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3. Beskrivelser av verneverdier og brukerinteresser … 22

3.3 Samfunn

A Satisfação de Vida tem sido também um tema bastante investigado entre as crianças e adolescentes afastados da família, como já foi referido anteriormente. Deste modo, para as crianças e adolescentes que vivem em acolhimentos institucionais, as pessoas com quem convivem no seu quotidiano passam a integrar as suas redes de apoio social e afetivo, constituindo a própria instituição o seu ambiente principal (Yunes & cols., 2004, cit. in (Siqueira & Dell’Aglio, 2010).

Assim, nas instituições, muitas crianças e jovens, ao mesmo tempo que vivenciam sentimentos de sofrimento, tristeza e abandono, decorrentes do afastamento da família, passam também a ter acesso a condições de vida melhores. Deste modo, revela-se essencial e tendo em conta a situação de vulnerabilidade em que as crianças e os adolescentes vivem, investigar o grau de satisfação de vida destas crianças.

Bem-estar subjetivo

O bem-estar subjetivo (BES) está relacionado com o que as pessoas pensam, avaliam e sentem em relação às suas próprias vidas. Assim, o BES é composto por um componente afetivo que corresponde ao afeto positivo e afeto negativo e um componente cognitivo, a satisfação de vida, que envolve os aspetos racionais e intelectuais (Ryff & Keyes, 1995; Schimmack, Radhakrishnan, Oishi, Dzokoto & Ahadi, 2002).

A Satisfação de Vida como componente do bem-estar subjetivo, está relacionada à avaliação cognitiva global, aos julgamentos que um indivíduo faz sobre sua própria vida,

envolvendo aspetos racionais e intelectuais (Diener, 1994; Giacomoni & Hutz, 2008; Serafini, 2008; Ryff & Keyes,1995) ou à avaliação sobre domínios específicos da sua vida, como, por exemplo, a família, o trabalho, a vida escolar (Giacomoni & Hutz, 2008).

De acordo com Lucas, Diener e Such (1996), a avaliação que a pessoa faz de si própria engloba aspetos reais da sua vida, tendo em conta os aspetos positivos e negativos, alcançando uma avaliação da satisfação geral de vida. Assim, esta avaliação que a pessoa faz de si mesma é estável ao longo do tempo, sendo ainda independente do estado emocional da pessoa nesse momento de avaliação (Dell’Aglio & Siqueira, 2010).

Parecem existir diversas variáveis que podem influenciar a perceção de felicidade por parte da pessoa, como a idade, escolaridade, características pessoais (autonomia, autoestima, orientação pessoal e social positiva) e da personalidade da pessoa. Deste modo, uma pessoa que tenha autonomia, autoestima, orientação pessoal e social positiva, tende a ser mais otimista perante os eventos vivenciados como potencialmente stressores, atuando estas como fatores protetores (Diener & Diener, 1995, cit. in Schimmack et al., 2002).

No entanto, para além das características positivas de cada indivíduo, a rede de suporte familiar (apoio afetivo disponível) e social (sistemas externos de apoio, interações sociais), reforçam a capacidade do indivíduo para lidar com situações adversas (Dell’Aglio & Siqueira, 2010).

Deste modo, em crianças e adolescentes que vivenciam situações de risco, a orientação pessoal e social positiva, rede de apoio social e afetivo, representam fatores de proteção. De acordo com Brito e Koller (1999, cit. in Marzol, Bonafé & Yunes, 2012), a rede de apoio social é o conjunto de sistemas de pessoas significativas que compõem as relações estabelecidas e percebidas pelo indivíduo.

Assim, o apoio social e afetivo está relacionado com a perceção que o indivíduo tem em relação ao seu mundo social e com os recursos que esse lhe oferece como proteção e força, perante situações de risco (Brito & Koller, 1999, cit. in Siqueira, Betts & Dell’Aglio, 2006).

Nos últimos anos, a área da Psicologia, tem-se revelado, então, bastante interessada no estudo do desenvolvimento psicológico saudável nas diferentes etapas do ciclo vital, sendo que apenas recentemente se realizaram estudos com crianças e adolescentes, procurando investigar a sua satisfação com a vida (Ben-Zur, 2003; Hunter & Csikszentmihalyi, 2003; Suldo & Huebner, 2006, cit. in Segabinazi, Giacomoni, Dias, Teixeira & Moraes, 2010).

Siqueira, Betts e Dell’Aglio realizaram em 2006, um estudo com 35 adolescentes, com idades compreendidas entre 11 e 16 anos, de ambos os sexos, relativamente à perceção de adolescentes, que moram em instituições, quanto às suas redes de apoio social e afetivo, tendo em vista que se encontram num contexto diferenciado de desenvolvimento. Os resultados obtidos, permitiram verificar que as crianças que viviam em acolhimento apresentaram em maior média de contactos satisfatórios que as crianças que residem em contexto familiar. No que diz respeito, às diferenças de género, as meninas percecionam as

suas relações dentro da instituição como mais satisfatórias que os rapazes, sendo estas diferenças significativas (Siqueira, Betts & Dell’Aglio, 2006).

Já, num outro estudo realizado por Siqueira e DellAglio (2010) com 155 crianças e adolescentes institucionalizados, de ambos os sexos, dos 7 a 16 anos, relativo ao desempenho escolar, satisfação de vida e rede de apoio social, pôde concluir-se que as crianças que se encontravam em situação de acolhimento revelam boa satisfação de vida, o que pode sugerir que o acolhimento institucional pode revelar-se uma fonte de apoio e satisfação para as crianças.

Num outro estudo, longitudinal realizado com 1080 crianças e adolescentes, dos 7 aos 16 anos, em situação de vulnerabilidade, que viviam com a família ou em instituições de acolhimento, procurou-se investigar o bem-estar subjetivo e eventos de vida stressantes. Os resultados demonstraram que as crianças que viviam em contexto familiar vivenciavam menos situações stressantes, mais satisfação de vida com a família e com eles próprios, quando comparados aos institucionalizados. Por outro lado, o grupo das crianças institucionalizadas revelaram valores mais satisfatórios em relação à a escola e às amizades. Todavia, verificou- se que à medida que o tempo passa, a satisfação com o self e self comparado aumentou, provavelmente devido aos cuidados recebidos na instituição e ao afastamento das situações adversas na família (Polleto, 2011).

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