5. RESULTAT OG DISKUSJON:
5.4 Sammenslåing av datasett:
9.1 A alteridade não é termo comum ao pensamento ocidental. Parmênides de Eléia em seu primeiro fragmento (prólogo) é conduzido à presença da deusa que lhe promete a revelação da verdade.
Pois deves saber tudo, tanto o coração inabalável da verdade bem redonda como as opiniões dos mortais, em que não há certeza. Contudo, também isto aprenderás: como a diversidade das aparências deve revelar uma presença que merece ser recebida, penetrando tudo totalmente. (Gerd Bornheim, Os filósofos pré-socráticos, p. 54)
9.2 Opõem-se o (a) “coração inabalável da verdade bem redonda” (b) “com as opiniões dos mortais” tratando-se da certeza da verdade, principal preocupação de Parmênides. Em seu segundo fragmento, Parmênides aponta dois únicos caminhos de investigação concebíveis para a certeza da verdade:
O primeiro (diz) que (o ser) é e que o não-ser não é; este é o caminho da convicção, pois conduz à verdade. O segundo, que não é, é, e que o não-ser é necessário; esta via, digo-te, é
imperscrutável; pois não podes conhecer aquilo que não é – isto é impossível - , nem expressá-lo em palavra. (idem, p. 55)
9.2.1 A segunda via deve ser abandonada, pois dela nada se pode saber; é o não-ser. Em seu fragmento 6 e 7, Parmênides dá as razões de abandonar a via epistemológica do não-ser. A primeira razão é de natureza ontológica: “só o ser é” (fragmento 6), ao contrário o “nada, nada é” (idem). A razão ontológica conclui uma epistemologia, onde se formam “cabeças duplas”; os mortais que nada sabem, espírito errante, são surdos e cegos, mentes obtusas, massas indecisas (idem). Parmênides aponta o problema maior destes seres: “para o qual o ser e o não-ser é considerado o mesmo e não o mesmo” (idem). Funda-se um problema epistemológico-ontológico que é a contradição. No fragmento 7, Parmênides afirma outra conseqüência deste problema “a múltipla experiência do hábito” (idem). O múltiplo condiciona os seres com olho, porém sem visão e o ensurdecer pelo ouvido ou pela língua (idem). A única faculdade capaz de decidir em meio às controvérsias é a razão.
9.3 Parmênides define um único caminho para a razão na busca pela verdade certa: “o ser é” (fragmento 8).
Neste caminho há grande número de indícios: não sendo gerado, é também imperecível; possui, com efeito, uma estrutura inteira, inabalável e sem meta; jamais foi nem será, pois é, no instante presente, todo inteiro, uno, contínuo. Que geração se lhe poderia encontrar? Como, de onde cresceria? Não te permitirei dizer nem pensar que o não-ser é. Se viesse do nada, qual necessidade teria provocado seu surgimento mais cedo ou mais tarde? Assim, pois, é necessário ser absolutamente ou não ser. (fragmento 8)
9.3.1 Esta via a razão percorre com segurança, pois atingirá a verdade com certeza. A afirmação do “É” para o “Ser”, implica essência deste. Essência é o princípio daquilo que nunca se altera no ser, torna-o sempre o mesmo, o princípio de identidade da razão (Canto IX) (item 7): imperecível, gerador de si mesmo, inabalável, uno, contínuo, é.
9.3.2 “É”, esta é a ambição humana por conhecer a natureza última de todas as coisas (conclui-se na metafísica - Ente). Estar no mundo exige controle racional e técnico sobre a natureza e sobre o outro homem. “Ser é”, implica desejo de dominar pelo conhecido e nomeado. A gênese propulsora desta forma de ser é a violência, sua vontade é absolutizar-se. Constituir o poder.
9.3.2.1 Criar uma identidade cultural, técnica, lingüística para o “Ser é” implica fazer opções, distinguir, separar. Esta é a lógica da identidade. Ela não comporta o múltiplo e contraditório (não-ser). O não-ser nada é.
9.4 Encontramos aqui de maneira explícita a característica dos atuais aparelhos midiáticos. Comunicar implica o princípio de identidade, que conduz à verdade certa. A relação que os meios estabelecem com seus receptores, nada mais é que a maximização desta lógica.
9.4.1 Diante dos meios de comunicação, figura-se um ser cuja característica do pensar é a mesma. Uma imagem midiática pretende abarcar a realidade constituinte do fenômeno. O ser que a capta, sente, percebe, faz o seu pensar partindo desta. Assim, porém, pensa o mundo não a partir dele mesmo, mas sempre mediado, sempre a partir de um signo masterizado, decorre deste, o mundo metafísico do fixo.
9.4.2 A mídia configura-se como o pastor do homem. Notemos que este pastoril não é mais massificado. Cultiva-se a liberdade de escolha e consumo na alma dos seres. Há o princípio de autonomia. Este jogo constitui-se de forma refinada. Na realidade, é a re- afirmação de Calipso para que o homem assuma uma outra natureza.
9.5 O novo Eu midiático encontra outra analogia ainda na ontologia de Parmênides. Esta assume sua forma nuclear quanto à afirmação do fragmento três: “Pois pensar e ser é o mesmo”. Em cima desta afirmação, o ser funda um horizonte que é pensar o mundo e eu penso o mundo a partir de meu ser. Cada ser passa a ter uma essência nuclear identificadora chamada eu nos seres humanos, e cada outro ser também passará ter este núcleo essencial com um nome. “O ser é” possibilita assim a afirmação categórica Eu sou, Eu existo, Eu penso, Eu domino. Tudo o que está externo a mim é o não-ser, o não identificado. Este, porém, é exatamente a afirmação do novo Eu midiático, cuja condição é ser com os meios.
9.5.1 Não há dúvidas que a inseparável interconexão entre pensar e ser conduz a uma totalidade. Esta totalidade ontológica funda como eu me posto, comunico no mundo. O ser é constitui o horizonte que parte de minha sensibilidade, emoções, pensamento. Busco relação com aquilo que me é familiar, aquilo que posso identificar. Em meu horizonte ontológico busco o “é” de outros seres.
9.6 Nesta busca, a razão atua nomeando tudo o que está ao seu redor, “o ser é”, “o não-ser não é”. Busca identificar todos os fenômenos históricos, sociais e subjetivos.
Demonstra clareza, transparência e objetividade, pois “o ser é”; e só aquilo que é, existe, pode ser apresentado, percebido, definido e denominado, sem dúvida e sem a possibilidade de ser questionado. Estabelecendo a relação com a mídia, encontramos nela as mesmas características. Ela não convive com o múltiplo e o contraditório. Os meios de comunicação tendem à totalidade, determinando o sentido das coisas. Sendo integrado no sistema mediático, não sabemos mais do mundo com os nossos próprios olhos. Eles foram substituídos pelos olhos da mídia, de tal maneira que podemos dizer que a mídia é esta grande razão absoluta, a partir da qual o mundo se faz e acontece.
9.6.1 A razão passa a identificar a essência do ser, partindo daquilo que não se altera, daquilo que é. Homero notou este princípio da natureza da razão. No Canto IX, Odisseu não reconhece em Polifemo o ser. Sua razão não identifica Polifemo, este é o não- ser. A comunicação vê-se fadada ao fracasso, pois não constitui a alteridade.