6. DESKRIPTIV STATISTIKK OG VARIABELBESKRIVELSE
6.4 S YKDOMSBILDET
Inicialmente, Shulman (1986), descreveu três conhecimentos que os professores devem possuir:
a) conhecimento do conteúdo específico; b) conhecimento pedagógico do conteúdo; e c) conhecimento do currículo.
De acordo com Shulman (1986), o conhecimento do conteúdo refere-se aos conhecimentos relativos à organização do conhecimento, aos conceitos, teorias, ideias, assim como práticas e abordagens para desenvolver esse conhecimento. Trata-se de dois tipos de conhecimento: o conhecimento substantivo e o conhecimento sintático. As estruturas substantivas incluem paradigmas explicativos utilizados pela área. As estruturas sintáticas de uma área, por sua vez, referem-se a padrões que uma comunidade disciplinar estabeleceu de forma a orientar as pesquisas na área. Refere-se à forma como os novos conhecimentos podem ser introduzidos e aceitos pela comunidade, envolve conhecimento de formas pelas quais a disciplina constrói e avalia novo conhecimento.
O conhecimento pedagógico do conteúdo refere-se aos conhecimentos aplicados em sala de aula, conhecimento do público alvo e diferentes estratégias para avaliar os conhecimentos dos estudantes, bem como os propósitos educacionais e os valores então representados. Refere-se também
a um conhecimento cognitivo, social e ao desenvolvimento de teorias de aprendizagem e como tais teorias se aplicam na prática.
Este está relacionado a um conjunto de conhecimentos que se estabelecem além do conhecimento técnico, específico àquela disciplina, envolvendo pensamentos e teorias pessoais de um professor quando o mesmo encontra-se em sala de aula lecionando. Shulman (1986), afirma que:
“Dentro da categoria do conhecimento pedagógico do conteúdo se inclui, além dos tópicos mais regularmente ensinados sobre um assunto, as formas mais úteis de representação dessas idéias, as analogias mais poderosas, ilustrações, exemplos, explicações e demonstrações - em uma palavra, as formas de representar e de formular o assunto para que se torne mais compreensível para os outros [...] [Ele] também inclui uma compreensão a respeito dos aspectos que tornam a aprendizagem de determinado conteúdo mais fácil ou difícil: as concepções e preconceitos que os alunos de diferentes idades e origens trazem com eles para a aprendizagem.” (SHULMAN, 1986, p. 9, tradução MARCON et al., 2011).
Por outro lado, o conhecimento curricular está ligado a toda a gama de programas voltados para o ensino de conteúdos específicos relacionados a um determinado nível, à variedade de materiais didáticos disponíveis em relação a esses programas, e ao conjunto de características que apontam os prós e os contras para o uso de um determinado currículo ou materiais de um programa, em determinadas circunstâncias. Também se apresenta, junto aos materiais a ele associados, como ferramenta de ensino para que o professor exponha ou exemplifique o conteúdo específico e corrija ou avalie as realizações dos alunos.
Além disso, o professor também deve ter, dentro do conhecimento do currículo, um conhecimento voltado para a interdisciplinaridade, mostrando-se capaz de relacionar o conteúdo de um determinado curso ou aula a temas ou questões que estão sendo discutidas, simultaneamente em outras aulas. Bem como a familiaridade com os temas e questões que foram e serão ministradas na escola, na mesma disciplina, em anos anteriores e posteriores (SHULMAN, 1986).
Shulman sugere que estes conhecimentos: conhecimento do conteúdo específico e conhecimento do currículo, não participem do PCK, mas sim que, através da transformação destes conhecimentos de base, o PCK possa ser construído.
Em 1986, Shulman destaca que o “conhecimento pedagógico do conteúdo incorpora os aspectos do conteúdo mais pertinentes ao seu ensino.” (p.9, tradução MARCON et al., 2011)
Assim, o PCK é uma categoria específica, dentro do conhecimento prático docente, que direciona e fundamenta as decisões dos mesmos diante do processo de ensino e aprendizagem em um determinado contexto.
Pode ser definido como a união entre os conhecimentos relacionados ao conteúdo e à pedagogia, sendo unicamente de domínio dos professores com suas formas próprias e especiais do entendimento profissional.
Para ajudar a elucidar a natureza do PCK de um professor, Shulman propõe em seu modelo, que ele seja composto por dois componentes:
a) o conhecimento do que ele chama de "representações", ou seja, estratégias instrucionais: ilustrações, analogias, explicações e demonstrações, as quais o professor utiliza buscando tornar determinado assunto acessível para seus alunos; e
b) o conhecimento das "dificuldades de aprendizagem" dos estudantes, ou seja, o que pode tornar a aprendizagem de determinado conteúdo mais fácil ou mais difícil, equívocos dos alunos, as ideias ingênuas, experiências ou ideias preconcebidas sobre um assunto, bem como o conhecimento de quaisquer outras possíveis barreiras à aprendizagem de determinado assunto.
Diante disto, o autor sugere que o professor utilize estas estratégias instrucionais para sanar as dificuldades de aprendizagem identificadas nos alunos.
Posteriormente, em 1987, Shulman propõe uma reorganização dos conhecimentos de base necessários à prática docente. Ele apresenta estes conhecimentos em sete itens:
a) conhecimento do conteúdo disciplinar;
b) conhecimento pedagógico geral (refere-se aos princípios e estratégias de gerenciamento de sala de aula e sua organização);
c) conhecimento curricular (com particular compreensão dos materiais e programas que servem como "ferramentas do ofício" para os professores);
d) conhecimento pedagógico do conteúdo - PCK (aliando conteúdo e pedagogia, que é proveniente do professor, caracterizando sua forma particular de conhecimento profissional);
e) conhecimento dos alunos (suas características, aspectos cognitivos e motivacionais);
f) conhecimento do contexto escolar e educativo (que abrange desde observações e conhecimento sobre o funcionamento do grupo ou da sala de aula, pesquisas sobre como se dá a gestão e o financiamento dos distritos escolares, até o esquadrinhamento do caráter de comunidades e culturas);
g) conhecimento dos fins, propósitos e valores educacionais e suas bases históricas e filosóficas.
Além disso, apresenta o conhecimento pedagógico do conteúdo, composto por estas esferas, como:
"a mistura de conteúdo e pedagogia para a compreensão de como determinados temas, problemas ou questões são organizados, representados e adaptados aos diversos interesses e habilidades de aprendizagem, e apresentados para a instrução" (SHULMAN, 1987, p. 8 – tradução nossa).
E declara que o mesmo pode ser definido como a
“capacidade do professor de transformar o seu conhecimento do conteúdo em formas que sejam pedagogicamente poderosas e adaptáveis às variações de capacidade e de experiências apresentadas pelos alunos.” (SHULMAN, 1987, p.15, tradução MARCON et al., 2011)
Ao analisar o trabalho de Shulman (1987), Marcon et al. (2011) afirmam
que
“apesar de não ter aprofundado suas reflexões no que se refere ao conhecimento dos alunos, [...] demonstra preocupação com as concepções e pré-concepções que diferentes alunos, com distintas idades, gêneros, conhecimentos, habilidades e experiências prévias trazem para a situação de ensino e aprendizagem, principalmente se elas constituírem concepções equivocadas. Nessa perspectiva, é salientada a necessidade de se atentar tanto para a forma como o futuro professor lida com essa diversidade de concepções e pré- concepções quanto para as estratégias implementadas por ele na situação de ensino e aprendizagem, no sentido de ajudar a reorganizar a interpretação e a compreensão dos alunos e encaminhar a reconstrução de seus conhecimentos sobre o assunto” (p.325).
Alarcão (1998), faz referência a estas dimensões apontadas por Shulman (1987), e acrescenta mais uma: conhecimento de sua filiação profissional, que envolve o conhecimento de seu valor, de suas
potencialidades, e de sua função social, relacionados à dinâmica de construção da profissionalidade docente.