3. Observations
3.2. Observations in reflected light
3.2.1. Samples from the mineralized zones
Os valores médios de pH e N-NH3 estão ilustrados na tabela 5 para ambos os níveis de produção.
Tabela 5 - Valores médios de pH e N-NH3 do líquido ruminal antes e três horas após a alimentação matinal, para vacas alimentadas com 50 e 40 % de concentrado respectivamente, recebendo rações: farelada (RF), peletizada (RP), extrusada (RE) e farelada de alta energia parcialmente processada (RAE)
Tratamentos CV
Tempos
RF RP RE RAE %
50 % de concentrado pH
Hora 00 6,73a 6,91a. 6,91a 6,88a 2,208
Hora 03 6,58a 6,55a 6,66a 6,58a 4,27
N-NH3 (mg/dl)
Hora 00 12,30a 10,98a 11,59a 12,12a 18,38
Hora 03 23,63a 23,89a 13,98b 19,78ab 26,54
40 % de concentrado pH
Hora 00 6,78a 6,79a 6,86a 6,80a 2,80
Hora 03 6,64a 6,58a 6,53a 6,53a 3,54
N-NH3 (mg/dl)
Hora 00 9,93a 11,08a 8,79a 9,73a 22,96
Hora 03 17,89b 21,04a 13,83c 16,56bc 14,55
Médias seguidas de letras iguais na mesma linha não diferem (P>0,05) pelo teste Newman Keuls.
Os valores de pH ruminal não diferiram entre si, para ambos os níveis de produção e estão dentro da faixa de normalidade de 6,7 ± 0,5 proposta por Van Soest (1994). Esses resultados estão de acordo com Shabi et al. (1999), que não encontraram diferenças na flutuação dos valores de pH ruminal.
Com relação às concentrações de N-NH3 (mg/dl), independente do potencial de produção de leite, as concentrações estiveram acima da faixa de 5,0 mg/dl, considerada crítica para o crescimento microbiano (Satter & Slyter 1974). Contudo na ração extrusada (RE) foi observada menor (p<0,05) concentração de N-NH3, em relação a ração farelada (RF) e ração
peletizada (RP).
Os coeficientes de cinética de degradação da matéria seca e da proteína bruta são mostrados na tabela 6. As degradabilidades efetivas, segundo metodologia proposta pelo NRC (2001), foram, respectivamente, 50,46%, 58,30%, 70,74% e 56,81% para os tratamentos RF, RP, RE e RAE, para a meteria seca. Enquanto para proteína bruta foram, respectivamente, 58,25%, 69,43%, 73,62% e 56,10% para os tratamentos RF, RP, RE e RAE.
Tabela 6 - Parâmetros da cinética de degradação ruminal da matéria seca e proteína bruta da proteína bruta das rações farelada (RF), peletizada (RP) extrusada (RE) e farelada alta energia parcialmente processada (RAE)
Frações
a b Kd
Tratamentos
Degradação da Matéria Seca
R2 % RF 18,80 64,52 0,063 97,90 RP 28,86 56,48 0,070 94,60 RE 10,02 67,20 0,600 94,2 RAE 23,90 64,55 0,064 93,60
Degradação da Proteína Bruta
RF 33,87 52,85 0,056 97,30
RP 37,00 46,24 0,151 90,50
RE 23,74 54,69 0,664 94,30
RAE 29,94 63,59 0,043 90,00
a – Fração prontamente solúvel.
b – Fração insolúvel parcialmente degradável. Kd – Taxa de degradação da fração b
38
A taxa de degradação ruminal da matéria seca foi numericamente maior para a ração extrusada, indicando que nesse tratamento, os nutrientes poderiam estar mais disponíveis aos microrganismos ruminais. O mesmo comportamento pode ser observado para a taxa de degradação da proteína bruta, onde as rações peletizada e extrusada tiveram uma taxa de degradação da proteína numericamente maior que os outros tratamentos. Com isso, pode-se observar que a degradabilidade efetiva da proteína (DEPB), para a RP e RE foi numericamente maior em detrimento as RF e RAE.
Uma das principais causas do aumento na produção de leite nos animais consumindo ração extrusada, no nível de 30,0 kg/dia de leite pode ter sido a taxa de degradação da matéria seca e, principalmente, de proteína bruta encontrada nesse tratamento.
Quando se fala em maior degradação ruminal de proteína, tem se observado que pode ocorrer maior produção de proteína microbiana, no qual apresenta excelente perfil de aminoácidos e é capaz de suprir grande parte da demanda nutricional do animal (NRC 1989). Considerando conceitos do NRC (2001), a taxa de passagem foi maior para o nível de 50 % de concentrado, portanto, pode-se concluir que a solubilidade dos nutrientes pode estar altamente relacionada com o suprimento da demanda nutricional. Então, quando se trabalha com alimentos capazes de fornecer uma quantidade superior de carboidratos e proteínas, numa mesma faixa de consumo e, consequentemente, taxa de passagem, a demanda microbiana por nutrientes pode ser atendida, podendo ocorrer maior produção de proteína microbiana, que por fim, é aproveitada pelo animal.
Nas tabelas 7 e 8, são ilustradas as concentrações de uréia no plasma e as excreções urinárias para vacas alimentadas com 50 e 40% de concentrado, respectivamente.
Tabela 7- Concentrações médias de N-uréia no plasma (NUP), excreção de N-uréia (EXNU), excreção de N-uréia por quilograma de peso vivo (EXCNUPV) e excreção fracional de uréia (EXFRU), para vacas alimentadas com 50 % de concentrado recebendo rações farelada (RF), peletizada (RP) extrusada (RE) e farelada de alta energia parcialmente processada (RAE).
50 % concentrado CV
Parâmetros
RF RP RE RAE %
NUP (mg/dL) 25,06a 22,02a 21,98a 20,75a 17,16
EXNU (g/dia) 220,78a 196,24a 220,84a 142,44b 11,93
EXNUPV
(mg/kgPV/dia) 393,49a 352,16a 393,25a
264,13b 11,81
EXFRU (%) 58,86a 57,40a 65,30a 48,30a 22,26
Médias seguidas de letras iguais na mesma linha não diferem (P>0,05) pelo teste de Newman Keuls (P<0,05).
CV= coeficiente de variação (%).
Tabela 8 - Concentrações médias de N-uréia plasmática (NUP), excreção de N-uréia(EXNU), excreção de N-uréia por quilograma de peso vivo(EXCNUPV) e excreção fracional de uréia(EXFRU), para vacas alimentadas com 40 % de concentrado recebendo rações farelada (RF), peletizada (RP) extrusada (RE) e farelada de alta energia parcialmente processada (RAE).
40 % de concentrado CV
Parâmetros
RF RP RE RAE %
NUP (mg/dL) 20,33a 17,97a 16,91a 16,67a 14,76
EXNU (g/dia) 166,43a 149,18ab 146,01ab 125,06b 14,83
EXNUPV (mg/kgPV/dia) 302,26a 265,48ab 264,82ab 228,94b 14,64
EXFRU (%) 56,71a 51,67a 56,36a 52,02a 23,88
Médias seguidas de letras iguais na mesma linha não diferem (P>0,05) pelo teste de Newman Keuls (P<0,05).
CV= coeficiente de variação (%).
Dentro de cada nível de produção, não foram encontradas diferenças significativas entre as rações farelada, peletizada e extrusada. Valadares et al. (1997a) demonstraram que a concentração plasmática de uréia é positivamente relacionada com a ingestão de nitrogênio, e algumas tentativas têm sido feitas para utilizar a concentração plasmática de uréia como índice para estimativa da degradabilidade da proteína (Roseler et al., 1993).
O maior valor numérico de degradabilidade efetiva da ração extrusada poderia sugerir que esse alimento teria uma concentração de N –
40
uréia plasmática (NUP) e excreções urinárias maiores que as demais rações, porém isso não aconteceu. Sendo assim, poderia se supor, que essa ração possa ter um melhor aproveitamento do nitrogênio produzido a partir da degradação da proteína a nível ruminal, além de não apresentar gatos excessivos de energia para excretar os excessos de nitrogênio.
Oliveira (2001) também encontrou relação direta entre níveis de proteína degradável no rúmen (PDR) e concentrações de uréia no plasma. Os animais que consumiram suplementos com alto teor de PDR apresentaram concentrações plasmáticas médias de uréia, em mg/dL maiores que aqueles que consumiram suplementos com baixa PDR. Altas concentrações de uréia no plasma podem indicar perda de nitrogênio e gasto energético. Isso pode causar menor desempenho produtivo.
CONCLUSÕES
As técnicas de processamento não alteram os parâmetros ruminais. O processo de extrusão aumenta a degradação ruminal da matéria seca e da proteína bruta, podendo aumentar a disponibilidade de nutrientes para o crescimento microbiano.
Apesar da maior degradabilidade ruminal da proteína, para a ração extrusada, essa por sua vez não alterou as concentrações de N-uréia no plasma e as excreções urinárias, quando comparada as rações fareladas e peletizadas.
42
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALDRICH, C.G., MERCHEN, N.R., PARSONS, C.M., HUSSEIN, H.S., INGRAN, S., CLODFELTER, J.R. Assessment of postruminal amino acid digestibility of roasted and extruded whole soybeans with the preciosion-fed rooster assay. Journal of the Animal Sicence, v. 75(11), p. 3046-3051. BRODERICK G. A.,WALLACE, R.J., ØRSKOV, E.R. Control of rate and extend of protein degradation. In: TSUDA, T., SASAKI, Y. KAWASHIMA, R. eds. Physiological aspects of digestion and metabolism in ruminants. New York, Academi Press. 1991 p. 542-592.
KIRKPATRICK, B.K., KENNELY, J.J. In situ degradability of protein and dry matter from single protein sources and from a total diet. Journal of Animal Science, v.65, p. 567-576, 1987.
LOBLEY, G.E., CONNEL, A., LOMAX, M.A. et al. 1995. The effect of nitrogen and protein supplementation on feed intake, growth and digestive function of steers with different Bos taurus genotypes when fed a low quality grass hay. Br. J. Nut., 73: 667 – 685.
LYKOS, T., VARGA, G. A. Effects of processing method on degradation characteristics os protein and carbohydrate sources in situ. Journal of Dairy Science, v.78, p.1789-1801, 1995
NATIONAL RESEARCH COUNCIL - NRC. Nutrient requirements of dairy cattle. 7. ed. Washington, D.C., Nat. Acad. Press, 2001. 381 p.
NATIONAL RESEARCH COUNCIL (NRC). Nutrient requirements of dairy cattle. 6. ed. Washington, D.C., Nat. Acad. Press., 1989. 158 p.
NOCEK, J. E., TAMMINGA, S. Site of digestion of starch in the gastrointestinal tract of dairy cows and its effect on milk yield and composition. Journal of Dairy Science, v.74, p.3598-3629, 1990.
OLIVEIRA, R. L. Avaliação de suplementos com diferentes teores de proteína não degradável no rúmen para novilhas pardo-suíças em pastejo de Brachiaria brizantha c.v. Marandu. Viçosa: Universidade Federal de Viços, 2001. 53p. Tese (Doutorado em Nutrição de Ruminantes) - Universidade Federal de Viçosa, 2001.
ØRSKOV , E. R., McDONALD, I. The estimation of protein degradability in the rumen from incubation measurements weighed according to rate of passage. Journal of Agriculture Science, v 92, p.499-503, 1979.
ORTOLANE, E.L. 1981. Considerações técnicas sobre o uso da sonda esofágica na colheita do suco de rúmen de bovinos para mensuração do pH. Arq. Esc. Vet., 33(2) 269-275.
PEREZ, J.F.; BALCELLS, J.; GUADA, J.A. et al. Determination of rumen microbial-nitrogen production in sheep: a comparison of urinary purine excretion with methods using 15N and purine bases as markers of microbial- nitrogen entering the duodenal. Br. J. Nut., v.75, p.699-709, 1996.
RUSSEL, J.B., O’CONNOR, J.D., FOX, D.J. 1992. A net carbohydrate and protein system for evaluating cattle diets: I. Ruminal fermentation. J. Anim. Sci., 70: 881:888.
ROSELER, D.K., FERGUNSON, J.D., SNIFFEN, C.J. et al. 1993. Dietary protein degradability effects on plasma and milk urea nitrogen and milk nonprotein nitrogen in Holstein cows. J. Dairy Sci., 76(2):525-534.
SATTER, L.D., SLYTER, L.L. 1974. Effect of ammonia concentration on rumen microbial production in vitro. Br J. Nut., 32: 199-208
SILVA, D. J., QUEIRÓZ, A. C. Análise de alimentos (Métodos químicos e biológicos). Viçosa, MG, UFV, Impr. Univ., 2002, 235p..
SNIFFEN, C.J.; O’CONNOR, J.D.; VAN SOEST, P.J. et al. A net carbohydrate and protein system for evaluating cattle diets; II. Carbohydrate and protein availability. J. Anim. Sci., v.70, n.11, p.3562-3577, 1992.
THEURER, C. B. Grain processing effects on starch utilization by ruminants. Journal of Animal Sciences. 63:1649:1662.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA. Departamento de Engenharia Agrícola. Estação meteorológica. Dados climáticos. Viçosa, MG:UFV. 1997b.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV). S.A.E.G. (Sistema de análises estatísticas e genéticas). Viçosa, MG, 1997 (Versão 7.0)
44
VALADARES FILHO, S.C. Eficiência da síntese de proteína microbiana, degradação ruminal e digestibilidade intestinal da proteína bruta, em bovinos. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DE RUMINANTES. 1995, Viçosa, MG. P. 355-388. Anais... VALADARES, R.F.D., BRODERICK, G.A., VALADARES FILHO, S.C. et al. 1999. Effect of replacing alfafa silage with high moisture corn on ruminal protein synthesis estimated from excretion of total purine derivatives. J. Dairy Science., 82(12): 2686-2696.
VALADARES, R.F.D., GONÇALVES, L.C., SAMPAIO, I.B. et al. 1997a. Níveis de proteína em dietas de bovinos 4. Concentrações de uréia plasmática e excreções de uréia e creatinina. Rev. Soc. Bras. Zootec., 26 (6): 1270-1278.
VALADARES, R.F.D. Níveis de proteína em dietas de bovinos: consumo, digestibilidade, eficiência microbiana, amônia ruminal, uréia plasmática e excreções de uréia e creatinina. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 1997. 103p. Tese (Doutorado em Ciência Animal) - Universidade Federal de Minas Gerais, 1997.
VAN SOEST, P. J. Nutricional ecology of the ruminant. 2. Ed. Ithaca: Cornell, 1994. 476p.