Sendo a área dos aprovisionamentos uma área que envolve muitos investimentos e que representa uma fatia muito importante nos orçamentos hospitalares, será mais do que adequado, exigível, que os órgãos de gestão dediquem uma particular atenção e empenho, aos elementos que lhes possam ser fornecidos e que perante a sua dimensão e significado actuem.
Para identificar o comportamento dos órgãos de gestão dos hospitais respondentes, questionou-se aos serviços de aprovisionamento sobre a sua opinião quanto ao grau de empenho que denotavam nos órgãos de gestão. Na opinião de 18 dos respondentes, os seus respectivos órgãos de gestão têm um grau de preocupação, “grande” ou “muito grande” em relação à função gestão de stocks/aprovisionamento (Figura 5.1). Apesar de tudo, apenas 4 deles afirmaram que é “Muito Grande”, o grau de preocupação percebido, o que no entanto pode ser considerado insuficiente, devido à importância que se lhe deveria dar. Apenas 1 hospital afirmou que denota “pequena” preocupação em relação a esta função, por parte dos respectivos órgãos de gestão.
Assim, verifica-se que, relativamente aos hospitais respondentes, a importância que é dada à área dos aprovisionamentos é grande pois os 18 hospitais que referem que o “grau de empenho” percebido é “muito grande” e “grande”, representam 81,82%.
Figura 5.1- Grau de preocupação em relação à função gestão de stocks/aprovisionamento
Ainda relacionado com a questão anterior, é importante saber que tipo de informação é fornecida, sobre os aprovisionamentos, aos órgãos de gestão dos hospitais, assim como a periodicidade com que é realizada. A informação da área dos aprovisionamentos é fornecida aos respectivos órgãos de gestão, “mensalmente” em 19 Hospitais, diariamente em e trimestralmente em 1. Um hospital refere que a periodicidade depende do tipo de informação a fornecer. O tipo de informação fornecida prende-se com “consumos totais”, “gestão de materiais”, “consumos por centro de custos e família de produtos”, “compras” e “concursos”, dados que podem ser observados no Quadro 5.1.
Quadro 5.1- Fornecimento de Informação aos Órgãos de Gestão
Periodicidade
Mensal 19 Diária 1 Trimestral 1
Varia com o tipo de informação 1
Tipo de informação
Consumos Totais 15
Gestão de Materiais 2
Consumos por centro de custos e família de produtos 2
Compras 1 Concursos 1 Todas as anteriores 1 0 14 4 3 1 0 5 10 15
A gestão de topo de qualquer organização, têm um papel muito importante no seu desempenho. Apesar de o desenho organizacional ter algumas limitações (já apresentadas anteriormente), a administração deve ser o motor de uma dinâmica, que, com essas limitações, necessita de muito empenho e “imaginação”. Assim sendo, o grau de empenho que os órgãos de gestão têm relativamente ao serviço de aprovisionamento poderá estar relacionado com o tipo de hospital.
Para abordar esta relação, estudaram-se as variáveis apresentadas anteriormente (o ”tipo de informação que presta ao órgão de gestão”, o “grau de preocupação, que denota por parte do(s) órgão(s) de gestão em relação à função gestão de stocks/aprovisionamento” e “com que periodicidade presta a informação ao órgão de gestão”), e a sua relação com o tipo de hospital.
Uma vez que todas as variáveis eram não dicotómicas, a análise utilizada foi a ANOVA. Para a sua aplicação, verificaram-se os pressupostos subjacentes a esta análise, ou seja o teste de Kolmogorov-Smirnov com correcção de Lilliefors e o Teste de Levene. Apenas uma variável ”tipo de informação que presta ao órgão de gestão”, verificava esses pressupostos e os resultados da análise da ANOVA indicam que o comportamento desta variável, não está relacionado com o tipo de hospital (nível de significância de 5% ou 10%), tal como mostra o Quadro nº II.1 em anexo. Assim, não se pode concluir que a variável “tipo de informação que é prestada ao órgão de gestão” esteja relacionada com o tipo de hospital.
Às variáveis que não respeitavam os pressupostos subjacentes à aplicação da ANOVA, aplicou-se o teste não-paramétrico de Kruskal-Wallis cujos resultados são os apresentados no Quadro nº II.1 em anexo. Os resultados do teste de Kruskal-Wallis, indicam que em face dos dados disponíveis, se não pode afirmar que o comportamento de qualquer uma das variáveis que medem o empenhamento da gestão esteja relacionado com o tipo de hospital.
Convirá, entretanto, notar que se chega a esta conclusão utilizando um nível de significância de 5%. No entanto, se se utilizar um nível de significância de 10% já se constata que a variável “grau de preocupação” é significante. Assim, poder-se-á afirmar
que a variável “grau de preocupação, dos órgãos de gestão, apercebido pelos serviços de aprovisionamento” dos hospitais respondentes, esta relacionada com o tipo de hospital.
Se se efectuar o cruzamento simples destas duas variáveis (“grau de preocupação, dos órgãos de gestão, apercebido pelos serviços de aprovisionamento” e “tipo de hospital”), verifica-se que a maioria dos Hospitais Distritais (10 em 14) tem percepção de que é “grande” o “grau de preocupação dos órgãos de gestão”, os Hospitais Centrais dividem as opiniões entre o “grande” e o “muito grande” e os Centros Hospitalares entre o “mediano” e o “grande” (Quadro 5.2). Pode afirmar-se que é nos Hospitais Centrais que os Serviços de Aprovisionamento têm uma maior percepção do empenho da gestão para as questões relacionadas com o aprovisionamento
Quadro 5.2 – Empenho da Gestão de Topo / Tipo de Hospital
Distrital Central Centro
Hospitalar Total Pequeno 1 1 Mediano 2 1 3 Grande 10 3 1 14 Grau de Preocupação Muito Grande 1 3 4 Total 14 6 2 22 1.3.3 Sistemas da Informação
Porter e Millar (1985) consideram que os gestores têm de compreender que os sistemas de informação são algo mais do que um conjunto de computadores. Estes sistemas devem ser concebidos para conterem de uma forma ampla as informações criadas pelas actividades, assim como devem ser um amplo espectro de sistemas, cada vez mais ligados e convergentes, que processem toda a informação. Todo o conjunto de informação deve servir para provocar e apoiar as decisões a serem tomadas.
Tal como indicam os dados constantes no Quadro 5.1, todos os hospitais respondentes estão dotados de meios informáticos nas áreas do Aprovisionamento. A grande maioria dos hospitais respondentes utiliza os sistemas de informação próprios para as diversas áreas. Um dos hospitais (Hospital Distrital da ARS do Norte) afirmou mesmo que o
Hospital estava completamente informatizado e que existiam ligações entre todos os serviços.
Quadro 5.1 – Sistemas de Informação
Sim Não
Hospital utiliza computadores na área de:
Compras 22 -
Gestão de Materiais 22 -
Utiliza sistemas de informação próprios:
no Processo de Compra 21 1
no Inventário 20 2
na Gestão de materiais 22 -
nos Produtos Farmacêuticos 20 2
no Ambulatório 17 5
no Bloco Operatório 18 4
nos Equipamentos 20 2
O Hospital está completamente informatizado 1 21
Vastag et al. (1993), numa compilação de estudos sobre as Práticas de Gestão da Produção e das Operações, em empresas industriais, em diferentes realidades geográficas, concluíram que só 13,6% das 230 empresas analisadas utilizava meios informáticos, de forma intensiva, 20,3% algumas vezes, 17,9% ocasionalmente eram utilizados e 43,7% nunca utilizavam aqueles meios na área do aprovisionamento.
Dos contactos efectuados com diversos responsáveis dos serviços de aprovisionamento, de alguns hospitais portugueses, foi possível constatar que, em termos de existência de meios tecnológicos, os hospitais portugueses já se encontram razoavelmente apetrechados. O problema surge quando se identifica qual o software utilizado, que em alguns casos é de difícil interpretação. Assim, esta situação poderá justificar a não utilização de sistemas próprios em alguns hospitais respondentes, visto que alguns recorrem a empresas particulares, a fim de efectuarem “um fato à sua medida”.
Horton (1988) considera a informação como um recurso que possui um preço, um valor e que se deve “consumir” ou transformar. Cleveland (1982) afirma que toda a informação para ser considerada como tal deve ser partilhável. Um sistema de informação seja uma aplicação informática ou um conjunto de aplicações informáticas integradas, é constituído pelos recursos de informação (humanos, técnicos e tecnológicos, conteúdos) de uma
organização, região, sector ou país (Barrulas, 1998). Assim sendo, os sistemas de informação poderão estar relacionados com o tipo de hospital.
Para estudar a existência desta relação, e uma vez que a totalidade das variáveis consideradas para analisar a existência ou não desta relação, são dicotómicas (utilização de sistemas de informação próprios: no processo de compra, no inventário, nos produtos farmacêuticos, no ambulatório, no bloco operatório e nos equipamentos), aplica-se o teste do Qui-Quadrado, cujos resultados são apresentados no Quadro nº II.2 em anexo.
Como se pode verificar, nenhuma variável é estatisticamente significante a um nível de significância de 5%. Mas se se utilizar um nível de significância de 10% em lugar de 5% constata-se que a variável “utilização de sistema de informação próprio na área dos Equipamentos” é significante. Os dados levam a concluir que, genericamente, não existe relação entre a utilização de sistema de informação dos hospitais respondentes e o tipo de hospital.
No que diz respeito à utilização de equipamentos próprios por tipo de hospital, e se se analisar em pormenor o comportamento dos diferentes hospitais respondentes, verifica-se que nenhum Hospital Distrital utiliza sistemas de informação próprios na área dos equipamentos (Quadro 5.2). A maioria dos Hospitais Centrais também não os utiliza e os dois Centros Hospitalares respondentes dividem-se, um utiliza e o outro não. Pode pois afirmar-se que, embora poucos hospitais usem equipamentos próprios, são os Centros Hospitalares que comparativamente maior uso fazem deles.
Quadro 5.2 – Utiliza sistemas de informação próprios nos equipamentos / Tipo de Hospital
Não Sim Total
Distrital 14 - 14 Central 5 1 6 Centro Hospitalar 1 1 2 Total 20 2 22