Esta segunda etapa corresponde a proposta que consiste da coleta quantitativa de dados, com o intuito de que seja alcançado o segundo objetivo específico, fundamentando-se em: verificar
como o conceito de Teoria da Confiabilidade pode dar suporte às análises de risco de um evento imprevisível e não-regular.
Para isso, propõe-se a definição de uma rede de transportes delimitando-a como objeto de estudo que será utilizado para esta pesquisa. A definição desta rede auxiliará quanto a coleta dos dados necessários para o alcance desse objetivo específico, onde será levantado o histórico dos registros de intervenções correspondentes às obras e manutenções em vias públicas, em decorrência das falhas no sistema de abastecimento de água e esgoto, descrevendo este como sendo o evento não regular e imprevisível a ser analisado, bem como as áreas em que se possa destacar as medidas de restrição à circulação de veículos de carga.
Após o levantamento de tais dados, será realizada a aplicação do conceito de Teoria da Confiabilidade através do uso de ferramentas que possuem caráter estatístico como estimadores, métodos e modelos probabilísticos, com o objetivo de validar a sua funcionalidade ante a medição do risco de um evento não regular e imprevisível baseando-se na análise do tempo de falha deste.
4.2.1. Definição da rede de transportes para estudo de caso
O objeto do estudo de caso para esta pesquisa baseou-se na utilização de uma rede de transportes, que contribuiu fundamentalmente acerca do entendimento quanto ao fenômeno que aqui se deseja analisar. Alguns aspectos específicos que prevalecem da sua característica física, por exemplo, sua geometria, espacialização de regiões e malha viária, além da identificação de um planejamento público urbano do sistema de transportes existente, implicou no modo como as informações foram processadas concretizando os resultados obtidos.
Estes aspectos a serem levantados conduziram na forma como o uso e a ocupação do solo foi distribuída, sendo apontados possíveis polos produtivos e atrativos com base nestas informações e que justificam a ideia da existência de um fluxo de distribuição de mercadorias entre as regiões. A definição dessa rede serviu, também, para indicar quais as vias que foram submetidas à intervenções como obras e manutenções.
Portanto, a proposição de uma rede viária como objeto de estudo de caso, é a de justificar a hipótese de que o planejamento da atividade de transporte de cargas possa ser influenciado pelas medidas regulamentares, agravado pela influência de fatores externos, como as obras e manutenções, que podem implicam na redução do nível de acessibilidade da rede. Como complemento a este item, o passo seguinte refere-se ao levantamento das informações constantes nos registros de intervenções que ocorreram devido às falhas no sistema de abastecimento de água e esgoto da cidade de Fortaleza. Tal levantamento buscará identificar as vias nas quais foram realizadas tais intervenções, dentro de
um determinado período e área específica da rede, complementando este passo, ao acrescentar informações adicionais sobre a rede.
4.2.2.Levantamento dos dados históricos dos registros de intervenções
Como parte do objetivo geral desta etapa da metodologia proposta define o objetivo específico descrito por este passo, buscou-se levantar na rede as vias que foram submetidas à intervenções como obras e manutenções, em decorrência de falhas no sistema de abastecimento de água e esgoto, para que se possa realizar o levantamento dos seus dados históricos quanto aos registros destas intervenções.
Para isso, foi promovida uma parceria com a empresa responsável pela realização das intervenções com o objetivo de se coletar tais dados, onde solicitou-se que tais informações referentes ao histórico destas não tenham ocorrido em um período recente, compreendendo assim em, no mínimo, mais de um ano. Em adição, fora assinalado que as vias nas quais as intervenções ocorreram estivessem localizadas nas mesmas áreas ou regiões onde se constatasse a presença de medidas restritivas.
A sondagem destes dados históricos consistiu do levantamento quantitativo em relação a temporalidade das falhas inerentes ao sistema de abastecimento de água e esgoto, não se preocupando, em detalhar tais falhas quanto ao tipo, modo, e demais aspectos que as possam subdividi-las noutras características descritas pelo conceito de Teoria da Confiabilidade, no capítulo 3.
Assim, o próximo passo desta etapa, com base nas informações que forem aqui levantadas, consistiu em realizar a análise do risco de falha utilizando-se de ferramentas estatísticas aplicadas ao conceito de Teoria da Confiabilidade, como modo de graduar e classificar as vias de acordo com a sua criticidade à rede.
4.2.3.Análise do risco baseada na aplicação do conceito de Teoria da Confiabilidade
Para esta pesquisa, a análise do risco do risco de um evento não regular e imprevisível, considerou as intervenções realizadas em vias públicas, especificamente obras e manutenções que foram realizadas em decorrência da falha do sistema de abastecimento de água e esgoto. Para isso, este passo buscou empreender esforços para alcançar parte do objetivo geral esboçado para este trabalho através da aplicação do conceito de Teoria da Confiabilidade, utilizando-se de ferramentas estatísticas como estimadores, métodos e modelos probabilísticos.
Todavia, esta análise de risco baseou-se na temporalidade e frequência dos eventos à medida com que ocorreram dentro de um determinado período, estabelecido no passo anterior. Feito isso, tais dados foram ordenados, classificados e separados de acordo com suas características organizando-as, primeiro, a partir do logradouro e em seguida pela data com que ocorreu. Além disso, buscando-se fracionar todas as vias em segmentos de links onde foram referenciados de acordo com o número do domicílio que o inicia e termina.
Após a organização de tais dados, fez-se a aplicação do conceito de Teoria da Confiabilidade através do uso de suas ferramentas estatísticas para a análise do risco de falha. Para tanto, a realização desta análise de risco em relação ao tempo de falha do sistema se dará pela aplicação das equações 12 e 13, descritas no capítulo 3 deste trabalho, correspondendo, respectivamente, ao Tempo Médio Entre Falhas e ao Fator de Confiabilidade (FC), conforme podem ser vistas a seguir.
�� = ∆� +∆� +∆� …+∆��
��� (12)
Onde:
TMEF = Tempo médio entre falhas;
Δf1 = Tempo entre o início e a primeira falha;
Δf2 = Tempo entre a primeira e a segunda falha;
Δfn = Tempo entre as duas últimas falhas; e
Ndf = Quantidade de vezes em que a falha ocorreu.
1 − � = − ��� (13)
Onde:
C = Função Confiabilidade; e = Log Neperiano;
t = Tempo desejado para estimar a ocorrência da falha.
Ao final, efetuou-se um somatório de todo esse tempo compreendido entre a primeira e a última falha, realizando em seguida o cálculo da média deste período em relação à quantidade de falhas que ocorreram. Quanto aos cálculos a respeito do Fator de Confiabilidade (FC), foi estabelecido um período (t) de 10 dias correspondendo a probabilidade de uma falha vir a acontecer em
determinado segmento de link dentro deste prazo, com base na previsão estimada pelo cálculo do Tempo Médio Entre Falhas.
Feito isso, a partir dos resultados obtidos nesta etapa, será realizada a hierarquização dos segmentos de link de acordo com a sua criticidade, dando início a realização do experimento que consiste em simular caminhos mínimos diante dos cenários propostos, considerando diferentes impedâncias baseadas nas informações levantadas até o momento a respeito das características da rede e dos dados históricos quanto as intervenções realizadas nas vias públicas.