A aplicação dos avanços tecnológicos nos serviços de saúde vem contribuindo para melhores resultados na assistência à saúde, possibilitando o aumento da expectativa de vida. Observa-se que os serviços de assistência à saúde dependem dos avanços tecnológicos; no entanto precisam do gerenciamento dos sistemas operacionais a eles relacionados, buscando a redução de erros.
A OMS considera que a segurança do paciente é a redução ao mínimo aceitável do risco de dano desnecessário associado ao cuidado da saúde.
A segurança do paciente emergiu como questão de qualidade importante e de política pública na área da saúde, em diversos países e recentemente no Brasil, com o Programa de Nacional de Segurança do Paciente.
Percebe-se que a medição da qualidade na assistência à saúde vem evoluindo seu foco, para transparência e responsabilidade relacionada à assistência ao paciente e de que cada etapa do processo traz um risco de dano, portanto não se busca mais a “identificação dos culpados” e sim a avaliação dos processos.
A qualidade aplicada nas instituições hospitalares é um grande desafio a sua aplicabilidade prática, pois elementos estruturais e as especificidades do serviço de saúde podem inviabilizar seus resultados quando aplicados de modo superficial.
É importante salientar que o desenvolvimento contemporâneo da saúde de segurança do paciente permite um novo olhar sobre o cuidado de saúde, conforme sofre influencia das disciplinas de outros campos do conhecimento que se dedicam a estudar o erro humano, os acidentes e sua prevenção, representando uma importante contribuição para a melhoria do cuidado em saúde.
Assim, as falhas humanas são ameaças à assistência segura ao paciente, como as falhas humanas decorrentes da comunicação entre os membros da equipe e podem ser uma barreira fundamental para a assistência segura e efetiva.
Dai a importância das atividades de formação continuada dos profissionais que contribuem para o desenvolvimento de competências dos profissionais no desempenho de suas atividades e na segurança do paciente.
Na última etapa desta revisão integrativa aponta-se que os principais resultados evidenciados na análise das publicações científicas que abordam o tema educação continuada e a Segurança do Paciente, aumentaram com o passar dos anos, provavelmente devido à importância que a Segurança do Paciente tem adquirido nos últimos anos, embora, nenhuma pesquisa em periódico brasileiro tenha sido encontrada, apontando para a necessidade de desenvolvimento desta temática em âmbito nacional.
Os artigos abordaram as estratégias de segurança relacionadas sobretudo à comunicação no ambiente dos serviços de saúde. A melhoria da comunicação é uma das 5 metas internacionais da JCI para a segurança do paciente e às estratégias educativas relacionada a comunicação envolvem abordagem multiprofissional, fato pelo qual a maior parte dos artigos desta revisão destinava-se a público-alvo multiprofissional e não apenas para a equipe de enfermagem.
A identificação das necessidades de formação continuada relacionada à segurança do paciente visa desenvolver um novo conjunto de competências na aprendizagem no local de trabalho, para que possam adquirir os conhecimentos e habilidades que são essenciais para a prestação de um cuidado adequado e seguro aos pacientes.
Os estudos desta revisão identificaram necessidades de aprendizagem para os profissionais de enfermagem relacionadas à prática clínica segura na assistência ao paciente, envolvendo a identificação de sinais de alteração clínica, à tomada de decisão, assim como o levantamento das competências profissionais para a segurança do paciente.
Os estudos evidenciaram a adoção de práticas educativas convergentes com o conceito de Educação Permanente por incorporarem situações de aprendizagem ao trabalho, modificando as estratégias educativas como fonte de conhecimento e problemas, colocando o profissional como individuo ativo e crítico no processo de aprendizagem e abordando o grupo ou equipe para favorecer a interação por meio das estratégias educativas de Simulação realística, CRM e Team Stepps.
O uso da simulação realística como estratégia de ensino relacionada à segurança do paciente é valorizado por permitir ações educativas envolvendo a equipe multidisciplinar e abordagem de habilidades técnicas e comportamentais.
A avaliação de resultados e os impactos dos processos educativos dos profissionais de saúde relacionados à segurança do paciente nos artigos deste trabalho envolveram os diferentes níveis de avaliação, parâmetros e estratégias, porém prevaleceu a avaliação em nível de comportamento no cargo, sendo medida por meio de questionários de autoavaliação aplicados em modelos pré e pós- intervenções educativas.
É por meio das avaliações de resultado que podemos rever as experiências, analisar os obstáculos, subsidiar novas atividades e evidenciar o impacto do treinamento no comportamento do cargo ou em último nível nos resultados da organização.
Cada nível de avaliação tem um objetivo distinto e claramente definido. É importante alinhar com os objetivos do treinamento, a fim de identificar qual a melhor estratégia ou parâmetro de avaliação.
O enfermeiro de educação continuada é o profissional de enfermagem diretamente envolvido com desenvolvimento de competências da equipe de enfermagem e sua participação junto aos gerentes representa a interface entre o processo de trabalho administrativo e o educacional.
A educação continuada deve ser um meio para promover o desenvolvimento das pessoas e assegurar a qualidade e a segurança no atendimento aos pacientes, devendo também ser voltada à realidade institucional, e necessidades dos profissionais, envolvendo sempre as lideranças, pela proximidade e contato com os todos os membros da equipe multiprofissional, podendo atuar diretamente sobre as necessidades do trabalhador no momento que executa suas atividades, percebendo o real interesse da equipe diante das situações cotidianas e alicerçando a transferência do conhecimento para a prática.
Este estudo pode ter tido como limitação a ausência de publicações científicas nacionais, não permitindo evidenciar as práticas de educação continuada em enfermagem para a segurança do paciente no país.
Por meio da presente revisão integrativa, foi possível identificar e caracterizar as atividades de educação continuada em enfermagem para a segurança do paciente, apontando para a utilização de abordagens de formação continuada no trabalho em equipe e a necessidade de adoção de ferramentas para medir o impacto
dessas atividades para contribuir e promover a qualidade da assistência e segurança do paciente.
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