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5. Bløtbunnsområder

5.1 Overflatebilder fra SPI-riggen i 2014

6.1.3 Sammenlikning med tidligere rammeundersøkelser

Há uma bibliografia relativamente abundante que relata a história de Lavras da Mangabeira, muito embora sejam livros raros de se encontrar. Por isso, as informações abaixo estão baseadas principalmente nos que foram disponíveis (apenas em formato eletrônico e sem paginação), a saber, o “Lavras da Mangabeira – Um marco histórico”, de Rejane Gonçalves (2004) e um mais antigo, “São Vicente das Lavras”, de Joaryvar Macedo (1984). A etimologia do nome da cidade vem das prospecções de minas de ouro ocorridas na segunda metade do século XVIII, chamadas na época de “Lavras”, junto ao nome de uma fazenda próxima onde os trabalhadores descansavam, chamada de “Mangabeira”.

Por volta de 1757, deu-se o início do processo de prospecção do ouro, gerando assim um grande fluxo de pessoas em busca do metal. Porém, poucos meses depois, houve a proibição da mineração em toda a capitania do Siará Grande, causando assim um refluxo igualmente substancial. Os poucos moradores que decidiram permanecer no local dedicaram-se à agricultura e à pecuária. Dessa forma, a origem desse município é singular, visto que não foi desmembrado de outro

nem derivado da atividade mais comum da época, a criação de gado, tendo assim uma origem bastante peculiar.

Acerca do santo padroeiro, São Vicente Férrer, conta-se uma lenda segundo a qual a imagem do referido santo foi achada próxima a um Juazeiro, e que, trazida para a casa de um vaqueiro, aparecia no dia seguinte no mesmo local em que foi encontrada pela primeira vez. Por isso, uma capela foi construída justamente lá, onde hoje se encontra a igreja matriz de Lavras.

Porém, passaram-se várias décadas para que o povoado fosse elevado à categoria de vila, em 1816, com o pelourinho sendo erigido em 1818. O nome varia muito conforme os registros pesquisados pelos autores, podendo ser “São Vicente das Lavras”, “Vila Nova de São Vicente das Lavras”, “São Vicente Ferreira das Lavras” ou ainda “Vila das Lavras”. Essa imprecisão toponímica permaneceu até os anos 1950, quando então recebeu o nome que é usado até hoje. E seu território legal era inicialmente muito maior do que hoje em dia, o qual incluía Várzea Alegre, Umari, Aurora, Cedro, Ipaumirim e Baixio. Esses municípios foram sendo desmembrados ao longo dos séculos XIX e XX.

Em relação à participação de lavrenses na vida política, o segundo comandante-geral da vila, Francisco Xavier Ângelo, teve vários filhos que se destacaram, como, por exemplo, o padre José Joaquim Xavier Sobreira, que representou a província do Ceará na Constituinte de 1823. A primeira eleição legislativa para Lavras de que se tem registro procedeu-se em 1829, mas acabou causando diversos conflitos entre o poder civil e o poder religioso, já que não ocorriam mais na igreja, mas sim na própria Câmara.

A elevação de Lavras da categoria de vila para cidade foi registrado em 20 de agosto de 1884, sendo a partir desse período que entra em evidência na cena política do município a figura de Fideralina Augusto Lima (1832-1919) e sua família, que terá herdeiros que foram influentes nas mais variadas ocasiões da política cearense. Curiosamente, seu nome foi dado pelo seu pai, João Carlos Augusto, que era defensor do federalismo no contexto do Período Regencial no Brasil. Como nos afirma Fialho et.al. (2015, p. 36), tendo ficado viúva aos 44 anos, e não havendo mais casado, a educação da família sertaneja e suas “[...] práticas estão presentes em cada passo da Senhora de Lavras. A memória e a oralidade estão em volta da ‘coronela’ citada, tanto nas páginas da história de Lavras como na memória popular, expressas na forma de lendas da tradição oral”.

Dentre os fatos e hábitos que lhe eram bastante peculiares, especialmente para uma mulher, destacam-se o porte de arma, beber cachaça e ainda manter escravos mesmo após a abolição e a república (idem, p. 37). Sua influência foi decisiva na política do Cariri cearense, casando seus filhos com famílias de chefes políticos próximos e as filhas com chefes políticos distantes, procurando assim evitar conflitos entre filhos e genros.

Porém, disputas intensas permearam toda a sua trajetória, como, por exemplo, durante campanha pela candidatura de seus filhos para ocuparem vagas na Assembléia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Por outro lado, quando seu filho Honório Augusto Lima se desentendeu com a mesma, foi deposto pela própria mãe à força, em 1907, colocando outro filho, Gustavo Augusto Lima, em seu lugar. Já próxima à sua morte, aliou-se a Padre Cícero contra as tropas enviadas por Franco Rabelo durante a Sedição de Juazeiro. Como nos coloca Hollanda (1990, p. 2),

De forma sintomática surgem elas [matriarcas] em cena a partir da posição ocupada na estrutura familiar. São chefes de família, ou melhor, tornam-se chefes de família devido à ausência do patriarca, por morte, ou por viagens constantes. Raramente são solteiras ou sem família. A manipulação de filhos, parentes e agregados, parece ser o foco inicial do poder e do raio de influência das matriarcas. Começam a exercer seu controle em um âmbito mais restrito, o familiar, e terminam por englobar a rede de poderes que liga, de forma bastante específica no interior do Nordeste, o Estado, a Igreja e a família. Do ponto de vista do imaginário social brasileiro, a figura da matriarca mostra até hoje uma enorme vitalidade.

No seu legado político consta: pelo menos três dos seus filhos como deputados na Assembléia Legislativa estadual, e dois deles exercido o cargo de Vice-Presidente do Estado. Dois dos seus bisnetos se tornaram senadores (incluindo aí o próprio Eunício Oliveira), e doze outros descendentes foram Deputados federais. E por fim, o último prefeito de Lavras é tataraneto de Fideralina, com o nome de Gustavo Augusto Lima Bisneto (popularmente conhecido como “Doutor Tavinho”), que curiosamente perdeu e eleição para outro descendente da mesma, Ildisser Oliveira. A lista poderia ser multiplicada aqui, com grande destaque na política do Cariri.

Nas décadas seguintes, Lavras continuou como uma cidade relativamente pequena, e o fato de maior destaque nos últimos 50 anos foi o intenso afluxo de migrantes, especialmente para o estado de São Paulo, fato esse ainda não estudado mas presente em cada lar que se visita no município. Quase toda família tem algum membro que mora ou que já morou naquele estado, sendo que a menção da cidade de Osasco e do bairo da Quintaúna é bastante recorrente na conversa de boca-a- boca.

É possível então concluir que a cidade, vivendo há décadas um poder político ferrenhamente defendido por diferentes facções descendentes de uma mesma família, não tenha se destacado em outros apectos que nos sejam conhecidos, salvo na área educacional, com a fundação Colégio Agrícola, na década de 1950. Vamos então nos voltar para a educação dessa cidade.

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