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Saksbehandling og begrunnelse

Segundo Fortin (2003) o estudo de caso enquadra-se nos estudos descritivos. Por norma este tipo de estudo limita-se a caracterizar o fenómeno pelo qual alguém se interessa. Tem como principal objetivo discriminar os fatores determinantes ou conceitos que, eventualmente possam estar associados ao fenómeno em estudo.

Ao elaborar-se um estudo de caso, é possível extrair a complexidade do mesmo, explorando-o detalhadamente, sendo possível uma análise ao mesmo de uma forma holística. Neste caso o principal interesse é o estudo de caso em si ao invés das técnicas metodológicas utilizadas (Johansson, 2003). Também neste caso, e para que o mesmo tenha validade cientifica não pode ser descurada uma pesquisa teórica forte, rigorosa e completa, que considere diversos autores e teorias, pois é a análise do caso através destas diferentes abordagens que oferece a maior riqueza deste tipo de metodologia (Johansson, 2003). Ao elaborar o presente estudo de caso foi possível assim a integração da investigação em Enfermagem nos cuidados prestados, analisando a prática real de forma crítica, possibilitando assim a melhoria gradual dos cuidados de enfermagem prestados, tal como a evolução profissional da Enfermagem. Para além disto, permitiram a reflexão acerca dos cuidados prestados e da postura como enfermeiro especialista possibilitando algumas correções e adequações a situações idênticas no futuro.

Segundo Yin (2010) o estudo de caso consiste numa abordagem metodológica de investigação especialmente utilizada quando se procura compreender, explorar ou descrever acontecimentos e contextos complexos nos quais estão simultaneamente envolvidos diversos factores.

60 Assim, segundo o mesmo autor os estudos de caso enquadram-se numa abordagem qualitativa, constituindo uma estratégia de pesquisa utilizada nas Ciências Sociais, com bastante regularidade. Por norma, é a estratégia mais utilizada quando se pretende conhecer o “como?” e o “porquê?”, quando o controlo dos acontecimentos reais por parte do investigador é escasso ou mesmo inexistente, e quando o campo de investigação se concentra num fenómeno natural dentro de um contexto da vida real. Por outro lado Bell (1989) define o estudo de caso como um conjunto de métodos de pesquisa cuja principal preocupação é a interação entre factores e eventos. Fidel (1992) refere que o método de estudo de caso é um método específico de pesquisa de campo. Estudos de campo são investigações de fenómenos à medida que ocorrem, sem qualquer interferência significativa por parte do investigador.

Ponte (2006: 2) define ainda estudo de caso como:

“Uma investigação que se assume como particularística, isto é, que se debruça deliberadamente sobre uma situação específica que se supõe ser única ou especial, pelo menos em certos aspetos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico e, desse modo, contribuir para a compreensão global de um certo fenómeno de interesse.”

O grande objetivo dos estudos de caso é, segundo Fidel (1992), compreender o evento em estudo e simultaneamente desenvolver teorias mais genéricas a respeito do fenómeno observado. Para Yin (2010) e como foi anteriormente referido o objetivo do estudo de caso é explorar, descrever ou explicar e segundo Guba e Lincoln (1994) o objetivo consiste em relatar os factos como aconteceram, descrever situações ou factos, proporcionar conhecimento acerca do fenómeno estudado e comprovar ou contrastar efeitos e relações presentes no caso.

Gomez, Flores e Jimenez (1996) referem ainda que o objetivo geral de um estudo de caso é explorar, descrever, explicar, avaliar e/ou transformar.

No que diz respeito às críticas e limitações dos estudos de caso, e segundo Yin (2010), o mesmo enquanto plano de investigação, apresenta falta de rigor, salvaguardando no entanto que existem formas de evidenciar a validade e confiabilidade do estudo. Outra crítica baseia-se no facto do investigador poder “contaminar” o estudo através de falsas evidências ou visões destorcidas da realidade que se observa. Para além disso vários

61 autores alertam para o facto do estudo de caso fornecer uma base muito limitada de generalizações, não sendo extensível a toda a população as conclusões obtidas, pelo que são pouco adequados para formular explicações ou descrições de tipo geral.

Yin (2010) refere ainda que planos de investigação como o Estudo de Caso são muito extensos e demoram muito tempo a serem concluídos.

Por último, Hamel et al. (1993) realçam os problemas de escrita quando se recorre ao Estudo de Caso. Desta forma, ao usar materiais de diferentes origens e dada a análise em profundidade que o processo implica, o estudo de caso apresenta claramente problemas na literatura e de uma forma mais geral na linguagem.

Quanto à principal vantagem do estudo de caso podemos considerar a sua relativa simplicidade e os baixos custos para se obter o estudo, já que podem ser realizados por um único investigador ou por um grupo pequeno, e além disso não requer o uso de técnicas maciças de recolha de dados, como as constantes nos métodos de investigação. Assim, a utilidade do estudo de caso é maior quando se trata de realizar investigações exploratórias. São muito flexíveis e adequados para as fases iniciais de uma investigação de temas complexos, para formular hipóteses de trabalho ou reconhecer quais as principais variáveis de uma situação.

No que concerne ao processo de recolha de dados, o estudo de caso recorre a várias técnicas próprias da investigação qualitativa, nomeadamente o diário de bordo, o relatório, a entrevista e a observação. A utilização destes diferentes instrumentos constitui uma forma de obtenção de dados de diferentes tipos, os quais proporcionam a possibilidade de cruzamento de informação (Brunheira, s/d).