• No results found

Sammenligning og vurdering av nasjonale scenarier

4. Analyse av ulike terminalstrukturer

4.7 Nasjonale scenarier og fremtidig utvikling

4.7.4 Sammenligning og vurdering av nasjonale scenarier

Este quadro é o desenvolvimento da série “εADE IN PB – Feito em Chumbo”. Este é o título de um rock de Zé Ramalho que ele lançou, isto é, cantou pela primeira vez, no Bar Asa Branca, de minha propriedade, em 1973, e tem a tradução lógica de Feito na Paraíba. Para seu lançamento no Asa Branca produzi um show de Zé e fiz o cartaz com uma tarja com letras de estêncil, coisa ainda rara na arte. Na época este conceito se referia ao sentimento provinciano – não entenda nesta palavra nenhum preconceito – do isolamento que vivíamos. Você não tem idéia disto porque quando você começou a pensar como artista já existia internet.

118 MADE IN PB também pode ser traduzido como Feito em Chumbo, e esta possibilidade metafórica é a que me interessa, inclusive porque, para mim pelo menos, ela invoca algo conceitual como o “truque” de linguagem que liga a Paraíba ao chumbo, nos seguintes sentidos:

O sentido saturnino, saturno devorando seus filhos, nada mais paraibano; A relação do chumbo com o movimento autoritário apelidado de Revolução de 1930, quando João Pessoa foi elevado ao nível de herói por ter sido assassinado por João Dantas com três tiros de 38 – iguais ao do segundo quadro da série –, e este episódio de um crime passional ser considerado na PB como detonador da tal Revolução de 30.

Os tiros são de autoria do meu amigo de Geração 59, Otávio Sitônio.

O primeiro quadro da série é a reprodução da bandeira com estas duas frases superpostas: MADE IN PB – FEITO EM CHUMBO.

O segundo, mais conhecido como Bandeira do EGO, que comentamos agora, é um díptico de 1,00 X 2,30 m. O lado esquerdo, que corresponde à parte negra da bandeira, é uma lâmina de chumbo com três buracos de bala, e o direito pintado com veladuras vermelhas que cobrem, deixando passar a imagem, a palavra EGO, pintada em branco sobre o vermelho, como seria o NEGO na bandeira, com a tinta escorrida como era comum nos tempos das pichações verdadeiramente revolucionárias.

Não posso deixar de pensar em EGO quando penso na Paraíba, especialmente no episódio de João Pessoa, que dá nome a nossa bela e injuriada cidade (ela não merece isto). Mas também este sentimento de egolatria se alarga em mim mesmo que me chamo Raul Córdula Filho. E isto ainda se tornou mais grave com os colégios do Estado em Campina Grande e João Pessoa que têm o nome de meu pai. Ele, apesar do mau gosto de me ter batizado com seu nome, era um homem sensato, espero que você entenda estas minhas alegações não como crítica ou mesmo

119 revolta, contra ele, mas como circunstância da época egocêntrica, nasci em plena era Vargas.

Esta série não termina aí, continuo como dou seguimento a várias outras

séries, ou etapas, de minha pintura, desde os anos 60.

B.2 – BORBOREMA

Esta série de pinturas e gravuras teve início em 1975 para concorrer ao II Salão de Arte Global de Pernambuco, do qual tirei o primeiro prêmio, de viagem à Europa. Tem a seguinte história: embora eu seja natural de Campina Grande, lá vivi apenas, cinco anos, e em três etapas. Mas, mesmo a gente saindo de Campina, ela não sai d’agente, mesmo que a gente queira.

Em Campina Grande, quando para lá voltei em 1957, havia um edifício chamado Edifício Borborema, em homenagem a Serra onde Campina está plantada (plantada mesmo, até porque ela frutifica!). Campina é sem dúvida uma cidade nascida na modernidade. Em 1957 ela possuía a maior livraria do Estado, a δivraria Pedrosa, que patrocinava a “difusora” da cidade montada no Abrigo Maringá, um quiosque art deco retardado que ainda existe no centro da cidade. Diariamente a difusora, que não passava de um alto-falante que em determinados horários “falava” para a cidade, anunciava os títulos dos livros vendidos na Livraria Pedrosa com comentários críticos. Sabia-se através da difusora as programações de festas, futebol, e até críticas cinematográficas escritas por Luciano Colaço. Mesmo com uma forma interiorana – a difusora – a cidade se colocava na vanguarda.

O art deco que se espalhou pelo Brasil trinta anos depois de Paris, simplificado, mas digerido por nossos mestres de obras, passou a fazer parte de minha pintura na segunda etapa, entre 57 e 58, quando já tinha compreendido que era artista plástico, e meu pai já se tinha conformado.

120 Os desenhos dos perfis dos prédios da cidade e as letras recortadas, como a do Edifício Borborema, me encantavam.

A série BORBOREMA trata-se da palavra escrita em estilo da época e colocada na paisagem com diversas variações que sugerem uma viagem entre João Pessoa e Campina Grande, coisa que fiz inúmeras vezes na minha terceira etapa campinense, em 1976, quando implantava o Museu Assis Chateaubriand. O conjunto que me deu o prêmio constava de nove obras: três pinturas intituladas Terra, Céu e Relevo; três serigrafias de uma série de impressões onde eu manchava cada passada do rolo, de forma que cada gravura se tornava um original impresso, e três objetos, um que era uma caixa com terra e o mesmo relevo que estava no quadro, a palavra, e o mato nascendo em volta, outro era um vidro com a palavra cortada em lâminas de alabastro com 1cm de espessura e a outra um cubo de 50 X 50 cm (com mesmo padrão de tamanho dos dois outros objetos) com a palavra vazada em cada lado.

Não sei onde estão os objetos, dois foram vendidos após o salão e outro eu presenteei. Sendo o prêmio de Aquisição, as pinturas passaram a integrar o acervo da Globo; as gravuras eu tenho algumas cópias e as reeditei em outras ocasiões.