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Chapter 2: Methodology

2.7. Sample collection, transport, storage and processing

Neste nosso trabalho, apresentamos, em linhas gerais, a nova perspectiva teórica de Marx que surge provisoriamente a partir da escrita dos Manuscritos Econômicos-filosóficos. Nesses escritos, a formulação de uma nova visão de mundo se apresenta como resultado do confronto teórico de Marx com Hegel e Feuerbach e a proposição de uma finalidade incomum a ambos, o ideal prático da sociedade comunista.

Marx chama a sua nascente concepção de mundo de humanismo-naturalismo, concepção que preserva a exaltação da natureza sensível do materialismo com a filosofia do sujeito do idealismo;como afirma o próprio Marx (2004, p. 127), “o naturalismo realizado, ou humanismo, se diferencia tanto do idealismo quanto do materialismo e é, a um tempo, a verdade unificadora de um e de outro”.

O trabalho é o conceito chave, no qual a natureza sensível e inteligível do homem une-se para compor um mundo objetivo. A própria realidade, na medida em que é campo de ação humana pelo trabalho, é uma síntese de matéria e idéia, tendo em vista que o homem é capaz de manipular a natureza, de projetar coisas em seu cérebro e realizá-las nas coisas54.

A concepção hegeliana de natureza humana impunha sérios limites a seu conceito de

liberdade. Uma vez que a essência humana é vista como o pensamento, consciência-de-si, a

supra-sunção só pode se limitar a uma questão do saber metafísico. Em outras palavras, enquanto Hegel não reconhece a natureza sensível enquanto essência da humanidade, ele não é capaz de perceber as determinações empíricas do estranhamento, ao contrário, a empiria é vista ela mesma como necessariamente inessencial e, portanto, estranha. (MARX, 2004, p.121)

Como Marx está considerando a atividade vital, é, em primeiro lugar, em relação a esta que o homem fica estranho, e não apenas em relação à consciência-de-si abstrata. A principal conseqüência política da reapropriação crítica de Marx diz respeito ao supra-sumir do estranhamento; a sua proposta consiste na emancipação do homem de toda sua atividade

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“De fato, a interpretação marxista da História poderia ser denominada uma interpretação antropológica da História caso se quisessem evitar as ambigüidades dos termos “materialista” e “econômico”; ela é a compreensão da História baseada no fato de os homens serem “os autores e atores da história”. (FROMM, 1983, p. 23)

estranhada, da existência estranhada. A proposição de Marx tem maior alcance sob a vida real dos indivíduos ao entender o trabalho também como experiência dos indivíduos no tempo.

O trabalho, além disso, é o elo essencial entre os homens, aquilo pelo qual ontologicamente vivem juntos. O laço social é visto como o fator constituinte da natureza do homem, de modo que a reapropriação da essência humana requer a apropriação dos laços sociais pelos homens.

Isso, porém só é possível através da negação prática da propriedade privada, pois esta é a principal responsável pela criação de uma sociabilidade estranha, em que a união é involuntária, e artificial, pois é movida pelo interesse egoísta (ou pela força da necessidade). Por isso Eric Fromm afirma que:

Para Marx, o socialismo significa a ordem social que permite o regresso do homem a si mesmo, a identidade entre existência e essência, a superação do isolamento e antagonismo entre sujeito e objeto, humanização da natureza; significa um mundo onde o homem não mais é um estranho entre estranhos, mas está no mundo dele, onde se sente em casa (FROMM, 1983, p.70).

O sistema de Marx é aberto porque a própria realidade está em aberto. Ela é produto da atividade humana. De acordo com Marx, o homem é um ser historicamente determinado;todavia a história atualiza nele características vitais essenciais, a saber, o seu relacionamento vital com a natureza, pois antes de tudo o homem é um ser biológico que precisa, no mínimo, de alimento e moradia. Como precisa Marx:

A natureza é seu corpo, com o qual ele tem de ficar num processo contínuo para não morrer. Que a vida física e mental do homem está interconectada com a natureza não tem outro sentido senão que a natureza está interconectada consigo mesma, pois o homem é uma parte da natureza (MARX, 2004, p.84).

Embora o homem crie uma outra natureza, a sociedade, ele nunca deixa de ser natural, e como um ser natural ele se relaciona necessariamente com a natureza externa. Essa é a base natural sob a qual os homens constroem o seu mundo. O trabalho é deste modo o alicerce da vida humana em geral.

Toda criação humana se dá na sua relação com a natureza externa. Mesmo o mundo social tem a sua base natural, na medida em que toda produção depende dela. Na medida em que o trabalho representa a relação entre o homem e a natureza, ele representa também a relação

entre os próprios homens, pois o trabalho é uma realização necessariamente social. O mundo social é então a sua natureza (MARX, 2004, 106 – 107).

Não há ligação produtiva direta entre o indivíduo e a Natureza, toda síntese com a natureza é mediada pelas relações sociais, por isso a natureza do homem é o conjunto das relações sociais (MARX, 2007b, p.28). Marx rejeita qualquer tipo de individualismo e associa a libertação do indivíduo com a libertação social, a sociedade é a sua própria natureza enquanto espécie.

Inclinamo-nos para aqueles que acreditam que uma noção de natureza humana positiva e libertária permeia todo o pensamento marxiano, da juventude à maturidade, na medida em que a noção de homem como um ser que “produz primeira e verdadeiramente, livre de carências” (MARX, 2004, p. 85).

Essa formulação serve como base para a crítica da manifestação histórica da alienação e à perda da essência do homem que só será recuperada no comunismo, e assim “o conceito de libertação permeia todo o discurso marxiano, sem, contudo, haver a negação de que a sua libertação se dê na natureza” (VIEIRA, 2000, p.55).

A importância do conceito de trabalho em Marx é, como podemos constatar, fundamental para a sua proposta emancipatória, pois através dela ele foi capaz de descobrir os elementos objetivos e concretos da opressão do homem. A partir de então a questão da liberdade ganha uma dimensão realista e objetiva, conectando a liberdade individual com a emancipação social.