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Samlet vurdering av gytemulighetene og produksjonskapasitet

Uma das características peculiares ao rádio é que ele mexe com o imaginário do ouvinte e despertar a sua curiosidade. Às vezes o interesse não é propriamente pelo que o locutor está oferecendo, mas pelo desejo de confrontar a imagem que o ouvinte tem com a do personagem real. Quando se trata de uma mensagem religiosa, a tendência é de que a identidade com o locutor seja maior, pois ele fala de necessidades e dificuldades que alguns ouvintes estão eventualmente passando. Isso faz com que a expectativa em conhecer pessoalmente o pregador aumente e, assim que possível, encontre-se com aquela pessoa com quem já tem “intimidade”, pois o pregador é “conhecedor” de seus problemas, afinal, ele fala sobre eles no rádio. Esse é o lado emblemático do rádio, o apresentador consegue interagir com o ouvinte e gerar nele uma contemplação daquilo que não enxerga e que apenas o tem em sua imaginação. Principalmente se o que ele oferece é um milagre de cura das doenças que estão afligindo a pessoa, ou alguém com quem ela tem vínculos afetivos. Acerca da capacidade encantadora dos sons hertzianos diz Brenda Maribel:

A radiotransmissão teria a capacidade de mediar, técnica e discursivamente, o popular, pois falaria a mesma linguagem dos migrantes, das donas de casa, dos operários.

Nesse sentido, o rádio é um meio que preenche o vazio dos aparelhos tradicionais na construção de sentido e na resignificação da vida cotidiana. Essa interpretação coloca-se na linha oposta daquelas leituras que fazem dos meios de comunicação meros instrumentos de dominação ideológica a serviço exclusivo da manipulação das massas receptoras. (DÁVILA, 2005, p. 211).

Manoel de Mello se projetou socialmente como o pregador de curas divinas ao fazer uso da radiodifusão para apresentar programas, que consecutivamente, atraíam multidões para as concentrações religiosas que eram organizadas nos mais diversos lugares, inclusive locais públicos, além de aproximar o pregador-loucutor dos ouvintes. Como diz Campos, “o rádio permite uma perfeita sintonia entre a mensagem oralmente pregada e a existência de uma civilização pré-letrada.” (CAMPOS, 1999, p. 126). O encurtamento da distância entre Mello e seu ouvintes, não apenas ocorreu no campo da radiodifusão, como também na sua

popularidade, pois se tratava do missionário que estaria reunindo as pessoas em locais de fácil acesso, onde os moradores da periferia podiam encontrá-lo e receber suas orações. Fatores como este tornaram Mello popular entre evangélicos das mais diversas agremiações e católicos.

2.1.1 O Reconhecimento da sociedade: uma multidão o seguia

No primeiro ano de programação no rádio já era possível notar a popularidade de Mello, pois os espaços de cultos diários não estavam comportando o afluxo de pessoas para atendimento pastoral. Tendo em vista essa demanda, houve a necessidade de providenciar um local maior.

O atendimento ao povo passou a ser feito no centro da cidade, na Galeria Prestes Maia, onde também eram realizados cultos. Manoel de Mello estabelecia ali o centro de todas as atividades do movimento e durante o dia recebia, junto com vários pastores, centenas de pessoas que procuravam socorro espiritual. As pessoas formavam imensas filas na rua e aguardavam para assistir a um dos vários cultos realizados para atender a todos que para lá se dirigiam. (MELLO, 2006, p. 33)

À medida que aumentava a audiência dos programas na Rádio Tupi, crescia o número de seguidores do movimento religioso pentecostal “melleano” 61. Diariamente iam ao ar os convites para as concentrações de curas e milagres, onde o locutor anunciava: “Deus vai operar um milagre em sua vida”. O evento marcado para o Estádio do Pacaembu, em maio de 1958, portanto dois anos depois do programa estar no ar, foi a maior demonstração de popularidade de Mello e seu programa, pois ele não apenas conseguiu atrair os ouvintes para a referida concentração como também as autoridades da cidade, entre elas o prefeito Adhemar de Barros. Read faz a seguinte afirmação:

61 Chamamos de “movimento religioso pentecostal Melleano” a Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para

Cristo, pois nos primeiros anos era apenas um movimento pentecostal liderado por Manoel de Mello que tinha como sonho “ganhar o Brasil para Cristo”. Portanto, não se trata de nenhum desprezo ao grupo, tão pouco a seu líder. Basta ver que os metodistas são, até hoje, chamados de Wesleyanos, os Presbiterianos de Calvinistas, etc.

Alguns políticos começaram a observar que Manoel de Melo estava ganhando grande número de adeptos, constituindo-se estes, em eleitores em potencial. Um poderoso político do Estado de São Paulo, o Sr. Ademar (sic) de Barros, fêz-lhe algumas propostas, presenteando o mesmo com uma propriedade, grande terreno, para a construção do templo. Falou abertamente dessa generosidade política, nos seus programas de rádio, de forma que cinco milhões de ouvintes, segundo sua estimativa, ficaram bem a par do donativo, com o apêio para participarem de enérgica campanha pró- construção de um templo tipo-tabernáculo. Durante a construção dêsse templo, Ademar (sic) de Barros, que tinha todo o apoio de Manoel de Melo à sua campanha para Presidente da República, passou a ser severamente criticado pelos católicos. Ameaçaram arruiná-lo politicamente nas eleições seguintes, se não tomasse a propriedade de volta e não pusesse fim à essa união com Manoel de Melo. (READ, 1967, p. 154)

2.1.2 O carisma de Mello: o povo atendia seus apelos

Uma das características dos líderes pentecostais da primeira onda é o carisma. Eles precisavam conquistar a confiança e credibilidade do grupo (MARIANO, 1999). No entanto, não se pode restringir esta característica aos primórdios representantes do avivalismo americano, pois Mello e seus contemporâneos, da segunda onda, valeram-se deste predicado pessoal, para arrebanharem novos seguidores e estabelecer seus grupos religiosos.

Os resultados alcançados pelo movimento da OBPC, a partir dos anos 50, não podem ser atribuídos somente ao carisma de Mello e à sua presença no rádio para pregar mensagens religiosas, pois se assim fosse outros tantos religiosos que tinham programas radiofônicos teriam elegido candidatos de suas agremiações. 62 Entretanto, não se pode negar que, sem o rádio ele não teria aparecido para o público e, consecutivamente, conseguido apoio popular para o seu candidato. Para fazer sucesso era necessário, além do meio de comunicação eficiente, um bom produto que atendesse às expectativas dos consumidores, um público “consumidor” apropriado para o referido “produto” e um comunicador que conseguisse transmitir credibilidade. Sobretudo, era necessário ser carismático para conseguir conquistar o público e atraí-lo para os locais onde eram realizadas as concentrações. Mello foi um dos comunicadores radiofônicos carismáticos que surgiram nos anos 50. Até entrar para o rádio não passava de um desconhecido para maioria da população, e com a projeção que este meio proporcionou, ele conseguiu, com seu “jeitão”, cair na graça do povo. “O carisma de Manoel

62 Conforme constatou Campos, já havia outros grupos religiosos que tinham programas radiofônicos, nos ano

50, entre eles Eurico Matos Coutinho da Igreja Apostólica, Alziro Zarur da Legião da Boa Vontade e o Pe. Donizete vigário da cidade paulista de Tambaú. (CAMPOS, 1997)

de Mello era contagiante, pregava com eloqüência e as pessoas procuravam pelos lugares onde ele estaria lotando auditórios e praças públicas para ouvir a sua palavra e receber sua oração” (MELLO, 2006, p. 39).

A principal característica do ministério de Mello, que o projetou nacionalmente, foi a sua proposta religiosa que ia ao encontro, sobretudo, da massa pobre dos grandes centros urbanos. Contava com o rádio que era um meio de comunicação eficiente e que alcançava diversas camadas da sociedade, acrescentando a isto o fato de ele ter se revelado como um comunicador carismático. Fazendo uso de sua imagem de homem público e da credibilidade que possuía junto aos ouvintes, que podiam ser aferidas no afluxo de pessoas que respondiam às convocações que ele fazia, através do rádio, que levavam os fiéis a comparecerem em um determinado local para celebração de cultos de curas e milagres. O povo atendia seu apelo e lotava os locais como cinemas, praças públicas, etc. (MELLO, 2006)

As pessoas que conviveram com Mello afirmam que ele era simpático e sabia como conquistar o respeito e o carinho das pessoas com quem se relacionava, principalmente se fosse de seu interesse. O então evangelista da Igreja Apostólica, Levy Tavares, conta que quando foi pela primeira vez a um culto na Igreja OBPC no ano de 1959, ficou surpreso com a maneira carinhosa com que Mello o recebeu. Estava ele assentado entre as pessoas nos últimos bancos quando foi surpreendido pela apresentação e pedido para que ele fosse conduzido à tribuna. Assim narra Tavares. “Está entre nós um grande e abençoado Evangelista, a quem eu convido para vir ao púlpito nos dirigir uma palavra de saudação. Peço para o Pastor Arthur de Mello ir buscá-lo e trazê-lo ao altar.” (MELLO, 2006, p. 78). A forma com que foi recebido por Mello levou Levy Tavares a trocar de agremiação religiosa e passar a fazer parte dos admiradores e seguidores do movimento melleano.