Há diversas formas para controlar T. absoluta, mas atualmente o controle se restringe basicamente à aplicação de inseticidas químicos. O alto potencial reprodutivo e os danos ocasionados por esse inseto tornam o método químico o controle preconizado na cultura, já que o hábito minador, a existência de populações resistentes e o ciclo de vida curto tornam o controle do inseto difícil e dispendioso. Muitas vezes, por essas causas, até mesmo o controle químico é ineficiente, garantindo a
permanência de infestações (BOGORNI; CARVALHO, 2006) e tornando os custos de produção onerosos e as perdas bastante significativas (PICANÇO et al., 2004).
O manejo de T. absoluta iniciou-se pelo uso de inseticidas organofosforados na década de 70, sendo substituídos gradualmente por piretroides e outros inseticidas. Atualmente, a maioria dos inseticidas utilizados são piretroides (SILVÉRIO et al., 2009). Contudo, o aumento na incidência de populações resistentes e a crescente demanda por produtos mais sustentáveis têm levado à busca por estratégias integradas para o manejo de insetos-praga.
A partir da metade do século XX, com a chamada Revolução Verde, surgiu a necessidade de se atentar para os problemas ocasionados pelo uso demasiado de agrotóxicos na agricultura, devido à contaminação ambiental, presença de resíduos nos alimentos, efeitos prejudiciais sobre organismos benéficos e o aparecimento de populações resistentes (MENEZES, 2005). Foi nesse período, que a implementação de programas de MIP (manejo integrado de pragas) começou a receber incentivos, para substituir ou minimizar os problemas ocasionados pelo uso de produtos sintéticos (KOGAN, 1998).
O controle de insetos é muitas vezes realizado de maneira não planejada e dentro de um sistema convencional. Picanço et al. (2004) avaliaram o impacto do uso de faixas circundantes de Crotalaria juncea L., guandu, milho e sorgo na cultura do tomate com a aplicação planejada de inseticidas químicos tomando por base níveis de controle. Os autores constataram que a adoção das medidas propostas reduz em 25 a 75 % o número de aplicações anteriormente realizadas para controle dos insetos. Segundo França e Castelo Branco (1992), o controle da T. absoluta, no Distrito Federal, onerou o custo de produção em até 12 %, podendo ocasionar para as condições de altas populações da praga queda de até 25 % da produção.
Villas-Bôas, Branco e Medeiros (2005) apresentaram uma tabela com produtos (princípios ativos dos inseticidas) registrados para controle de T. absoluta. Entre as limitações da adoção do controle químico como único método de controle da traça destacam-se: poucos produtos com a eficiência desejada, a alta freqüência de aplicação, o alto custo dos inseticidas, o lento desenvolvimento de novos produtos
químicos, o risco de contaminação ambiental e o surgimento de populações resistentes do inseto (FRANÇA, 1993).
Villas-Bôas, Branco e Medeiros (2005) apresentaram alguns aspectos novos para o manejo de T. absoluta como a rotação de inseticidas de grupos químicos diferentes e o uso de Trichogramma pretiosum Riley para liberações semanais nas lavouras. No cultivo protegido diversas práticas podem ser utilizadas para reduzir as infestações pelo inseto. Segundo Medeiros et al. (2005), as características do cultivo protegido associadas a boas medidas de controle físico, práticas culturais, monitoramento populacional, controle biológico e controle químico emergencial podem favorecer o sucesso de programas de MIP para esse sistema de cultivo.
Picanço et al. (2004) sugerem que a adoção do MIP, além de reduzir custos, pode favorecer o incremento de populações de inimigos naturais como parasitoides e predadores. A fauna benéfica na cultura do tomate é muito grande, e pode ser utilizada no manejo integrado de pragas. Gravena (1984) citou a presença de 14 espécies de insetos predadores (representantes de nove famílias) e aranhas (representantes de quatro famílias), número superior aos encontrados por Bergmann et al. (1984) (sete espécies) e por Bergmann et al. (1988) (11 espécies). Desneux et al. (2010) apresentam um revisão bastante detalhada para espécies de inimigos naturais (parasitoides e predadores) que podem ser importantes no controle de T. absoluta na Europa. Nesse mesmo trabalho, os autores apresentam listas para espécies de inimigos naturais incidentes na América Latina.
Entre os parasitoides existem vários trabalhos mostrando sua eficiência no controle de T. absoluta, sendo T. pretiosum a mais comumente encontrada (OATMAN, 1970), embora outros parasitoides sejam relatados (BERGMANN et al., 1984, 1988; DESNEUX et al., 2010). Esses estudos indicaram que a entomofauna do tomateiro é rica, entretanto são necessários mais estudos para identificar as espécies de insetos benéficos que poderão ser usadas como agentes de controle biológico de T. absoluta.
O controle microbiano tem se mostrado eficiente e sua utilização em estratégias integradas ao controle químico têm possibilitado o aumento da eficiência de controle. Giustolin et al. (2001a, 2001b) relataram o uso de Beauveria bassiana (Bals.) Vuill. e Bacillus thuringiensis Berliner var. kurstaki no controle de T. absoluta. Recentemente,
Mascarin et al. (2010) demonstraram o efeito de granulovírus e Batalla-Carrera, Morton e Pinoet (2010) avaliaram a eficácia de nematoides entomopatogênicos sobre o inseto. De acordo com Castiglioni-Rosales (2001), a aplicação de entomopatógenos associados ao controle químico poderá propiciar a redução nas doses aplicadas, diminuindo o efeito desses produtos sintéticos no ambiente e sobre organismos não alvo.
Evitar plantio durante o ano todo e o escalonamento de plantios podem reduzir os danos ocasionados por T. absoluta (HAJI, 1989, 1992). Além desses aspectos, a utilização de cultivares adaptadas às regiões de cultivo, rotação de culturas, controle de plantas daninhas, inspeções periódicas e a rotação de produtos químicos utilizados também contribuem para evitar infestações (FRANÇA et. al., 2000). Haji et al. (1988) verificaram que a irrigação por aspersão proporcionou menores populações da praga na cultura do tomate, quando comparada com a irrigação localizada.
Quanto à utilização de cultivares resistentes, Ventura (1992) sugere que a resistência de plantas é uma opção efetiva para o MIP. Lourenção et al. (1984) e França et al. (1984) detectaram algumas fontes de resistência em espécies de Lycopersicon (= Solanum), como L. peruvianum (L.) Mill., L. hirsutum Dunal var. glabratum, L. hirsutum Dunal var. typicum e L. pennelli Mill.. Gilardón et al. (2001) ressaltam a importância da capacidade das plantas superiores em sintetizarem metabólicos tóxicos com ação antibiótica ou deterrente sobre herbívoros. Os mesmos autores observaram que a presença de tricomas não acarreta em diferenças na oviposição de T. absoluta, apesar de os metabólitos secretados por eles terem efeito sobre o desenvolvimento larval do inseto (GIUSTOLIN; VENDRAMIM, 1994). A ação de 2-TD (2-tridecanona) alonga as fases larval e pupal e reduz a viabilidade larval, o peso de pupas e a fecundidade das fêmeas, estando ligado à resistência por antibiose e antixenose (GIUSTOLIN; VENDRAMIM, 1994; GONÇALVES-GERVÁSIO et al., 1999; LEITE et al., 1999).
O monitoramento ou controle de insetos com uso de feromônio sintético vem crescendo dentro dos programas de manejo de insetos-praga (VILELA, 1992). Ferrara et al. (2001) avaliaram o efeito do feromônio sintético de T. absoluta e observaram bons resultados. Michereff Filho et al. (2000) avaliaram o efeito do feromônio na interrupção
de acasalamentos; no entanto, segundo os autores, os resultados negativos podem estar ligados ao fato de que as doses e a composição do feromônio não tenham sido capazes de impedir os acasalamentos e que a migração de fêmeas copuladas para a área experimental possa ter mascarado os resultados.
Além dessas estratégias, o uso de plantas inseticidas e de agentes de controle biológico, que eram empregados antes do surgimento dos agrotóxicos sintéticos, ressurgiu para compor novas estratégias, mais seguras, dentro de propostas de MIP, visando uma maior sustentabilidade dos sistemas agrícolas.