4.2 Funn fra den vertikale analysen
4.2.5 Samlebetegnelsene
Acreditamos que é importante para nossa investigação também salientar como os gestores identificavam e percebiam as expectativas do educandos da EJA quanto à participação e inserção no projeto-piloto. Destacamos em algumas de suas falas o que os entrevistados percebem sobre as expectativas do curso para esses estudantes integrantes do projeto.
[...] acho que eles [aos alunos] não tinham noção daquilo que tinha sido proposto e daquilo que eles estavam vivendo. [...] Para a formação humana acho que valeu muito. (PEDADOGA 1).
O aluno, desde o momento em que ele pisa aqui [na escola], desde o momento dos primeiros dias de aula, ele já sente uma diferença no trabalho dele. Ele percebe que a letra dele tá melhorando, que ele está aprendendo a falar direito, que ele está tendo conhecimentos sobre aquelas continhas de matemática, que ele não sabia fazer, que ele já começou a fazer. Então ele já cria uma expectativa de trocar por um trabalho melhor ou até de ter uma promoção lá no trabalho dele. (DIRETOR 1).
Assim, fica evidente a expectativa dos educandos diante da possibilidade de concluir o ensino fundamental e como essa aprendizagem influencia em sua condição de/no trabalho. Outro depoimento importante é o da Estagiária sobre o interesse demonstrado pelos alunos acerca das aulas:
[...] estavam interessados, realmente interessados, tinham aqueles que tinham interesse [nas aulas e nos conteúdos]. Eles pesquisavam na internet algo, quando eles ouviam alguma notícia que tinha a ver com a matéria, eles diziam: “Que lindo! Que bacana! Realmente tem a ver com aquilo que você [estagiária] explicou.” (ESTAGIÁRIA).
Para retratar melhor o interesse e seriedade dos alunos com o curso, destacamos um trecho da entrevista em que ela conta sobre um aluno mais velho que tentava conscientizar os colegas sobre a importância do curso:
Um senhor, mesmo que tinha uns... Acho 60 anos, ele corria atrás. Sabe? Falava assim, que na idade que ele tava, pra ele conseguir emprego, uma coisa assim... Era mais difícil, tanto que ele buscava o conhecimento, entendeu? (ESTAGIÁRIA).
[Reprodução da fala do aluno com os jovens que não queriam estudar] “Gente, vocês sabem a oportunidade que tão perdendo? (Sobre o curso). Acho que abre a mente das pessoas né?”, pra ela [estudante] ter uma visão do mundo do que tá acontece aqui fora. (ESTAGIÁRIA).
Outro entrevistado salienta, no trecho a seguir, a autoestima mais elevada que alguns alunos demonstraram, proporcionando mudanças na vida pessoal, no emocional deles:
Quando a gente conversa com as pessoas [os educandos] e elas falam da importância pra autoestima, pra vida delas, que mudam totalmente, às vezes sai daquele ambiente depressivo [casa, trabalho, etc.]. Elas falam que viviam doentes, depois que eles voltaram a estudar... Então os relatos são tão emocionantes. (PROFESSORA DE PORTUGUÊS).
A dirigente entrevistada, que fez parte da equipe na gestão do governo anterior, também avaliou a importância do curso para os educandos.
Eles [os educandos] retornam... tão concluindo [curso], tem gente que fala que deu conta da física, então a gente [educadores] contribuiu com o que eles já sabiam, porque o adulto sempre tem uma bagagem,qualquer um tem. Mas o adulto pela experiência de trabalho, de vida. [...] [Eles contam] por que eles estão dando certo... Contam sobre o ensino médio [...] apesar de todos os percalços [no curso]que nós tivemos [...]. (DIRETORA 2).
Entretanto, nem tudo eram “flores” no caminhar do projeto. Ainda que seu diferencial tenha sido apontado inúmeras vezes, alguns percalços estavam presentes na organização e estruturação desse tipo de atendimento escolar. No final do curso, como relatado pela Professora de Português, muitos educandos se sentiram “traídos pelo Poder Público”, porque não viram as “promessas” do governo sendo cumpridas50. Porém, isso não tirou a importância de frequentar tal curso, já que muitos tiveram, a partir desse atendimento, uma continuidade em sua trajetória escolar.
50
Segundo alguns educadores entrevistados, essas promessas diziam respeito aos vales-transportes, a melhoria da sala de informática entre outras.
Mas, eu soube que alguns poucos pararam de estudar, a maioria que formou fez o ensino médio. Alguns fizeram curso técnico. Tem uma que até... Não lembro, esqueci o nome dela, encontrei com ela no Big Shopping, tava fazendo Psicologia. Isso é legal! E tem mais alguém que tava fazendo Turismo, não sei onde. (PROFESSORA DE PORTUGUÊS).
Ainda nesse contexto, da importância do curso para os educandos, a Gestora 1 diz que na sua percepção:
Era uma qualificação que era possível construir uma carreira ou não. [...] Então, é essa oportunidade de experimentar, é muito interessante quando você pega o trabalho como eixo, porque você pode ter o eixo do trabalho
não só pra profissionalizar, mas pra, enquanto elemento da vida, e tá lá presente no currículo do ensino fundamental. Acho que isso ajuda muito a
ter perspectiva de futuro e eu acho que é o que movimenta as pessoas. Se ele não tem perspectiva de futuro, se ele não tem projeto, se ele não tem meta, aí ele fica meio que nessa lacuna. É que as políticas públicas agora estão se dando conta disso. Acho que é isso. (GESTORA 1, grifo nosso).
As políticas públicas devem caminhar para reconhecer as necessidades dos sujeitos, principalmente quando falamos sobre o atendimento educacional. No caso desses gestores, havia a percepção da importância de se efetivar ações governamentais, trabalhando a formação técnica, porém eles não tinham a autonomia suficiente para fazer o projeto se ampliar. De acordo com o Gestor 2:
Nós não tínhamos negativas de quem controlava o dinheiro. De quem tinha o poder decisório dentro da secretaria. [...] em conversa com o secretário [de Educação], ele nunca falou assim: “Olha! Gente, não vamos fazer. Não é legal.” Ao contrário, existia um incentivo. (GESTOR 2).
Percebemos nesse depoimento que havia um indicativo de outros membros da gestão pública quanto ao financiamento para se efetivar o projeto. Na análise documental, também recuperamos alguns ofícios, em que esses gestores encaminhavam os pedidos de recursos para atender ao projeto. Porém, segundo os próprios gestores, a EJA não era prioridade nos orçamentos.