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Na primeira abordagem, com o representante do GEPE, o Sr. Antonio Alfredo de Sousa Monteiro209 por ser o espírita que detém na memória o histórico evolutivo dessa organização social solicitou-se inicialmente que ele fizesse um breve relato das etapas de expansão do GEPE, na perspectiva de se obter algum indicativo de como essa instituição social espírita se inseriu na organização espacial de Fortaleza, a partir da década de 1950, época da criação da primeira unidade gepeana, no bairro Joaquim Távora. Quando também se registra o início da industrialização que, impulsiona o processo migratório e, consequentemente, o adensamento demográfico com o estabelecimento de periferias urbanas.

Fortaleza, com ênfase no GEPE, ancorado nas opiniões do presidente da FEEC, Luciano Klein Filho e da presidente da USEECE, Maria do Socorro Aires Rocha. Ambos representantes das duas mais importantes entidades do movimento espírita cearense. Tais instrumentos constam na íntegra como apêndices 2 e 3, respectivamente.

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Engenheiro reformado do exército o Sr. Monteiro, como é mais conhecido no meio espírita, participa do movimento espírita desde 1970. Além de outras iniciativas que ajudaram a legitimar o espaço de ação do espiritismo em Fortaleza, ele foi responsável também pela implantação no GEPE do Estudo Doutrinário Espírita (EDE), na década de 1980. Atualmente é diretor do ambiente mediúnico (GEM) do GEPE além de coordenar as atividades doutrinárias e de promoção social realizadas no Polo de Difusão Espírita Bezerra de Menezes (PODEBEM), localizado no município de Jaguaretama.

Com enorme poder de síntese traçou um painel evolutivo desde a fundação do GEPE, dando ênfase as iniciativas educativas e de promoção social que se caracterizaram como as ações pioneiras, que aos poucos foram legitimando junto à sociedade local o perfil de uma instituição voltada para a prática do bem, sob a orientação filosófica da DE. Simultaneamente, se investia no estudo doutrinário e nas reuniões mediúnicas, como portal de acesso ao plano espiritual para o trabalho de desobsessão junto aos encarnados do orbe planetário.

Para o Sr. Monteiro, a expansão territorial do GEPE favoreceu uma maior interlocução com diferentes segmentos da sociedade. Isso se deu tanto em termos das ações sociais como na difusão da cultura espírita, sobretudo a dimensão pedagógica, que se firmou a partir da década de 1980 com a implantação do Estudo Doutrinário Espírita (EDE), subdividido hoje em 36 módulos210. Tal iniciativa logo se incorporou ao ideário do GEPE e constitui-se fator determinante para tornar essa organização uma referência nos estudos doutrinários, ao se firmar como polo de difusão da cultura espírita.

Talvez pelo seu pragmatismo sempre voltado para as atividades de assistência e promoção social o referido entrevistado, embora admita que após a década de 1970 houvesse acentuada difusão da doutrina espírita no estado do Ceará, em função do fortalecimento do movimento espírita, não vincula a expansão territorial do GEPE às transformações urbanas porque tem passado a cidade de Fortaleza. Sua percepção é que os espaços de ação do GEPE são ambientes sociais construídos sob a orientação do plano espiritual, voltados sempre para amenizar os desequilíbrios psicossocial, advindos na sua maioria de desajustes emocionais e das injustiças sociais.

Quanto indagado sobre a possibilidade de ser a casa espírita um espaço sagrado ele é categórico ao afirmar que, embora a base filosófica da DE se estruture em preceitos ético-morais cristãs, o aspecto social caritativo é quem predomina e empresta um diferencial ao trabalho desenvolvido pelo centro espírita. E acentua que nessa prática de largo espectro social está contido as dimensões simbólicas da

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Esse sistema de estudo doutrinário foi adotado pelo GEPE em 1984. Atualmente esta abordagem pedagógica possui metodologia contínua onde se busca o aprofundamento das obras básicas, com foco no aspecto tríplice (filosófico, científico e religioso) da DE (Portal do GEPE, 2011).

espiritualidade, a comportar uma religiosidade solidária e fraterna. Somente nesse sentido ele admita a possibilidade do espaço espírita conter certa sacralidade.

Como os sujeitos da pesquisa empírica eram todos estudantes vinculados ao Departamento de Estudos Doutrinário Espírita (EDE) nos pareceu pertinente realizar entrevista com o presidente desse ambiente educativo, Sésio Santiago Freire Filho211, para que pudéssemos ter um ponto de vista balizado dessa instância pedagógica tão relevante na formação integral do espírita, no que se refere à lógica de expansão territorial do GEPE e a visibilidade do espaço religioso do GEPE.

Quando interrogado da possível influência do crescimento urbano na dinâmica espacial do GEPE, diferentemente do Sr. Monteiro, Sésio pontua que esse movimento de expansão derivou-se tanto da mobilidade religiosa verificada nos grandes centros urbanos, como da necessidade de ampliar o espaço de ação do GEPE, devido ao “elevado índice de crescimento do público nos últimos 30 anos”. Acrescenta ainda que essa expansão territorial se deu em função de uma demanda considerável que extrapolou os limites do GEPE-Piedade e “tornou necessário a compra do terreno onde hoje funciona o GEPE-Água Fria”. E em decorrência “da ampliação dos trabalhos de ação social surge à necessidade da construção do GEPE-Praia do Futuro e do GEPE- Messejana”.

No seu entendimento o espaço do GEPE pode ser considerado sagrado porque se constitui “um domínio onde se pode exercer de forma mais consciente as virtudes”, que estão sempre alinhadas “com a moral divina proposta pelo mestre Jesus em sua boa nova”.

E conclui a abordagem, destacando que o EDE se constitui ferramenta que faculta ao estudante não só o conhecimento doutrinário espírita, fundamentado na dialógica que se estabelece entre o mundo fenômeno e o mundo espiritual, mais também por propiciar ao espírita subsídio teórico e prático voltado para o desenvolvimento do autoconhecimento.

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Graduado em processamento de dados, mestre em física pela UFRJ, Sésio Santiago atualmente é coordenador de TI no SENAC-Ce. Muito jovem ingressou no espiritismo. Mais precisamente em 1987 começa a participar dos estudos doutrinários no GEPE-Piedade. Sempre atuante no movimento espírita tem se destacado na defesa do estudo da codificação básica, como prioridade para compreensão mais profunda da DE. Além dos relevantes estudos no âmbito das religiões comparadas à luz do pensamento espírita, convertidos em cursos de extensão espírita ministrados sob sua orientação.