3.3 Parameter Setting
4.1.3 Sample Size: 50
Uma vez que quase todas as variáveis à exceção do ângulo ANB apresentaram uma distribuição normal (Tabela 3.11), foi realizada a correlação de Pearson. Para o diferença no ângulo ANB, foi aplicada a correlação de Spearman.
Os resultados para a correlação entre a atratividade na face de frente em repouso e as variáveis cefalométricas que demonstraram reprodutibilidade para a diferença resultante do tratamento ortodôntico, encontram-se na Tabela 3.22. Nenhuma das correlações foi estatisticamente significativa.
Perspetiva da face em T2 Spearman rho Valor p
Frente em repouso -0,18 0,172
Frente a sorrir -0,20 0,135
Perfil -0,19 0,153
141
Tabela 3.22: Resultados da correlação entre as variáveis cefalométricas e a
atratividade da face de frente em repouso (FR), para a diferença resultante do tratamento ortodôntico (T2-T1).
Os resultados para a correlação entre a atratividade na face de frente a sorrir e as variáveis cefalométricas que demonstraram reprodutibilidade, para a diferença atribuível do tratamento ortodôntico, encontram-se na Tabela 3.23. Encontrou-se uma tendência para correlação (p < 0,05) entre a diferença na atratividade da face de frente a sorrir e a diferença no ângulo nasolabial (r = -0,27), no ângulo do plano mandibular (r = -0,28) e no ângulo entre o incisivo inferior e o plano mandibular (r = 0,27).
Variável cefalométrica T2-T1 Pearson r ( r
2)
Correlação com FR Valor p
Ângulo nasolabial 0,12 (0,01) 0,353
Espessura do lábio inferior -0,03 (<0,01) 0,794 Distância lábio superior - SnPog’ -0,08 (0,01) 0,524 Distância lábio inferior - SnPog’ -0,02 (<0,01) 0,847 Distância lábio superior - Linha E -0,10 (0,01) 0,424 Distância lábio inferior - Linha E -0,06 (<0,01) 0,674 Ângulo labiomentoniano 0,04 (<0,01) 0,735 Plano mandibular (PM)- SN 0,05 (<0,01) 0,685 Inclinação incisivo superior-SN 0,08 (0,01) 0,563 Inclinação incisivo inferior-PM 0,18 (0,03) 0,176
Sobremordida horizontal -0,08 (0,01) 0,525
Sobremordida vertical -0,06 (<0,01) 0,628
Spearman rho Valor p
142
Tabela 3.23: Resultados da correlação de Pearson entre as variáveis
cefalométricas e a atratividade da face de frente a sorrir (FS), para a diferença resultante do tratamento ortodôntico (T2-T1).
Os resultados para a correlação entre a atratividade na face de perfil e as variáveis cefalométricas que apresentaram reprodutibilidade, para a diferença resultante do tratamento ortodôntico, encontram-se na Tabela 3.24. Verificou-se a existência de uma tendência para correlação (p < 0,05) entre a atratividade na face de perfil e a espessura do lábio inferior (r = -0,27).
Variável cefalométrica T2-T1 Pearson r ( r
2)
Correlação com FS Valor p
Ângulo nasolabial -0,27 (0,07) 0,038
Espessura do lábio inferior 0,04 (<0,01) 0,775 Distância lábio superior - SnPog’ 0,19 (0,03) 0,153 Distância lábio inferior - SnPog’ 0,20 (0,04) 0,126 Distância lábio superior - Linha E -0,04 (<0,01) 0,781 Distância lábio inferior - Linha E 0,13 (0,02) 0,333 Ângulo labiomentoniano -0,04 (<0,01) 0,748 Plano mandibular (PM)- SN -0,28 (0,08) 0,033 Inclinação incisivo superior-SN 0,19 (0,04) 0,142 Inclinação incisivo inferior-PM 0,27 (0,07) 0,036
Sobremordida horizontal -0,08 (0,01) 0,536
Sobremordida vertical -0,10 (0,01) 0,462
Spearman rho Valor p
143
Tabela 3.24: Resultados da correlação de Pearson entre as variáveis cefalométricas
e a atratividade da face de perfil (P), para a diferença resultante do tratamento ortodôntico (T2-T1).
Os resultados para a correlação entre a atratividade no tripleto e as variáveis cefalométricas com reprodutibilidade, para a diferença atribuível ao tratamento ortodôntico, encontram-se na Tabela 3.25. Uma vez mais, foi detetada apenas uma tendência para correlação (p < 0,05) entre a atratividade no tripleto e o ângulo entre o incisivo superior e a linha SN (r = 0,31).
Variável cefalométrica T2-T1 Pearson r ( r
2)
Correlação com P Valor p
Ângulo nasolabial 0,02 (<0,01) 0,883
Espessura do lábio inferior -0,27 (0,07) 0,037 Distância lábio superior - SnPog’ -0,03 (<0,01) 0,814 Distância lábio inferior - SnPog’ -0,13 (0,02) 0,314 Distância lábio superior - Linha E 0,05 (<0,01) 0,696 Distância lábio inferior - Linha E -0,05 (<0,01) 0,700 Ângulo labiomentoniano -0,01 (<0,01) 0,952 Plano mandibular (PM)- SN 0,10 (0,01) 0,442 Inclinação incisivo superior-SN 0,15 (0,02) 0,250 Inclinação incisivo inferior-PM -0,07 (<0,01) 0,579
Sobremordida horizontal 0,16 (0,02) 0,214
Sobremordida vertical -0,19 (0,04) 0,154
Spearman rho Valor p
144
Tabela 3.25: Resultados da correlação de Pearson entre as variáveis cefalométricas
e a atratividade do tripleto (TRIP), para a diferença resultante do tratamento ortodôntico (T2-T1).
Variável cefalométrica T2-T1 Pearson r ( r
2)
Correlação com TRIP Valor p
Ângulo nasolabial -0,21 (0,04) 0,105
Espessura do lábio inferior 0,01 (<0,01) 0,941 Distância lábio superior - SnPog’ 0,20 (0,04) 0,118 Distância lábio inferior - SnPog’ 0,21 (004) 0,105 Distância lábio superior - Linha E 0,05 (<0,01) 0,718 Distância lábio inferior - Linha E 0,14 (0,02) 0,279
Ângulo labiomentoniano -0,20 (0,04) 0,130
Plano mandibular (PM)- SN -0,20 (0,04) 0,129 Inclinação incisivo superior-SN 0,31 (0,10) 0,018 Inclinação incisivo inferior-PM 0,23 (0,05) 0,081 Sobremordida horizontal 0,03 (<0,01) 0,841
Sobremordida vertical -0,22 (0,05) 0,092
Spearman rho Valor p
145 3.6 DISCUSSÃO
No diagnóstico e plano de tratamento de um paciente ortodôntico, os registos recolhidos, como as fotografias e a teleradiografia de perfil, assumem um papel fundamental. As decisões clínicas de extrair ou não dentes, modificar o crescimento dos maxilares e recorrer à cirurgia ortognática, são alguns exemplos de rotinas ortodônticas que podem ter mais ou menos impacto sobre a face. Esse impacto pode ser avaliado objetivamente através da análise de radiografias cefalométricas de perfil, antes e depois do tratamento, ou subjetivamente pela análise da face através de fotografias.
Na presente investigação, foram tomadas algumas considerações quando se prepararam e realizaram os traçados cefalométricos, de modo a evitar erros que poderiam levar a falsas conclusões. Em primeiro lugar, só foram aceites radiografias de qualidade, tiradas em posição natural da cabeça e com os lábios em repouso. Uma vez que grande parte dos indivíduos foram tratados pela investigadora principal, para se evitarem viéses na cefalometria foi atribuído a cada caso um número aleatório, de forma a que o traçado fosse cego. Devido à presença de um fio ortodôntico de contenção no fim do tratamento, visível na teleradiografia de perfil, a investigadora principal sabia qual era a radiografia inicial e final. As radiografias antes e depois do tratamento ortodôntico, foram traçadas sequencialmente nos 60 indivíduos o que, de acordo com Houston, tem a vantagem de reduzir significativamente a variância na análise de cada indivíduo da amostra (Houston 1983).
Todas as radiografias foram calibradas através da régua existente na película, evitando-se assim um erro sistemático no traçado. Com o mesmo intuito, a marcação dos pontos cefalométricos no programa Nemoceph® Dental Studio NX 2005 (Nemotec, Madrid, Espanha) pela investigadora principal, foi verificada e discutida antes do início dos traçados, por dois especialistas em ortodontia com mais de 15 anos de experiência clínica. Vinte e quatro horas depois da marcação inicial dos pontos cefalométricos de interesse, a investigadora principal verificou minuciosamente cada ponto à procura de eventuais enganos, de forma a reduzir o erro aleatório (Houston 1983).
Neste estudo, foram incluídos apenas pacientes ortodônticos com mais de 18 anos de idade e tratamentos com a duração máxima de três anos, para minimizar a influência da maturação sobre as alterações verificadas durante o tratamento. Desta
146
forma, poder-se-á assumir que as modificações ocorridas foram devidas exclusivamente ao tratamento e não ao crescimento ósseo e dos tecidos moles.
A escolha dos pontos cefalométricos, das distâncias e dos ângulos que foram medidos, teve por base os objetivos do estudo – com as fotografias pretendia-se analisar alterações subjetivas na face e com a cefalometria analisar alterações objetivas com o tratamento ortodôntico. Assim, as medições cefalométricas direcionaram-se para os tecidos moles e para ângulos que podem ser alterados pelo movimento dentário, passíveis de serem modificados pela ortodontia, como os ângulos SNA e o ângulo do plano mandibular.