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Na cultura de PAM para a extração de constituintes ativos, a colheita deve ter em conta os seguintes aspetos:
- altura da colheita. A quantidade e o tipo de constituintes varia ao longo do ano e até, para muitos constituintes, ao longo do dia. Por exemplo em muitas plantas aromáticas o teor de óleo essencial é maior nas primeiras horas do dia. Assim sendo, a colheita deve ocorrer no momento em que as plantas apresentam o maior teor no ou nos constituintes ativos pretendidos;
- idade das plantas; já que afeta a estrutura quantitativa e qualitativa dos constituintes presentes. Por exemplo, a hortelã-pimenta (Mentha x piperita) tem um maior teor de pulegona nas folhas jovens que depois vai sendo substituída por mentona e mentol com o envelhecimento das folhas (Cunha et al., 2007);
- em modo de produção não biológico, os apropriados tempos de quarentena dos pesticidas, antes de se proceder à colheita;
- estado sanitário das plantas. O material vegetativo danificado por doenças ou por ataques de pragas deve ser rejeitado.
No pós colheita, na produção de plantas para a obtenção de elementos essenciais, é fundamental garantir que a planta não se degrade e os seus constituintes ativos não se alterem. A deterioração dos constituintes das plantas ocorre pelos seguintes agentes e fatores:
- enzimas (hidrolases e oxidases) presentes no conteúdo celular das plantas;
- microorganismos (bactérias, vírus, bolores, leveduras) naturalmente presentes nas plantas ou adquiridos por manipulações inapropriadas, sendo que alguns podem ser patogénicos (salmonelas, microorganismos coliformes, etc);
- teor em água e temperatura que afetam a atividade enzimática e o desenvolvimento e multiplicação de microorganismos. A temperatura elevada determina ainda perdas importantes dos constituintes voláteis, como é o caso dos óleos essenciais;
- luz, pela sua influencia sobre os pigmentos clorofílicos, provocando a rápida descoloração das partes verdes da planta.
Relativamente à contaminação por microorganismos, para os produtos vegetais usados em medicamentos, a Farmacopeia Portuguesa 8 estabelece limites máximos para a presença de microrganismos (Tabela 21).
Tabela 21: Carga microbiana máxima dos produtos vegetais usados em fármacos em função do modo de preparação (nº microorganismos viáveis/ g ou mL)
Tipo de microorganismos Preparações em que intervém a fervura Preparações em que não intervém a fervura bactérias 107 105 fungos e leveduras 105 104
A principal técnica de conservação das PAM após a colheita é a secagem (Epam, 2014); esta provoca a redução da atividade da água [água/(água + solutos)] e assim inibe o desenvolvimento e multiplicação dos microorganismos e a atividade enzimática. Existe ainda a esterilização com radiações ionizantes que altera a composição molecular dos microorganismos, impedindo o seu metabolismo, tendo a vantagem de ser uma esterilização “a frio” e a desvantagem de, ao exigir radiações elevadas, poder originar alterações dos constituintes das plantas.
Os métodos de secagem são os seguintes:
- ao ar livre e sob influência do calor solar; - lugar bem ventilado à sombra; - estufa por ar quente; - túneis ventilados com ar quente, sendo a planta colocada em tabuleiros de rede e saindo da extremidade do túnel já seca; - por raios infravermelhos; - em estufa sob vazio.
A escolha do método depende do seguinte: - tipo de material vegetal e do respetivo teor em água (raízes, estolhos e cascas têm menor percentagem de água que as folhas e sumidades floridas); - clima da região onde se realiza a secagem; - escala da produção.
A temperatura de secagem é, em geral, de 20 ºC a 40 ºC para as folhas e sumidades floridas e de 50 ºC a 70 ºC para cascas e raízes, tendo como objetivo colocar o material vegetal com uma quantidade de água de cerca de 5% (as Farmacopeias referem um valor limite em geral de 10%). No entanto, por vezes há necessidade de utilizar temperaturas maiores para se obter os constituintes desejados. Por exemplo, na baunilha o calor fomenta o aparecimento da vanilina e no lírio a formação de compostos odoríficos (Cunha et al., 2007).
Para facilitar a secagem, muitas vezes o material vegetal que resulta da colheita, sobretudo as raízes, rizomas, bolbos e frutos volumosos, deve ser fragmentado. Após a secagem o material vegetal, que pode estar mais ou menos fragmentado, em função do processamento após colheita, pode ainda ser mais fragmentado ou no limite ser reduzido a pó. Notar porém que quanto maior a divisão do material vegetal, maior a superfície exposta, pelo que aumentam os fenómenos de oxidação (em particular sobre os taninos e os flavonóides, com polimerizações traduzidas em escurecimento do produto) e as perdas de substâncias voláteis. São portanto particularmente sensíveis a este aspeto as plantas contendo óleos essenciais, taninos e constituintes amargos.
No transporte e armazenamento pós-colheita é essencial existir um controlo das condições de temperatura, humidade relativa e luz para evitar a degradação da
planta e a alteração dos seus constituintes ativos, conforme acima referido. Este controlo é necessário não só no curto período entre a colheita e a aplicação da técnica de conservação, habitualmente a secagem, mas também no período, normalmente mais longo, pós-secagem. Consideram-se como referenciais para uma adequada conservação do material vegetal das PAM uma temperatura inferior a 20 ºC e uma humidade relativa entre 40% e 60% (Muñoz, 1996). Na conservação pós secagem outro fator relevante é a forma de embalamento do produto. Relativamente ao tipo de material dos recipientes, o vidro é impermeável, enquanto que o cartão, o papel e até o plástico permitem trocas gasosas com o exterior. A inclusão de gel de sílica no interior da embalagem, de preferência com indicador de humidade, contribui para garantir uma atmosfera isenta de humidade. Os recipientes de plástico e de cartão devem ser evitados para conter material vegetal em formulação de pó ou com constituintes muito voláteis ou alteráveis (taninos, vitaminas, compostos lactónicos). As bolsas em folha de alumínio são adequadas para acondicionar plantas usadas em infusões, tendo porém como desvantagem o seu elevado custo.