Offentlig sektor
5.5 Sammenhengen mellom barn og timelønn
Durante todo o processo de vivência do projeto, por mais que as atividades estivessem estruturadas (planejadas), tivemos inúmeros momentos de replanejamento, de construção coletiva, durante os processos de aprender e de ensinar.
Em notas de aula na disciplina Teoria da Educação com Aportes em Africanidades, ofertada pela profa. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, no ano de 2007, ela nos apresenta um conceito de teoria de educação nesta categoria em análise - Dialogar no
processo pode ser entendido como o ato que se ocupa da troca, de esclarecer, refletir e construir orientações que se há de dar ao ato educativo, é a parte pedagógica geral, a essência do ato educativo a saber: sua natureza e fins, os valores que a constituem são ações dos sujeitos envolvidos. Com isso, compreendemos melhor o aprender a ensinar, ou aprender-ensinar-aprender, pois assim o ciclo não termina (notas de aula).
Na perspectiva africana isso se estabelece entre pessoas com diferentes experiências, em determinadas situações a pessoa mais experiente não será necessariamente o professor/a, e nesse caso, este sujeito passa a ser o que ensina. E neste estudo, em várias situações mais aprendemos que ensinamos.
Segundo Freire (2007), o diálogo é o encontro da humanidade mediatizada pelo mundo, é o encontro humano para uma tarefa comum de saber agir, pois somente um diálogo que implica um pensar crítico é capaz, também, de gerá-lo.
Dialogar no processo requer envolvimento, cumplicidade e participação, pois acreditamos que dialogar no processo faz parte das construções das identidades.
O diálogo aconteceu deste o primeiro contato com o Prof. Robson (professor de Educação Física da escola onde a pesquisa foi desenvolvida), Profa. Elen (professora substituta da sala de aula da escola onde a pesquisa foi desenvolvida) perpassando pelo meu orientador Prof. Luiz Gonçalves Junior, direção e coordenação da escola e pelas relações cotidianas no contato direto com as crianças na escola.
O envolvimento da professora substituta com o projeto foi muito interessante. Negra, militante, assim que tomou conhecimento do projeto, se pôs à inteira disposição, comentou ainda, possuir vários amigos africanos (DC III-1).
Discussões e trabalhos desenvolvidos a respeito das relações étnico-raciais nas escolas sempre tiveram poucos espaços historicamente e as intervenções quando feitas são isoladas e normalmente realizadas por seus semelhantes. Sendo assim, quando encontramos aliados nessa luta nos sentimos fortalecidos, acreditamos que esta tenha sido a sensação desta professora – não estou sozinha nessa luta. Pois essa foi a nossa sensação.
Dialogar no processo é rever conceitos arraigados historicamente. No diário de campo três, unidade seis, há uma passagem interessante, ao demonstrar-se a execução de um jogo - matacuzana que consiste em lançar e capturar no chão e resgatar no alto a mesma semente que lançou, semelhante ao jogo cinto Maria ou saquinhos) - minha habilidade foi destinada ao meu pertencimento étnico-racial. Uma criança branca disse: “Você não vale, você só esta acertando porque você é africano” (DC II-5). Coincidentemente ou não, no momento em que as crianças vivenciavam o jogo, havia uma criança negra muito habilidosa no grupo da criança branca que havia feito a associação da cor da pele ao sucesso no jogo africano, e ela (criança branca) disse novamente: “Você não vale, você também só está acertando porque você é africano”. A criança negra ficou parada por alguns segundos e logo, continuou a jogar.
Fiquei pensando na fala desse garoto por um bom tempo, pensando no quão complexa ela é, pois, segundo minha leitura sobre o contexto e de outros referenciais bibliográficos, o fracasso do negro no espaço escolar, perpassa pela falta de sentido, representatividade e identificação delas com os conteúdos abordados, e para essa criança, no momento que lhe foi apresentado um jogo africano, no seu imaginário, justifica o fato dos negros terem um melhor desempenho (DC III-6).
Ser chamada de africana nos indica ou pode nos indicar outra compreensão; expressão que, em outro contexto poderia soar ou ter conotação pejorativa para quem escuta e também para quem a emite; mas, acreditamos que, ao longo deste projeto, ser denominado descendente de africano foi positivado. No entanto, essa situação (fala da criança branca) pode nos indicar um determinismo racial, em acreditar que uma pessoa negra só terá sucesso em assuntos correlatos ao seu pertencimento.
Outra situação importante foi o contato com Hartiaga (africano de Guiné Bissau). Sua presença neste projeto foi muito importante no que diz respeito à desmistificação da realidade generalizada dos africanos. Após sua apresentação, ele foi coberto de várias perguntas, tais como: “Tem escola no seu país?” “No seu país tem guerra?” “Quem sofre a
guerra?” “Quanto tempo leva para chegar aqui?”...
Hartiaga pedia calma e disse que responderia a todas as perguntas que fossem realizadas.
As crianças erguiam a mão e esperavam ser apontadas para fazer sua pergunta.
O primeiro a fazer a pergunta foi o Lindenberg: Tem guerra em seu país? Hartiaga respondeu que já teve, mas não tem mais.
Wildner – Quando tem guerra atinge outros países? Diretamente não, respondeu Hartiaga, mas indiretamente sim, pois esses recebem os refugiados da guerra.
Sandi – Quantos dias levam para chegar aqui no Brasil? 4h respondeu Hartiag. Nossa! elas falaram. Alguns disseram: Tudo isso? E outros disseram: Só isso? E vem do quê? Perguntou Sandi novamente. Esse tempo é feito de avião; de barco é um pouco mais demorado. E de carro? E de ônibus? Hartiga sorriu, e disse que não tinha como ir ao continente africano do Brasil de carro ou de ônibus (DC XV-3).
As curiosidades das crianças esclarecidas por um nativo ganham outra roupagem e mais credibilidade. Podemos perceber nessa relação um referencial do continente africano que foge à concepção de vida selvagem, miséria e doença, como muitas vezes ele é retratado. Esse diálogo, essa troca, possibilita criar outro referencial do continente africano, outra percepção que não o de doença e selvageria. Com isso, a identificação e reconhecimento em ser descendente de africano perdeu a conotação de ser descendente da miséria, doença, pobreza, selvageria.