5. Resultater og effekter av Læringsløpet
5.2 Effekter for deltakerne
5.2.2 Sammenligning med kontrollgruppe
A opção pela Análise Textual Discursiva (ATD) deve-se ao fato de suas características propiciarem uma pesquisa qualitativa envolvendo análises criteriosas de textos diversos, e a partir daí uma melhor compreensão dos fenômenos investigados, para em seguida culminarem no desenvolvimento de um metatexto que seja representativo desse movimento.
Tomamos como base os estudos de Moraes e Galiazzi (2006, 2011) sobre a ATD, os quais, por sua vez, se embasaram nas ideias originais de Navarro e Diaz (1994), que a caracterizam como uma metodologia na qual, a partir de um conjunto de textos (ou documentos), é possível construir um
metatexto que descreva e interprete os sentidos e significados que o pesquisador/analista compreenda a partir do “corpus” desse material.
O primeiro passo do ciclo de ATD é tido como um momento de intenso contato e impregnação com o material de análise, envolvendo leituras e releituras desse material e tendo por base o entendimento de que os textos não carregam um significado único a ser identificado; trazem significantes que exigem que o analista construa significados a partir de suas teorias, seu foco de pesquisa e pontos de vista, o que requer assumir-se como autor das interpretações que constrói a partir dessa dinâmica de análise. Não existe uma leitura única, neutra e objetiva. Todo texto possibilita uma multiplicidade de leituras. Toda leitura já é uma interpretação do analista do dito e do não dito no texto.
Pesquisas que valorizam o discurso vão do dito ao não dito, num movimento permanente entre o manifesto e o oculto, num afastamento dos sentidos imediatos para a identificação de sentidos contextualizados, cuja explicitação requer inferências cada vez mais aprofundadas. (MORAES e GALIAZZI, 2011, p.61).
Nessa perspectiva, a ATD promove uma fragmentação dos textos no sentido de se atingir as suas unidades constituintes e enunciados referentes aos fenômenos estudados. É o processo de desmontagem ou “unitarização” dos textos:
A desconstrução e a unitarização do corpus consistem num processo de desmontagem ou desintegração dos textos, destacando seus elementos constituintes. Significa colocar o foco nos detalhes e nas partes componentes dos textos, um processo de decomposição que toda análise requer. Com essa fragmentação ou desconstrução pretende-se conseguir perceber os sentidos dos textos em diferentes limites de seus pormenores, ainda que se saiba que um limite final e absoluto nunca é atingido. (Ibid., p.18).
A partir desse processo de impregnação e intenso contato com as informações provenientes do material analisado, é feito um reconhecimento do que é essencial para a emergência de novas compreensões. É um processo de constante desestabilização e reestruturação da ordem a partir da desordem promovida pela unitarização, pois “o estabelecimento de novas relações entre os elementos unitários de base possibilita a construção de uma nova ordem” (MORAES e GALIAZZI, 2011, p.21), o que significa novas compreensões em
relação aos fenômenos investigados. Esse exercício de elaboração e compreensão de sentidos deve levar em consideração a polissemia implícita em qualquer texto, o que pode originar diferentes tipos de leituras e interpretações.
Com base nesse processo de impregnação das informações dos textos, passa-se ao segundo momento da ATD, que é a busca pelo estabelecimento de relações/comparações entre as unidades definidas no passo anterior, levando ao agrupamento de elementos semelhantes: a categorização (MORAES, 2003). Entendemos ser isso um processo de comparação constante entre as unidades definidas no processo de análise, levando a agrupamentos de elementos semelhantes. Entretanto, embora apresentem unidades conceituais homogêneas, esses conjuntos podem se apresentar de forma que sejam analisados como complementares, ou seja, a análise sobre as características gerais e amplas de cada complexidade dos conceitos envolvidos pode promover ligações entre essas categorias selecionadas.
Para Moraes (2003), frente às múltiplas leituras de um texto, não será possível adotar-se sempre o critério de exclusão única entre as categorias emergentes ou pré-definidas. De acordo com pesquisas na área da linguística, “as categorias dificilmente apresentam delimitações precisas” (MORAES e GALIAZZI, 2011, p.85).
Em nossa pesquisa, as categorias de análise foram pré-determinadas com base nos estudos de Haddad (2000), e, assim como fez esse pesquisador, foram denominadas de temas. Em nosso estudo, conforme apresentação em seção anterior, são quatro temas: 1) “Formação/Atuação do Professor/ Alfabetizador da EJA”; 2) “Práticas Pedagógicas na EJA”; 3) “Currículo da EJA”; 4) “Avaliação da EJA”. Esses temas constituíram os elementos de organização de nosso metatexto, e a partir deles produzimos as descrições e interpretações que compõem o exercício de expressar nossas compreensões possibilitadas pela análise dos textos.
A partir do processo de fragmentação, unitarização e categorização do
corpus, passamos à etapa da construção do metatexto descritivo-interpretativo
(OLIVEIRA e RECENA, 2009), que pretendeu promover interlocuções empíricas ancoradas em argumentos e informações extraídas dos textos.
Uma descrição densa, recheada de citações dos textos analisados, sempre selecionadas com critérios e perspicácia, é capaz de dar aos leitores uma imagem fiel dos fenômenos que descreve. Essa é uma das formas de sua validação (MORAES e GALIAZZI, 2011, p.35).
Para Moraes (2003) e Moraes e Galiazzi (2006, 2011), na ATD os metatextos não devem ser entendidos simplesmente como forma de apresentar algo já expresso nos textos, mas como construções do pesquisador/analista com intenso envolvimento de sua parte, em que as descrições/interpretações e teorizações apresentadas como resultados de suas análises se constituem em resultado de um esforço de construção intensa e rigorosa. Sob essa perspectiva, o metatexto não se constitui em simples montagens, e o pesquisador não pode deixar de assumir-se como autor de seus textos, expressão de algo importante que tenha a dizer sobre o fenômeno que investigou.
Destacamos que, para o processamento dessa etapa de aprofundamento da compreensão e impregnação das mensagens contidas nos textos, construção de sentidos e relações, e posterior escrita do metatexto, optamos pela utilização original de mapas conceituais, cujas características e referenciais serão analisadas no tópico a seguir.
O processo de análise discursiva pode ser descrito como um processo emergente de compreensão, envolvendo o processo cíclico de desmontagem e fragmentação do corpus do material selecionado para a pesquisa, seguindo-se a um processo intuitivo de reconstrução, com emergência de novas compreensões que, serão comunicadas e validadas por meio da construção do metatexto. O que efetivamente direciona todo esse processo é “a procura de uma compreensão mais ampla e válida dos fenômenos, o que é a própria razão de se fazer qualquer pesquisa” (MORAES, e GALIAZZI, 2011, p.51). A figura 3 a seguir apresenta um esquema desse processo cíclico.
FIGURA 3
Ciclo da Análise Textual Discursiva
Fonte: Moraes e Galiazzi, 2011 (p.41).
Em todo o processo de análise o pesquisador precisa lidar com a polissemia dos textos analisados e também com a polifonia, ou seja, suas múltiplas vozes que emergem para auxiliar a “contar as histórias” e os fenômenos. Por essa razão, de acordo com Moraes e Galiazzi (2006, 2011), a ATD aproxima-se da hermenêutica e assume pressupostos da fenomenologia, de valorização da perspectiva do outro, sempre no sentido de que deve o pesquisador/analista buscar as múltiplas compreensões dos fenômenos. A utilização de ATD na pesquisa significa aprofundar e reconstruir sentidos cada vez mais elaborados, que vão bem além do entendimento superficial e imediato, e do manifesto e latente. Nessa perspectiva, a construção do metatexto nada mais é do que a expressão encadeada da escrita, resultante de todo esse processo de análise, de descrições e de interpretações (NAVARRO e DIAZ, 1994).
Ao comparar a ATD com a Análise de Conteúdo (AC) e a Análise de Discurso (AD), Moraes e Galiazzi (2011) comentam que as três metodologias se encontram num único domínio: a análise textual. A ATD assume pressupostos que a localizam entre os extremos da AC e a AD. Enquanto a AC busca responder questionamentos sobre o que um texto expressa, a AD explora como foi produzido o discurso inserido no texto. Sob essa perspectiva, a ATD aproxima-se mais da AC, pois valoriza tanto a descrição quanto a interpretação.
Apresentando a metáfora de movimentar-se nas águas de um rio, os autores procuram relacionar as características das três metodologias:
As ênfases nos focos descritivo e interpretativo possibilitam compreender algumas das diferenças entre AC e AD. A primeira, com sua descrição seguida ou entremeada de interpretação é um mover-se rio abaixo, aproveitando o próprio movimento da água e só eventualmente se opondo a ele. Já a AD, com sua interpretação radical, com base teórica forte, é um movimento contra a corrente. (...) No que se refere à ATD, ainda que num sentindo amplo, se aproxime mais da AC, sua interpretação tende principalmente para a construção/reconstrução teórica, numa visão hermenêutica, de reconstrução de significados a partir das perspectivas de uma diversidade de sujeitos envolvidos nas pesquisas. Ainda que podendo assumir teorias a priori, visa muito mais a produzir teorias no processo da pesquisa. Mas do que navegar a favor ou contra a correnteza, visa a explorar as profundidades do rio. (MORAES e GALIAZZI, 2011, p.145).
Ainda de acordo com esses autores, é preciso destacar que tanto a AC quanto a AD concentram suas análises sobre os conteúdos implícitos (tenham eles sido ocultados propositadamente ou não). De uma foram geral, as abordagens qualitativas que se utilizam da AC têm na fenomenologia um de seus fundamentos. As que utilizam a AD têm suas raízes no materialismo histórico e na dialética marxista. Enquanto a primeira examina os fenômenos de dentro (perspectiva interna), a segunda tende a assumir um olhar de fora do fenômeno sob investigação (perspectiva externa).
A ATD, por seu caráter essencialmente hermenêutico, possui conexões com a fenomenologia e com a etnografia, mas tende a assumir uma perspectiva transformadora das realidades que pesquisa, aproximando-se de perspectivas dialéticas. Nesse entendimento, as transformações que pretende se constituem nos processos cíclicos de novas compreensões dos fenômenos e discursos com que se envolve. Não exige teorias externas para orientar suas ações de transformação, daí a importância da competência argumentativa do pesquisador/analisador (e toda sua bagagem teórica) para assumir o papel central no processo, tendo esse pesquisador em mente a impossibilidade de linguisticamente conseguir mapear o todo, e que a compreensão obtida é apenas uma parte desse todo.
Para a facilitação do desenvolvimento do processo cíclico de reconstrução de conhecimentos de nossa pesquisa, resolvemos tomar como ponto de partida a elaboração de Mapas Conceituais (MOREIRA, 2011), como forma de analisar os conceitos, discursos e conhecimentos já estabelecidos
nos textos e promover relações entre as ideias explícitas e implícitas colhidas durante as leituras e releituras deles.
Pelo que conseguimos apurar a respeito de pesquisas anteriores que se utilizaram da ATD, nossa metodologia apresenta uma combinação original de ferramentas que busca a organização sistematizada do conhecimento e facilita o enlace de ideias e conceitos, enunciados isolados sobre o tema e a correlação entre os diversos pensamentos elencados nos textos. Desse processo emerge a construção de um metatexto que visa respeitar as várias vozes, assim como as várias e possíveis interpretações linguísticas das produções analisadas.
Na seção seguinte passamos a analisar especificamente a utilização desses mapas conceituais em nossa pesquisa e de que forma eles contribuíram para a construção do metatexto.