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Foram agrupadas em dois grupos, conforme as suas percepções:

1º Grupo: Dificuldade para os familiares em aceitar o diagnóstico, as orientações, medos e expectativas.

Uma das dificuldades que os profissionais têm está em lidar com a aceitação do familiar sobre o diagnóstico da criança, quanto mais grave o diagnóstico maior a dificuldade de orientação, pois, de acordo com um dos relatos, os pais “ouvem e filtram do profissional, aquilo que eles querem”. Além disso, destacam que os familiares, muitas vezes, não aceitam as orientações fornecidas devido à demora na visualização dos efeitos e resultados da terapia.

[...] a gente vê, ao longo dos anos, que não teve uma mãe que percebesse a gravidade da sua criança. [...] já recebeu respostas de vários profissionais, todas contrária a tudo o que queriam ouvir [...] dez anos se passaram e não aceitam. Por quê?! Porque eles ouvem, filtram do profissional, aquilo que eles querem [...] Aí, quando você vai falar, você é a má, a ruim, a insensível, né?! É lógico que você precisa ter modos e modos pra [...] falar [...] e as vezes você acha que está sendo a mais delicada possível, mas a pessoa está tão que pra ela tudo parece ser uma alfinetada. E aí cabe a nós sabermos lidarmos com isso [...] e compreender o momento dessa família [...] (P03).

[...]. Elas querem crer que seu filho vai sair andando da fisioterapia, que a fisioterapia vai conseguir o milagre que elas procuram. É isso que elas querem, porque quando você vai falando que a fisioterapia tem seus limites, que a lesão é permanente, elas parecem não acreditar, acham que estamos exagerando ou que não queremos trabalhar ou que não estamos nos esforçando pra atender o caso delas [...] E uma coisa que eu vejo que acaba dificultando, também, é que os resultados não são imediatos como elas gostariam que fosse. A [...] fisioterapia [...] requer tempo, dedicação e persistência [...] só que muitas desistem porque não tem paciência [...] (P05).

[...] Uma coisa que a gente [...] percebe é que as vezes a mãe não vê sentido naquilo que a gente está falando [...] Isso ocorre, ao meu ver, .porque os efeitos são a longo prazo, né?! ou porque, na maioria das vezes, são exercícios para manutenção, pra evitar atrofia, né?! [...] (PO2).

Nos relatos, dois profissionais mencionaram que, apesar das dificuldades encontradas, deve-se compreender esse momento da família e a falta de paciência de algumas mães que abandonam o tratamento, por não enxergarem os resultados da terapia na criança. No entanto, o medo, a ansiedade e a expectativa podem ser

considerados, segundo os participantes, relevantes fatores de dificuldade no momento em que realizam a orientação.

[...] outro fator que a gente percebe é o medo e as expectativas que esses pais depositam em nós profissionais da área médica, [...] fisioterapeutas, fonos e terapeutas. O medo de não saber se vão [...] compreender as necessidades reais da criança, [...] de fracassarem, [...] de prejudicarem, ainda mais [...] (P07).

Dos sete participantes, três mencionaram o medo dos familiares em assumir os cuidados da criança e acentuar os seus problemas. Tal sentimento inibe o familiar de colocar em prática as orientações recebidas pelo profissional, receando prejudicar ainda mais a criança. No entanto, há pais que não têm medo de cuidar do filho, mas não possuem habilidade para realizar as práticas de educação em saúde ofertadas pelos profissionais. E, por fim, há pais que apresentariam uma forte carência em compreender o que está sendo falado /orientado. Abaixo seguem alguns relatos ilustrativos:

[...] por mais que a gente explica, desenha, escreve, não adianta, [...] não consegue entender. É nato da pessoa [...] a dificuldade. Então, a gente percebe a dificuldade [...] de compreensão mesmo [...] (P03). [...] tem [...] uma criança que a gente visitava e a mãe tem uma prática em [...] alimentação via sonda, [...] parece que ela é [...] uma especialista, mas no posicionamento, eu já percebo que ela fica um pouquinho perdida. [...] (P02).

As dificuldades de compreensão de um familiar foram pontuadas por um dos participantes. No entanto, outro profissional pontua que há mães com habilidades para alguns cuidados, apresentando dificuldades para outros, o que é um desafio para o profissional. Outra dificuldade dos profissionais na prática de educação em saúde, especificamente na orientação, se refere aos familiares que não aceitam alguns “nãos” dados pelos profissionais. Para ilustração extraiu-se o seguinte trecho:

Tem familiar que não aceita o que você fala diz: ahh não!!! Não precisa! Além dos valores das famílias [...] de como se chegou

naquela situação, além da família que não aceita determinados “nãos” [...] (P03).

Um profissional menciona que as maiores dificuldades enfrentadas, durante a orientação, está no fato de o familiar acatar as orientações e o “não” dito pelo profissional.

2º Grupo: Dificuldades de compreender o que está sendo falado pelo profissional.

Esse grupo refere-se à dificuldade dos profissionais em lidar com a falta de entendimento por parte dos familiares, a respeito do que está sendo orientado pelos profissionais. Nesse contexto estão expressões como: “falta de entendimento”, “depende da escolarização da família” e “como está a receptividade do outro para receber a orientação” mencionadas pelos participantes. Para ilustrar essas expressões seguem dois trechos:

[...] Então, como essa mãe sabe que a criança não vai andar, ela não compreende a importância de fazer aquele exercício, entende?! Então às vezes falta essa compreensão [...] que torna difícil o trabalho de orientação (P02).

[...] tudo vai depender das condições de compreensão daquela família, daqueles pais. Olha, eu percebo que as condições sociais, sócio-culturais, elas dificultam o processo da compreensão quanto mais dificuldades econômicas, educacionais e culturais, mais complicado fica de realizar a orientação, de se fazer compreender pela falta de entendimento daquilo que se está falando. Então, acredito que seja isso, mas os fatores sócio-culturais e [...] econômicos são fatores que acabam interferindo na compreensão e no entendimento desses pais, certamente (P07).

Três dos sete profissionais afirmam que o maior problema encontrado, no momento da orientação, relaciona-se com a dificuldade de compreensão por parte dos familiares, acerca do que é orientado. De acordo com dois dos três participantes, há

outro fator que dificulta a compreensão da orientação que é a condição educacional desses familiares.

No entanto, um profissional mencionou que a dificuldade não depende, unicamente, da forma ou do método com que se realiza a orientação, mas, sim, da disposição e interesse do familiar em recebê-la. Outro profissional acredita que a dificuldade está atrelada ao fato da mãe conformar-se com a situação da criança, desmerecendo as orientações realizadas.

3ª Categoria. Formas do profissional superar as dificuldades durante a educação em saúde.

Quando questionados sobre as dificuldades encontradas no momento em que realizam a prática de educação em saúde, alguns profissionais já mencionavam formas de superá-las. Com isso, pontuaram questões referentes ao re-explicar de forma

lenta, utilizando na orientação uma linguagem mais fácil. Ainda, há a possibilidade de

chamar, quando possível, algum outro familiar para ser orientado e, por fim, solicitar a repetição do que foi orientado pelos familiares.

Tento explicar novamente, né?! [...] usando comparações, porque dá pra perceber pela expressão da mãe que ela não está assimilando que [...] não ta acompanhando o raciocínio. Então a gente reestrutura a forma de falar, utiliza comparações e pede pra ela demonstrar o exercício [...] (P02).

Re-orientar[...] (P07).

Dos participantes entrevistados, cinco afirmaram utilizar a re-orientação como forma de superar as dificuldades que encontram. O “chamar outro membro da família” foi pontuado por apenas um dos profissionais e outro solicita ao familiar que demonstre e repita a orientação realizada.

4ª Categoria. Comprovação de que as práticas de educação em saúde estão sendo cumpridas pelos familiares em domicilio.

Nesta quarta categoria, os profissionais afirmam conseguir comprovar se as orientações estão sendo postas em prática, no domicilio, pelo familiar. Alguns profissionais (três) mencionaram que a forma de comprovação utilizada é através do acompanhamento clínico. A título de ilustração seguem, abaixo, alguns trechos:

A estratégia [...] é o acompanhamento [...] São os exames freqüentes,

né?! [...] não adianta limpar o dia que vem pro consultório, porque a gengiva não se recuperou. Então baseado nesses fatores clínicos é que a gente vê se está fazendo ou não [...] (P01).

É através do acompanhamento clínico dessa criança (P02).

[...] nós profissionais sabemos quando uma criança é estimulada em casa [...] ou não! Nos casos das crianças com PC, elas apresentam diferenças na musculatura, na tonicidade... e isso é a prova de que essa mãe está fazendo em casa, como lição de casa, pensando na melhora de seu filho (P06).

Dessa forma, o acompanhamento clínico acaba sendo uma ferramenta viável para a comprovação de que as orientações advindas da educação em saúde estão sendo postas em prática pelos familiares. O resultado é a certeza da continuidade do tratamento e do crescente estímulo ao desenvolvimento da criança.