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Samferdselsberedskap . 153

In document (2004–2005) (sider 153-174)

Contrariamente ao objecto permanente piagetiano,que uma vez construído se mantém existencialmente estático, o objec to libidinal não permanece idêntico a si mesmo; vai, pelo con- trário, sofrer profundas alterações no curso de vida do indiví duo, em funções das sucessivas alterações das imagens e expe- riências afectivas. Todavia, o aparecimento do objecto libidi-

(1) COBLINER, W.G., op. cit.,p. 262 (2) Cf. Id, ib., p. 254

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nal implica o objecto permanente,na medida em que não podemos prés supor um objecto libidinal fora da relação objectai,e esta con

ceptualmente "vazia". -;

Se será preenchida, do ponto de vista conceptual pe la permanência do objecto, tal como Piaget a fórmula, ë o que tentaremos ver: de um ponto de vista psicológico é preenchida

por todas as observações realizadas na interacção mãe filho(X)-

Para Piaget, a criança até aos dois primeiros meses ë capaz de um processo relacional relativamente a um objecto exterior, mas sem reconhecimento; o que poderá "recordar" quan do da repetição da situação (por exemplo da sucção), não cor- responde ã assimilação de estímulos exteroceptivos, mas ã as- similação de um todo global de estímulos proprioceptivos e in- teroceptivos.

Conferência na Sorbone em 1954, Piaget contesta que o conceito psicanalítico das relações de objecto esteja ligado à evolução das pulsões e das étapes psicossexuais, mas aceita que através daquele processo relacional se constrói o conceito do não - eu, e que este é determinado pelo elemento humano que se ocupa da criança, pois ë do corpo desse elemento que ela adquire a primeira noção de espaço, sendo a noção de objecto indissociável das outras categorias do real, tais como o tempo e a causalidade. "La personne d'autrui est un objet affectif».» au suprême degré, mais elle est en même temps l'objet cognitif le plus intéressant ... et je le répète, le plus instructif â ce niveau qui est source de perception .... Donc Ja personne d'autrui est un objet qui suppose une multitude d'échanges dans lesquels interviennent â la fois des facteurs cognitifs tout autant que des facteurs affectifs" (2).

Não podemos entretanto esquecer que Piaget distingue entre formas inferiores de adaptação biológica, e formas supe- riores de adaptação psicológica, que constituem a inteligência. Esta espécie de clivagem, não obstante a multiplicidade de ex-

il) Cf. Id., ib. (2) Id., ib., p. 261

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periências, limita o objecto permanente piagetiano a uma cate- goria necessária ao sistema lógico, mas carece das experiências "subjectivas" da criança. Entretanto a psicologia psicanalíti- ca do EU (1) ultrapassa este quadro conceptual e a interacção biológica mãe filho aparece, e é cada vez mais, investida como uma forma de passagem entre níveis biofisiolõgicos ( estádios psicossexuais) a níveis psicossociais (mundo das relações objec tais).

Rapaport,abordando a autonomia do EU (2) põe em evi dência a necessidade de explicar o conflito original que nasce na relação objectai considerando que, a partir das diferenças individuais que se encontram nas crianças desde o início do de senvolvimento (3), será de aceitar determinantes inatos da per sonalidade. Considera ainda que qualquer que seja a uniformida de inter-individual que se verifique nessas determinantes, as diferenças individuais reforçam o inatismo destes dados carac- terísticos da espécie e do indivíduo biológico antes que se te nha manifestado o conflito e a experiência. Serão elementos que precedem o conflito e que se revertem no núcleo do desenvolvi- mento do EU. Foi Hartman que sistematizou o papel que estes ele mentos desempenham no EU (4), chamando ã sua autonomia, autono mia primária (que antecede a autonomia secundária, constituída esta sobretudo por mecanismos de defesas que se apresentam sob a forma de motivação das condutas).

As funções que estejam fora do alcance do conflito pertencem ã esfera livre dos conflitos do EU. A partir do papel

(1) Cf. HARTMAN, H., EGO Psychology and the Problem of Adaptation, New York, International Universities Press, 1958. (2) Cf. RAPAPORT, D., The Structure of Psychoanalytical Theory; A siste-

matizing Attempt, New York, International Universi^ ties Press, 1960

(3) Cf. ESCALONA, S.K., "Patterns of infantile experience and the deve- lopmental ] s", in The Psychoanal. Study of the Chi- ..,-ui, Vol. XVIII

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desta autonomia primária no desenvolvimento do EU,Hartmann che ga ã conclusão de que a concepção corrente de que o Id preexis te ao EU é incorrecta;deve haver um período no desenvolvimento indiferenciado no ser humano em que o EU e o Id coexistem, mas é pela diferenciação a partir dessa fase indiscriminada que sur- gem tanto o EU como o Id.

Rapaport refere ainda que o psicólogo de psicologia evolutiva e do instinto reconheceram algo de parecido antes de Hartman. Nessa perspectiva evolutiva há também uma fase inicial indiferenciada em que as representações são figurativas,os con ceitos confusos e a experiência desorganizada.Os biólogos,por ou tro lado reconheceram que a adaptação ã sociedade altera o com portamento instintivo. Por exemplo, a coordenação rígida de ten são do impulso e os objectivos a atingir, tão evidente em cer- tas espécies animais, perde-se nos processos adaptativos do ser humano.

A existência de elementos inatos estruturais na fa- se indiferenciada pode ser o que provoca evolutivamente a dife renciação EU e Id. O EU em desenvolvimento, integra estes ele- mentos estruturais (motricidade, percepção e memória/entre ou- tros) e assume a sua função limitadora e reguladora de descar- ga, sob a forma de mecanismos de defesa (l) .

(1) Cf. RAPAPORT, D.,"The Sructure of Psychoanalytical Theory: A sistema- tizing Attempt", apt, cit.

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CONCLUSÕES

Conforme o que acabamos de expor, a área de convergência entre as teorias de Freud e Piaget aparece - pelo menos até este momento - constituída pelos seguintes elementos,ou reais pontos de contacto:entre ambas:

19 - Ambas podem ser encaradas numa perspectiva de psicologia de desenvolvimento, (sem que aí seja considerada a pers- pectiva de "construção" social).

29 - A descrição do mundo mágico da criança, segundo Piaget, tem fortes semelhanças com o mundo descrito por Freud.

Ambos consideram que a criança acredita que os seus -pró-

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