a actividade, como:
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- Político-legais, regulamentações vigentes que se relacionam com a actividade económica, caracterização do emprego e desemprego, evolução da inflação, taxas de juro bancárias, níveis salariais, caracterização da distribuição de rendimentos, evolução da entrada de turistas, etc;
- Sócio-culturais, alterações nos comportamentos de lazer ou na composição do género das pessoas de uma região, por exemplo;
- Tecnológicas, alterações na tipificação dos equipamentos com implicações no desempenho das tarefas e nas funções de gestão;
- Demográficos, caracterização da composição das comunidades em género, idade, níveis educacionais e de formação ou distribuição geográfica;
– Físicos, impactos ambientais, utilização de recursos naturais; - Competitivos, alterações no comportamento da concorrência.
A matriz de Decisão Estratégica (SWOT) tem como vantagem a enumeração dos quatro aspectos que afectam interna e externamente uma organização (ou sector), ajuda e facilita a formulação de objectivos e estratégias para o seu futuro, a curto e médio prazo.
O cruzamento da informação, procurando minimizar as Ameaças, neutralizar os Pontos Fracos, utilizando as vantagens fornecidas pelas Oportunidades e aproveitando os Pontos Fortes, permite definir 4 tipos de estratégia: de expansão; de contracção; de retracção; e mistas.
Análise SWOT aplicada ao sector do Desporto e Turismo em unidades de alojamento, na Região do Algarve (Quadro 5):
Ameaças Oportunidades
(Capacidade de defesa do sector) - A sazonalidade predominante na oferta turística promovida pelas unidades de alojamento da Região do Algarve, é atenuada pelo exemplo paradigmático de sucesso de un produto consolidado e
(Possibilidade de obtenção de vantagem competitiva)
– A Procura de Turismo Natureza em crescimento e a criação da Carta de Desporto Natureza, possibilita a construção de um plano específico para cada Área Protegida, em que sejam
127 Pontos
Fortes
considerado de luxo, o Cluster do Golfe;
- A existência de inúmeras atracções turísticas, como parques aquáticos, parques temáticos e zoos, na Região do Algarve, poderão oferecer produtos substitutos ao sector, sendo que a estratégia para combater esta ameaça, deverá passar por uma maior difusão de acções de marketing estratégicas e melhoria da promoção (por exemplo através de um programa de Animação seductor, regular e/ou pontual), para contextualizar as actividades físicas de forma singular, pela oferta de aulas de iniciação/consolidação ou aperfeiçoamento, que poderão ser uma vantagem competitiva face à Concorrência.
definidas as actividades permitidas e as suas condições de realização, em particular de Desportos de Natureza Soft pela oferta de produtos singulares de actividades desportivas em contacto com a Natureza, num contexto que se quer paradisíaco;
- Condições geográficas e climatéricas ideiais para a prática de actividade física em contacto com a natureza, (com tempo ameno, mais de 300 dias por ano), permite diversificar a oferta de acordo com o local de prática, estação do ano e tipo de actividade;
- Elevado número de turistas séniores em férias prolongadas ou reformados, durante largos meses do ano, na Região do Algarve, disponíveis e motivados para a POF prática desportiva desportiva, em Health Clubs (exclusivos de unidades de alojamento) e participação em actividades pontuais ou regulares de Animação Desportiva;
- Elevado número de famílias, com filhos menores, nos meses de Verão na Região do Algarve, que procuram serviços de Kid´s Club e ofertas de práticas desportivas em família, que poderão ser satisfeitas pela existência de programas de Animação exclusivos destinados a crianças, jovens/adultos activos e adultos sedentários/idosos
128 Pontos Fracos
a ameaças)
- Inexistência de fundos comunitários destinados à Região do Algarve, por não ter sido considerada zona prioritária, no âmbito do último quadro de apoio da União Europeia, pode ser atenuada através de parcerias estratégicas entre os principais actores sociais, que intervém de forma decisiva no processo de troca turística (autarquias, unidades de alojamento, associações hoteleiras e Turismo do Algarve), pela criação de sinergias que possam traduzir numa estratégia global de actuação para a Região do Algarve, para que seja considerada um destino turístico desportivo de excelência;
- Forte concorrência internacional, em especial de países do Mediterrâneo (Turquia, Tunísia e Espanha) que possuem instalações hoteleiras mais recentes e pacotes muito competitivos, poderá ser combatida por uma maior aposta na promoção de serviços desportivos de qualidade e distinção, que associados a experiências gastronómicas, tradicionais e festivas, se traduzem em pacotes de férias de valor acrescentado, pelo envolvimento nas actividades, que se quer paradisíaco.
do sector)
- Crise financeira internacional (2008), seguida de crise económica em Portugal (2010), leva à procura de novas fontes de receita, tendo o Turismo sido assumido pelo actual Governo português, como uma prioridade a apostar, sendo que o aparecimento de novos perfis profissionais na zona de interface do Desporto e Turismo, permite a criação de serviços desportivos inovadores e um posicionamento em relação a novos mercados;
- Legislação recente quanto à formação de técnicos (regulada pelo IDP), dividindo- a por níveis de formação homogéneos entre modalidades e consoante o público- alvo, dá resposta à escassez de profissionais qualificados, para desenvolver algumas actividades desportivas, que exigem um elevado grau de especialização;
- Pouca receptividade dos responsáveis hoteleiros para apostar em profissionais qualificados, na área do Desporto no contexto do Turismo, que poderão ser influenciados positivamente, pela divulgação de informação científica relevante do sector quanto à formação profissional e académica existente, casos de sucesso em Portugal ou no estrangeiro e propostas de prestação de serviços desportivos, sustentadas por planos de negócios bem fundamentados;
129 Exemplo do contexto específico dos Desportos na Natureza (Ambiente Externo) Oportunidades
O sector do Turismo de Natureza oferece amplas e atractivas oportunidades, especialmente no mercado de Natureza soft, fundamentalmente em consequência de duas circunstâncias: crescimento do mercado e erros da concorrência.
O rápido crescimento do Turismo de Natureza leva a que muitos destinos cometam o erro de confiar quase exclusivamente no valor intrínseco da atracção dos seus recursos naturais, baseado na sua beleza, singularidade, etc., para atrair visitantes, descurando a criação de condições necessárias para que, nesses recursos naturais, o visitante possa viver experiências inesquecíveis.
Assim, em muitos casos, a experiência de ‗Natureza‘ vivida pelo turista limita-se à simples contemplação de cenários naturais (rios, montanhas, parques nacionais…), o que sem dúvida é para muitos uma boa e gratificante experiência, mas que se consome rapidamente e de maneira superficial, fazendo com que o destino não deixe marcas profundas nem duradoiras no visitante.
A oportunidade consiste em aproveitar os recursos naturais disponíveis, ainda que não sejam os mais valiosos do mundo, para desenvolver experiências realmente gratificantes, que façam do visitante um protagonista activo e não um mero observador.
Ameaças
Por outro lado, existem limitações para a estruturação de produtos ou experiências integrais, como consequência da regulamentação vigente e as empresas que operam no sector do Turismo de Natureza (em particular os Desportos de Natureza), vêem limitadas as suas possibilidades para estruturar e comercializar pacotes integrados, incluindo serviços como o alojamento.
A falta de uma legislação adequada é também, na opinião das empresas operadoras portuguesas, um dos grandes obstáculos ou impedimentos para o desenvolvimento competitivo do sector, pois existe uma grande confusão em termos de definição de conceitos, de tipologias de empresas, de procedimentos para a concessão e licenças, etc.
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A falta de cooperação entre os diversos operadores e prestadores de serviços (agências receptivas, alojamento, restauração, etc.) é um obstáculo para a articulação e comercialização de ofertas integradas.
2.5.2. Macro Tendências
―… intenção de olhar as alterações na procura como uma das componentes do sistema turístico mais fortemente influenciadoras das estratégias e movimentações adoptadas quer ao nível público, quer principalmente ao nível do investimento privado.‖ (cit in Turismo em Portugal)
De seguida, descrevemos as principais tendências e movimentações mais recentes: 1. Crescente exigência por qualidade, diversidade de destinos e busca de
viagens como ―experiências‖;
2. Crescente facilidade de recorrer a novos canais de distribuição, nomeadamente pelo uso da internet para organizar, planear e adquirir a viagem;
3. Crescente procura de pacotes turísticos personalizados, o que implica a elaboração de programas à medida das necessidades dos clientes, de modo a prestar serviços na área da Consultadoria;
4. O surgimento de novos tipos de ―viagem‖: a ―viagem aventura‖; a viagem de negócios; a viagem de bem-estar.
As tendências actuais são condicionadas também, por outras alterações bastante relevantes:
- Envelhecimento generalizado da população;
- Crescente tendência para um gozo de férias repartidas; - Procura crescente de novas experiências e vivências; - Preocupações com o bem-estar físico e mental; - Necessidade de contacto com a natureza e o ar livre.
131 E neste contexto, tendo como referência o Turismo em geral, notamos que como consequência da evidente diversificação das motivações dos turistas, deu-se o crescimento das vertentes:
- Turismo de Negócios; - Turismo Verde; - Turismo Desportivo;
- Turismo Activo e de Bem-estar; - Turismo Cultural.
No Turismo, deve haver uma aposta na diversificação de serviços, bem como efectivo acréscimo de valor em produtos e destinos já em fase de maturação, de forma a evitar a sua entrada na fase de saturação. Diversificação tendo por base também a luta efectiva contra a sazonalidade, não só pelo cluster do Golfe, mas pela aposta no Desportos de Natureza, Desportos Náuticos e Desporto de Sáude e Bem estar, em alternativa ao esgotado produto de Sol e Praia.
No sector do Desporto e Turismo, destacamos ainda duas áreas essenciais enquanto elementos efectivamente potenciadores da procura:
- Organização Administrativa e da Política do Turismo; - Promoção e Informação Turística.
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III PARTE – Evolução dos Empregos, das Qualificações e das Competências Profissionais