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7. Forholdet mellom staten og kommunesektoren

7.1 Sammendrag

1455-1456

Nome: Alvise de Cadamosto, Alvise da Mosto, Da Ca’ da Mosto

ou Luís de Cadamosto.

Data de nascimento: c. 1432.

Local de nascimento: Veneza, em Itália. Data de morte: 18 de julho de 1483.

Local de morte: Desconhecido, talvez em Itália.

Família: Filho de Giovanni da Mosto e de Giovanna Quarini.

Irmão de Antonio.

Maior feito: Primeiro veneziano a viajar até aos rios Gâmbia,

nos atuais Senegal e Gâmbia, e Geba, na atual Guiné-Bissau. Terá sido um dos primeiros europeus a avistar e a desembarcar na ilha da Boavista, em Cabo Verde.

Vida e feitos

Alvise de Cadamosto nasceu em Veneza por volta de 1432, filho de Giovanni da Mosto e de Giovanna Quarini, membros da nobreza veneziana que vivia sobretudo do comércio marítimo. Teve vários irmãos, sendo que um, de nome Antonio, o acompa- nhou nas suas viagens comerciais à Flandres, na atual Bélgica.

Em inícios do século XV, Veneza era uma das cidades mais importantes da Europa. A Itália de então não constituía um país único como Portugal ou a Inglaterra. Era antes composta por uma série de entidades políticas independentes, como as cida- des de Veneza e Génova, o ducado de Milão, o reino de Nápoles e os Estados Papais. A riqueza de Veneza provinha sobretudo do comércio marítimo que a ligava à restante Europa, ao norte

de África e ao Próximo-Oriente. Eram os venezianos que, por intermédio dos contactos com o Egito, mantinham o monopó- lio de venda e distribuição das especiarias orientais na Europa. Monopólio esse que, em finais do século XV e inícios do século XVI, foi posto em causa durante algum tempo pela chegada e posterior instalação dos portugueses na Índia.

Assim sendo, e dada a importância do comércio marítimo na sociedade veneziana, surge como natural a opção do jovem Alvi- se de Cadamosto de embarcar, em 1452, na sua primeira viagem comercial. O destino era a Flandres, no norte da Europa. No ano seguinte, em 1453, a estabilidade familair foi posta em causa pela queda em desgraça do pai. Giovanni da Mosto foi acusado de fraude contra o governo de Veneza e prontamente exilado para fora dos domínios da cidade. Alvise de Cadamosto e os irmãos ficaram assim desamparados e deixados sob a alçada da madrasta.

Em 1454, Alvise de Cadamosto partiu novamente, rumo à Flandres, em companhia do irmão Antonio. A nova viagem era, provavelmente, motivada pelas dificuldades financeiras que a família passava após o exílio paterno. Em agosto de 1454, a em- barcação onde seguia foi obrigada a aportar no Algarve, perto de Raposeira onde então se encontrava o infante D. Henrique (1394-1460). Foi nessa altura que recebeu um emissário do in- fante que procurou recrutá-lo para o serviço de D. Henrique. Mo- tivado pela perspetiva de explorar novas terras e de nelas obter ganhos económicos proveitosos, Alvise de Cadamosto entregou o comando das embarcações ao irmão, Antonio, e ordenou-lhe que prosseguisse a viagem até à Flandres.

Foi nesta altura que Alvise de Cadamosto se colocou ao servi- ço do infante Henrique. No ano seguinte, em 1455, partiu numa caravela armada às custas do infante. Ultrapassou o cabo Bran- co e, ainda antes de alcançar o cabo Verde, entrou em contacto com tribos locais e conseguiu comprar-lhes alguns escravos em troco de cavalos e panos de lã. Pouco depois, acabaria por encon-

A vida e os feitos dos Navegadores e Descobridores

trar Antoniotto Usodimare, um navegador genovês ao serviço do infante D. Henrique. Juntos, alcançaram o rio Gâmbia, que atualmente cruza a Gâmbia e o Senegal. Cadamosto e Usodimare procuraram subir o rio e explorá-lo, mas acabaram por desistir do seu intento dada a hostilidade demonstrada pelos nativos.

Não se tardou no regresso a Portugal, pois logo em 1456 efe- tuou nova viagem à costa ocidental africana, novamente acompa- nhado por Usodimare. No decurso desta viagem, a embarcação onde seguia foi afastada da costa por uma tempestade e andou três dias à deriva. Terá sido nessa ocasião que Cadamosto avis- tou algumas ilhas do arquipélago de Cabo Verde e, segundo es- creveu anos mais tarde, desembarcou numa à qual deu o nome de Boavista.

Atualmente, não é possível aferir se foi Cadamosto a descobrir aquele arquipélago ou se foram antes Diogo Gomes e António da Noli. Terminada a tempestade, Cadamosto e a sua tripulação encontraram de novo terra e conseguiram subir parte do rio Gâmbia. Iria viajar ainda mais para sul, explorando a costa e alcançando o rio Geba, situado na atual Guiné-Bissau, antes de iniciar a viagem de regresso a Portugal.

Depois de duas viagens à costa ocidental africana, ao serviço do infante D. Henrique, Alvise de Cadamosto permaneceu em Portugal alguns anos, apenas regressando a Veneza em 1463. Durante este período, terá continuado a sua atividade comercial. O resto da vida seria passado enquanto diplomata ao serviço de Veneza, viajando entre Itália e o Levante. Viria mesmo a falecer durante uma embaixada no Levante, a 16 de agosto de 1483, com cerca de 51 anos.

Atualmente, o conhecimento das suas viagens tem origem nos relatos que o próprio Alvise de Cadamosto passou a escrito por volta de 1463 ou 1464. Nesses documentos, que seriam publica- dos em Veneza em 1507, o veneziano relata as suas duas viagens à costa ocidental africana, reclamando para si mesmo o título de primeiro veneziano a ter viajado naquelas águas e a ter visto

aquelas terras. Descreve ainda a viagem de Pedro de Sintra à re- gião por onde tinha viajado, sendo que esta viagem terá ocorrido entre 1460 e 1462.

Conforme já referimos, Alvise de Cadamosto reclamou para si mesmo a descoberta do arquipélago de Cabo Verde. Contudo, convém lembrar que anos antes, em 1460, já António da Noli tinha recebido a capitania da ilha de Santiago. Esta capitania tinha-lhe sido entregue pelo rei D. Afonso V (1438-1481) como recompensa pela descoberta de cinco ilhas daquele arquipélago. A questão da descoberta está longe de ser clara e, por isso, em meados do século XV, três navegadores diferentes, dois dos quais originários de Itália, afirmavam ter sido eles os descobridores do arquipélago cabo-verdiano: o veneziano Alvise de Cadamosto, o genovês António da Noli e o português Diogo Gomes.

Em todo o caso, e tal como no caso do arquipélago da Madeira, a descoberta inicial acabara por ser menos importante do que o momento inicial da colonização. Isto porque após a viagem de Cadamosto o arquipélago cabo-verdiano permaneceu prati- camente inexplorado e, sobretudo, por povoar. Só em meados da década de 1460, e depois da capitania da ilha de Santiago ter sido entregue a António da Noli, é que o povoamento propria- mente dito teve início.

A carreira de Alvise de Cadamosto é, sobretudo, exemplificati- va da forma como os navegadores que participaram nos Desco- brimentos nem sempre eram portugueses. De facto, Cadamosto era já um experimentado navegador veneziano na altura em que entrou ao serviço do infante D. Henrique. Contudo, e conforme afirmou, foi mais longe do que qualquer outro navegador vene- ziano, tendo acabado por colher os benefícios económicos da sua ousadia.