• No results found

Samla bidrag

In document Vestnorsk fjordlandskap og Vegaøyan (sider 42-100)

7. Økonomiske konsekvensar av tiltaksplanen

7.5 Samla bidrag

Tendo em conta que os/as jovens tendem a aprender sobre sexualidade a partir de diferentes instâncias e não apenas de uma, retirando o conhecimento que consideram adequado de cada uma delas, para construir as suas representações e experimentar a sua sexualidade, e que parte destes/as jovens recusam ter aprendido sobre sexualidade através dos vários meios expostos anteriormente, não é pois de estranhar que vários/as jovens refiram (também, ou apenas!) aprender sobre sexualidade através da “experiência da vida”, isto é: à medida vão tendo as suas experiências, sobretudo com os/as

193 Estes dados vão de encontro aos resultados de Johansson (2007), que dão conta da existência de jovens homens que consideram a visualização de pornografia como suja, quase nojenta.

194 Também Holland et al. (2004 [1998]) referem que o consumo da pornografia é uma característica do início da adolescência, que é partilhado em grupo. As autores mostra ainda como vários jovens homens, entrevistados por elas, são críticos do material pornográfico, enquanto que outros dizem que começaram a sentir-se fartos da pornografia à medida que foram crescendo, que deixaram de sentir necessidade desta e/ou que começam a entrar em relacionamentos sexuais e amorosos “sérios” e duradouros. Contudo, Holland et al. (2004 [1998]) salientam ainda que, apesar desta dissociação de alguns jovens homens relativamente à pornografia, esta é uma característica largamente difundida da sua cultura, de modo que estes têm que fazer sentido desta, assim como tomar consciência de que os seus pais e irmãos também participam no seu consumo e distribuição.

155

(diversos/as) parceiros/as, o que leva Holland et al. (2004 [1998]) a argumentarem que esta é a fonte principal de aprendizagem que os/as jovens têm sobre sexualidade.

“Experiencia própria, relacionava-me [...] com uma ou outra namorada. Só com o passar do tempo, com as experiências novas todos os dias. Porque todos os dias a gente está a aprender logo ai, foi ai que eu tive o conhecimento.” (Guilherme, 25 anos, 12º ano, administrativo)

“Com o companheiro é uma troca de experiências e cada um ensina ao outro o que gosta o que tem para ensinar ao outro e acho que vamos aprendendo um bocado por aí. Se calhar é a maneira mais certa de aprender, não sei.” (Isabel, 25 anos, estudante do ensino superior)

Ora, se vários/as jovens referem aprender sobre sexualidade com a experiência pessoal, ou seja, há medida que vão experimentando os atos sexuais, já a comunicação sobre sexualidade com os/as parceiro/as pode ser mais problemática. Embora alguns/algumas autores/as refiram que os/as parceiros/as são agentes privilegiados de comunicação sobre a sexualidade (Pais, 1996b; Vasconcelos, 1997; Vilar, 2001; Vilar e Ferreira, 2009), para alguns/algumas jovens esta comunicação pode não existir, o que parece dar conta da manutenção da dificuldade do diálogo à volta deste assunto (ver, por exemplo, Holland et al., 2004 [1998]; Marques, 2006; e Vilar, 2001).

Contudo, a maior parte dos/as jovens refere falar alguma coisa sobre sexualidade, embora nem sempre com os/as mesmos/as parceiros/as, nem nas mesmas fases da relação195. Apesar destas variações, a quantidade de jovens que refere falar sobre contraceção com os/a(s) parceiros/a(s) não deixa de indicar, indiretamente, um certo êxito do discurso medicalizado relativamente às questões de saúde sexual e reprodutiva, nomeadamente no que diz respeito às práticas de sexo seguro, e, por conseguinte, do uso de contracetivos: “Falamos facilmente dessas situações. A nível de contraceção. Basicamente, como ela toma a pílula, quando toma, toma; quando não toma, avisa” (Henrique, 25 anos, licenciatura, bancário).

Um dos aspetos mais referidos na literatura (ver, por exemplo, Holland et al., 2004 [1998]) sobre o uso de contraceção diz respeito às questões de poder entre homens e mulheres, e, neste sentido, à dificuldade que muitas mulheres, nomeadamente jovens raparigas, terão em pedir ao companheiro que use o preservativo. Fazer este pedido poderá pôr em causa a sua reputação, com a desconfiança que terão tido já vários parceiros sexuais, ou mostrar desconfiança perante a reputação do parceiro, relativamente à sua fidelidade, especialmente numa relação “séria” e duradoura”. Mas tal como mostram Holland et al. (2004 [1998]), não há regra sem exceção, e algumas das jovens mulheres

195 Neste sentido, pode falar-se com alguns/algumas parceiros/as, sobretudo com os/as parceiro/as com quem os/as jovens se sentem mais à vontade e têm maior confiança, mas nem sempre com todos/as; ou falar-se sempre, apenas no início ou só no decorrer da relação (por vezes fala-se no início, sendo que a necessidade de falar vai diminuindo; outras vezes, embora menos frequentemente, há medida que se vai ganhando mais confiança na relação vai-se falando mais).

156

mostram sentir-se capacitadas para pedir aos companheiros que utilizem preservativos e/ou que façam o teste do VIH/SIDA196.

“No princípio tinha mais vergonha. [...] Mas [...] quando eu estava mesmo para estar com alguém, tinha que lhe dizer: “olha, é assim, desculpa lá, mas eu sem preservativo não faço, não vale a pena”. Pronto lá havia sempre aquela coisa do pôr o preservativo. E nunca houve esse: “à não gosto, à não uso”, “não usas, olha meu amigo, desculpa lá vais à tua vida que eu vou à minha, que assim não dá”. [...] [Para ter relações sexuais] Temos que nos sentir à vontade para perguntar [...] como eu fiz ao F., “não te quero ofender, mas tens feito análises?” (Vera, 23 anos, 11º ano incompleto, empregada de restaurante)

Neste contexto, é necessário sublinhar, mais uma vez, a importância do recurso ao humor para falar dos assuntos “sensíveis” da sexualidade, e assim subverter as relações de poder e os constrangimentos. Algumas, destas jovens mulheres referem, assim, que “em tom de brincadeira” conseguem fazer valer a sua vontade: “Olha, sempre em tom de brincadeira, mas sim. Ou seja, sem estar ali a pressionar ou eles a pressionarem, mas sim. E acabei por levar sempre a minha avante, nunca tive problemas.” (Carolina, 22 anos, licenciada, empregada de loja/barmaid). Mais uma vez pode ver-se como o uso do humor facilita a comunicação sobre a sexualidade, tornando mais “leve” um assunto em que existe ainda alguma dificuldade de diálogo aberto.

Foi então possível constatar que a comunicação sobre contraceção entre parceiros/as é uma realidade para vários/as dos/as jovens entrevistados/as, embora nem sempre fácil, fluída, frequente e/ou contínua, tal como se viu em pesquisa anterior (Marques, 2006), podendo variar conforme os/as parceiros e/ou ao longo da trajetória de vida. Mas nem só de contraceção se fala entre parceiros/as. A procura de conhecimento dos gostos do/a parceiro/a e o dar a conhecer dos seus próprios gostos e desejos fazem também parte do diálogo entre os/as parceiros/as, indicando, por um lado uma maior abertura à sexualidade e aos seus aspetos mais hedonistas (especialmente para as mulheres), e por outro a importância, pela menos a um nível discursivo, da intimidade revelada (Jamieson, 2005 [1998]) e da relação pura (Giddens, 1996), nomeadamente no que diz respeito à igualdade, ao conhecimento profundo do/a outro/a e à comunicação entre parceiros/as. Assim, entre parceiros/as, fala-se de fantasias sexuais, por exemplo, dos sítios onde se gostava de ter relações sexuais, dos atos e/ou das posições sexuais que se gostava de experimentar; procurando saber-se o que o/a parceiro/a gosta, em matéria de sexualidade, numa expressão clara da importância que a satisfação mútua adquire atualmente no relacionamento do casal. A abertura da comunicação entre o casal, em matéria de sexualidade, é percebida como intensificando a própria relação (sexual) e, deste modo, o prazer que se obtém desta.

196 A questão da utilização de contracetivos entre lésbicas está frequentemente ausente da literatura, nomeadamente, sobre a prevenção do VIH/SIDA (ver, por exemplo, Richardson, 2000). No caso das jovens autoidentificadas como lésbicas, neste estudo, a questão também não foi referida ou foi mencionada como não sendo algo que lhes diz respeito.

157

In document Vestnorsk fjordlandskap og Vegaøyan (sider 42-100)