Embora a liderança tenha sido exaustivamente estudada, não existe um conceito unívoco de liderança. Bento (2010), a partir de uma extensa revisão da literatura da especialidade, elenca um conjunto de conceções enunciadas por diversos autores.
A capacidade ou habilidade para conduzir ou guiar os outros (Luís Graça, 1995); O processo de induzir os outros a actuar na prossecução de uma meta comum (Edwin
Locke, 1994);
Liderar é motivar as condutas dos membros de acordo com as expectativas da organização (Ciscar e Uria, 1986);
Liderar é, essencialmente, articular e dar uma visão clara da missão na organização, procedendo para tal à especificação do conteúdo da missão e dos seus valores (Astin, 1985);
Liderar é a aptidão para saber tomar decisões e transmiti-las, organizar o trabalho de equipa, vincular os indivíduos a um trabalho comum, e delegar funções e responsabilidades aos demais membros (Manuel Alvarez, 1998);
Liderança é uma tentativa de influenciar o comportamento do outro indivíduo ou grupo (Paul Hersey, 1985);
Liderança é a habilidade para decidir o que deve ser feito e depois convencer os outros a fazê-lo (Dwuinght D. Eisenhower);
Liderança é o processo de persuasão ou exemplo pelo qual um indivíduo (ou equipa de liderança) induz o grupo a perseguir objetivos do líder ou partilhados pelo líder e os seus seguidores (John Gardner, 1990);
Liderança é a capacidade de um indivíduo para influenciar, motivar e habilitar outros a contribuir para a eficácia e sucesso das organizações de que são membros (House et al., 1999) (p. 33).
Apesar de “liderança” ser um conceito polissémico, Carapeto e Fonseca (2006) argumentam que os teóricos nesta matéria são unânimes em reconhecer que “…a liderança envolve um processo de influência social (sobre um grupo de pessoas) ” (p. 81) e que as principais diferenças incidem se a “ liderança deve ou não ser exercida de forma coerciva e quais são os principais meios utilizados para exercer essa influência sobre os seguidores” (Ibid.).
As pessoas propendem, muitas vezes, a confundir os conceitos de liderança e gestão, ou utilizando a terminologia da administração pública liderança e direção. kotter, clarifica estes dois conceitos.
Enquanto que a gestão é, antes de mais, um processo cuja finalidade é produzir resultados relevantes, mantendo o sistema existente, a liderança é sobretudo um processo cuja função é mudar as coisas, isto é, os sistemas, as estruturas e os métodos de trabalho (citado por Carapeto e Fonseca, 2006, p. 81).
Bento (2010) apresenta a seguinte distinção entre administrador e líder:
Um administrador pode ser um líder se tentar introduzir a mudança, mas não é líder simplesmente porque ele ou ela ocupa o que é referido como uma posição de liderança. Não é a posição que determina se alguém é líder; é a natureza do comportamento desse indivíduo enquanto ocupante dessa posição (p. 36).
Liderar não tem, assim, o mesmo significado que gerir. Nem todos os líderes são gestores, nem todos os gestores são líderes. No entanto, “o mesmo indivíduo pode aplicar processos efetivos de gestão, processos de liderança, ambos ou nenhum deles” (Bento, 2010, p. 37).
Joseph e Jimmie Boytts (1998), a partir dos vários estudos sobre liderança, apresentaram um conjunto de caraterísticas dos líderes e dos gestores (citados por Carapeto & Fonseca, 2006, p. 82):
Quadro 3. Diferenças entre gestores e líder
GESTORES LÍDERES
Fazem as coisas da forma correcta. Fazem as coisas certas. Interessam-se pela eficiência. Interessam-se pela eficácia.
Administram Inovam.
Mantêm. Desenvolvem.
Focalizam nos sistemas e estrutura. Focalizam nas pessoas. Baseiam-se no controlo. Baseiam-se na confiança.
Organizam e formam equipas. Alinham pessoas com uma direção
Enfatizam tácticas, estruturas e sistemas Enfatizam a filosofia, valores essenciais e metas partilhadas.
Têm uma visão de curto prazo. Têm uma visão de longo prazo. Perguntam como e quando. Perguntam o quê e porquê. Aceitam o status quo. Desafiam o status quo. Orientam-se para o presente. Orientam-se para o futuro. Centram-se nos resultados finais. Centram-se no horizonte.
Desenvolvem etapas e horários detalhados. Desenvolvem visões e estratégias. Buscam previsibilidade e ordenam. Buscam a mudança.
Evitam riscos. Correm riscos.
Motivam as pessoas a cumprir os padrões Inspiram as pessoas a mudar. Usam a influência (superior ao subordinado) Usam a influência pessoa a pessoa. Exigem a obediência Inspiram os outros a seguir. Operam dentro das regras, regulamentos, políticas e
procedimentos organizacionais.
Operam fora das regras, regulamentos, políticas e procedimentos organizacionais. Recebem um cargo. Tomam a iniciativa para liderar.
Fonte: Boyett e Boyett (1999, p.32)
Chiavenato (2004) sustenta que “a liderança é necessária em todos os tipos de organização humana, seja nas empresas, seja em cada um dos seus departamentos. Ela é essencial em todas as funções da administração: o administrador precisa conhecer a natureza humana e saber conduzir as pessoas, isto é liderar” (p. 122).
Todavia, a liderança na organização escolar é distinta das lideranças noutros contextos, organizações. Weindling (1990) enumera cinco competências que o líder de uma escola deve possuir:
A capacidade para articular uma filosofia para a escola, com a visão do que ela deve ser; a capacidade para convencer os outros para trabalharem no sentido desta visão; a disponibilidade para partilhar responsabilidades de gestão da escola através do incremento da autoridade dos outros; fortes competências para enfrentar problemas, o que inclui a capacidade para tomar decisões e actuar rapidamente para resolver problemas; capacidade e convicção para gerir o ambiente externo da escola – uma espécie de político destemido capaz de aceitar riscos (citado por Barroso, 2005, pp. 150-151).
Em contexto escolar, uma liderança forte é aquela que estabelece um projeto de desenvolvimento para a escola e que consegue transmiti-lo a toda a comunidade educativa, de modo a que seja assimilado e partilhado por todos.
Atualmente, os estudos em liderança escolar não se centram, apenas, no papel do seu líder, mas apontam sobretudo para a participação dos professores na liderança da escola. Goleman, Boyatzis e Mckee (2002) expõem, assim, a sua ideia sobre esta questão.
Numa organização há muitos líderes, não apenas um. A liderança está distribuída. Não está apenas no indivíduo que detém a posição cimeira, mas reparte-se por todas as pessoas de todos os níveis que, de uma forma ou de outra, funcionam como líderes de um grupo de seguidores – seja qual for a posição dessa pessoa na organização, delegado sindical, chefe de grupo, diretor ou Presidente do Conselho da administração (p. 14).
Neste posicionamento, a escola, enquanto organização e com lógicas de funcionamento próprias, é dotada de uma estrutura hierárquica da qual fazem parte os órgãos de direção, administração e gestão e as estruturas de gestão intermédia, como veicula o Decreto Legislativo Regional n.º 21/2006/M, de 21 de junho. Prosseguindo a análise do referido diploma constata-se que as estruturas de gestão intermédia desempenham um papel importante no processo de melhoria da escola.
Com vista ao desenvolvimento do projecto educativo da escola, são fixadas no regulamento interno as estruturas que colaboram com o conselho pedagógico e com a direcção executiva ou director, no sentido de assegurar o acompanhamento eficaz do percurso escolar dos alunos na perspectiva da promoção da qualidade educativa (DLR n.º 21/2006/M, de 21/06, n.º 1, artigo 35.º).
As mudanças na organização escolar pressupõem lideranças intermédias com o objetivo de se concretizar a eficácia e a melhoria da qualidade da escola e que incluem estruturas diversas com atribuições e competências específicas, nomeadamente, coordenador do departamento curricular, delegado de disciplina, coordenador de ciclo, diretor de turma. O papel do diretor de turma, no 2.º ciclo, bem como o do professor titular de turma, no 1.º ciclo, tem sido cada vez mais exigente, pelas atribuições e competências que lhe têm sido consignadas, nos dispositivos legais. Realização de ações conducentes à aplicação do PEE, elaboração e conservação o processo individual do aluno facultando a sua consulta ao aluno, pais e encarregados de educação e outros intervenientes, apreciação de ocorrências de insucesso disciplinar, dando o devido encaminhamento; coordenação do processo de avaliação formativa e sumativa dos alunos, são algumas das funções exercidas por estes profissionais.
Tendo em conta o papel que desempenham, tanto o diretor de turma como o professor titular de turma têm de ser líderes com capacidade de comunicação, capacidade de direção de grupos e equipas, capacidade para resolver problemas e solucionar conflitos e capacidade para motivar os colegas, os alunos. Nesta perspetiva e atendendo a que as lideranças intermédias são fundamentais para os resultados escolares, as lideranças de topo “devem motivar, fazer sobressair o que há de melhor em cada colaborador, delegar poderes (empowerment), orientar (coaching) e encorajar”, como sustentam Hooper e Potter (2010, p. 75).