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SAMFUNNSØKONOMISK ANALYSE

In document Optimal vinterdrift? Sluttrapport (sider 44-47)

A pesquisadora responsável pelo estudo entrou em contato pessoalmente com a coordenação da TV universitária e com os

repórteres, para apresentar o projeto de pesquisa e explicar os procedimentos metodológicos que seriam realizados no decorrer da mesma, bem como colher a assinatura do termo de consentimento livre esclarecido por ambas as partes. Esse contato tinha como objetivo despertar o interesse tanto da emissora, quanto dos participantes a realizarem um programa de intervenção fonoaudiológica, com foco na expressividade oral. Nessa ocasião, a pesquisadora enfatizou que essa proposta fazia parte de sua dissertação de mestrado e que teria como foco principal favorecer melhor atuação profissional aos repórteres. Explicou ainda que esse programa seria realizado com periodicidade semanal (seis encontros), com duração e horário estabelecidos em comum acordo entre pesquisadora e repórteres. Os participantes ficaram cientes que qualquer falta que apresentassem durante os encontros não poderia ser reposta, para não prejudicar o andamento da pesquisa, e dessa forma solicitou-se um aviso prévio, caso houvesse possibilidade de não comparecimento. Foi exigida a participação máxima de cada sujeito, tendo em vista que em cada encontro seria abordado um recurso diferente.

Os participantes também foram previamente informados quanto à necessidade de realizar gravações durante os encontros.

Os três repórteres da TV mostraram-se bastante interessados em participar do programa de intervenção fonaoudiológica. No primeiro, terceiro e quarto encontros R1, R2 e R3 compareceram; no segundo encontro apenas R1 faltou, no quinto encontro apenas R2 faltou e no sexto e último encontro apenas R3 faltou.

A pesquisadora, ao final dos encontros, realizava suas anotações acerca do comportamento e das falas de cada participante, na intervenção fonoaudiológica propriamente dita.

A proposta de intervenção fonoaudiológica foi realizada em seis encontros, com duração total de nove horas, que aconteceram às quarta feiras de 16:00 as 17:30, horário que os repórteres saíam da emissora de

TV. Os encontros possuíam cerca de 90 minutos cada um, tempo esse considerado satisfatório para realização das atividades propostas.

A sala, onde os encontros foram realizados, localizava-se ao lado da emissora de TV e era um ambiente silente. Essa possuía um quadro branco com as cadeiras dispostas de forma enfileirada, sendo que durante os encontros a pesquisadora as colocava em forma de círculo, para favorecer a observação entre o grupo, e em relação à mesma.

Durante os encontros, estava presente apenas a fonoaudióloga e os participantes. Essa intervenção, elaborada de acordo com as demandas apresentadas pelo grupo, buscou fazer com que cada repórter aprimorasse suas habilidades comunicativas, mais especificamente seus recursos expressivos, por meio de vivências, práticas e simulações de situações em contexto de fala.

O planejamento da intervenção se baseou na aplicação do questionário, bem como na avaliação realizada pela pesquisadora no momento pré intervenção (explicitado anteriormente em 4.6.2). Durante todo processo de intervenção fonoaudiológica, foram utilizadas estratégias que visassem à percepção de cada sujeito em relação a si e ao restante do grupo. Para tal, áudio vídeo gravações de situações, em contexto simulado de apresentação de reportagem, foram realizadas.

A descrição da intervenção encontra-se noAnexo IX, que detalha e comenta cada encontro.

A Figura 1 explicita os procedimentos metodológicos em ordem cronológica.

Figura 1: Apresentação cronológica dos procedimentos metodológicos desta pesquisa

Contato com emissora e repórteres

Mapeamento do contexto ocupacional e das demandas

+

Avaliação Fonoaudiológica

Coleta de amostra de fala pré intervenção fonoaudiológica

Intervenção Fonoaudiológica (Seis encontros de 90 minutos = 09 horas)

Coleta de amostra de fala pós intervenção fonoaudiológica

Edição do Material

Julgamento

Telespectadores + Fonoaudiólogos

Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da PUC/SP

5 RESULTADOS

As tabelas 1 e 2 explicitam o julgamento do relato de notícia dos repórteres realizado pelos telespectadores.

Os termos mais referidos para justificar a melhora da performance pré e pós intervenção encontram-se na tabela 3.

As tabelas 4 e 5 apresentam os resultados referentes aos grupos com e sem ocupação, respectivamente acertos e erros e termos utilizados para referir a melhora dos repórteres.

Da mesma forma, as tabelas 6, 7 e 8 ilustram os acertos e erros julgados pelas fonoaudiólogas e os termos mencionados pelas mesmas.

Tabela 1- Distribuição numérica e percentual do julgamento das vozes dos repórteres (R1, R2 e R3), considerando os acertos e erros realizado pelos telespectadores. Acertos Erros Combinações n % n % p-valor Pré Pós 51 51,0 49 49,0 Pós Pré 45 45,0 55 55,0 Pré Pré 78 78,0 22 22,0 Pós Pós 78 78,0 22 22,0 R1 Total R1 252 63,0 148 37,0 <0,0001* Pós Pós 83 83,0 17 17,0 Pré Pós 49 49,0 51 51,0 Pós Pré 45 45,0 55 55,0 Pré Pré 76 76,0 24 24,0 R2 Total R2 253 63,3 147 36,7 <0,0001* Pós Pré 58 58,0 42 42,0 Pós Pós 71 71,0 29 29,0 Pré Pós 45 45,0 55 55,0 Pré Pré 72 72,0 28 28,0 R3 Total R3 246 61,5 154 38,5 <0,0001* Total 751 62,6 449 37,4 <0,0001* Teste de Wilcoxon Rank Sum

Tabela 2- Distribuição numérica e percentual do julgamento das vozes dos repórteres (R1, R2 e R3), considerando os momentos pré e pós intervenção fonoaudiológica, julgado pelos telespectadores.

Pré Pós Igual P-valor n % n % n % Pré X Pós Pré pós 19 19,0 51 51,0 30 30,0 <0,0001* Pós pré 11 11,0 45 45,0 44 44,0 <0,0001* R1 Total 30 15,0 96 48,0 74 37,0 <0,0001* Pré pós 8 8,0 49 49,0 43 43,0 <0,0001* Pós pré 8 8,0 45 45,0 47 47,0 <0,0001* R2 Total 16 8,0 94 47,0 90 45,0 <0,0001* Pós pré 6 6,0 58 58,0 36 36,0 <0,0001* Pré pós 14 14,0 45 45,0 41 41,0 <0,0001* R3 Total 20 10,0 103 51,5 77 38,5 <0,0001*

Teste de Wilcoxon Rank Sum * significante

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Tabela 3 - Distribuição numérica e percentual dos termos mais referidos por quem acertou as combinações de vozes, em relação aos repórteres (R1, R2 e R3) julgados pelos telespectadores.

Clareza Credibilidade Segurança Envolvimento Combinações n % n % n % n % P-valor Pré pós 21 41,2 37 72,5 33 64,7 27 52,9 0,0082* Pós pré 21 46,7 28 62,2 22 48,9 25 55,6 0,4464 Pré pré 0 0 0 0 0 0 0 0 - R1 Pós pós 0 0 0 0 0 0 0 0 - Pós pós 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 - Pré pós 16 32,7 32 65,3 31 63,3 24 49,0 0,0038* Pós pré 19 42,2 27 60,0 27 60,0 19 42,2 0,1294 R2 Pré pré 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 - Pós pré 21 36,2 40 69,0 32 55,2 31 53,4 0,0057* Pós pós 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 - Pré pós 13 28,9 32 71,1 32 71,1 24 53,3 <0,0001* R3 Pré pré 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 - Total 111 37,9 196 66,9 177 60,4 150 51,2 <0,0001* Teste de Kruskal-Wallis Rank Sum

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Tabela 4 - Distribuição numérica e percentual dos acertos julgados pelos telespectadores, segundo as diversas combinações em relação aos repórteres (R1, R2 e R3), considerando os grupos com e sem ocupação.

Com Ocupação Sem Ocupação Combinações n % n % P-valor Pré pós 30 60,0 21 42,0 0,0739 Pós pré 26 52,0 19 38,0 0,1627 Pré pré 39 78,0 39 78,0 1,0000 Pós pós 38 76,0 40 80,0 0,6344 R1 Total R1 133 66,5 119 59,5 0,1477 Pós pós 42 84,0 41 82,0 0,7952 Pré pós 26 52,0 23 46,0 0,5531 Pós pré 24 48,0 21 42,0 0,5512 Pré pré 37 74,0 39 78,0 0,6446 R2 Total R2 129 64,5 124 62,0 0,6049 Pós pré 27 54,0 31 62,0 0,4224 Pós pós 35 70,0 36 72,0 0,8299 Pré pós 24 48,0 21 42,0 0,5512 Pré pré 36 72,0 36 72,0 1,0000 R3 Total R3 122 61,0 124 62,0 0,8378 Total 384 64,0 367 61,2 0,3108 Teste de Wilcoxon Rank Sum

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Tabela 5 - Distribuição numérica e percentual dos termos mais referidos por quem acertou as combinações de vozes dos repórteres (R1, R2 e R3), segundo o grupo com presença e ausência de ocupação.

Com Ocupação Sem Ocupação

Cl Cr Se En Cl Cr Se En n n n n n n n n Combinações (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) 17 25 19 18 4 12 14 9 Pré pós 56,7 83,3 63,3 60 19 57,1 66,7 42,9 12 18 12 13 9 10 10 12 Pós pré 46,2 69,2 46,2 50 47,4 52,6 52,6 63,2 0 0 0 0 0 0 0 0 Pré pré 0 0 0 0 0 0 0 0 R1 Pós pós 0 0 0 0 0 0 0 0 Pós pós 8 17 18 12 8 15 13 12 Pré pós 30,8 65,4 69,2 46,2 34,8 65,2 56,5 52,2 9 16 15 10 10 11 12 9 Pós pré 37,5 66,7 62,5 41,7 47,6 52,4 57,1 42,9 0 0 0 0 0 0 0 0 R2 Pré pré 10 17 15 12 11 23 17 19 Pós pré 37 63 55,6 44,4 35,5 74,2 54,8 61,3 0 0 0 0 0 0 0 0 Pós pós 9 20 16 12 4 12 16 12 Pré pós 37,5 83,3 66,7 50 19 57,1 76,2 57,1 0 0 0 0 0 0 0 0 R3 Pré pré 65 113 95 77 46 83 82 73 Total 41,4 72 60,5 49 33,8 61 60,3 53,7

Cl: Clareza ; Cr: Credibilidade ; Se: Segurança ; En: Envolvimento * Significante/ Teste de Kruskal- Wallis Rank Sum

p-valor: com ocupação = <0,0001 sem ocupação = <0,0001

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Tabela 6 - Distribuição numérica e percentual do julgamento das vozes dos repórteres (R1, R2 e R3), considerando os acertos e erros realizado pelas fonoaudiólogas. Acertos Erros Combinações n % n % p-valor Pré Pós 3 100,0 0 0,0 - Pós Pré 3 100,0 0 0,0 - Pré Pré 2 66,7 1 33,3 - Pós Pós 1 33,3 2 66,7 - R1 Total R1 9 75,0 3 25,0 0,0457* Pós Pós 3 100,0 0 0,0 - Pré Pós 1 33,3 2 66,7 - Pós Pré 1 33,3 2 66,7 - Pré Pré 1 33,3 2 66,7 - R2 Total R2 6 50,0 6 50,0 0,5177 Pós Pré 3 100,0 0 0,0 - Pós Pós 3 100,0 0 0,0 - Pré Pós 2 66,7 1 33,3 - Pré Pré 1 33,3 2 66,7 - R3 Total R3 9 75,0 3 25,0 0,0457* Total 24 75,0 12 37,5 0,0232* Teste de Wilcoxon Rank Sum

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Tabela 7 -Distribuição numérica e percentual do julgamento das vozes dos repórteres (R1, R2 e R3), considerando os momentos pré e pós intervenção fonoaudiológica, julgado pelas fonoaudiólogas.

Pré Pós Igual P-valor n % n % n % Pré X Pós Pré pós 0 0,0 3 100,0 0 0,0 Pós pré 0 0,0 3 100,0 0 0,0 R1 Total 0 0,0 6 100,0 0 0,0 0,0098* Pré pós 1 33,3 1 33,3 1 33,3 Pós pré 2 66,7 1 33,3 0 0,0 R2 Total 3 50,0 2 33,3 1 16,7 0,7245 Pós pré 0 0,0 3 100,0 0 0,0 Pré pós 0 0,0 2 66,7 1 33,3 R3 Total 0 0,0 5 83,3 1 16,7 0,0184*

Teste de Wilcoxon Rank Sum * Significante

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Tabela 8: Distribuição numérica e percentual dos termos mais referidos por quem acertou as combinações de vozes, em relação aos repórteres (R1, R2 e R3) julgados pelas fonoaudiólogas.

Clareza Credibilidade Segurança Envolvimento Combinações n % n % n % n % P-valor R1 Pré pós 2 66,7 0 0,0 2 66,7 0 0,0 Pós pré 2 66,7 0 0,0 2 66,7 1 33,3 Pré pré 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Pós pós 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 R2 Pós pós 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Pré pós 0 0,0 0 0,0 1 100,0 0 0,0 Pós pré 0 0,0 0 0,0 1 100,0 0 0,0 Pré pré 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 R3 Pós pré 2 66,7 0 0,0 0 0,0 1 33,3 Pós pós 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Pré pós 2 100,0 0 0,0 0 0,0 1 50,0 Pré pré 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Total 8 72,7 0 0,0 6 54,5 3 27,3 0,0032

Teste de Kruskal-Wallis Rank Sum * Significante

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6 DISCUSSÃO

Conforme explicitado na introdução desta dissertação, a presente pesquisa tomou como ponto de partida o trabalho de AZEVEDO (2007) defendido no mesmo programa de Pós-Graduação. O avanço aqui proposto foi na direção de, ao ser realizado no mesmo local proposto por AZEVEDO (2007) - emissora de TV universitária - atuar com outro tipo de profissional, no caso repórter, e fazer uso de estratégias de auto- percepção, como princípio da intervenção fonoaudiológica.

Se AZEVEDO (2007) analisou os efeitos da intervenção por ela proposta, a partir da perspectiva dos participantes e de telespectadores, para esta pesquisa optou-se pelos últimos e por fonoaudiólogas, com experiência na área de TV.

A seguir, a discussão destaca os resultados desse julgamento, e finaliza com considerações a respeito da intervenção e da forma de análise utilizada.

Os resultados da tabela 1 mostraram diferença significante (p<0,0001) a favor dos acertos julgados pelos telespectadores, na maioria das combinações de vozes dos três repórteres. Embora a diferença tenha sido significante na leitura dos acertos, verificou-se que R2 foi entre os três sujeitos estudados, o que apresentou menor porcentagem, quando comparado a R1 e R3. Esses acertos referiram-se às combinações de vozes semelhantes (pré pré e pós pós).

A melhora apontada pelos telespectadores na performance dos três repórteres, no momento pós-intervenção fonoaudiológica foi registrada na Tabela 2, fato que revelou o efeito positivo da intervenção e corroborou com os achados da literatura (AZEVEDO 2007; SOUZA 2007).

A pesquisa de AZEVEDO (2007) privilegiou a análise das variáveis sexo e idade na comparação dos telespectadores. Ao considerar que os achados de sua pesquisa não evidenciaram diferenças dessa natureza

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entre os juízes, optou-se neste trabalho analisar a variável ocupação, e comparar os achados entre os grupos com e sem.

Na comparação entre os acertos julgados pelos telespectadores dos grupos com e sem ocupação (Tabela 4), não foi observada diferença estatisticamente significante, fato que conduziu à conclusão de que no universo estudado (contexto universitário) não houve diferença nos julgamentos realizados.

Apesar de constatada a diferença, foi possível observar que o grupo sem ocupação, composto exclusivamente por estudantes apresentou menos acertos nas combinações de vozes dos repórteres. Tal fato pode estar relacionado ao interesse e também à disponibilidade desse grupo, uma vez que demonstrou menor envolvimento com a pesquisa, talvez por realizarem o julgamento da gravação das vozes em intervalos de aula. Por outro lado, o grupo de pessoas com ocupação além de apresentar uma média de idade superior (33,0 anos) ao grupo sem ocupação, utilizou um tempo maior para avaliar as vozes, uma vez que não estava em horário de trabalho.

Quanto ao julgamento realizado pelas fonoaudiólogas, este também foi efetuado de forma aleatória, por meio de avaliação perceptivo- auditiva, e evidenciou que elas perceberam diferença estatisticamente significante nos relatos de notícias de R1 (p=0,0457) e R3 (p=0,0457) (Tabela 6). Ao contrário dos telespectadores, estas não perceberam diferença em relação a R2, e este foi quem apresentou maior porcentagem de erros. Tais achados vão ao encontro dos obtidos pelos telespectadores, embora em número não suficiente para apontar diferença estatística.

As fonoaudiólogas julgaram melhor o momento pós-intervenção em maior número (Tabela 7), dado que corroborou com os encontrados pelos telespectadores.

Pode-se concluir que, tanto o telespectador, público alvo do telejornalismo, quanto as fonoaudiólogas, profissionais com técnica especializada, apresentaram avaliações próximas em relação às

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combinações apresentadas por todos os repórteres (inclusive R2) e reconheceram diferença a favor do momento pós-intervenção.

O discurso apresentado por R2 ao final do processo de intervenção pode estar relacionado ao fato desse repórter não ter incorporado o trabalho realizado da mesma forma que R1 e R3: “Acredito que devido

aos atrasos que apresentei, por ter outro emprego, não pude me dedicar integralmente, senti que poderia ter me dedicado bem mais”.

A proposta do programa de intervenção, pelos resultados dos juizes, contribuiu para sensibilizar os repórteres acerca da utilização dos recursos expressivos de forma mais consciente. FEIJÓ (2003) afirma que as variações na comunicação oral são utilizadas pelos falantes de forma inconsciente. Contudo, no que se refere aos profissionais do telejornalismo, sua fala pode ser construída e, dessa forma, o fonoaudiólogo, ao propor atividades para trabalhar os parâmetros inerentes à expressividade oral possibilita, aos participantes fazerem uso de diferentes sons e perceberem os efeitos por eles gerados.

Provavelmente, o efeito positivo deu-se ao fato de ter sido considerada a aprendizagem singular dos envolvidos, com respeito às experiências que cada um trouxe, e a sua forma e ritmo de aprendizagem próprios (ZABALA, 1998). O fato de o trabalho ter sido realizado com um grupo pequeno parece ter potencializado esses princípios. Cabe lembrar que nenhum dos participantes submeteu-se anteriormente a um processo dessa natureza, o que imprimiu maior valor à proposta colocada em prática.

Todos os termos apresentados no protocolo foram considerados pelos telespectadores, com registro de diferença significante (p<0,0001), credibilidade foi o mais mencionado (66,9%) (Tabela 3), fato também observado entre os grupos com e sem ocupação. (72,0% e 61,0% respectivamente) (Tabela 5).

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Diferentemente, para as fonoaudiólogas, o termo mais referido foi clareza (72,7%), com diferença estatisticamente significante (0,0032*), (Tabela 8)

Dessa forma, pôde-se concluir que credibilidade (para os telespectadores) e clareza (para os fonoaudiólogos) foram os termos que expressaram em maior número a melhora na performance dos repórteres no momento pós intervenção fonoaudiológica.

Na literatura esses termos são utilizados para definir a fala de profissionais de TV, incluindo os repórteres (MACIEL 1994; FEIJÓ 2003; COTES 2003; FRANÇA 2003; entre outros).

Embora não tenha sido objetivo deste trabalho, a análise dos parâmetros presentes ao se comparar os momentos pré e pós- intervenção fonoaudiológica entre si, evidenciou que houve mudança nos relatos. Tal Mudança pode ser registrada, relacionada a diferente forma de enfatizar as palavras, com uso de parâmetros como pausa, curva melódica, articulação, entre outros, com mais propriedade por parte dos repórteres. Num primeiro momento pode-se dizer que, para as fonoaudiólogas, especialistas na área, o parâmetro de articulação parece ter sido mais privilegiado, quando as mesmas perceberam mais clareza no relato. O arranjo diferenciado das pausas pode ter sido responsável para transmitir a credibilidade, que foi observada pelos telespectadores. Importante lembrar porém, que todos os parâmetros podem de forma integrada, produzir efeitos que dão a quem ouve, maior clareza e credibilidade.

Pesquisadores atuantes na área televisiva (KYRILLOS et al. 2002; COTES 2005; TORRES 2005; STIER e COSTA NETO 2005) afirmaram que há a necessidade do profissional de TV utilizar padrão de voz que garanta atenção dos telespectadores, transmita a notícia com interpretação e credibilidade, e que para isso é necessário que esse profissional tenha plasticidade e habilidade vocal. Certamente o programa aqui proposto, alcançou seu objetivo de sensibilizar os envolvidos.

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Além, da discussão dos achados, algumas considerações a respeito da proposta de intervenção serão explicitadas, com o intuito de contribuir para próximas pesquisas.

O primeiro aspecto, diz respeito ao mapeamento das condições do contexto ocupacional e das demandas, que serviu para nortear o planejamento das ações. Este foi realizado no momento pré-intervenção fonoaudiológica e executado de duas formas: por meio de aplicação de questionário para levantar informações sobre a voz e contexto de trabalho, e avaliação fonoaudiológica, segundo proposta de KYRILLOS (2003b) que contemplou recursos vocais, verbais e não verbais. Esse mapeamento se constituiu em um instrumento de importância para conhecer o grupo participante do processo, e as demandas trazidas por eles, e a partir disso, elaborar um programa de intervenção fonoaudiológica direcionado para suas reais necessidades. Foi observado por meio do questionário que o grupo apresentou ausência de conhecimentos sobre saúde vocal, bem como relato de alguns problemas de saúde geral (digestivos, circulatórios, entre outros). Por meio da avaliação fonoaudiológica, foi possível perceber a utilização inadequada de alguns recursos considerados importantes para uma boa atuação profissional. Diante desse fato, pôde-se observar que o mapeamento direcionou os aspectos que foram abordados na intervenção, e essa foi elaborada com base nas demandas trazidas por um grupo específico, que apresentavam necessidades particulares.

Nessa direção, foram consideradas as diretrizes dadas por FERREIRA (2004) de mapear as condições de produção vocal dos envolvidos antes de qualquer intervenção, e a realização de um diagnóstico da real necessidade dos envolvidos para estabelecer um plano de ação, que pode ser modificado de acordo com o andamento do trabalho fonoaudiológico e suas observações. Segundo a autora, o mesmo deve conter descrição das ações, com definição dos responsáveis, estabelecimento de prazos, prioridades e estratégias adequadas aos profissionais.

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Optou-se para esta pesquisa trabalhar com os participantes em grupo, uma vez que com relação ao trabalho em grupo, VILELA e FERREIRA (2006) concluíram que esse atua como potente forma de intervenção. Tal estratégia possibilita uma dinâmica interativa entre as características sócio-históricas dos envolvidos e, dessa forma, cada qual se transforma no grupo, ao mesmo tempo em que é transformado por ele. GIANNINI e PASSOS (2006) compartilharam da mesma opinião, e acrescentaram que essa estratégia é fundamental para construção de importante espaço terapêutico, além de se constituir em um lugar de acolhimento e identificação, uma vez que os participantes compartilham as mesmas condições de ambiente e contexto profissional, e, com isso, os grupos se transformam em um lugar para descobrir formas de produzir a voz com menos esforço ou, no caso desta pesquisa, sensibilizar para diferentes possibilidades de fala construída.

Ao relatar experiências com grupos de saúde vocal, SIMÃO e CHUN (1997) falaram da opção pelos grupos como forma de facilitar o processo de percepção de si, da própria situação e a dos outros. CHUN em outra obra (1998), acrescentou que, ao realizar intervenção fonoaudiológica com educadoras de escolas municipais, verificou, pelo relato das participantes, que essas reconheceram o trabalho vocal em grupo como responsável pelas mudanças registradas.

Outros trabalhos realizados com grupos de diversas naturezas, também comprovaram o resultado positivo dessa modalidade ( BERGMANN 1998; SALES 1998; LOPES 2000; KYRILLOS 2005).

O fato dos participantes serem estagiários e, portanto conciliarem também os deveres de estudante, fez com que mais uma vez fosse registrada incompatibilidade de horários e a carga horária proposta para a intervenção trouxesse problemas entre repórteres e pesquisadora. Um consenso sobre qual horário seria estabelecido para os encontros e respeitar o mesmo constituiu-se em um empecilho constante, verificado pelos atrasos e encurtamento do processo. Apesar de ter trabalhado com repórteres, esse achado corroborou o encontrado por AZEVEDO (2007)

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que destacou a dificuldade encontrada pelos participantes em cumprir o horário pré estabelecido.

Na leitura das fontes bibliográficas não é possível concluir sobre a carga horária ideal. Contudo, vale enfatizar que, apesar da intervenção fonoaudiológica ter sido realizada em curto período de tempo (nove horas no total), esta mostrou-se efetiva à medida que produziu melhora evidente na performance dos repórteres, segundo julgamento dos telespectadores e fonoaudiólogos.

Provavelmente a obtenção desse efeito, em tempo restrito, pode estar relacionada ao fato que ao atuar na TV, os profissionais apresentam uma fala construída no momento do relato de notícia, o qual apesar de lida ou decorada, deve ser falada de forma natural. Em contrapartida, na comunicação espontânea, os recursos são utilizados de forma inconsciente e traduzem o contexto sócio-historico do falante. Mudanças nesse contexto, portanto necessitam de um processo mais longo.

Em virtude do pouco tempo destinado à intervenção fonoaudiológica, e por acreditar na interação entre os aspectos verbais e não-verbais esses foram trabalhados de forma conjunta, sendo os últimos contemplados, especificamente, em apenas dois encontros.

Na literatura pesquisada, vários autores preconizam essa interação e serviram de base para o presente trabalho. Para KYRILLOS (2005) quando verbal e não-verbal caminham juntos, a eficiência da comunicação é maior. MERCATELLI (2005) corroborou com essa afirmação, e acrescentou, ainda, que é importante que o outro para quem se fala compreenda não só a informação, mas seu verdadeiro sentido, e por isso, a voz, clareza da articulação, gestos, vocabulário, expressão facial e corporal, e aparência, são necessários nesse processo, visto que qualquer alteração em um desses elementos pode desviar a atenção do ouvinte e comprometer o enunciado.

Outro aspecto a ser ressaltado está relacionado às publicações fonoaudiológicas com foco em intervenção, que em muitos casos apenas aborda os recursos vocais (FERREIRA e RICCI 1999; GIROTO e

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MARTINS 2000; CASSOL 2002; TEIXEIRA et al. 2003; PETER e SOUTO 2004; STIER e FEIJÓ 2004; CAMARGO e PENTEADO 2004; STIER e FEIJÓ 2005).

Vale ressaltar que, apesar dos repórteres aqui trabalhados apresentarem mais dificuldades com os recursos vocais, a comunicação não verbal, como gestos, postura e expressão facial, mesmo que com menor periodicidade (dois encontros), não deixaram de ser contemplados dada a sua importância, uma vez que estes complementam e auxiliam na composição da oralidade.

Para MADUREIRA (2005), toda fala é expressiva e no contexto profissional, apesar dos profissionais apresentarem uma fala que é construída, deve transparecer naturalidade ao ouvinte, e, dessa forma acredita-se que a abordagem dos recursos vocais, verbais e não-verbais, contemplados no processo de intervenção, tenham favorecido essa condição. Observou-se, durante os encontros de intervenção fonoaudiológica, boa aceitação em relação às atividades e estratégias pelos participantes.

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