9. SYNTESE OG DRØFTING AV FUNN
9.2. S TUDENTROLLEN
Para Reis (1979, p. 198), antes da chegada do rádio na Amazônia, em Santarém já havia uma realidade urbana e rural que se desenvolvia cultural, econômica, social e politicamente, respondendo às adversidades peculiares, natural de uma comunidade em busca de crescimento, afirmação e reconhecimento.
Os municípios do oeste do Pará, entre uma hora e outra, sempre caminharam lado a lado, afirma Reis (1979 p. 198). Mas em nenhum momento houve lugar que se destacasse mais do que Santarém. A cidade sempre teve liderança em virtude de sua localização geográfica, no coração da Amazônia, entre as capitais Belém (Pará) e Manaus (Amazonas), funcionando como entreposto para outros municípios da região.
Cresceu em atividade econômica. Porque começou a dar forma a um pequeno parque industrial, inclusive interessando o capital de outras regiões brasileiras distantes. Porque se vem desenvolvendo no tocante à modificação de seu estágio cultural, através de escolas de ensino secundário e profissionalizante, e melhoria das condições de habitabilidade (REIS, 1979, p. 198).
Reis (1979) se refere a crescimento, resgatando uma das experiências de Santarém na área econômica, capitaneadas pelos sucessivos ciclos. Entre os anos de 1940 e 1980, surgiu o cultivo da juta, em seguida houve a exploração do ouro e da madeira na região. Quando a juta atingiu o seu auge, foi implantada a Tecejuta, uma indústria que chegou a empregar até 1.200 operários. Para a região, esse episódio teve uma importância econômica e social muito significativa.
A companhia de Fiação e Tecelagem de Juta de Santarém (Tecejuta) começou a funcionar oficialmente em 10.11.1951. Em 11 de março do ano seguinte Elias Pinto e Kotaro Tuji foram recebidos pelo presidente Getúlio Vargas no Palácio Rio Negro, em Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Informaram ao chefe do governo sobre a chegada do primeiro contingente de máquinas, procedente do Japão, e acerca do lançamento da pedra fundamental das instalações industriais (PINTO, 2006, p.1).
De acordo com Pinto (2006), a ida da comissão ao Rio de Janeiro teve o propósito de acelerar o cronograma de instalação da primeira indústria de médio porte da cidade, bem
62
como lembrar o compromisso de Getúlio Vargas, então candidato a Presidência, feito aos empresários do município de Santarém um ano antes, quando estava em campanha. A presença de Kotaro Tuji estava relacionada à garantia que o governo brasileiro havia dado aos japoneses sobre a produção da juta no Brasil, especialmente na Amazônia, onde o clima era semelhante ao da Índia, o maior produtor de fibra de juta do mundo, naquela ocasião.Para Wilde Fonseca (2007, p. 150), entre as décadas de 1940 e 1960 do século XX, a região viveu momentos oscilantes, ora em direção ao desenvolvimento, ora à estagnação, porém, soube se conduzir nas duas situações. Na área cultural, a região se destaca pela liderança de Santarém, que registra na literatura as presenças indiscutíveis de escritores como Felisbelo Jaguar Sussuarana, Paulo Rodrigues dos Santos, Padre Manuel Rebouças de Albuquerque, João Bento Veiga dos Santos e Emir Hermes Bemerguy.
Se no campo da música há muito que dizer, o mesmo acontece com relação à literatura. Este, entretanto, abordará com mais destaque os nomes de Felisbelo Jaguar Sussuarana, Paulo Rodrigues dos Santos e Padre Manuel de Albuquerque, sem dúvida os três maiores, ao menos até o momento (FONSECA, WILDE, 2007, p. 150).
Na música, de acordo com Wilde Fonseca (2007, p. 150), surgem nomes importantes que viriam representar a região no Estado, no país e até no exterior, como o professor José Agostinho e seu filho, o Maestro Wilson Fonseca, o mais talentoso e brilhante entre os que surgiram no cenário musical de Santarém, com uma produção sem igual.
Wilson Fonseca é o autor de mais de meio milhar de composições, todas escritas e catalogadas pelo próprio autor, agrupadas em dez volumes, dos quais três já foram editados pelo Conselho Estadual de Cultura do Estado do Pará, e o quarto foi mandado editar pelos filhos do compositor, em homenagem ao seu 70º aniversário ocorrido em 1982, cujo lançamento ocorreu em noite de gala no Teatro da Paz, de Belém do Pará, a 24 de outubro de 1982 (FONSECA, WILDE, 2007, p. 138).
Na área da educação são registradas as instalações do Colégio Dom Amando, em 1943, e do Colégio Estadual professor Álvaro Adolfo da Silveira, em 1962. Na área de infraestrutura, o ano 1970 marca o início da abertura da rodovia Santarém-Cuiabá e a construção da Hidrelétrica de Curuá-Una, no município de Santarém-Pará (REIS, 1979).
Reis (1979, p. 198) ressalta a liderança de Santarém na região, com destaque para a cultura, política e economia. A cidade se mantém em constante desenvolvimento.
Santarém, verdadeira capital do Baixo Amazonas, superou assim, todos os demais núcleos que pretenderam rivalizar com ela. Óbidos, Faro, Alenquer, Monte Alegre, Vila Franca, Alter do Chão, Boim, Itaituba perderam na partida. Em nenhum momento mesmo, Santarém deixou-se superar (REIS, 1979, p. 198).
63
Reis (1979) destaca que em alguns momentos Óbidos e Itaituba tentaram superar a cidade de Santarém, como por ocasião do movimento da Cabanagem7 e no ápice do Ciclo da Borracha8. Foi uma supremacia repentina que pouco ou nada significou para a história. Na área cultural, em um momento mais distante, a cidade de Óbidos obteve uma importância grande na literatura, com a participação de seus dois filhos mais ilustres: Inglês de Sousa e José Veríssimo, sendo eles, dois dos cinco fundadores da Academia Brasileira de Letras, no ano de 1895.Este tópico que trata do contexto entre o urbano e o rural é uma reflexão inicial sobre os efeitos que as políticas econômicas e sociais provocam nas comunidades rurais, no interior da Amazônia, e mais especificamente, na região oeste do Estado do Pará.
7
A Cabanagem foi um movimento revolucionário popular que eclodiu em toda a Amazônia, notadamente no Pará, entre os anos de 1833 a 1840, muito embora motins já viessem acontecendo desde muito antes, num período chamado de pré-cabanagem, (FONSECA, WILDE, 2007, p. 38).
O nome CABANEGEM deriva do fato de que a grande maioria dos revolucionários era de origem humilde, habitantes de barracas ou cabanas. As causas que deram origem à revolta são várias, mas uma das principais era o antagonismo entre portugueses e brasileiros, (FONSECA, WILDE, 2007, p. 38).
O Estado do Pará, naquela época denominado Província do Grão Pará, foi dos últimos a aderir à independência do Brasil, de forma que, mesmo já sendo nosso país independente de Portugal, os portugueses que viviam no Pará portavam-se como se o Brasil ainda fosse colônia, o que desagradava profundamente os nativos (FONSECA, WILDE, 2007, p. 38).
8A exploração da Borracha, na Amazônia iniciou em 1849, mas o apogeu do ciclo se deu entre 1870 e 1910.
Nesse período ocorreu o maior surto econômico da região. Em 1871, a borracha alcançou o primeiro lugar nas exportações do Pará, com 4,8 milhões de quilos, contra 3,3 milhões de quilos de cacau. Segundo Bárbara Weinstein, em fins da década de 1880 o valor anual das exportações de borracha havia subido 800% na comparação com os números de 1860, e a borracha representava aproximadamente 10% do comércio exterior do Brasil, apesar da acentuada expansão da economia cafeeira no período. “Na virada do século, a borracha se tornaria o segundo produto brasileiro, constituindo 24% da exportação total do país” (BUENO, 2012, p. 37).
64
CAPÍTULO 3
VILA BRASIL E SEUS ASPECTOS GERAIS
Neste capítulo, para destacar o rádio em Vila Brasil, faz-se necessário compreender, minimamente, o cenário do desenvolvimento rural em Santarém. Além disso, discute-se também o contexto histórico-geográfico, econômico-social e cultural, assim como a atual organização institucional de Vila Brasil. As instituições e os moradores antigos são vistos como mediadores importantes ao processo comunicativo na comunidade.