4 Tematisk vurdering av Hovatn Aust vindkraftverk
5.3 Samlet vurdering av økonomi og virkninger som er vektlagt av NVE
A apresentação dos resultados visa responder aos objectivos específicos definidos, com o propósito de aprofundar o conhecimento acerca das redes sociais pessoais das crianças e jovens institucionalizados, dando particular relevância ao papel desempenhado pelas fratrias.
Segundo O’Connor et al (2000), 6 meses de institucionalização é o ponto de corte a partir do qual a qualidade do desenvolvimento tende a ser comprometido. Neste estudo, os resultados revelam a existência de um contingente expressivo de crianças acolhidas por um tempo que extrapolou em muito o que os autores recomendam.
Para as crianças, a primeira rede de apoio social é a família (Ptacek, 1996). De facto este foi um resultado visível neste estudo, uma vez que o grupo da família aparece em maior percentagem ( = 3,63; DP= 2,46). Este resultado pode ter a ver com a expressão, pelas crianças/jovens, de sentimentos positivos relacionados com a família, em especial com a mãe, reflectindo uma super valorização e idealização da família (Rizzini & Rizzini, 2004).
A entrada em meio institucional proporciona um leque de relações novas, fazendo da instituição o seu principal ambiente (Yunes, Miranda & Cuello, 2004). Neste estudo o quadrante da instituição é o segundo mais representativo (n=22), não descartando o facto de este grupo se apresentar sub-representado. Sabe-se que mesmo que a entrada na instituição esteja associada a conflitos e sofrimento, as instituições podem proporcionar um espaço seguro e protector, acolhendo e orientando as crianças/jovens num momento em que possivelmente não houve mais ninguém a quem recorrer. (Arpini, 2003).
Alarcão e Sousa (2007) consideram que as redes podem ser pequenas (0 a 5 membros), médias (6 a 11 membros) e grandes (mais de 11 membros). Atendendo a estas referências, pode considerar-se que as redes destas crianças/jovens são pequenas, uma vez que o número médio de pessoas referenciado na rede é 5 elementos.
As redes destas crianças/jovens tendem a ser dispersas (73,3%), isto é, as várias pessoas que integram as redes não se conhecem entre si, embora possa haver alguns sujeitos interligados, nomeadamente a nível familiar. Alarcão e Sousa (2007) referem que neste tipo de rede, as relações são pouco consistentes e duradouras, o que a torna pouco efectiva.
A nível da composição as redes em causa tendem a incluir 2 quadrantes. Isto, segundo Alarcão e Sousa (2006) torna a rede menos eficaz e flexível, uma vez que gera menos opções ao nível de recursos comparativamente com redes mais alargadas. Um dado curioso centra-se no facto de nenhuma criança/jovem referir pessoas significativas a nível da vizinhança. A vizinhança pode assumir-se como mais um ambiente, onde a pessoa focal pode desenvolver actividades ou interagir com outras pessoas. A ausência de pessoas neste quadrante indica uma frágil interacção com a comunidade na vida destas crianças. Este resultado é corroborado com o estudo realizado por Silva (2004), que constatou que apenas 6,6% das crianças/jovens em regime de acolhimento dispunham de
37 recursos da comunidade. A falta de interacção com pessoas de outros microssitemas pode reforçar os aspectos macrosssistémicos relacionados com a institucionalização, que estigmatizam as crianças (Arpini, 2003).
No que respeita a dispersão, os resultados apontam que aproximadamente 50% das pessoas significativas indicadas moram na mesma terra, sendo que a família é o grupo que apresenta uma maior percentagem (17,2%) de pessoas a viver a mais de 50 km da criança/jovem. Este resultado sugere que a maior distância entre as crianças/jovens e a família pode dificultar a acessibilidade aos vínculos e ao apoio por eles oferecido (Alarcão & Sousa, 2007).
Em relação ao grau de homogeneidade/heterogeneidade verifica-se a predominância de elementos do sexo feminino da rede destas crianças. Por outro lado, a média de idades da rede, sendo de 26 anos, revela-se bastante superior à média de idades dos inquiridos (14 anos). Ainda assim, Alarcão e Sousa (2007), referem que esta característica estrutural se revela mais útil apenas em redes caracterizadas por uma forte homogeneidade (como é exemplo as redes marcadas pela importância da raça, da migração, da doença física ou mental, do envelhecimento, da toxicodependência, de crenças religiosas ou outras e da não aceitação das regras).
No que respeita a multidimensionalidade é de salientar que o número mínimo de apoios assegurados pela instituição é 0. Quer isto dizer que são identificadas pessoas significativas da instituição, pese embora estas não disponibilizem qualquer tipo de apoio à criança/jovem acolhido. A própria relação com os técnicos da instituição desempenha um papel central na vida das crianças acolhidas (Bazon & Biasoli, 2000). Este resultado pode ir de encontro à ideia de Zeanah et al (2003) que referem que crianças que estão aos cuidados de uma instituição por vários anos, provavelmente são poucos os adultos com quem poderão construir uma relação afectiva e duradoura, muitas vezes associada à rotatividade das técnicas e das práticas de cuidado colectivo marcadas pela impessoalidade.
Quanto à frequência dos contactos, os resultados mostram que 37% das pessoas significativas estão diariamente com estas crianças/jovens, sendo que é com os colegas que estes estabelecem um contacto mais assíduo. Brito e Koller (1999) refere que o grupo de pares desempenha um papel de fonte de apoio, relacionado com a manutenção do bem-estar ao longo do desenvolvimento das pessoas. Acrescentam, ainda, que as relações afectivas com os mesmos são fortuitas, uma vez que se oferecem como um conjunto de recursos pessoais e sociais que diluem os efeitos negativos de situações adversas.
Nos apoios assegurados pela rede, é possível perceber que o apoio emocional é o mais fornecido (66,9%) sendo que são os amigos quem mais fornece este apoio (84%). Wills, Blechman e McNamara (1996) reforçam que os tipos de apoio mais relevantes para os adolescentes são o emocional e o instrumental, sendo que este é o mais efectivo para reduzir os efeitos negativos de uma situação adversa. Por outro lado, o apoio técnico é o apoio menos oferecido pela rede (3,6%). Quando nos debruçamos sobre a reciprocidade, verificamos que o apoio mais retribuído pelas crianças/jovens
38 é, igualmente, o apoio emocional (61,9%). Este apoio é muito importante, pois a troca de apoio entre a pessoa focal e a pessoa significativa tende a desenvolver relações mais fortes e continuadas no tempo (Sousa, 2005 cit in M. Alarcão & L. Sousa, 2007).
Importa desde já referir que é pouca a investigação que se centra na percepção que as crianças e jovens têm das relações com os irmãos (Connor, 2005).
Da análise das entrevistas, foi possível verificar que algumas crianças desconhecem o motivo de os irmãos estarem noutro contexto, seja na família biológica ou em família adoptiva. Isto não parece estranho uma vez que já Washington (2007) referiu que as crianças quando são retiradas do contexto familiar, não recebem justificações por parte dos adultos para essa separação.
As crianças/jovens tendem, na sua maioria, a referir os irmãos como uma fonte significativa de apoio. De facto, este resultado vai de encontro à ideia proposta por Shlonsky, Bellamy, Elkins & Ashare (2005) em que as relações entre irmãos desempenham um papel preponderante, em que e relação entre estes pode realçar-se em contexto de maus-tratos e de acolhimento. Mais do que isso, a maioria das crianças/jovens quando referiam a importância da presença dos irmãos, faziam alusão ao sentimento de pertença familiar. Este resultado é corroborado pela ideia de James, Monn, Palinkas & Leslie (2008) que referem que os irmãos têm um papel crucial para as crianças em acolhimento, nomeadamente, para a manutenção do sentido de continuidade familiar. Também, Tarren-Sweeny & Hazell (2005) referem as crianças depositam confiança nos irmãos enquanto fonte de apoio no momento de acolhimento.
De facto, as crianças/jovens tendem a fazer uma apreciação positiva dos irmãos conjugada com uma ligação segura entre eles. Este dado é importante no sentido em que Sanders (2004) confirma que para muitas crianças o relacionamento entre irmãos pode promover a resiliência e diminuir o impacto de circunstâncias adversas, como pode ser o caso do acolhimento residencial.
A partir do discurso das crianças/jovens foi possível verificar que a presença dos irmãos na instituição fornece um suporte natural e sentido de estabilidade e pertença. Neste sentido, também Shlonsky, Bellamy, Elkins & Ashare (2005), que a presença prolongada de irmãos pode ser fundamental para a manutenção do sentido de segurança.
Por outro lado, Linares, Li, Shrout, Brody & Pettit (2007) reforçam que pouco se sabe sobre os aspectos/características das relações fraternas que podem ser alterados com a institucionalização. No estudo presente, foi possível verificar que a alteração da relação com os irmãos pode ser justificada pela perda de proximidade, associada à perda de contacto com os irmãos, ou pelo aprofundamento dos laços, em que os irmãos se tornam mais íntimos e próximos.
Por fim, as crianças/jovens realçam o desejo de estar com os irmãos, uma vez que estes lhes oferecem grande apoio emocional associado a um sentimento de pertença familiar. Este resultado confirma a ideia de James et al (2008) que refere a importância dos irmãos para as crianças em acolhimento, nomeadamente para a manutenção do sentido de continuidade familiar.
39 cada vez mais a preservação das relações fraternas em acolhimento, o que se revela, inevitavelmente, favorável, atendendo ao discurso das crianças/jovens inquiridos, uma vez que na sua maioria destacam o papel preponderante dos irmãos no seu processo de acolhimento.
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Conclusão
Este estudo reforça a importância que as crianças/jovens atribuem aos irmãos. De forma genérica, os irmãos são sempre referidos como uma fonte de apoio e suporte importantes, tendo um papel facilitador no processo de acolhimento residencial.
Um outro dado interessante centra-se no número reduzido de elementos que comporta as redes sociais pessoais desta amostra, o que pode revelar uma fragilidade ao nível das estratégias utilizadas para fomentar os relacionamentos destas crianças/jovens.
Mais, é necessário dar destaque ao quadrante dos vizinhos, uma vez que este foi o único, que não apresentou elementos.
Salienta-se, assim, a importância de um novo “olhar” sobre as políticas de acolhimento, com particular relevância para o acolhimento conjunto de fratrias, uma vez que estas se revelam uma fonte de apoio tão significativo.
Espera-se com o presente estudo contribuir para uma visão mais crítica da realidade dos regimes de acolhimento. Mais do que isso, gostaríamos de acreditar que com este estudo podemos despertar o interesse para novas investigações na área do acolhimento conjunto de fratrias, dando particular interesse à percepção das crianças/jovens sobre o mesmo.
Uma das principais limitações deste estudo prende-se com o tamanho reduzido da amostra. Ainda, o facto de o grupo de crianças/jovens com irmãos no mesmo lar ser superior ao número de crianças/jovens sem irmãos no mesmo lar.
Num estudo com uma amostra maior, seria pertinente dar “a palavra” a crianças e jovens que têm irmãos em regime de acolhimento. Neste sentido, e “saindo fora” da instituição, poder-se-ia conhecer o ponto de vista e, mesmo, a percepção dos destes em relação à situação de acolhimento dos irmãos.
É de referir, ainda, a importância do investimento em cursos de formação para os técnicos que diariamente acompanham estas crianças e jovens, no sentido de se proporcionar uma melhoria das condições de atendimento a esta população, sabendo que a satisfação profissional está relacionada com a qualidade do trabalho desempenhado.
Pensamos que a mais valia deste estudo se associa ao poder “ dar voz a estas crianças e jovens” que tantas vezes são silenciadas.
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