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3.4 Lokal skjønnsutøvelse kontra statlige retningslinjer

3.4.2 Saksbehandling

Conforme observamos, o ensino de português na Argentina começou por volta de 1932, mas com um caráter bastante irregular e seu crescimento vem se dando paulatinamente, principalmente a partir das ações do Mercosul. Num contexto geral, o ensino de Português como Língua Estrangeira começou a ser desenvolvido a partir de meados da década de 60, conforme nos aponta Gomes de Mattos (1989) e este processo deflagrou uma produção de livros tanto no Brasil30, quanto em outros países. Nosso foco, neste momento, será a produção argentina destes

materiais.

A produção de livros didáticos oficiais de PLE na Argentina é bastante recente. Conforme González (2015) foram produzidos cinco livros didáticos com o objetivo de ensinar PLE a hispanofalantes. Em 1997, Um português bem Brasileiro (Volumes 1 a 4), de autoria de Egle da Silva, é lançado pelo Centro Cultural Brasil Argentina (CCBA) e produzido pela Fundação Centro de Estudos Brasileiros (FUNCEB). Nos anos 2000, Conhecendo o Brasil - Nível Básico é lançado e produzido pelas mesmas instituições. Em 2005, Português Dinâmico é lançado, em dois volumes, por duas autoras independentes, Santinha André e Maria Marta Santa Maria. Por último, em 2010, Brasil Intercultural é lançado pela Casa do Brasil em Buenos Aires e

Horizontes: Rumo à proficiência em língua portuguesa pelas autoras independentes Adriana Almeida e Cibele Barbosa.

Um português bem Brasileiro é apresentado pelo então Ministro da Educação e do Desporto no Brasil, Paulo Renato Souza, como um método de ensino que se baseia “numa

abordagem comunicativa, visando a que os alunos sejam capazes de exprimir-se corretamente tanto na língua oral quanto na língua escrita”. Ele também esclarece que, na obra, os alunos terão contato com textos reais de diversas fontes brasileiras e aprenderão distintos aspectos da diversidade da cultura brasileira.

Observamos que, dos quatro níveis, apenas o primeiro traz uma apresentação da obra. Também é somente o nível 1 que apresenta uma unidade introdutória intitulada “Fonologia”. Nesta seção, são apresentadas, quase que exclusivamente, aspectos fonológicos do português padrão brasileiro. Estes são trabalhados a partir de explicações e quadros estruturados e também de canções e áudios de algumas frases. Além destes aspectos, aparece uma atividade de concordância com a primeira pessoa do plural, uma relacionada a cumprimentos adequados a determinadas situações (a partir de uma breve apresentação destes), duas atividades solicitando respostas relacionadas a expressões de tempo (também apresentadas brevemente) e uma micro divisão que trata da divisão política do país, apresentando um mapa e solicitando que o aluno identifique informações explícitas a respeito desta organização territorial.

As demais unidades são organizadas da seguinte maneira: apresentam um texto inicial seguido de um “Questionário” (perguntas sobre o texto), “Equivalência” (relações lexicais entre palavras e/ou expressões), “Atenção” (observações sobre diferentes aspectos gramaticais), “Verbos” (explicações específicos com relação a verbos), “Exercício” (atividades gramaticais”, uma seção com o título do aspecto gramatical estudado na unidade (diferente de verbo) e três seções que não estão presentes em todas as unidades “Música” (letras de música para serem completadas ou apenas ouvidas), “Aprendendo a conversar” (proposta de produção de diálogos) e “Vocabulário” (apresentação dos significados de termos relacionados à unidade). Ainda que, na apresentação deste material, seja explicitado que o aluno aprenderá a comunicar-se escrita e oralmente, observamos uma predominância pela escrita. Com relação aos aspectos linguísticos, há um grande espaço para a gramática em detrimento dos demais aspectos, e a cultura pouco aparece em meio a estas seções.

Passando para obra seguinte, Conhecendo o Brasil - Nível Básico, não podemos apresentar uma breve análise, pois não tivemos acesso a ela, nem mesmo para analisar a apresentação que é feita deste material. Os professores que participaram de nossa pesquisa e professores universitários nos informaram que houve pouca divulgação e utilização deste material visto seu excesso de lacunas. Ainda é relevante informar que este material não foi apontado por nenhum dos professores participantes de nossa pesquisa como sendo utilizado em qualquer contexto de ensino.

Seguimos, então, com uma breve análise do Português Dinâmico, que é apresentado por suas autoras, como um livro didático que tem como objetivo “levar ao aluno o conhecimento da língua portuguesa de uma forma clara onde a gramática vai de mãos dadas com os temas atuais e culturais do Brasil”.

A obra traz a personagem “Saci Pererê” que guia o aluno pelas diferentes seções de cada unidade: “Aprendendo” (conteúdos de diferentes ordens são apresentados – gramático, léxico, etc.), “Sistematizando” (organização de conteúdos de diferentes ordens já trabalhados), “Verbos” (explicações referentes a verbos), “Exercícios” (atividades de diferentes ordens que podem trabalhar quaisquer dos conteúdos tratados nas seções da unidade), “Parece mas não é” (reservada para tratar dos falsos cognatos entre língua portuguesa e língua espanhola), “Fique de olho” (conhecimentos lexicais), “Dicionário” (apresentação dos significados de termos relacionados à unidade), “CD” (atividades ou exposições a partir de áudios), “Conversando” (atividades de práticas orais) e “Navegando” (solicitação de pesquisas na web). As seções presentes em todas as unidades são “Aprendendo” e “Exercícios”, as demais alternam-se na construção das unidades. Assim como a obra inicialmente analisada, este material apresenta uma predominância da escrita sobre a oralidade e, como esclarecido pelas autoras, “a gramática anda de mãos dadas” com os demais aspectos e acrescentaríamos que ela é o alicerce para a construção destes.

Continuando a análise das obras produzidas na Argentina, passamos a tratar do Brasil

Intercultural, que tem sua apresentação assinada pela coordenadora do projeto, Edleise Mendes, e pela direção geral, Fabrício Muller e Luiz Carlos Folster. Nesta apresentação, inicialmente, há a informação de que a obra foi produzida para falantes de língua espanhola. Acrescenta-se ainda que o material é voltado ao público que “quer aprender o português do Brasil tal como ele é, rico e diversificado, ambientado dentro da cultura que o marca e que, ao mesmo tempo, é marcado por ela.” A abordagem assumida pela obra é a Intercultural, “centrada numa visão de língua como lugar de interação, como dimensão mediadora das relações que se estabelecem entre sujeitos e mundos culturais diferentes”.

A obra está organizada em um conjunto de quatro volumes, que compreendem os quatro ciclos de aprendizagem de português para falantes de outras línguas, com foco maior nos falantes de língua espanhola, como já dissemos. Cada um dos ciclos que compõem obra organizam-se em dois níveis: Ciclo 1 (Básico 1 e Básico 2); Ciclo 2 (Intermediário 1 e Intermediário 2); Ciclo 3 (Avançado 1 e Avançado 2); Ciclo 4 (Avançado Superior 1 e Avançado Superior 2). Além dos livros, cada ciclo vem acompanhado de livro de exercícios.

Optamos por analisar somente os livros que compõem esta obra e observamos que as unidades estão estruturadas em “Pontos de Partida” (conteúdos de diferentes ordens, culturais, lexicais, gramaticais, etc.), “Interação” (trabalho com gêneros textuais, leitura e compreensão orais e produções oral e escrita) e “Análise Linguística” (aspectos textuais, lexicais e gramaticais). Para facilitar o manuseio da obra, são apresentados símbolos que organização subseções dentro da unidade, estes são apresentados no início de cada ciclo em “Iconografia”. Há símbolos que expressam produção oral, vocabulário, fonética, música, entre outros.

O Ciclo 1 é o único que apresenta uma unidade zero que objetiva apresentar aspectos culturais do Brasil e do povo brasileiro. Observamos que as unidades dos ciclos organizam-se a partir de textos, os demais aspectos emergem destes. Mas, ainda assim, podemos notar um tratamento formal a aspectos da língua, ainda que estejam relacionados às situações da língua em uso, a partir dos textos ou das atividades. Também observamos um predomínio de compreensão e produção escritas em detrimento de compreensão e produção orais.

A continuação, a presentamos o Horizontes: Rumo à proficiência em língua portuguesa. Este é apresentado por uma das autoras, Adriana Almeida, como “uma alternativa para os alunos que desejem revisar, aperfeiçoar e consolidar os conhecimentos linguísticos e culturais adquiridos em níveis básicos, intermediários e avançados.”. A autora ainda esclarece que a obra está pautada em princípios da Abordagem Comunicativa e pretende também corresponder às características da Abordagem Intercultural (MENDES, 2008). Suas unidades organizam-se sempre a partir das seções “Vamos conversar” (apresentação do tema na unidade a partir de interações orais) e “Leitura” (texto relacionado ao tema da unidade). As demais seções não apresentam esta mesma ordem canônica do início. Ainda são constitutivas das unidades: “Interpretação” (questões relacionadas aos textos), “Redação” (produção de textos), “Fonética” (apresentação e atividades com base em aspectos fonéticos), “Revisão gramatical” (aspectos gramaticais da língua), “Compreensão auditiva”, “Atividade oral”, “Atividade escrita e oral”, “Vocabulário” etc. Observamos uma maior equidade em relação a atividades de produção e compreensão escritas e de compreensão e produção orais, mas a gramática ainda é apresentada de forma estrutural.

É importante esclarecermos, neste momento, que nosso foco não é análise destes materiais e por este motivo não nos delongamos em analisá-los, e sim apenas apresentá-los de forma sucinta.

Além dos LDs produzidos na Argentina, alguns LDs brasileiros também são utilizados pelos professores como material didático ou de apoio em diferentes contextos de ensino, bem como modelo para a produção de seus próprios recursos didáticos.

Após esta breve apresentação do tópico relacionado à produção de materiais didáticos, passaremos a conhecer em quais públicos estes são utilizados. Iremos discorre a partir de agora sobre os diferentes contextos em que se ensina e se aprende português no país.