4.2 KILDER TIL ØKT RISIKO
4.2.4 SAMMENDRAG OG FORRETNINGSBETA
Nos cinco distritos vinculados à Secretaria Municipal de Saúde de Campinas/SP existem 61 unidades de saúde (11 unidades no distrito Norte; 16 no distrito Sul; 10 no distrito Leste; 12 no distrito Sudoeste e 12 no distrito Noroeste). Foram entregues em torno de 350 questionários73 para que os coordenadores dessas unidades distribuíssem aos enfermeiros, médicos e psicólogos vinculados à Saúde da Família. Desses, retornaram 151 questionários respondidos, de 36 unidades, sendo 96 (46 médicos, 44 enfermeiros e seis psicólogos) com resposta de já terem cuidado de pessoas em processo de morte durante atuação na Saúde da Família. Desses 96, 72 profissionais manifestaram interesse em participar da pesquisa.
Considerando o número de questionários respondidos (151), percebe-se que a maioria (63%) já cuidou de pessoas em processo de morte na Saúde da Família. Isso significa que existe essa demanda nesse campo de atuação e, portanto, deve ser objeto de atenção dos profissionais da saúde, educadores e gestores.
Também chama atenção o elevado número de interessados em participar da pesquisa (72 participantes). Além desses, outros 27 profissionais manifestaram interesse, mesmo não tendo cuidado de pacientes em processo de morte - critério de seleção para participar da pesquisa expresso no questionário. Uma hipótese para esse interesse pode estar relacionada à carência desses profissionais sobre o tema e a necessidade que se apresenta diante da demanda existente.
Após o envio do segundo questionário para 72 profissionais (aqueles que já tinham cuidado de pessoas em processo de morte e manifestaram interesse em participar da entrevista), retornaram 19 questionários respondidos, sendo dez enfermeiros, sete médicos e dois psicólogos. O baixo retorno do segundo questionário em relação ao primeiro pode estar relacionado tanto ao procedimento adotado como ao tempo exigido para respondê-lo. No primeiro caso, os questionários foram entregues impressos diretamente ao profissional pelo coordenador da unidade; no segundo caso, foi enviado por e-mail. As questões do primeiro
73 O número de questionários entregues (350) foi maior que o de profissionais cadastrados no site da Prefeitura Municipal de Campinas (290) porque preferiu-se entregar um ou dois questionários a mais, dependendo da unidade, no caso do site estar desatualizado.
questionário eram principalmente de múltipla escolha, com conteúdos de identificação geral. As questões do segundo questionário demandavam respostas dissertativas e exigiam uma reflexão sobre a atividade. Além disso, a resposta do segundo questionário também exigia o preenchimento do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Nas respostas do segundo questionário, a maioria dos profissionais afirmou ter acompanhado pessoas com diagnóstico de câncer (12 profissionais), sendo o prognóstico caracterizado como doença em estágio avançado (18 respostas). Todos os profissionais acompanharam tanto a pessoa como a família.
Considerando o objetivo dessa pesquisa de analisar o processo de trabalho do profissional da saúde com pessoas em processo de morte, avaliou-se como necessário selecionar para a entrevista o profissional que tivesse participado de todo o processo de cuidado. Nesse sentido, o principal critério utilizado para selecionar os participantes para a entrevista foram os momentos em que pacientes e familiares foram acompanhados pelo profissional. Foram selecionados os profissionais que afirmaram ter participado durante todo o processo, desde o diagnóstico até o momento da morte do paciente; e da família enlutada, inclusive após a morte.
Dos 13 profissionais selecionados, uma psicóloga não respondeu aos e-mails e chamadas telefônicas durante o período estabelecido para convite e coleta de dados. Uma enfermeira, incluída inicialmente para compor esta amostra de entrevistados, não atendeu aos critérios de inclusão, já que acompanhou paciente em processo de morte antes da sua inserção na Saúde da Família. Os outros profissionais participaram da entrevista, totalizando sete médicos e quatro enfermeiros, de oito unidades de saúde e três distritos.
A maioria dos participantes74 tem acima de 40 anos de idade (oito participantes) e estão na Saúde da Família e/ou Saúde Pública há mais de oito anos. Apenas dois participantes são recém-formados e estão na Saúde da Família no período entre um e dois anos.
Dos 11 participantes, uma (recém-formada) não tem e não está cursando nenhuma especialização - embora tenha manifestado interesse na especialização em Saúde da Família, não foi selecionada pelo município75; dois participantes estão cursando ou têm especialização em outra área; quatro têm especialização em Saúde Pública, Medicina da Família ou Saúde da Família; e quatro participantes estavam cursando no momento da entrevista a especialização
74 A partir daqui, a terminologia “participante” referir-se-á aos participantes da entrevista.
75 Profissional contratada e não concursada pela Prefeitura. No momento da reunião devolutiva, era a única profissional que não estava mais vinculada à Saúde da Família.
em Saúde da Família, oferecida pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em co-gestão com o município de Campinas e financiamento do Ministério da Saúde76. Percebe- se aqui uma forte ênfase na formação dos profissionais, já que a maioria dos entrevistados possui ou está cursando especialização na área específica de atuação. Isso se deve, em grande parte, pela política de gestão em saúde do município, que tem como uma das diretrizes da Atenção Primária a capacitação profissional (Campos, 2007a).
Em pesquisa realizada sobre o perfil sócio-demográfico e epidemiológico de trabalhadores da Atenção Primária em municípios das regiões Sul e Nordeste do Brasil (Tomasi et al., 2008), identificou-se que 37% dos profissionais de nível superior possuíam especialização, sem diferença significativa entre Sul e Nordeste. No entanto, vale destacar que, entre ESF e modelo tradicional, o dobro dos profissionais da ESF possuía especialização. O estudo não especifica se a especialização é ou não na área de atuação.
Na avaliação sobre a implementação da ESF em dez grandes centros urbanos (BRASIL, 2005a), uma das informações investigadas foi sobre a escolaridade dos profissionais. O município que apresenta o melhor dado (Camaragibe/PE) tem 62,3% de profissionais de nível superior com especialização, sendo 53% em Saúde da Família. A justificativa apresentada para esse dado é a que o município foi pioneiro na implantação da ESF e na organização de cursos de especialização em Saúde da Família.
Em Campinas, a implantação da ESF ocorreu em 2001 e desde 2004, quando foi oferecido o primeiro curso de especialização em Saúde da Família, 150 profissionais (80 médicos e 70 enfermeiros) já concluíram o curso77, o que significa que pelo menos 43% dos profissionais médicos e enfermeiros da Saúde da Família possuem especialização na área.78.
76 Desde 2004, já foram oferecidas quatro turmas de especialização a profissionais da saúde de Campinas e região, sendo as três primeiras com financiamento obtido através do Pólo de Educação Permanente. A última turma teve financiamento obtido pela Unicamp junto ao Ministério da Saúde para oferecimento de vagas a profissionais de Campinas e região. Para obter uma ampliação do número de vagas, a Secretaria de Saúde de Campinas financiou parte do curso. De acordo com participantes da reunião devolutiva, o último curso de especialização oferecido contemplou os temas clínica e gestão, enquanto os anteriores foram voltados à gestão. 77 Dos participantes dessa pesquisa (entrevista), 73% concluíram ou estão cursando especialização na área de atuação.
78 De acordo com o DATASUS (BRASIL, 2010c), em levantamento sobre quantidade por ocupações de nível superior, no município de Campinas, vinculados ao Centro de Saúde/Unidade Básica de Saúde, no período de Abril/2010, existem 186 enfermeiros e 158 médicos (somando os médicos da Saúde da Família e Clínico Geral), totalizando assim 344 profissionais. Como não foi possível saber quantos desses profissionais possuem especialização na área, a porcentagem de 43% refere-se aos que fizeram o curso oferecido pela Unicamp em parceria com o Ministério da Saúde e Prefeitura Municipal de Campinas, desconsiderando uma possível rotatividade.