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A Terapia Assistida com Cavalos para crianças portadoras de deficiência foi realizada pela primeira vez por uma fisioterapeuta da Noruega a Drª Eilset Bodtker (FRAZÃO, 2001). No Brasil este recurso começou a ser valorizado em 1989, na Granja do Torto, em Brasília (sede da ANDE – Associação Nacional de Equoterapia) (POTTER; EVANS e NOLT, 1994). Segundo esta a Terapia Assistida com Cavalos e/ou Equoterapia é um método terapêutico e educacional interdisciplinar que utiliza o cavalo dentro das áreas de saúde, educação e equitação, objetivando o desenvolvimento biopsicossocial de portadores de deficiências ou de necessidades especiais (GALVÃO, 2010; NASCIMENTO, 2010).

A Terapia Assistida com Cavalos tem indicações que podem atuar na melhora de várias condições clínicas como patologias ortopédicas, alterações postural, mal-formações congênitas, síndromes neurológicas e patologias neuromusculares, doença de Parkinson, patologias cardiovasculares, respiratórias, entre outras patologias a nível psicológico e social. É contraindicada para Escoliose maior que 30º cifose grave, osteoporose severa, tumores ósseos, ferimento aberto e luxação de quadril (KAQUE, 2004).

Na Terapia Assistida com Cavalos, o cavalo surge como instrumento cinesioterapêutico, agente pedagógico e de inserção social. Não existe uma raça específica para esta prática, porém, devem ser observadas algumas características, tais como possuir as três andaduras

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regulares, ser macho, castrado, com idade acima de dez anos, ter altura mediana, aproximadamente 1,50m, medindo-se do chão até a cernelha e possuir aprumos simétricos (MOREIRA, 2009; RODRIGUES, 2003; ANDE, 2004)

O cavalo sendo equilibrado faz o praticante ficar mais próximo do centro de gravidade do cavalo e seu corpo fique como se estivesse em pé, com ombros e calcâneos em linha reta. A prática demonstra que os cavalos mais adequados são aqueles de estatura baixa e adultos, pois já completaram seu desenvolvimento neurológico e psíquico (UZUN, 2005).

Na andadura do cavalo os membros devem ser considerados segundo três estados: apoio, em elevação e suspensão. Quando o membro está em apoio às quatro patas do animal encontra-se em repouso no solo. Para considerarmos em elevação basta apenas que uma das patas esteja de encontro ao solo. Por fim para que ocorra a suspenção, faz se necessário que nenhum das patas esteja em contato com o solo. As andaduras que o cavalo realiza instintivamente são Passo, Trote, Galope (BOULCH, 1996).

As fases da Terapia Assistida com Cavalos dividem-se em três fases: - Aproximação são atividades em que o praticante participe ativamente, criando assim o enlace afetivo; - Montaria o paciente irá realizar as atividades propostas sobre o dorso do animal; e - Separação que são atividades conclusivas como: desencilhar, dar banho, entre outras. Essa estruturação favorece a organização temporal de início, meio e fim da sessão, podendo durar de 30 a 45 minutos (FERREIRA, 2008).

Um estudo realizado por RENATO (2011) teve como objetivo avaliar a amplitude de movimento articular antes e após o tratamento com a Terapia Assistida com Cavalos. Foi realizado em um paciente de 13 anos de idade do gênero feminino. Antes da intervenção a paciente não apresentava nenhuma amplitude de movimento, tanto em membros inferiores quanto superiores de acordo como os valores de referencia da literatura, após a intervenção as articulações com déficit de amplitude de movimento não apresentaram alterações, porem apresentou-se pequena melhora em membro superior, precisamente no punho onde teve aumento em desvio ulnar direito de 10º para 13º. No membro inferior também teve alterações, sendo que na extensão de joelho direito obteve ganho de 70º para 73º, e no membro contralateral manteve o mesmo valor aferido de 80º.

A pesquisa conduzida por OLIVEIRA et al (2011) realizou um estudo contando com a participação de uma criança do sexo feminino de 4 anos de idade. Foram realizadas 15 sessões de Terapia Assistida com Cavalos, submetendo-a montaria dupla por não ter

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condições físicas e nem psicológicas para permanecer sozinha sobre o cavalo. Os mesmo chegaram à conclusão de que a criança obteve melhora em relação ao cavalo, alinhamento postural, relaxamento muscular, ajustes tônicos e dissociação da cintura escapular e pélvica. O que fora preconizado no atendimento foi a simetria de cabeça, onde conseguiu-se uma melhora razoável no equilíbrio, tônus muscular e na movimentação dos membros inferiores e superiores.

O uso da Terapia Assistida com Cavalos apresenta como base fisiológica sua transmissão tridimensional do movimento do cavalo no corpo do paciente, gerando resultados satisfatórios sobre o controle postural e a marcha destes. Seu objetivo é estimular o equilíbrio e sua consequente melhora de ortostatismo, alterações de tônus muscular e integração social causando uma maior independência ao paciente. Seus resultados surgem com o decorrer do processo da terapia, proporcionando por meio dos exercícios terapêuticos diversos momentos satisfatórios (RENATO, 2012).

5. CONSIDERAÇÕES

Em vista do que foi apresentado as intervenções propostas pela fisioterapia na Síndrome de West são de extremo valor e importância, devido seu amplo espectro de recursos, técnicas e abordagens, bem como métodos que podem agregar ao tratamento de acordo com a necessidade do paciente em questão. Sendo que a Equoterapia como recurso fisioterapêutico propicia ganhos tanto de bem estar emocional quanto ganhos na parte motora do paciente. Em relação à escassez de literatura a cerca das intervenções fisioterapêuticas na Síndrome de West verifica-se a necessidade de mais estudos que possam corroborar para o embasamento de tratamentos mais balizados e com mais parâmetros para portadores da síndrome.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EQUOTERAPIA- Brasil. III Curso básico de equoterapia [apostila]. São Paulo- SP, 2001, p38.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EQUOTERAPIA (ANDE-BRASIL). [Apostila]. Brasília, 2000.

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ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EQUOTERAPIA. Fundamentos Doutrinários da Equoterapia. Brasília, 2005.

BOULCH, Jean Le. Rumo a uma ciência de movimento humano. ANDE-BRASIL, apostila de equoterapia: Brasília, 1996.

DA SILVEIRA, Micheli Marinho; WIBELINGER, Lia Mara. Reeducação da Postura com a Equoterapia. Rev Neurocienc. Porto Alegre- RS. v.19, n.3, p.519-524, julho. 2011.

DO NASCIMENTO, Marcos Vinicius Marques; CARVALHO, Igor da Silveira; ARAUJO, Rita de Cassia de Souza; SILVA, Iris Lima; CARDOSO, Fabrício; BERESFORD, Heron . O valor da equoterapia voltada para o tratamento de crianças com paralisia cerebral quadriplégica. Brazilian Journal of Biomotricity, v. 4, n. 1, p. 48-56, março. 2010.

FERREIRA, Julia Barbieri. Os Benefícios da Equoterapia no tratamento de portadores da Síndrome de Down. [Monografia]. Universidade Veiga de Almeida Rio de Janeiro (RJ), 2008. FRAZÃO, T.; Equoterapia – recurso terapêutico em discussão. São Paulo, v. 1, n. 11, jun. 2001.

GALVÃO, Aline; SUTANI, Jussara; PIRES, Márcia Alves; PRADA, Silvia Helena de Freitas; CORDEIRO, Thania Loiola. Estudo de caso: a equoterapia no tratamento de um paciente adulto portador de ataxia cerebelar. Rev Neurociênc, v. 18, n. 3, p. 353-8, 2010.

KAGUE, Cyntia Mayumi. Equoterapia: Sua utilização no tratamento do equilíbrio em pacientes com síndrome de Down. [Monografia]. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Estadual do Oeste do Paraná- Campus Cascavel. 2004.

MATTA, André Palma da Cunha; CHIACCHIO, Soraya Vilani Bonacorsi; LEYSER, Marcio. Possíveis etiologias da Síndrome de West: avaliação de 95 pacientes. Arq. Neuro-Psiquiatr. São Paulo , v. 65, n. 3a, p. 659-662, Set. 2007.

MENKES, Jonh H. Textbook of Child Neurology, 5th ed, pp744-8, 1990.

MOREIRA, Raquel Macedo Caetano. Equoterapia – Um Enfoque Fisioterapêutico Na Criança Portadora De Sindrome De Down. [Monografia] Universidade Vieira Veiga. Rio de Janeiro (RJ). 2009.

OLIVEIRA, Érica Diniz; OLIVEIRA, Fabrício Rocha. Equoterapia como mecanismo facilitador no desenvolvimento neuropsicomotor em paciente com Síndrome de West: benefícios e repercussões. Anais do 7º Congresso Mineiro de CIÊNCIAS DA SAÚDE. n. 3. 2011.

PACHECO, Robson; MACHADO, Lais, FRAGA, Daiane Bittencourt. Intervenção Fisioterapeutica Na Encefalopatia Crônica Não Progressiva Tipo Quadriparesia Espástica Associada À Síndrome De West. Revista Técnico Científica do IFSC, v. 1, n. 2, p. 258, 2012. POTTER, J. T.; EVANS J. W.; NOLT, B. H. Therapeutic horseback riding.JornalAmericano da Associação de medicina veterinária, v. 204, n. 1, jan. 1994.

RENATO, Thiago Albino. A equoterapia na síndrome de West: um estudo de caso. UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC. [Monografia]. Criciúma (SC). 2013.

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RODRIGUES, C. S. Curso de Equoterapia na reabilitação. Curitiba, 2003. 27f. Curso de aperfeiçoamento (Fisioterapia) – Curso de Equoterapia, Setor de Ciências da Saúde – Colégio Brasileiro de Estudos Sistêmicos.

SANTOS, Sabrina Lombardi Martinez. Fisioterapia na Equoterapia: Análise de seus Efeitos sobre o Portador de Necessidades Especiais. Aparecida, SP: Editora Idéias & Letras, 2005. UZUN, Ana Luisa de Lara Equoterapia: aplicação em distúrbios do equilíbrio. São Paulo: Vetor, 2005.

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