5 Research Methods
5.4 Sampling and research site
A Tabela 2 mostra as estatísticas descritivas referentes ao processo de georreferenciamento, bem como seus correspondentes testes de médias. Neste caso, consideramos todos os nascimentos que foram georreferenciados e todos aqueles que, se tivessem sido referenciados, entrariam na nossa análise. A partir da Tabela, vemos que o georreferenciamento não se deu de forma igual em todos os municípios. Das doze variáveis testadas, apenas o sexo do recém-nascido e a pro- porção de gestantes com 12 ou mais anos de estudo parecem ter se distribuído de forma igual ao longo do tempo entre os georreferenciados e não georreferenciados, dentro e fora do município de São Paulo.
Analisando o comportamento da evolução da diferença entre os georreferenciados e não geor- referenciados notamos que em apenas metade dos casos o sinal da variação foi o mesmo para dentro e fora do município de São Paulo. Porém, mesmo nesses casos, a variação se deu sempre em magnitudes estatisticamente diferentes. Esses resultados, no entanto, não parecem indicar nenhuma direção clara acerca da diferença no processo de georreferenciamento. Não podemos, por exemplo, concluir que no processo acabamos por georreferenciar mais dados de nascimen- tos de gestantes com supostas melhores condições econômicas, tanto para observações dentro do município de São Paulo quanto fora.
zados para as três amostras, bem como seus respectivos testes de diferenças de médias, dentro e entre os diferentes grupos de responsáveis. O grupo de localidades cujos responsáveis são muito educados apresenta maior proporção de bebês brancos, maior rendimento mensal médio do responsável, as gestantes são mais velhas, têm menos filhos e maior escolaridade, além de terem melhores condições de moradia. Essas condições pioram conforme diminuímos a esco- laridade média dos responsáveis pelo domicílio do setor censitário, conforme esperado.
Como padrão comum para as três amostras, notamos que, comparando antes e depois do pro- grama, a proporção de recém-nascidos brancos aumentou mais para o município de São Paulo do que nos demais municípios integrantes da RMSP, principalmente entre gestantes que moram em setores cuja média é de responsáveis pouco educados (RPE). Como era de se esperar, esse aumento maior foi compensado por uma maior queda proporcional no município de São Paulo na porcentagens de recém-nascidos negros ou pardos. A proporção de recém-nascidos do sexo masculino manteve-se estável em todos os grupos, tanto dentro quanto fora do município de São Paulo.
No tocante às variáveis ligadas à fecundidade – quantidade de filhos nascidos vivos, probabili- dade do nascimento ser do primeiro filho da gestante e a probabilidade da gestante já ter tido algum filho que nasceu morto – é importante ressaltar que elas apresentaram o mesmo compor- tamento nas três amostras. Na Tabela 6 vemos que essas três variáveis variaram praticamente da mesma forma para nascimentos dentro e fora do município de São Paulo. Considerando que a Amostra 06 meses é que tem menor probabilidade de conter nascimentos de gestante que mudaram seu comportamento devido ao programa, comparando a variação dos controles liga- dos à fecundidade nas três amostras temos que as Amostras 12 meses e 09 meses também não parecem apresentar esse problema.
A porcentagem de mães casadas seguiu o mesmo comportamento observado pela proporção de bebês brancos, aumentando mais no município de São Paulo do que nos demais. Novamente, esse comportamento foi mais preponderante entre gestantes que moram em setores cujos res- ponsáveis são pouco educados. Ao analisarmos a escolaridade da futura mãe, vemos que para o grupo dos responsáveis muito educados, a maioria das gestantes têm mais de 12 anos de estudos concluídos para o município de São Paulo. Já para os demais municípios da RMSP, conside- rando as localidades cujos responsáveis têm, em média, maior educação, a maioria das grávidas tem de 8 a 11 anos de estudos concluídos . Essa faixa de escolaridade da gestante também prepondera nos grupos de responsáveis educados e pouco educados, tanto dentro do município
de São Paulo quanto fora dele.
Analisando as variáveis referentes às condições sócio-econômicas, dentro de localidades com responsáveis educados, o rendimento mensal real dos responsáveis apresentou menor aumento proporcional dentro do município de São Paulo quando comparado à evolução dos demais mu- nicípios da RMSP. Ainda, ao compararmos sua evolução com a de setores com média de respon- sáveis pouco educados, temos que as três amostras evidenciam que o último grupo apresentou menor ganho comparativo. Ademais, analisando os serviços da rede de água encanada e esgoto, vemos que houve uma melhora comparativa maior nos demais municípios da RMSP que não São Paulo. Isso ficou evidente no acesso à rede de água encanada para localidades cuja média é de responsáveis muito educados, e à rede de esgoto para aquelas cujos responsáveis são, em média, educados.
É importante ressaltar que o comportamento da maior parte dos controles utilizados é o mesmo nas diferentes amostras. Na Tabela 6, vemos que essa semelhança se dá não só na evolução dentro dos grupos de responsáveis comparados, como também quando comparamos a evolução das localidades com responsáveis educados com os dois outros grupos dentro de uma mesma amostra. Isso pode ser considerado um indício de que, apesar das amostra contemplarem dife- rentes nascimentos, seus resultados podem ser tratados como comparáveis.
5 METODOLOGIA
5.1 Estratégia de Identificação