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SAMMENDRAG OG KONKLUSJONER

O clima do Nordeste Brasileiro é resultante de sua vasta extensão territorial e da diversidade do relevo, que aliados aos padrões de circulação da atmosfera fazem com que a climatologia da região seja classificada como uma das mais complexas, em função das variabilidades climáticas e dos índices pluviométricos (NIMER, 1989). Existe uma série de sistemas atmosféricos que atuam na região Nordeste, e mais especificamente na área onde se situa a bacia, os quais estão destacados no quadro 06.

Quadro 06- Sistemas atmosféricos atuantes na área da pesquisa

Sistemas Atmosféricos Características

Zona de Convergência Intertropical (ZCIT)

-Fator mais importante na determinação de chuvas do Nordeste, formada pela confluência dos ventos alísios do hemisfério Norte com os do hemisfério Sul;

-Seu deslocamento está relacionado com os padrões da temperatura da superfície do mar;

Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN)

-Conjunto de nuvens que se formam no Oceano Atlântico entre os meses de Novembro e Março;

Linhas de Instabilidade (LI) -Banda de nuvens com formação vinculada à radiação solar, incrementadas pela proximidade da ZCIT;

Complexos Convectivos de

Mesoescala (CCM’s) -Nuvens formadas devido às condições locais favoráveis (relevo, pressão, etc.) provocando chuvas de forte duração; Ondas Leste -Formadas na área de influência dos ventos alísios, provocando

chuvas na Zona da Mata e no Ceará; Brisa Marítima e Terrestre

-Resultam do aquecimento e resfriamento diferenciais entre a terra e a água, no Nordeste contribuem para mudar a direção e velocidade dos ventos.

Fonte: Farias (2012). Adaptado de Ferreira e Mello (2005).

Para Moura (2008), os sistemas atmosféricos citados atuam em áreas equatoriais de baixa latitude, que provocam estabilidade atmosférica no período do inverno e primavera, que corresponde ao período seco, e causa instabilidade no período sazonal do verão e outono, desencadeando a ocorrência de chuvas concentradas no quadrimestre de fevereiro-março- abril-maio. Nessa perspectiva, Zanella (2007) destaca que as condições climáticas do estado do Ceará são muito complexas e variáveis, estando relacionadas com a interação de diferentes centros de ação e sistemas atmosféricos que atuam na região com os fatores regionais e locais.

A atuação dos sistemas atmosféricos, mas especificamente nos municípios de Barroquinha, Camocim e Granja, associados a fatores como: localização do estado próximo a linha do Equador, altitude, disposição do relevo e a proximidade do oceano; enquadram os

dois primeiros municípios em um clima do tipo tropical quente semiárido brando, em função da localização na zona costeira. O município de Granja possui dois tipos climáticos: o primeiro e ocorrendo em maior escala, o tropical quente semiárido brando; e o segundo em função da influencia da Ibiapaba, o clima do tipo tropical quente sub-úmido (FUNCEME, 2013).

Os tipos climáticos se refletem diretamente nos índices de precipitação e temperatura dos municípios, que variam a cada ano condicionando uma série de outros aspectos como, por exemplo, a disponibilidade hídrica. No ano de 2013, os municípios de Barroquinha, Granja e Camocim apresentaram as seguintes médias pluviométricas: 994.6 mm, 606.8 mm e 914.0 mm, respectivamente, com os maiores valores concentrados no primeiro semestre do ano. O gráfico 01 traz informações referentes aos totais pluviométricos anuais dos municípios enfatizados anteriormente.

Gráfico 01- Totais pluviométricos anuais dos municípios (1983-2013)

Fonte: FUNCEME, 2013.

Com relação às médias pluviométricas mensais, as precipitações permanecem com uma concentração no primeiro semestre do ano, mas especificamente nos meses de fevereiro, março e abril, apresentando também médias pluviométricas no mês de dezembro, como verificado no gráfico 02.

Gráfico 02- Médias pluviométricas mensais dos municípios (1983-2013)

Fonte: FUNCEME, 2013.

Relacionado diretamente com os índices de precipitação, as temperaturas nos se apresentam mais amenas no primeiro semestre do ano em função da quadra chuvosa, com temperaturas mínimas em torno de 25 ºC. No segundo semestre do ano devido à diminuição ou ausência dos índices pluviométricos, a temperatura aumenta chegando a mais de 27ºC. O gráfico 03 apresenta as temperaturas por município, distribuída ao longo do ano.

Gráfico 03- Estimativa de temperatura dos municípios - 2013

Fonte: Celina 1.0. Desenvolvido por Costa (2007).

Nas temperaturas apresentadas no gráfico se verifica claramente a influencia dos fatores como precipitação e posicionamento geográfico, pois os municípios situados mais próximos a linha de costa (Barroquinha e Camocim) apresentam temperaturas relativamente

mais amenas se comparados com Granja, localizado mais no interior do continente. Em todos os meses do ano, independente da estação chuvosa ou não, Granja apresenta as temperaturas mais elevadas, intensificando-se entre os meses de agosto e dezembro.

Os dados levantados de precipitação e temperatura foram utilizados também para a efetivação do balanço hídrico, parâmetro essencial para a avaliação das condições climáticas e a definição da disponibilidade hídrica de uma região. Para Santos et al. (2010) o balanço hídrico além de viabilizar o conhecimento da disponibilidade hídrica no solo de um determinado período, surge também como uma importante ferramenta que possibilita o planejamento hídrico de uma região, podendo ser proposta uma forma de manejo integrado dos recursos hídricos.

Os principais componentes do balanço hídrico para definir a demanda e a disponibilidade hídrica de uma região são: precipitação (P), evapotranspiração real (ETR), evapotranspiração potencial (ETP), armazenamento de água no solo (ARM), deficiência hídrica (DEF) e excedente hídrico (EXC).

Outro dado importante considerado para a efetivação do balanço hídrico, além da precipitação e temperatura, é determinar a capacidade de água disponível (CAD) do setor que vai ser calculado o balanço hídrico. A CAD está diretamente relacionada com as associações de solos encontradas na região, uma vez que os mesmos condicionam o potencial de infiltração da água, por isso a mesma não deve ser definida de maneira arbitrária, sendo necessário considerar as características dos solos.

A partir do cálculo que forneceu valores da CAD mais precisos, aliados com os dados de temperatura e precipitação de uma série histórica de 30 anos, foi possível realizar o balanço hídrico da bacia. A tabela 01 traz uma síntese dos resultados do balaço hídrico para cada posto pluviométrico, apresentando as médias de cada parâmetro da série estabelecida.

Tabela 01- Síntese dos resultados do balanço hídrico Postos pluviométricos (ºC) Precipitação (mm) ETP (mm) ETR (mm) DEF (mm) EXC (mm) Barroquinha 26 91 125 70 55 21 Granja 27 98 139 81 59 17 Camocim 26 99 135 80 55 19

Com base nos dados apresentados na síntese do balanço hídrico, Camocim se destaca nos valores de precipitação, ETP e ETR, enquanto que Granja possui as maiores taxas de DEF. O EXC é mais expressivo em Barroquinha, seguido de Camocim e Granja.

Os gráficos 04, 05 e 06 trazem os dados de deficiência, excedente, retirada e reposição dos municípios. Em Barroquinha, o período de reposição corresponde com o período da quadra chuvosa no primeiro semestre do ano, com o excedente iniciando no mês de março com seu ápice em abril. Nos meses seguintes, onde as médias pluviométricas são escassas ou inexistentes, ocorre o período de retirada e deficiência (gráfico 04).

Gráfico 04- Barroquinha: deficiência, excedente, retirada e reposição hídrica

Fonte: Thornthwaite e Mather (1955), Rolim et al. (1998), FUNCEME, 2013.

Em Granja, de maneira geral, ocorre o mesmo comportamento dos parâmetros encontrados em Barroquinha, porém com um pequeno registro de reposição já iniciando no mês de janeiro e com valores mais elevados de deficiência hídrica (gráfico 05).

Gráfico 05- Granja: deficiência, excedente, retirada e reposição hídrica

Em Camocim os períodos de deficiência e retirada seguem o mesmo padrão encontrado em Barroquinha e Granja, a diferenciação consta nos meses de reposição que se estende até abril com pequenas taxas, e no período de excedente que ocorre nos meses de abril e maio (gráfico 06).

Gráfico 06- Camocim: deficiência, excedente, retirada e reposição hídrica

Fonte: Thornthwaite e Mather (1955), Rolim et al. (1998), FUNCEME, 2013.

Uma descrição detalhada dos condicionantes e aspectos climáticos que influenciam a disponibilidade hídrica na bacia hidrográfica do rio Palmeira, viabiliza a compreensão da distribuição dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, pois o regime pluviométrico e as formações geológicas e geomorfológicas atuam de maneira direta na distribuição e disponibilidade dos recursos hídricos. A seguir serão detalhados os aspectos referentes aos recursos hídricos superficiais e subterrâneos na bacia.